Logo na primeira noite após o regresso do meu marido, que tinha vivido longe de casa durante três anos, notei algo estranho nele…

Logo na primeira noite após o regresso do meu marido, que tinha vivido longe de casa durante três anos, notei algo estranho nele.

Nunca tinha acontecido nada assim entre nós.

E o que aconteceu naquela noite assustou-me e, pouco depois, virou a nossa vida do avesso… 😨

Durante três anos, o meu marido, Daniel, trabalhou noutra cidade.

Raramente vinha a casa — às vezes passava cá o fim de semana, outras vezes ficava apenas um dia.

Claro que nos tínhamos afastado durante esse tempo, mas eu estava convencida de que, quando ele regressasse, tudo voltaria a ser como antes.

Estava enganada.

Naquela noite, conversámos durante muito tempo.

Daniel falou do trabalho e perguntou o que tinha mudado em casa.

À primeira vista, tudo parecia normal, mas eu não conseguia afastar uma sensação estranha.

Era como se ele tivesse regressado a uma casa de que se lembrava bem, mas onde já não vivia há muito tempo.

A meio da noite, acordei com o seu toque.

Daniel dormia ao meu lado, com o braço firmemente à volta da minha cintura.

Foi nesse momento que fiquei inquieta.

Em dez anos de casamento, ele nunca tinha dormido assim.

Daniel deitava-se sempre de costas e, mesmo a dormir, não gostava que o abraçassem.

Afastei cuidadosamente o braço dele.

Poucos minutos depois, voltou a abraçar-me.

Com toda a naturalidade, como se o fizesse todas as noites.

De manhã, tentei brincar:

— Parece que ganhaste um hábito novo nestes três anos.

Daniel ficou imóvel.

— Qual?

— Passaste a noite inteira abraçado a mim.

— Antes, não suportavas isso.

Esperava que ele se risse.

Mas o olhar que me lançou fez o sorriso desaparecer imediatamente do meu rosto.

— Daniel, o que se passa?

Ele sentou-se na beira da cama e ficou em silêncio durante alguns segundos.

Depois, perguntou:

— Não reparaste em mais nada durante a noite?

Aquelas palavras deixaram-me pouco à vontade.

— Em que é que eu devia ter reparado?

Daniel virou-se bruscamente para mim.

E o que disse a seguir fez-me estremecer.

Percebi que, durante aqueles três anos, tinha acontecido algo muito mais assustador do que uma simples mudança de hábitos… 😨

— Em que é que eu devia ter reparado? — perguntei.

Daniel ficou calado durante muito tempo, até que disse em voz baixa:

— Talvez te tenha chamado por outro nome durante a noite.

Senti um nó no estômago.

— Que nome?

Ele desviou o olhar.

— Sofia.

Não respondi.

Conhecia aquele nome.

Sofia trabalhava com Daniel na cidade onde ele tinha passado os últimos três anos.

Ele tinha-a mencionado algumas vezes nas nossas conversas, mas sempre a propósito do trabalho.

— Vocês tiveram um caso?

Daniel levantou-se da cama e aproximou-se da janela.

— Já acabou.

— Foi por isso que voltei.

Aquelas palavras magoaram-me mais do que a própria confissão.

Afinal, ele não tinha voltado porque o projeto terminara e sentia saudades minhas.

Tinha voltado porque a relação com outra mulher chegara ao fim.

— Durante quanto tempo?

— Quase dois anos.

Sentei-me na cama.

Dois anos.

Enquanto eu o esperava em casa, ele vivia outra vida.

Então, Daniel disse algo que eu não esperava de todo:

— Há mais uma coisa.

— A Sofia está grávida.

Não consegui dizer nada.

— Ela diz que o filho é meu — continuou ele.

— Mas não tenho a certeza.

— Discutimos por causa disso.

— Foi por isso que me vim embora.

Era por isso que ele estava tão estranho.

Era daí que vinha o hábito de abraçar uma mulher enquanto dormia.

Ao longo de dois anos, tinha-se simplesmente habituado a adormecer ao lado de outra.

Levantei-me em silêncio e saí do quarto.

— Aonde vais?

— Preciso de ficar sozinha.

Mas, uma hora depois, aconteceu algo que destruiu de vez qualquer esperança de salvar o nosso casamento.

O telemóvel de Daniel estava em cima da mesa da cozinha.

Surgiu uma mensagem no ecrã:

«Já lhe contaste sobre o bebé?

Precisamos de combinar quando vens buscar as tuas coisas.»

Olhei para o meu marido.

— Disseste que tinha acabado.

Ele empalideceu.

Abri a porta e pedi-lhe que saísse.

Nos dias seguintes, Daniel telefonou, pediu-me que lhe desse tempo e repetiu que estava confuso.

Mas eu já tinha percebido o essencial: o problema não era a Sofia, nem sequer o bebé.

O problema era que, durante dois anos, o meu marido tinha voltado a casa, olhado nos meus olhos e mentido.

Algumas semanas depois, pedi o divórcio.

Mais tarde, soube-se que Daniel era mesmo o pai da criança.

Ele ficou com Sofia e, pela primeira vez em três anos, deixei de esperar por alguém que há muito tinha deixado de ser o meu marido.

Às vezes, tudo começa com um pormenor insignificante.

No meu caso, foi um braço que, durante a noite, se colocou à volta da minha cintura por hábito.

Só que aquele hábito não era para mim.