Há cinco anos, Dominic Moretti era tudo para mim.
Eu amava-o, confiava nele e nem imaginava que um dia ele me trataria com tanta crueldade.

Naquela noite, ele chegou a casa com a sua jovem secretária.
A princípio, pensei que tivesse acontecido alguma coisa no trabalho, mas ele nem sequer lhe pediu que saísse.
— Natalie, precisamos de conversar — disse o meu marido, friamente.
— Amo outra mulher.
— Vamos divorciar-nos.
Olhei para a rapariga.
Ela estava ao lado dele e sorria.
— Dominic, estás a brincar?
— Estamos juntos há tantos anos!
— Já tomei a minha decisão.
— Arruma as tuas coisas.
— Esta casa fica para mim.
Chorei, implorei-lhe que reconsiderasse, mas ele nem sequer me abraçou para se despedir.
Algumas semanas depois, descobri que estava grávida.
Queria contar a Dominic, mas, de cada vez, lembrava-me de como ele me tinha posto na rua.
Depois, decidi que os meus filhos não deviam crescer ao lado de alguém que tinha traído a mãe deles com tanta facilidade.
Dei à luz gémeos, um menino e uma menina.
Chamei-lhes Leo e Emma.
Foi difícil.
Às vezes, passava noites sem dormir, trabalhava e contava cada cêntimo, mas nunca me arrependi de ter decidido ficar com eles.
Passaram-se cinco anos.
Um dia, fui convidada para uma noite de gala num grande hotel.
Trabalhava com os organizadores do evento e precisava de passar por lá por alguns instantes.
Não tinha com quem deixar as crianças, por isso levei-as comigo.
Estávamos num belo salão quando, de repente, se ouviu o som de um copo a partir-se.
Virei-me e senti o coração cair-me aos pés.
Dominic estava à minha frente.
Não olhava para mim, mas para Leo.
O meu filho franziu o sobrolho e escondeu-se atrás do meu braço.
Dominic aproximou-se lentamente.
— Natalie…
— Quantos anos tem este menino?
— Cinco — respondi, tentando manter a voz calma.
Ele ficou pálido, olhou para Emma e depois voltou a olhar para o menino.
— São meus filhos? — perguntou, com a voz trémula.
Abracei os gémeos com mais força.
Mas, antes de conseguir responder, aquela mesma secretária surgiu por trás dele.
Ao ver as crianças, começou de repente a gritar:
— Dominic, não acredites nela!
— Ela planeou tudo!
E depois disse algo que me fez perceber que, há cinco anos, tinha acontecido uma coisa muito pior do que uma simples traição…
— Dominic, ela trouxe as crianças aqui de propósito! — gritou Victoria, a sua antiga secretária.
— Não percebes?
— Ela quer o teu dinheiro!
Olhei para a mulher que tinha destruído a minha família cinco anos antes.
Ela quase não tinha mudado.
A mesma roupa cara, o mesmo sorriso arrogante.
— Não quero nada dele — respondi.
— Nem sequer sabia que este hotel pertencia a Dominic.
Mas ele parecia não nos ouvir.
O seu olhar estava fixo em Leo.
— Natalie, diz-me a verdade.
— São meus filhos?
Senti o meu filho apertar a minha mão com mais força.
— Sim, Dominic.
— São teus.
— Mas este não é o lugar para essa conversa.
Ele ficou pálido e ajoelhou-se diante do menino, apoiando um joelho no chão.
— Como te chamas, pequenino?
— Leo — respondeu o meu filho.
— E o senhor é quem?
Dominic abriu a boca, mas não conseguiu dizer uma palavra.
— Mãe, porque é que aquele senhor está a chorar? — perguntou Emma, baixinho.
Peguei nas mãos das crianças e levei-as em direção à saída.
Dominic veio atrás de nós.
— Natalie, por favor, espera!
— Porque é que não me disseste nada?
Parei.
— E tu, lembras-te de como me expulsaste de casa?
— De como disseste que já não precisavas de mim?
— Só descobri que estava grávida depois da nossa separação.
— Mas eu tinha o direito de saber!
— E eu tinha o direito de não ficar sozinha quando mais precisava do meu marido!
Dominic baixou a cabeça.
De repente, Victoria agarrou-lhe o braço.
— Para de te humilhar!
— Ela só quer ter-te de volta!
Foi então que perdi a paciência.
— Tê-lo de volta?
— Passei cinco anos a aprender a viver sem ele!
— Quando as crianças adoeciam, ficava sozinha junto às suas camas.
— Quando Leo deu os primeiros passos, o pai não estava lá.
— Quando Emma perguntava porque é que as outras crianças tinham pai e ela não, eu não sabia o que responder!
Dominic tapou o rosto com as mãos.
No dia seguinte, foi a minha casa.
Sem seguranças, sem presentes caros.
Estava apenas à porta, com um ramo de flores.
— Quero conversar contigo.
— E confessar-te uma coisa.
Afinal, Victoria andava a enganá-lo há muito tempo.
Dizia-lhe que eu lhe era infiel, mostrava-lhe fotografias dos meus encontros com um homem desconhecido e convencia-o de que o nosso casamento já tinha acabado há muito.
— Acreditei nela — disse Dominic, baixinho.
— E depois comecei eu próprio uma relação com ela.
— Mas isso não me desculpa.
— Devia ter falado contigo.
Percebi imediatamente de que fotografias ele estava a falar.
— Era o meu primo Mark.
— Estava a ajudar-me a preparar um presente para o nosso aniversário de casamento.
— Queria fazer-te uma surpresa.
Dominic ficou em silêncio durante muito tempo.
Mais tarde, analisou as fotografias antigas e as mensagens que Victoria tinha trocado com o homem que me seguia.
A mentira confirmou-se.
Ele terminou a relação com ela e despediu-a.
Mas, para mim, isso já não mudava nada.
— Natalie, dá-me mais uma oportunidade — pediu ele.
— Uma oportunidade para seres pai, sim.
— Mas para seres meu marido?
— Não, Dominic.
— Foste tu que destruíste a nossa família.
Ele não discutiu.
Algum tempo depois, fizemos um teste de paternidade.
O resultado confirmou que Leo e Emma eram seus filhos.
Dominic começou a visitá-los regularmente.
Ao princípio, as crianças sentiam-se tímidas, mas depois habituaram-se.
Ele aprendeu a ler-lhes histórias, a passear com elas e a responder pacientemente a centenas de perguntas.
Um dia, Leo perguntou:
— Pai, porque é que antes não vinhas visitar-nos?
Dominic olhou para mim e depois abraçou o filho.
— Porque cometi um grande erro.
— E arrependo-me muito.
Passou-se um ano.
Dominic ajudava as crianças, mas já não tentava comprar o meu perdão com presentes.
Tinha compreendido que o dinheiro não podia recuperar a confiança.
E eu, pela primeira vez em muitos anos, senti paz.
Já não precisava de provar nada ao homem que um dia me tinha rejeitado.
Um dia, Emma abraçou-nos aos dois e disse:
— Ainda bem que agora temos uma mãe e um pai!
Sorri por entre as lágrimas.
Dominic também sorriu, mas havia tristeza nos seus olhos.
Ele compreendia quantos dias felizes tinha perdido e que já não podia recuperar o passado.
Eu não sabia o que o futuro nos reservava.
Mas tinha tomado uma decisão firme: os meus filhos conheceriam o pai, e eu nunca mais permitiria que alguém me tratasse como se o meu amor não valesse nada.







