— Eu não tirei férias para trabalhar ao mesmo tempo como babá e jardineira na casa de campo — acabou explodindo a nora.

Aleksandra estava tirando do forno uma assadeira com tortas quando Maksim apareceu à porta da cozinha com o telefone na mão.

— A mamãe ligou — disse ele, encostando-se no batente da porta. — Ela pediu para irmos mais cedo para a casa de campo no próximo fim de semana, para ajudá-la com os canteiros.

— De novo mais cedo — Aleksandra colocou a assadeira sobre o descanso e tirou as luvas de forno. — Da última vez também pediram para chegarmos mais cedo e, no fim, passei o dia inteiro arrancando ervas daninhas dos morangos enquanto os outros tomavam chá na varanda.

— Bem, você conhece a mamãe — Maksim deu de ombros. — A idade pesa, a saúde já não é a mesma, é difícil para ela fazer tudo sozinha.

— Eu entendo — suspirou Aleksandra —, mas por que sou sempre eu que tenho de carregar tudo nas costas?

Polina também tem duas mãos.

— Polina está com as crianças, já tem preocupações suficientes — respondeu Maksim rapidamente. — Tenha paciência, Sasha, de verdade, a mamãe já tem setenta e três anos.

Aleksandra ficou em silêncio enquanto cortava a torta em porções, embora dentro dela já se acumulasse havia meses uma irritação surda para a qual ainda não encontrara as palavras certas.

Cinco anos antes, quando Aleksandra se casara com Maksim, os almoços em família na casa de Valeria Nikolaevna pareciam algo completamente normal: chegar, sentar-se à mesa, ajudar com a louça e voltar para casa satisfeita.

O casal não tinha filhos — ainda não tinha acontecido, e os dois estavam ocupados com o trabalho.

Aleksandra ensinava inglês numa escola particular de idiomas e, paralelamente, dava aulas particulares à noite, ganhando cerca de setenta mil rublos por mês, enquanto Maksim trabalhava como gerente de vendas numa empresa que comercializava equipamentos de construção, com um salário em torno de noventa mil.

Os dois tinham planos para o futuro, mas não haviam estabelecido prazos concretos, preferindo primeiro quitar a hipoteca do apartamento comprado a crédito três anos antes.

A ausência de filhos rapidamente se transformou num argumento muito conveniente para os parentes do marido.

No começo parecia algo inofensivo: o pedido para chegarem mais cedo à casa de campo a fim de ajudar a preparar a refeição para toda a família.

Aleksandra aceitava sem pensar muito, considerando aquilo uma ajuda normal entre familiares.

Mas, aos poucos, os pedidos ocasionais se tornaram regulares, e a lista de tarefas continuou aumentando inexoravelmente.

— Sasha, querida, já que você está aqui, aproveite e arrume também o galpão — dizia Valeria Nikolaevna com o mesmo tom com que pediria para lhe passar o sal. — Depois do inverno está uma bagunça, e para mim já é difícil me abaixar.

Aleksandra arrumava o galpão.

Em outra ocasião, lavou todas as janelas da casa porque Valeria Nikolaevna se queixara de que os vidros estavam sujos.

Na vez seguinte, pintou a cerca enquanto Maksim e o primo preparavam churrasco e conversavam sobre futebol.

— Maksim — dizia Aleksandra ao marido no caminho de volta para casa —, assim não dá para continuar.

Cada vez que vamos para lá, vira um dia de trabalho, não de descanso.

— A mamãe simplesmente se sente sozinha sem nós — respondia Maksim, olhando para a estrada. — Ela fez tanto por mim, me criou sozinha, meu pai não estava por perto.

Tenha só mais um pouco de paciência, está bem?

Aleksandra aguentava.

Aguentava quando lhe pediam para chegar no sábado às oito da manhã para dar tempo de preparar o almoço para toda a família numerosa.

Aguentava quando, à mesa, as conversas giravam sempre em torno de filhos — ou, mais precisamente, da ausência deles na vida dela e de Maksim.

Aguentava quando Valeria Nikolaevna, servindo chá aos convidados, comentava como se fosse por acaso:

— A nossa Sashenka tem mais tempo livre do que nós, afinal não tem filhos, então consegue fazer tudo.

Aleksandra ouvia sempre aquela mesma frase com pequenas variações, pronunciada em tons diferentes — às vezes com falsa compaixão, outras vezes com uma repreensão mal disfarçada.

Mas o significado não mudava: se não tinha filhos, então devia ser útil aos outros sem qualquer limite.

Bastava Aleksandra se sentar por dez minutos para que Valeria Nikolaevna imediatamente encontrasse mais alguma coisa para ela fazer.

— Sashenka, é preciso amarrar os tomates na estufa — dizia a sogra, aparecendo na varanda justamente no momento em que a nora se acomodava na poltrona com uma xícara de chá. — Enquanto ainda não está quente, é a melhor hora.

— Valeria Nikolaevna, eu acabei de me sentar — tentava protestar Aleksandra.

— Mas é rapidinho — a sogra abria os braços. — Só quinze minutos.

Senão, até o fim do dia os galhos vão quebrar e depois não teremos colheita.

Aleksandra ia amarrar os tomates.

Quinze minutos depois aparecia outra tarefa: arrancar as ervas daninhas dos morangos, carregar água para regar, organizar os potes no porão.

Enquanto isso, os parentes — o primo de Maksim com a esposa e a tia de Valeria Nikolaevna — descansavam tranquilamente na varanda, tomando chá e discutindo as últimas notícias, enquanto qualquer tentativa de Aleksandra de descansar um pouco era recebida com a mesma censura:

— Você tem tempo livre de sobra, não é como nós.

Com filhos, a pessoa não tem nem tempo para se sentar.

Nesses momentos, Maksim procurava não se envolver, explicando depois à esposa, no caminho de casa, que sua mãe simplesmente estava acostumada a organizar todo mundo, que na idade deles ela trabalhava sem parar e, por isso, agora sinceramente não entendia por que para os outros deveria ser mais difícil.

Na sexta-feira antes do fim de semana seguinte, Maksim deu uma notícia que pareceu completamente normal para Aleksandra.

— A mamãe está pedindo para irmos para a casa de campo por uma semana inteira — disse ele, pegando um iogurte na geladeira. — Ela diz que a horta está completamente abandonada e precisa de uma ajuda séria.

— Por uma semana? — Aleksandra desviou os olhos do notebook. — Minhas férias começam justamente na semana que vem.

— Ótimo, então — sorriu Maksim. — Vamos unir o útil ao agradável.

Ajudamos a mamãe e, ao mesmo tempo, descansamos um pouco no meio da natureza.

Aleksandra ficou pensativa, avaliando as opções.

Ela planejara passar as férias tranquilamente: talvez viajar com Maksim por alguns dias, talvez simplesmente dormir até mais tarde e cuidar um pouco de si mesma.

Mas a ideia de passar uma semana ao ar livre, longe da agitação da cidade, não pareceu tão ruim assim.

— Está bem — concordou por fim —, mas sem exageros.

Eu também quero descansar, não apenas trabalhar.

— Claro — garantiu Maksim sem olhar a esposa nos olhos.

Aleksandra não desconfiava que os verdadeiros planos dos parentes haviam sido cuidadosamente escondidos dela.

A casa de campo de Valeria Nikolaevna ficava a meia hora de carro da cidade: uma casa sólida de madeira com um terreno de doze sotkas, herdado pela sogra de seus pais e pertencente inteiramente a ela.

Chegaram no sábado de manhã, trouxeram sacolas com alimentos e organizaram suas coisas no quarto reservado ao casal.

Aleksandra já ia trocar de roupa e vestir roupas de trabalho para ir à horta quando se ouviu no quintal o barulho de um carro chegando.

— Polina chegou — observou Maksim, olhando pela janela.

Aleksandra olhou também e viu Polina, a irmã mais nova de Maksim, saindo do carro.

Logo depois, duas crianças também desceram: um menino de cerca de sete anos e uma menina menor, de uns quatro, com mochilas e brinquedos nas mãos.

Polina abriu rapidamente o porta-malas e começou a tirar grandes bolsas cheias de coisas das crianças.

— Ah, vocês já estão aqui — Polina acenou com a mão, indo em direção à casa. — Ótimo, então não me atrasei.

— Oi, Polina — Aleksandra saiu para a varanda. — Vai ficar muito tempo na casa da sua mãe?

— Eu não — Polina fez um gesto com a mão enquanto continuava carregando as bolsas. — As crianças é que vão ficar por uma semana.

Eu e Artyom vamos para o mar, compramos as passagens faz tempo.

Alguma hora também precisamos descansar de verdade.

Aleksandra sentiu uma leve confusão, mas por enquanto concluiu que aquilo devia ser simplesmente algum acordo familiar previamente combinado.

— E quem vai ficar com as crianças? — perguntou. — Valeria Nikolaevna sozinha?

Polina soltou um estranho resmungo enquanto jogava a última bolsa na varanda.

— Claro que não vai ficar sozinha — disse, com uma expressão como se a resposta fosse óbvia. — Vocês também vão estar aqui por uma semana.

Aleksandra lentamente voltou o olhar para Maksim, que estava um pouco mais afastado, com uma expressão culpada.

— Maksim — disse baixinho —, você sabia disso?

— Bem… — Maksim hesitou. — A mamãe comentou alguma coisa, sim.

Só não achei que fosse importante explicar antes.

— Não era importante me avisar que eu passaria uma semana cuidando dos filhos dos outros? — a voz de Aleksandra tremeu com a indignação que ela mal conseguia conter.

— Eles não são filhos dos outros — interveio Valeria Nikolaevna, que se aproximava enxugando as mãos no avental. — São seus sobrinhos, por sinal.

Aleksandra sentou-se lentamente num degrau da varanda, olhando para as mochilas das crianças amontoadas perto da entrada.

— Então — disse ela —, desde o início, essa semana inteira não foi planejada para ajudar com a horta, mas para cuidar dos filhos da Polina.

— E da horta também — acrescentou rapidamente Valeria Nikolaevna. — No verão não dá para simplesmente ignorar a horta.

Ao que tudo indicava, os parentes haviam tomado a decisão havia muito tempo sem envolver Aleksandra de forma alguma.

Valeria Nikolaevna, com evidente satisfação, como se estivesse falando da coisa mais banal do mundo, começou inclusive a distribuir as tarefas por dia da semana.

— Então vai ser assim — a sogra contava nos dedos enquanto estava sentada à mesa na varanda. — De manhã você dá comida às crianças, depois trabalha na horta até o almoço, e depois do almoço cuida da estufa.

À noite, volta a cuidar das crianças: dá banho, alimenta e coloca para dormir.

Na quarta-feira também é preciso acender a sauna, eu já encomendei a lenha.

— Valeria Nikolaevna — Aleksandra tentou manter a calma —, eu estou de férias.

Eu pretendia descansar, não trabalhar sem folga.

— Mas isso não é trabalho — a sogra abriu os braços. — São coisas de família, você faz pelos seus parentes, não por estranhos.

Maksim, que ouvira toda a conversa, apoiou a mãe quase imediatamente.

— Sasha, sério, não tem nada de estranho nisso — disse num tom conciliador. — Todo mundo sempre se ajuda, somos uma família.

Polina, que já havia preparado a última mala antes de partir, acrescentou com certa irritação:

— Eu também preciso descansar, por sinal.

Com duas crianças, você não consegue relaxar nem por um minuto, pelo menos assim vou poder dormir tranquila por uma semana.

Aleksandra sentiu crescer dentro dela uma sensação pesada, quase ardente, de injustiça, mas tentou mais uma vez apelar para o bom senso.

— Eu não tirei férias para trabalhar ao mesmo tempo como babá e jardineira — disse em voz controlada, embora seus dedos, apertando a borda da mesa, tivessem ficado brancos de tensão. — Eu tinha meus próprios planos para esses dias.

Valeria Nikolaevna apertou os lábios, lançou à nora um longo olhar de desaprovação e então pronunciou a frase que fez o copo transbordar:

— Já que você não tem filhos, significa que tem tempo de sobra!

Aleksandra ficou imóvel, olhando para a sogra como se a visse pela primeira vez.

Naquela frase curta, pronunciada com absoluta convicção de estar certa, estava contido tudo: anos de censuras, anos de trabalho gratuito, anos de aceitação silenciosa do papel de ajudante sem direitos, mantida à disposição apenas porque ainda não tinha filhos e, portanto, segundo eles, também não tinha justificativa para se recusar.

— Desculpe — Aleksandra levantou-se da cadeira, sentindo a voz ficar quase aguda de tensão —, mas por que o fato de eu não ter filhos automaticamente me transforma em babá gratuita e mão de obra para toda a família?

— Ninguém está obrigando você — tentou suavizar Valeria Nikolaevna, embora já sem muita segurança na voz.

— Estão, sim — rebateu Aleksandra com firmeza. — Tirei férias para descansar, não para passar uma semana inteira servindo aos filhos dos outros e cuidando da horta dos outros.

Polina, parada ao lado da mala, abriu os braços com evidente irritação.

— Olha só — disse, ofendida —, pessoas próximas deveriam ajudar umas às outras.

Eu achava que éramos uma família normal, não que cada um só pensasse em si mesmo.

— Ajudar não significa transformar isso numa obrigação permanente — cortou Aleksandra.

Valeria Nikolaevna, que até então tentara manter uma relativa calma, de repente explodiu aos gritos.

— Mas quem você pensa que é?! — a voz da sogra subiu até quase virar um guincho. — Passei a vida inteira me sacrificando pelo meu filho, e agora a nora quer bancar a princesa e nem sequer quer mexer um dedo a mais!

— Mãe, acalme-se — tentou intervir Maksim, mas sua mãe já não tinha intenção de parar.

— E você também! — Valeria Nikolaevna virou-se bruscamente para o filho. — Em vez de colocar sua esposa no lugar dela, fica aí parado em silêncio!

Maksim hesitou por um segundo, olhando da mãe para a esposa, e então falou, claramente tomando o lado dos parentes.

— Sasha, chega de discutir.

A mamãe tem razão, numa família as pessoas precisam se ajudar, nem há o que discutir.

Faça como combinamos.

Aleksandra sentiu por um instante como se o chão desaparecesse sob seus pés, não fisicamente, mas pela compreensão de como seu marido havia facilmente tomado o lado da mãe sem sequer tentar ouvir a posição dela até o fim.

— Eu não considero minhas férias uma obrigação familiar para com seus parentes — disse claramente, olhando Maksim diretamente nos olhos. — E ninguém tem o direito de decidir sobre a minha vida sem o meu consentimento.

— Claro que temos esse direito! — Valeria Nikolaevna voltou a intervir. — A família decide em conjunto, não é cada um pensando apenas no próprio conforto!

— A família decide em conjunto — repetiu Aleksandra com amargura —, mas pelo visto ninguém pediu a minha opinião.

A discussão rapidamente se transformou numa troca de acusações.

Valeria Nikolaevna, já completamente fora de si, disparou uma frase que evidentemente guardava havia muito tempo:

— Maksim claramente errou na escolha da esposa!

Uma egoísta como você é difícil de encontrar!

Polina, que até aquele momento permanecera um pouco à parte, decidiu acrescentar sua própria dose de palavras ofensivas.

— Talvez seja justamente por isso que vocês não tenham filhos — disse com malícia mal disfarçada —, porque você não está preparada para cuidar de ninguém além de si mesma.

Um silêncio pesado, quase palpável, caiu sobre todos.

Aleksandra soltou o ar lentamente, sentindo o sangue subir às bochechas, mas quando finalmente falou sua voz soou surpreendentemente calma.

— As pessoas não têm filhos para depois jogar os cuidados deles nas costas dos parentes — disse claramente. — E muito menos para ganhar uma espécie de licença para fugir das próprias responsabilidades, despejando tudo sobre a nora sem filhos.

Aquelas palavras destruíram definitivamente qualquer possibilidade de terminar a conversa de forma pacífica.

Valeria Nikolaevna abriu a boca para lançar mais uma tirada furiosa, mas Aleksandra já não pretendia continuar ouvindo.

— Maksim — dirigiu-se ao marido —, você pretende dizer pelo menos uma palavra em minha defesa ou vai continuar aí parado em silêncio?

Maksim esfregou o rosto com a palma da mão, claramente dividido entre os dois lados, mas ainda assim não conseguiu dizer nada sensato.

— Sasha, não agora — murmurou. — Primeiro vamos nos acalmar, depois conversamos.

— Não tenho nada para conversar — cortou Aleksandra.

Ela se virou, entrou na casa e rapidamente arrumou uma bolsa com seus pertences pessoais, sem perder tempo organizando tudo com cuidado: simplesmente jogou as roupas e a nécessaire lá dentro, fechou o zíper e voltou à varanda, onde Valeria Nikolaevna e Polina ainda discutiam sobre quem era culpado por seus planos terem ido por água abaixo.

— Estou indo embora — anunciou Aleksandra, colocando a bolsa no ombro.

— Aonde você pensa que vai? — Valeria Nikolaevna encarou a nora, incrédula. — E as crianças?

E a horta?

— Virem-se — respondeu brevemente Aleksandra, descendo os degraus em direção ao carro.

— Sasha, espere — Maksim correu atrás dela. — Aonde você vai?

Vamos conversar com calma.

— Não há nada para conversar — Aleksandra abriu a porta do carro. — Não sou um táxi para ser chamada com um estalar de dedos e não sou uma babá gratuita para transformar minhas férias em trabalho sem folga.

Sem esperar mais tentativas de convencê-la, Aleksandra sentou-se ao volante e foi embora, deixando para trás o marido desconcertado, a sogra indignada, a cunhada ofendida e duas crianças que não entendiam muito bem o que estava acontecendo, mas sentiam claramente a tensão do conflito entre os adultos.

Os parentes tiveram de se virar sozinhos com a situação criada.

Valeria Nikolaevna, que nunca antes cuidara completamente sozinha de duas crianças durante uma semana inteira, percebeu rapidamente a dimensão do problema: cozinhar, dar banho, colocar para dormir e lidar com os caprichos constantes exigia uma energia que uma mulher de setenta e três anos objetivamente já não tinha em abundância.

Maksim, que permaneceu na casa de campo com a mãe, assumiu parte das responsabilidades e, pela primeira vez em muito tempo, percebeu pessoalmente quanto esforço realmente era necessário para cuidar ao mesmo tempo da casa e dos sobrinhos.

Maksim só voltou para casa quatro dias depois, deixando a mãe lidar com o restante das tarefas com a ajuda de uma tia que chegara para o fim de semana.

Aleksandra, que durante todo esse tempo ficara em casa em silêncio, recebeu o marido com frieza, sem qualquer sinal de pedido de desculpas nem de disposição para voltar à antiga ordem das coisas.

— Então, como estão as coisas por lá? — perguntou, observando Maksim se deixar cair cansado numa cadeira junto à mesa da cozinha.

— Está difícil — admitiu Maksim sinceramente, esfregando as têmporas. — As crianças fazem birra, a horta está abandonada e a mamãe mal consegue ficar em pé no fim do dia.

— Agora você entende como eu me senti durante todos esses meses? — perguntou Aleksandra em voz baixa.

Maksim permaneceu em silêncio, olhando para o tampo da mesa, depois ergueu os olhos para a esposa, claramente esperando algum sinal de que ela suavizaria sua posição.

— Talvez você pudesse voltar para a casa de campo e nos ajudar por uns dois dias a terminar tudo? — perguntou cautelosamente.

— Não — Aleksandra balançou a cabeça sem a menor hesitação. — Nunca mais vou concordar com viagens familiares desse tipo.

E não vou cuidar de graça nem dos filhos dos outros nem do trabalho da casa de campo.

— Sasha, mas é a família — Maksim abriu os braços. — Como você pode pensar assim?

— Família é quando levam você em consideração — respondeu Aleksandra com firmeza —, não quando usam você e transformam o fato de você não ter filhos numa justificativa universal.

A conversa naquela noite não levou a lugar algum.

Os dois mantiveram suas posições, e os dias seguintes passaram num silêncio opressivo, interrompido de vez em quando apenas por frases curtas sobre assuntos do dia a dia.

Maksim tentou várias outras vezes voltar ao assunto, recebendo sempre a mesma recusa categórica.

— Você entende que está me colocando diante de uma escolha? — perguntou certa noite, parado à porta da cozinha. — Ou você ou meus parentes.

— Eu não estou colocando você diante de escolha nenhuma — respondeu Aleksandra calmamente, sem tirar os olhos do livro. — Estou apenas me recusando a continuar vivendo segundo as regras antigas, nas quais minha opinião não vale nada.

— Então você escolhe o divórcio? — Maksim disse isso quase como uma afirmação, como se já soubesse a resposta.

— Eu escolho o respeito por mim mesma — corrigiu Aleksandra, fechando o livro. — O divórcio é apenas a consequência do fato de que você e seus parentes já escolheram de que lado ficar, ali mesmo, naquela varanda.

Maksim ficou em silêncio por muito tempo, depois assentiu para os próprios pensamentos e saiu da cozinha sem acrescentar nada.

Um mês depois, o casal entrou com os documentos do divórcio.

Nenhum dos dois tentou salvar o relacionamento: a ruptura tinha sido profunda demais, e ficou evidente demais que, no momento decisivo, Maksim escolhera o lado da mãe e da irmã sem sequer tentar defender minimamente a própria esposa.

A divisão dos poucos bens adquiridos em conjunto aconteceu de forma tranquila, sem grandes discussões: decidiram vender o apartamento comprado com hipoteca e dividir o valor recebido pela metade, enquanto Aleksandra optou por não levar móveis nem eletrodomésticos, preferindo recomeçar do zero num lugar novo.

Valeria Nikolaevna, ao saber que o divórcio era definitivo, reagiu com satisfação mal disfarçada, dizendo aos conhecidos que a nora nunca havia sido adequada para ser esposa de um filho decente como o dela.

Polina, por outro lado, ao se ver pela primeira vez em muito tempo obrigada a organizar sozinha quem cuidaria dos próprios filhos durante suas viagens, passou a planejar férias sem eles com muito menos frequência, pois a ajuda da mãe agora definitivamente não era suficiente para dar conta ao mesmo tempo da horta e dos netos.

Aleksandra alugou um pequeno estúdio em outro bairro da cidade e começou aos poucos a organizar o espaço exclusivamente de acordo com seus próprios gostos e hábitos.

À noite, quando voltava do trabalho, já não pensava em qual nova tarefa teria de cumprir no fim de semana seguinte, e a simples ausência daquela expectativa ansiosa lhe parecia algo quase estranho, mas agradável.

Alguns meses depois do divórcio, certa noite, sentada no parapeito da janela com uma xícara de chá, Aleksandra percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, estava planejando o próprio fim de semana exclusivamente com base naquilo que ela mesma queria, sem se preocupar com as exigências dos outros nem com as ideias alheias sobre quem tinha direito a quanto tempo livre.