Eu e Dima sonhávamos com aquelas férias havia quatro meses.
Sem mar, sem hotéis, sem estranhos.

Apenas duas semanas em casa, só nós dois, com os despertadores desligados e café da manhã ao meio-dia.
Eu até fiz uma lista.
Não de coisas para fazer, não.
Uma lista das coisas que eu não faria.
Não cozinharia seguindo horários.
Não passaria camisas.
Não atenderia ligações de trabalho.
As primeiras férias de verdade em três anos, e eu pretendia aproveitar até a última gota de silêncio.
Então Tamara Petrovna ligou.
A tia de Dima.
Sessenta e dois anos, voz de diretora de escola e a convicção absoluta de que o mundo inteiro lhe devia alguma coisa.
Eu conseguia ouvi-la do cômodo ao lado, porque Tamara Petrovna não conversa.
Ela faz pronunciamentos.
— Dimochka, decidi passar uns dias aí com vocês.
Uns quatro dias.
Talvez uma semana.
Vamos ver conforme as circunstâncias.
Ela não perguntou.
Não sugeriu.
Decidiu.
Dima olhou para mim com a expressão de alguém que tinha acabado de pisar descalço em uma peça de Lego.
Balancei a cabeça.
Ele abriu os braços.
E eu entendi: ele não diria não.
Porque Tamara Petrovna o criou depois da morte da mãe dele.
Por dois anos, dos doze aos quatorze, até o pai dele se casar novamente.
Dois anos que ela transformou em uma dívida para a vida inteira.
Toda vez que Dima tentava dizer “não”, ela lembrava: “Eu te alimentei quando ninguém se importava com você”.
E ele cedia.
Todas as vezes.
— Tudo bem, — eu disse.
— Que venha.
Mas eu não vou ficar correndo atrás dela.
Dima assentiu.
Rapidamente, aliviado.
Como se isso bastasse.
Ela chegou no dia seguinte.
Às dez da manhã, sem avisar o horário exato.
Abri a porta de pijama, com uma xícara de café na mão e marcas do travesseiro na bochecha.
Tamara Petrovna me olhou da cabeça aos pés.
Devagar.
Avaliando.
Como uma comissão inspecionando uma reforma.
— Lena, você acabou de acordar?
Já são dez horas.
Nada de “bom dia”.
Nada de “obrigada por me receberem”.
Direto para a inspeção.
Ela entrou com duas malas.
Duas!
Para quatro dias.
Eu quis perguntar o que havia dentro, mas mordi a língua.
Dima saiu do quarto e ajudou a carregar as coisas.
Tamara Petrovna caminhou pelo apartamento, passando o dedo nos móveis e verificando se havia poeira.
— As cortinas de vocês estão desbotadas.
Eu falei que vocês deviam colocar cortinas romanas.
Foi a primeira coisa que ela disse sobre a nossa casa.
Tomei um gole de café e fiquei em silêncio.
Na hora do almoço, ficou claro que Tamara Petrovna não tinha trazido apenas as malas, mas também uma programação.
A minha programação, que ela tinha montado na própria cabeça em algum momento do caminho.
— Lenochka, eu estou acostumada a almoçar à uma.
Queria uma sopinha, alguma coisa leve.
E uma salada.
Mas sem pepino, porque me dá azia.
Ela disse isso sentada no sofá com uma revista que havia trazido de casa.
Os pés no pufe.
Com os próprios chinelos de pelúcia.
Já estava instalada.
Eu estava na cozinha e sentia alguma coisa quente subindo dentro de mim.
Ainda não era raiva.
Era mais espanto.
Ela tinha chegado à minha casa, durante as minhas férias, e duas horas depois já estava pedindo almoço.
Como em um restaurante.
— Tamara Petrovna, estamos de férias, — eu disse.
— Cozinhamos quando temos vontade.
A cozinha está livre, os alimentos estão na geladeira.
Ela levantou os olhos da revista.
Olhou para mim como se eu fosse uma garçonete que tivesse trazido a conta errada.
— Lena, você é a dona da casa.
Três palavras.
E dentro delas havia toda uma filosofia.
Você é a dona da casa, então sirva.
Eu sou a convidada, então tenho direito.
Simples, lógico e incontestável.
Dima estava no banho naquele momento.
Preparei massa para mim, coloquei o prato na mesa e me sentei para comer.
Tamara Petrovna ficou olhando para aquilo por uns três minutos.
Depois se levantou, foi até a geladeira e começou a revirar as prateleiras ruidosamente.
Tirava potes, lia os rótulos e suspirava.
— Vocês nem têm caldo?
Do que vocês se alimentam?
— De massa, — respondi, enrolando o espaguete no garfo.
Ela fez um sanduíche para si mesma.
Com a expressão de alguém que tinha sido obrigado a comer em uma trincheira.
Duas fatias de pão, manteiga e queijo.
E no rosto dela estava escrito: vou me lembrar disso e, na primeira oportunidade, contar para toda a família como me deixaram passar fome aqui.
Depois do almoço, Dima saiu do banho, fresco e bem-disposto.
Tamara Petrovna imediatamente voltou a atenção para ele.
— Dimochka, o colchão da cama de hóspedes é horrível.
Minhas costas não permitem que eu durma em uma coisa dessas.
Talvez vocês possam me dar o quarto de vocês?
Vocês são jovens, podem dormir no sofá.
Quase me engasguei com a água.
Dima abriu a boca.
Fechou.
Olhou para mim.
Balancei a cabeça tão devagar e de forma tão expressiva que até as paredes entenderam.
— Tia Tamara, nós temos um sobrecolchão.
Vamos tentar com ele, — ele conseguiu contornar a situação.
Ela apertou os lábios, mas ficou em silêncio.
O primeiro round terminou empatado.
À noite, eu estava deitada na nossa cama contando.
Não ovelhas.
Críticas.
Em um único dia, Tamara Petrovna tinha feito onze observações.
Sobre as cortinas, o colchão, a falta de sopa, meu pijama, o fato de não termos toalha de mesa, a poeira na estante, a música alta demais, o gato que ela considerava anti-higiênico, meu café sem leite, os shorts de Dima e o fato de não irmos à igreja.
Onze.
Em um único dia.
— Dima, — eu disse baixinho.
— Se amanhã for igual, vou dizer tudo a ela.
— Lena, ela já é idosa.
Tenha um pouco de paciência.
Tenha paciência.
Eu ouvia essas palavras dele toda vez que o assunto era a família dele.
Tenha paciência com o primo na casa de campo.
Tenha paciência com a tia.
E quem vai ter paciência comigo?
A manhã do segundo dia começou com Tamara Petrovna levantando às sete.
Às sete!
Estávamos de férias, e ela fazia tanto barulho com a chaleira na cozinha que o gato se escondeu debaixo da cama.
Quando saí às nove, ela estava sentada diante da mesa limpa com a expressão de um general ofendido.
— Estou esperando o café da manhã há duas horas, Lena.
Ela estava esperando o café da manhã.
O café da manhã que eu deveria preparar para ela.
Servi café para mim.
Peguei um iogurte na geladeira.
Sentei-me na frente dela.
— Tamara Petrovna, a senhora é uma pessoa adulta.
Na geladeira há ovos, pão, manteiga, queijo e linguiça.
A frigideira está no armário de baixo.
Eu estou de férias e não pretendo cozinhar sob encomenda.
As sobrancelhas dela começaram a subir.
Devagar, como duas lagartas peludas e surpresas.
— Você está se recusando a me alimentar?
— Estou sugerindo que a senhora cuide de si mesma.
Como todos nós fazemos aqui.
Ela se virou para o corredor.
— Dima!
Dima!
Ele apareceu na porta, sonolento e assustado.
— O que aconteceu?
— Sua esposa se recusa a cozinhar.
Eu, uma pessoa idosa, venho visitar vocês e me dizem para eu mesma fritar meus ovos!
Dima olhou para ela.
Depois para mim.
Eu comia meu iogurte em silêncio.
Calmamente.
Colher, boca, colher, boca.
— Tia Tamara, a Lena realmente está de férias.
Quer que eu faça uma omelete para você?
Ele fez uma omelete para ela.
E eu a vi comer com a expressão de uma mártir.
Cada garfada parecia impregnada de sofrimento.
Mas ela comeu.
Depois do café da manhã, ligou para alguém.
Eu não estava escutando de propósito, mas as paredes do apartamento eram finas.
— Margarita, você não imagina!
A nora ficou completamente sem vergonha.
Fica sentada tomando café enquanto eu estou aqui morrendo de fome.
Dima, pobre menino, precisa cozinhar sozinho.
Ela transformou ele em escravo!
Pobre menino.
Quarenta anos, um metro e oitenta e cinco, engenheiro.
Pobre menino.
Fechei a porta do quarto e me deitei para ler um livro.
Um romance policial que eu tinha comprado especialmente para as férias.
Cento e vinte páginas, e nenhuma delas era sobre a tia do meu marido.
Na hora do almoço, Tamara Petrovna tentou uma nova manobra.
Foi para a cozinha e começou a cozinhar sozinha.
Mas não em silêncio.
Não.
Batendo panelas como se estivesse montando uma bateria.
Cada prato era colocado na mesa com estrondo.
Cada gaveta era aberta com um suspiro, como se dentro dela não houvesse colheres, mas os sonhos destruídos dela.
Agressividade passiva.
Manual, capítulo um.
Eu continuei lendo.
Dima apareceu no quarto.
— Lena, talvez você pudesse ajudá-la?
— Dima, ela é adulta.
Ela cozinhou para si mesma durante cinquenta anos.
Vai conseguir.
— Mas ela fica ofendida.
— Ela está manipulando.
São coisas diferentes.
Ele se sentou na beirada da cama.
Ficou em silêncio por um minuto.
Depois disse:
— Eu sei.
Mas é difícil para mim dizer não a ela.
E naquele momento eu coloquei o livro de lado.
Porque aquilo era mais importante do que o romance policial.
Pela primeira vez em anos, meu marido tinha dito em voz alta algo que nós dois sabíamos.
— Dima, é difícil para ela aceitar que você cresceu.
E é difícil para você aceitar que não deve nada a ela.
Ela criou você por dois anos.
Isso é um fato.
Mas isso não é uma assinatura vitalícia de obediência.
Ele esfregou a ponte do nariz.
Um hábito de infância que aparecia quando ficava nervoso.
— Ela está sozinha.
O marido morreu, os filhos moram longe.
— Ela está sozinha porque é impossível conviver com ela.
Os filhos estão longe porque fugiram.
Isso não é culpa nossa, Dima.
Duro?
Talvez.
Mas eu estava cansada de embrulhar a verdade em um guardanapo.
Ele assentiu.
Não com entusiasmo.
Com compreensão.
O segundo dia foi ficando cada vez pior.
Tamara Petrovna encontrou minha máscara capilar no banheiro e fez uma palestra de vinte minutos sobre como produtos químicos estragam o couro cabeludo.
Depois tentou lavar nossas roupas junto com as dela porque “assim é mais econômico”.
Cada ação vinha acompanhada de um comentário.
Cada comentário era uma crítica.
Cada crítica era uma alfinetada.
Mas eu não reagia.
E era justamente isso que mais a irritava.
À noite, ela tentou sua última carta.
Lágrimas.
— Eu vim visitar vocês porque sinto saudade do Dima.
E vocês dois ficam se escondendo de mim.
Como se eu fosse uma estranha.
Eu criei você, Dimochka.
Lágrimas verdadeiras?
Talvez.
Dor real?
Provavelmente.
Mas o objetivo daquelas lágrimas era claro: recuperar o controle.
Dima a abraçou.
Trouxe chá.
Disse palavras carinhosas.
Mas não disse “desculpa” e não prometeu que tudo mudaria.
Pela primeira vez.
À noite, ele ficou deitado ao meu lado em silêncio.
Depois disse:
— Ela vai embora amanhã.
Estou sentindo.
— Por que você acha isso?
— Porque ela não está conseguindo aquilo para o qual veio.
Ela veio para mandar.
E ninguém está obedecendo.
Terceiro dia.
Manhã.
Tamara Petrovna apareceu para o café da manhã já vestida.
Não com roupa de ficar em casa.
Com a mesma blusa com que havia chegado.
Cabelo arrumado.
Brincos colocados.
Entendi tudo antes mesmo que ela abrisse a boca.
— Decidi ir embora hoje.
Os netos da Margarita estão doentes, preciso ajudar.
Margarita.
A mesma para quem ela havia reclamado ao telefone.
Pelo visto, o plano reserva.
Eu tinha certeza de que ninguém estava doente.
Mas era uma boa desculpa.
Não “vocês não me serviram”, mas “precisam de mim em outro lugar”.
A dignidade preservada, a retirada disfarçada.
Dima chamou um táxi para ela.
Ajudou a descer as malas.
As duas.
As mesmas malas pesadíssimas que ela tinha trazido para quatro dias.
Ou talvez uma semana.
“Vamos ver conforme as circunstâncias”, como ela havia dito.
Vimos.
Na porta, ela parou.
Virou-se para mim.
— Lena, você mudou.
Não “obrigada pela hospitalidade”.
Não “venham me visitar”.
Você mudou.
E na voz dela eu não ouvi mágoa.
Ouvi surpresa.
Ela estava acostumada com outra versão de mim.
Aquela que corria para a cozinha, arrumava a mesa e suportava as críticas sorrindo.
— Sim, — respondi.
— Mudei.
E não acrescentei mais nada.
O táxi foi embora.
Dima fechou a porta.
Ficamos parados no corredor em silêncio por uns dez segundos.
Depois ele disse:
— Massa?
— Massa, — respondi, assentindo.
Preparamos o almoço juntos.
Ele cortava os legumes, eu cozinhava o espaguete.
O gato saiu debaixo da cama e se deitou no parapeito da janela, espreguiçando-se ao sol.
No rádio tocava alguma bobagem dos anos noventa, e nós cantávamos juntos, completamente desafinados.
Ninguém comentava as cortinas.
Ninguém verificava a poeira nas prateleiras.
Ninguém esperava que eu servisse ninguém.
À noite, Dima serviu vinho e disse:
— Sabe, vou ligar para ela daqui a uma semana.
Vou dizer que nós a amamos, mas que visitas só com convite.
E no máximo por dois dias.
Quase deixei a taça cair.
Não por causa das palavras.
Mas pela calma com que ele as disse.
— Tem certeza?
— Ela não é uma pessoa ruim, Lena.
Ela simplesmente está acostumada a viver segundo as próprias regras e acha que todos têm que fazer o mesmo.
Mas nós não temos.
Eu não discuti.
E também não comemorei.
Aquilo não era uma vitória sobre Tamara Petrovna.
Era outra coisa.
Dizer “não” é fácil quando tudo dentro de você está fervendo.
O mais difícil é dizer “não” com calma.
Sem gritar, sem ressentimento, sem explicações de três páginas.
Simplesmente: não, eu não vou fazer isso.
E ponto.
Tamara Petrovna ligou por conta própria cinco dias depois.
A voz animada, como se nada tivesse acontecido.
— Dimochka, está tudo bem com a Margarita.
Os netos estão saudáveis.
Estive pensando, talvez eu vá visitar vocês no Ano-Novo?
Dima olhou para mim.
Mostrei dois dedos.
— Pode vir, tia Tamara.
Por dois dias.
Só avise com antecedência.
Silêncio do outro lado da linha.
Longo como uma noite de inverno.
— Bom… tudo bem.
Dois dias, então.
Ela concordou.
Eu terminei minha massa e pensei: passamos quatro meses sonhando com aquelas férias.
Sobrevivemos a três dias de invasão.
E, mesmo assim, conseguimos descansar.
Porque férias não são um lugar nem um período de tempo.
São um estado de espírito.
É quando você finalmente decide que tem o direito de viver como quer.
Pelo menos dentro da sua própria casa.







