— Repete, — eu disse baixinho.
— Se perdoa, fica. Se não perdoa, vai para a casa da sua mãe. Estou cansado dessas discussões.

— Com quem exatamente?
— Com a Katya, do meu setor. Nada sério. Simplesmente aconteceu. Você vive ocupada com seus relatórios.
— Igor.
— O quê?
— Primeiro limpa a bagunça que você fez. E vamos esclarecer: se eu perdoo, fico. Se não, vou embora. Certo?
— Certo.
— E existe uma terceira opção?
— Que opção?
— Aquela em que você vai embora.
Ele ficou confuso por um segundo.
— O que você está dizendo? Esta é a minha família, o meu… — ele se interrompeu.
— De quem é o apartamento?
— Nosso… quer dizer, seu. Mas isso não se faz.
— E trair é humano? — eu limpei a mesa com calma. — Você derramou café.
— Vamos conversar direito à noite. Sem emoções… — ele pegou as chaves. — Eu disse como vai ser. Pense bem.
Ele fechou a porta cuidadosamente ao sair.
Abri imediatamente as notas e fiz um plano: chamar um técnico, trocar a fechadura, pedir caixas, mudar o código do interfone, ligar para a Olya.
— Ele falou isso mesmo? — Olya quase sibilou ao telefone. — “Se perdoa, a gente continua, se não perdoa, vai embora”? Ele está no juízo perfeito?
— Absolutamente calmo. Como se estivesse aprovando um horário de trabalho.
— Como você está?
— Vazia. Mas sem lágrimas. Só uma lista de tarefas.
— Ótimo. Então vamos ao que importa: técnico, caixas, documentos, fotos das coisas, desvincular os aparelhos?
— Sim. E mais uma coisa: ele não está registrado no meu endereço. O apartamento é meu — foi doação antes do casamento. As contas também estão no meu nome.
— Então quem não vai sair é você. Faz tudo rápido. Estou indo.
— Não precisa me convencer.
— E eu nem estou tentando. Vou chegar com sacolas.
Escrevi no trabalho: “Hoje vou trabalhar remotamente”.
Pedi o técnico e as caixas, liguei por causa do interfone.
— Alô, técnico? Hoje vocês conseguem vir até as duas?
— Entregador? Quatro caixas, sim, com entrega até o andar.
— Vou mudar o código do interfone amanhã, vou levar o passaporte.
Igor escreveu:
“Estarei aí às seis. Vamos conversar. Sem histeria.”
Ativei o modo avião.
O técnico chegou perto das três.
Fez tudo rapidamente.
— Vamos colocar uma fechadura boa?
— Sim, uma normal.
Em poucos minutos, tudo estava pronto.
Verifiquei a porta, assinei.
As caixas chegaram quase na mesma hora.
Arrumei calmamente as coisas dele: roupas, sapatos, documentos, aparelhos — tudo separado.
Fotografei tudo, etiquetei: “Igor. Pessoal”.
Liguei para a mãe dele:
— Alô, Irina Ivanovna, bom dia. Aqui é a Dasha. Hoje o Igor vai pegar uma parte das coisas, o resto vamos levar amanhã. Posso entregar para a senhora.
— Dasha, vocês brigaram? Família também é trabalho…
— Isso não está em discussão. A senhora pode receber as caixas até as seis?
— Está bem, traga.
A Olya chegou com sacolas, doces e sacos.
— O que você vai dizer quando ele chegar?
— Pouca coisa. Sem explicações. Vinte minutos para o essencial. O resto, amanhã.
— Ele vai pressionar.
— Que pressione.
Às seis liguei o telefone.
Havia várias mensagens do Igor, uma chamada perdida da mãe dele.
Não respondi.
Ele chegou às sete.
Puxou a maçaneta — a porta estava trancada.
— Você trocou a fechadura? — levantou a voz. — Abre!
— Estou abrindo.
Ele entrou, viu as caixas.
— O que é isso?
— As suas coisas.
— Dasha, você está falando sério? Eu disse que iríamos conversar.
— Estamos conversando. Você não tem mais as chaves. Hoje você não fica aqui. Você queria clareza — então tenha. Você vai embora.
— Eu não vou a lugar nenhum.
— Vai, sim. O apartamento é meu. As contas estão no meu nome. O acesso às minhas contas foi bloqueado. Se quiser, alugue um lugar. Ou vá para a casa da sua mãe. Ou para a da Katya.
— Isso é chantagem? Eu fui sincero!
— Isso são consequências.
— Dasha, espera… Eu exagerei hoje de manhã. Esse ultimato foi uma idiotice. Mas você também não é perfeita. Sempre ocupada. E a Katya — ela é carinhosa, compreensiva…
— Chega. Daqui para frente não me interessa. Você tem vinte minutos. Amanhã as coisas serão levadas pelo transportador.
— Isso é cruel.
— Isso é claro.
— E se eu ficar na sala?
— Não.
— Então você está me expulsando?
— Você tem escolha. Vai embora por conta própria.
Ele olhou para a Olya:
— E você, por que está calada?
— Estou aqui pela Dasha. E pela tranquilidade, — respondeu ela calmamente.
Igor começou a juntar as coisas em silêncio: documentos, carregador, tênis.
Não pegou as chaves.
— Você vai me dar outras?
— Não.
— Ainda vamos ver quem vai ligar para quem… — murmurou ele, e foi embora.
Fechei a porta.
— Respira, — disse a Olya. — E come alguma coisa.
— Eu comi uma banana.
— Isso não é comida, mas tudo bem. Estou por perto.
Quando ela foi embora, o apartamento ficou em silêncio.
Desvinculei a televisão da conta dele, juntei as coisinhas dele e levei tudo para a varanda.
Sem correria, sem “onde estão as minhas meias?”.
Na manhã seguinte — café, trabalho, relatórios.
Liguei por causa do interfone.
Igor escreveu:
“Ontem eu exagerei. Vamos conversar.”
Respondi:
“Nós já conversamos.”
Ele ligava — eu não atendia.
Depois:
“Não tenho onde dormir. Não posso ir para a casa da Katya — ela tem gato, e eu tenho alergia.”
Enviei o endereço de um hotel barato e algumas opções de moradia.
Ativei o “não perturbe”.
Os carregadores chegaram no horário.
Providenciei o envio das coisas dele para a casa da mãe.
À tarde mudei o código, desliguei os pagamentos automáticos.
Tudo conforme a lista.
À noite a mãe dele escreveu:
— Dasha, as mulheres devem ser mais sábias…
Respondi:
— Ele não tem as chaves. As coisas dele estão com a senhora.
Uma semana depois ele estava esperando na entrada do prédio.
— Dasha, chega. Estou alugando um quarto. Vamos tentar de novo. Com a Katya acabou tudo.
— Quando?
— Ontem.
— E antes disso?
— Na casa de amigos… Não começa.
— Exatamente. Eu não quero mais esse “não começa”. Eu preciso de uma vida normal. Sem ultimatos.
— Foi um erro…
— Não. Foi uma escolha.
— Está difícil para mim. O dinheiro não dá…
— Para mim também. Mas eu não sou sua esposa.
— Vamos só morar separados por um tempo?
— Não. Divórcio. Com calma e sem escândalos.
— Posso pegar minhas coisas?
— Escreve para a Olya.
— Foi ela que colocou isso na sua cabeça?
— Quem colocou isso na minha cabeça foi o seu ultimato. Você realmente achou que eu sairia do meu apartamento?
— Achei que você seria sensata.
— Sensatez não é aguentar tudo. Chega. Eu não tenho tempo.
Ele ficou parado por um momento e foi embora.
Um mês depois entramos com o pedido de divórcio.
Mais um mês depois recebemos os documentos.
Sem cenas.
— Posso te abraçar? — perguntou ele.
— Melhor não.
— Você mudou.
— Sim. E eu gosto disso.
Ele foi embora.
Assumi um projeto extra no trabalho, comprei um aspirador decente, mudei os móveis de lugar, programei o robô aspirador.
O apartamento ficou em paz.
Só as minhas coisas, a minha ordem.
Às vezes ele escrevia.
Uma vez me parabenizou no aniversário errado.
Eu simplesmente desliguei o telefone.
Nos encontramos por acaso no mercado.
— Como você está? — perguntou ele.
— Bem. Trabalhando.
— Eu… me desculpa.
— Desculpas aceitas. Boa sorte.
Fui embora.
Em casa escrevi para a Olya: “Eu consegui.”
Ela respondeu: “Você foi incrível.”
O tempo passou.
Eu tenho trabalho, piscina, fins de semana na casa da minha mãe.
Ele — a própria vida.
Ele não levou uma coisa em conta: dá para não perdoar e não ir embora.
Dá para simplesmente colocar um ponto final e seguir em frente.
E essa é a decisão certa.







