— Se a minha filha está apertada, então é você quem vai ter que se apertar! — declarou o marido.

Mas a esposa rapidamente colocou todos em seus devidos lugares.

Ekaterina havia colocado sobre a mesa três versões do layout do logotipo e ficou imóvel por alguns segundos, inclinando a cabeça para o lado — qual das três parecia mais viva?

O trabalho estava indo bem, o cliente esperava a versão final para quinta-feira, e hoje ainda era apenas quarta, então ainda havia tempo.

Do lado de fora, uma garoa fina de junho caía sem parar, criando um agradável pano de fundo para o trabalho — um leve ruído no parapeito da janela, nada além disso.

A porta de entrada fez um clique por volta das oito da noite.

Sergei entrou no hall sacudindo as gotas do guarda-chuva, e sua voz soou cansada, mas de algum modo especialmente preocupada.

— Katya, você está em casa?

— No escritório — respondeu Ekaterina, sem tirar os olhos do monitor.

— Você foi ver a Oksana hoje?

— Passei lá depois do trabalho — Sergei apareceu na porta do escritório, ainda de jaqueta, e encostou o ombro no batente.

— Ajudei ela a prender umas prateleiras na cozinha.

Sabe, eu continuo olhando para aquele estúdio dela e simplesmente não entendo como alguém consegue viver normalmente ali.

Ekaterina desviou os olhos da tela e se virou para o marido.

— De novo essa conversa de que é apertado?

— Bom, e o que você quer que eu diga? — Sergei abriu os braços.

— Vinte e dois metros quadrados para uma pessoa não é coisa séria.

Hoje ela me mostrou: o sofá fica praticamente grudado no fogão.

Ela cozinha e dorme no mesmo lugar.

Nem exaustor tem.

— Sergei, foi ela mesma quem escolheu esse estúdio — disse Ekaterina suavemente, sem irritação, afastando o mouse.

— Ninguém obrigou ela a ir morar justamente ali.

— E o que ela podia fazer depois do divórcio? — a voz do marido ficou mais áspera.

— Denis praticamente colocou ela na rua, ainda bem que conseguimos encontrar esse estúdio rápido, e você sabe muito bem quanto dinheiro sobrou para ela depois do divórcio.

Ekaterina conhecia em detalhes toda a história do divórcio de Oksana, embora quase não tivesse se envolvido — considerava correto manter certa distância do casamento dos outros, mesmo quando esse casamento era o da enteada.

O apartamento onde Oksana havia vivido com Denis por quatro anos pertencia originalmente aos pais dele — eles o haviam dado ao filho antes mesmo do casamento, formalizando tudo como doação.

Quando o casal se divorciou, juridicamente Oksana simplesmente não tinha nenhum direito sobre aquele imóvel, por mais injusto que isso pudesse parecer.

Ela teve que procurar um lugar para alugar, e realmente não tinha dinheiro suficiente para algo melhor do que um modesto estúdio na periferia.

— Eu lembro dessa história, Sergei — Ekaterina assentiu.

— Mas nós já ajudamos ela.

Todo mês você manda dinheiro, compra mantimentos, e recentemente ainda pagamos o conserto da geladeira.

— Isso é pouco — Sergei balançou a cabeça e entrou no cômodo, sentando-se pesadamente na poltrona perto da janela.

— Hoje ela voltou a reclamar.

Disse que é impossível trabalhar de casa: os vizinhos fazem muito barulho do outro lado da parede, e nem dá para colocar uma mesa decente na cozinha.

— Mas o que ela faz de casa? — perguntou Ekaterina.

— Ela não trabalha como administradora em um salão?

— Bem, às vezes faz uns trabalhos extras, preenche uns relatórios remotamente — Sergei fez um gesto vago com a mão.

— Mas isso não importa.

O que importa é que minha filha está desconfortável, e eu, como pai, sou obrigado a fazer alguma coisa.

Ekaterina não respondeu de imediato, apenas esfregou a ponte do nariz — um gesto conhecido, que significava que seus pensamentos precisavam de tempo para ser processados.

Nos cinco anos em que esteve casada com Sergei, conversas desse tipo aconteciam com frequência, mais ou menos a cada dois meses, e normalmente terminavam do mesmo jeito: Sergei dava um pouco mais de dinheiro à filha, Oksana agradecia de forma seca, quando agradecia, e depois de algum tempo as reclamações voltavam com força renovada.

— Talvez ela só precise procurar algo maior? — sugeriu Ekaterina.

— Podemos ajudar com a diferença, se o aumento do aluguel não for absurdo.

— Ela já procurou — Sergei suspirou.

— Apartamentos de um quarto em uma região decente começam em trinta e cinco mil, e ela ganha pouco mais de quarenta mil.

Com o que eu dou, ainda consegue sobreviver de algum jeito, mas sozinha não consegue bancar um lugar maior.

— Então vamos completar a diferença — Ekaterina deu de ombros, como se a solução fosse óbvia.

— Uns quinze mil a mais, e ela consegue alugar algo melhor, pelo menos com uma cozinha separada.

Sergei ficou pensativo por um instante e depois balançou a cabeça.

— Sabe, eu estava pensando… talvez ela nem devesse continuar pulando de aluguel em aluguel.

Talvez ela pudesse simplesmente morar aqui com a gente por um tempo, até conseguir se estabilizar de vez.

Ekaterina piscou devagar, como se quisesse ter certeza de que tinha ouvido direito.

— Com a gente?

Quer dizer, aqui?

— Sim — respondeu Sergei quase casualmente, como se aquilo fosse completamente natural.

— Seria temporário, só por alguns meses, até ela juntar algum dinheiro para ter algo próprio.

— Sergei, nós temos um apartamento de dois quartos — disse Ekaterina lentamente, escolhendo cuidadosamente as palavras.

— Um dos quartos é meu estúdio, você sabe muito bem que eu trabalho ali todos os dias.

Tenho meu equipamento, a mesa digitalizadora, as estantes com materiais.

— Bom, vocês se apertam um pouco, não vamos deixar ela na rua — Sergei abriu os braços.

— E onde exatamente eu vou me apertar? — Ekaterina quase se levantou da cadeira.

— Se uma pessoa adulta for morar no meu estúdio, eu fico sem lugar para trabalhar.

É a minha profissão, Sergei, não um hobby.

— Talvez ela possa dormir no sofá-cama — sugeriu Sergei, já com menos convicção.

— E onde eu vou fazer chamadas com clientes? — Ekaterina balançou a cabeça.

— No corredor?

Tenho três reuniões por semana por videochamada, preciso de silêncio e de um espaço separado.

— Então você é categoricamente contra? — a voz de Sergei endureceu.

— Categoricamente — confirmou Ekaterina sem hesitar.

— Eu trabalho de casa, preciso do meu espaço pessoal e não estou disposta a dividir o apartamento com mais um adulto, nem temporariamente.

Não é nada pessoal contra Oksana, é apenas uma questão básica de organização da vida.

Sergei se levantou da poltrona e começou a andar pelo cômodo, esfregando a nuca.

— Eu achava que você se dava bem com ela.

— Eu me dou bem com ela — disse Ekaterina com firmeza.

— É justamente por isso que estou propondo ajuda de verdade: dinheiro.

Estou pronta para transferir já amanhã a quantia necessária para complementar o aluguel de um apartamento mais espaçoso.

Mas três adultos morando em um apartamento de dois quartos não é solução, é criar um problema novo.

— Então, para você, é mais fácil se livrar do problema com dinheiro do que deixar minha filha entrar na sua casa — disse Sergei com amargura.

— Isso não é me livrar de ninguém — Ekaterina sentiu o rosto esquentar pela injustiça do que estava ouvindo.

— É bom senso.

Você tem uma filha, eu tenho um trabalho e uma casa que organizei durante anos.

Por que essas duas coisas precisam ser conciliadas exatamente às custas do meu espaço pessoal?

Sergei ficou em silêncio, olhando pela janela, onde a chuva havia ficado mais forte e batia com mais insistência no vidro.

— Acho que você simplesmente é indiferente à situação dela — disse enfim, em voz baixa, mas com clara mágoa.

— Indiferença e não querer abrir mão da própria casa são coisas diferentes, Sergei — respondeu Ekaterina com calma, embora por dentro tudo se contraísse pela forma como o marido interpretava sua posição.

Depois daquela conversa, o casal passou alguns dias praticamente sem falar diretamente um com o outro.

Trocavam apenas frases curtas do cotidiano sobre quem iria ao mercado ou a que horas cada um voltaria do trabalho, mas o assunto Oksana não voltou a ser mencionado.

Ekaterina continuou trabalhando em seu estúdio, tentando não pensar na discussão, embora às vezes, ao olhar para os potes de pincéis cuidadosamente organizados e para a mesa digitalizadora sobre a escrivaninha, sentisse uma leve pontada de ansiedade, como se aquela tranquilidade pudesse acabar a qualquer momento.

Enquanto isso, Sergei continuava visitando a filha à noite depois do trabalho e, pelo que parecia, a cada visita ficava mais convencido de que a situação precisava mudar radicalmente.

Oksana, por sua vez, não perdia uma oportunidade de descrever ao pai, de forma dramática, mais algum inconveniente: uma hora os vizinhos inundavam o apartamento, outra a fechadura da porta emperrava, outra o forno do estúdio funcionava quando queria.

— Pai, você não faz ideia de como estou cansada — reclamou ela certa vez pelo telefone, enquanto Sergei estava na cozinha do apartamento que dividia com Ekaterina, segurando o aparelho entre o ombro e a orelha enquanto cortava pão para o jantar.

— Eu volto do trabalho à noite e simplesmente não dá para ficar lá.

Os vizinhos colocam música alta, as paredes são finas, dá para ouvir cada palavra.

— Aguenta só mais um pouco, filha — respondia Sergei, embora sua voz soasse cada vez menos convincente.

— A gente vai pensar em alguma coisa.

— Você prometeu isso já faz um mês — havia um tom caprichoso na voz de Oksana.

— Eu não aguento mais assim.

Depois de desligar, Sergei ficou um bom tempo parado perto da janela, olhando as luzes do pátio à noite, como se estivesse pesando uma decisão importante.

Cerca de uma semana depois, ao voltar para casa após mais um encontro com a filha, Sergei encontrou Ekaterina na cozinha.

Ela preparava o jantar, mexendo algo em uma frigideira, e se virou ao ouvir a porta se abrir.

— Como foi o dia? — perguntou em tom normal, sem imaginar que o marido já havia tomado uma decisão da qual ela ainda não sabia.

— Katya — disse Sergei sem nenhum preâmbulo, tirando a jaqueta e pendurando-a no gancho do hall — Oksana vai se mudar para cá esta semana.

Já combinei tudo com ela.

Ekaterina desligou lentamente o fogo e se virou completamente para o marido.

— O que você disse?

— Oksana vai se mudar para cá — repetiu Sergei com mais firmeza.

— Eu já decidi tudo e não pretendo mais discutir isso.

— Você já decidiu? — Ekaterina balançou a cabeça, incrédula.

— Decidiu sem mim onde ela vai morar no meu apartamento?

— No nosso apartamento — corrigiu Sergei.

— O apartamento é meu, Seryozha — disse Ekaterina com ênfase, como se estivesse lembrando um fato óbvio.

— Eu o comprei oito anos atrás, muito antes de a gente se conhecer, com a herança da minha avó e minhas próprias economias.

Questões assim têm que ser decididas por nós dois, não unilateralmente por você.

Sergei ficou imóvel por um instante, mas em seguida seu rosto se inflamou de raiva e ele deu um passo brusco em direção à esposa.

— Se minha filha está apertada, então é você quem vai ter que se apertar! — declarou o marido, elevando a voz quase até um grito.

O silêncio caiu na cozinha, interrompido apenas pelo leve chiado da frigideira esfriando.

Ekaterina ficou parada por alguns segundos, como se estivesse processando novamente o que acabara de ouvir, e então sua expressão mudou.

A suavidade habitual desapareceu, e seu olhar ficou frio e completamente concentrado.

— Então sou eu quem vai ter que se apertar — repetiu devagar, cruzando os braços sobre o peito.

— No meu próprio apartamento.

Por uma pessoa que nem sequer me disse obrigada uma única vez por todos os presentes que nós dois compramos para ela.

— Não ouse falar dela assim! — rosnou Sergei.

— E você não ouse decidir sobre o meu apartamento como se ele fosse sua propriedade particular! — pela primeira vez em muito tempo de vida em comum, a voz de Ekaterina se transformou em um grito.

— Você tem ideia do que acabou de dizer?

Você quer que eu abra mão do meu estúdio, do meu espaço pessoal, para que sua filha adulta more aqui por tempo indeterminado?

— Ela é minha filha! — gritou Sergei.

— Depois do casamento, você tinha a obrigação de aceitar ela também!

— Eu não tenho obrigação nenhuma com ninguém — cortou Ekaterina, sentindo uma verdadeira tempestade de indignação crescer dentro dela.

— Eu ofereci ajuda real: dinheiro para ela alugar algo maior.

Você rejeitou essa opção imediatamente, sem nem pensar direito.

— Dinheiro não substitui família — disse Sergei entre os dentes.

— E você está tentando substituir o respeito por mim por ultimatos! — Ekaterina elevou ainda mais a voz.

— Você já decidiu tudo sem mim, já prometeu para sua filha, me colocou diante de um fato consumado e agora ainda exige que eu aceite calada me apertar dentro da minha própria casa!

Sergei abriu a boca para responder, mas Ekaterina continuou, sem deixá-lo falar.

— Você decide sobre o meu apartamento como se fosse seu.

Decide quem vai morar aqui, quantas pessoas, em quais condições.

E nem sequer me perguntou.

— Você é simplesmente egoísta — disparou Sergei, dando um passo para trás.

— Seu estúdio é mais importante para você do que minha família.

— Meu estúdio é o meu trabalho, Sergei — disse Ekaterina agora mais baixo, mas cada palavra soou clara e firme.

— O trabalho que me sustenta e que, aliás, ajuda nós dois com frequência quando seus bônus atrasam.

E você quer que eu abra mão disso por uma pessoa que trata qualquer ajuda como se fosse obrigação dos outros?

— Chega de falar da Oksana nesse tom — Sergei se exaltou novamente.

— E você pare de decidir por mim — rebateu Ekaterina.

Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio, respirando pesadamente, como depois de uma longa corrida.

Sergei foi o primeiro a quebrar o silêncio, agora quase implorando.

— Katya, tenta entender, como pai eu não consigo agir de outro jeito.

Ela pediu, eu prometi.

— E eu, como dona deste apartamento e como sua esposa, peço que você respeite pelo menos limites mínimos — respondeu Ekaterina.

— Você prometeu à sua filha algo que não pertence a você.

Isso não se faz, Sergei.

Nem em família nem em lugar nenhum.

— Então você se recusa a ajudar minha família — disse Sergei com amargura.

— Eu ofereci ajuda real à sua família — Ekaterina balançou a cabeça.

— Mas para você, pelo visto, é mais importante mostrar à sua filha que consegue impor qualquer decisão sua sobre mim.

Isso já não é mais sobre Oksana, Sergei.

É sobre o fato de você ter parado completamente de levar minha opinião em consideração.

Sergei se virou para a janela, fechando os punhos, e Ekaterina, olhando para as costas tensas dele, de repente sentiu não raiva, mas uma estranha clareza, como se uma névoa finalmente tivesse se dissipado.

— Sabe — disse ela baixinho — durante todo esse tempo eu achei que éramos parceiros.

Que as decisões nesta casa eram tomadas por nós dois.

Mas parece que você só estava esperando uma boa oportunidade para me lembrar quem manda de verdade aqui.

— Não dramatize — resmungou Sergei sem se virar.

— Eu não estou dramatizando — Ekaterina balançou a cabeça.

— Estou tirando conclusões.

E a conclusão é simples: arrume suas coisas, Sergei.

O marido se virou bruscamente.

— O quê?

— Arrume suas coisas — repetiu Ekaterina, agora sem qualquer dúvida na voz.

— Eu não quero mais viver com um homem que acha que tem o direito de decidir sobre minha propriedade e minha vida sem meu consentimento.

— Você está falando sério? — Sergei balançou a cabeça, incrédulo.

— Por causa de uma única conversa?

— Não por causa de uma única conversa — corrigiu Ekaterina.

— Mas porque essa conversa me mostrou quem você realmente é quando surge uma situação crítica.

Uma pessoa que escolhe a aprovação dos outros em vez do respeito pela própria esposa.

Os dias seguintes passaram em um silêncio tenso.

Às vezes Sergei tentava convencer a esposa a mudar de ideia, outras vezes se fechava em um silêncio ofendido, esperando que a decisão dela fosse apenas uma explosão emocional passageira.

— Katya, você vai mudar de ideia daqui a dois dias — disse ele certa noite, observando a esposa dobrar cuidadosamente as roupas dele em uma bolsa de viagem.

— Você está só cansada, falou de cabeça quente.

— Eu não estou cansada e não falei de cabeça quente — Ekaterina balançou a cabeça sem parar de arrumar as coisas.

— Durante anos aceitei compromissos nas pequenas coisas, mas isso já não é uma coisa pequena.

Isso é sobre respeito básico.

— E os nossos cinco anos juntos? — havia pânico verdadeiro na voz de Sergei.

— Você vai simplesmente jogar tudo fora assim?

— Cinco anos juntos não apagam o que você disse — respondeu Ekaterina baixinho, fechando o zíper da bolsa.

— Você não falou aquilo num impulso, Sergei.

Você já tinha tomado a decisão antes da nossa conversa.

Você simplesmente me colocou diante do fato consumado, esperando que eu aceitasse tudo sem reclamar.

— Eu vou encontrar um meio-termo — insistiu Sergei.

— Vou falar com Oksana, dizer que ela precisa esperar mais um pouco.

— Já faz tempo que isso não é mais sobre prazo nem sobre compromisso — Ekaterina se sentou na beirada do sofá, finalmente permitindo-se soltar um suspiro cansado.

— É sobre o fato de você ter escolhido o lado da sua filha contra mim sem nem tentar conversar comigo como com uma parceira igual.

E eu não tenho certeza de que isso algum dia vá mudar.

Sergei ainda tentou várias vezes levar a conversa de volta ao problema prático, oferecendo diferentes soluções: alugar para Oksana um apartamento maior usando as economias do casal, conversar com a filha sobre independência, até mesmo morar temporariamente na casa de amigos para dar tempo a Ekaterina de se acalmar.

Mas Ekaterina permaneceu irredutível, respondendo a cada proposta com calma, porém com firmeza.

— O problema não é o apartamento da Oksana, Sergei.

O problema é o que aconteceu entre nós.

Algumas semanas depois, o processo de divórcio foi concluído sem nenhuma tentativa de reconciliação por parte de Ekaterina.

Os documentos foram resolvidos rapidamente, até porque praticamente não houve disputas patrimoniais: o apartamento sempre pertenceu exclusivamente à esposa, e durante aqueles anos o casal não havia feito nenhuma grande aquisição conjunta.

Sergei deixou definitivamente o apartamento em um dia comum de semana, levando seus pertences pessoais em algumas caixas de papelão.

Ao sair, parou mais uma vez na porta, como se esperasse que Ekaterina mudasse de ideia no último momento.

— Talvez você ainda possa dar mais uma chance para nós? — perguntou baixinho.

— Não, Sergei — respondeu Ekaterina com calma, sem raiva na voz.

— A chance existiu.

Foi você quem a perdeu no momento em que decidiu que minha opinião podia simplesmente ser ignorada.

A porta se fechou, e um silêncio incomum tomou conta do apartamento.

Nos meses seguintes, Ekaterina finalmente se dedicou ao que vinha adiando havia muito tempo: transformou de vez o quarto livre no estúdio completo com que sonhava desde a época em que comprara o apartamento.

Tirou o velho sofá que havia ficado anos sem uso, colocou uma mesa de trabalho extra, instalou estantes para esboços e materiais e posicionou junto à janela uma poltrona confortável para pequenas pausas entre um projeto e outro.

Alguns meses depois do divórcio, um grande cliente entrou em contato com ela: uma rede de cafeterias de uma região vizinha pediu que desenvolvesse toda a identidade visual, incluindo embalagens, cardápios e o design dos interiores.

O trabalho ocupou quase todo o verão, mas Ekaterina passava com prazer longas noites em seu estúdio renovado, cercada de esboços e paletas de cores, sentindo que, pela primeira vez em muito tempo, o espaço ao redor pertencia completamente a ela e às suas ideias.

No início de setembro, quando o projeto finalmente foi concluído e aprovado pelo cliente, Ekaterina convidou alguns colegas da área para sua casa — um pequeno grupo de designers freelancers que havia conhecido em encontros profissionais alguns anos antes.

Eles se reuniram justamente naquele estúdio, espalharam os layouts impressos sobre a mesa, discutiram soluções de cores, discordaram sobre fontes e riram de histórias engraçadas do trabalho.

— Ficou muito legal esse espaço — comentou uma das colegas, olhando os materiais cuidadosamente organizados.

— Dá para ver na hora que você ama o que faz.

— Demorei bastante para chegar até aqui — Ekaterina sorriu enquanto servia chá nas xícaras.

— Mas agora parece que finalmente tudo está no seu lugar.

Do lado de fora da janela, a noite de setembro descia lentamente sobre a cidade, enquanto no estúdio as vozes, as risadas e as conversas sobre novos planos profissionais continuavam por muito tempo.

Era exatamente aquela sensação de lar que Ekaterina vinha construindo com constância e determinação, passo a passo, recuperando para si o espaço que um dia quase havia sido entregue às decisões dos outros.