— Kolya, estou atrasada de novo! Talvez devêssemos comprar um teste?
— Ksenia olhou para o marido com esperança, enquanto ele estava deitado no sofá, concentrado no celular.

Nikolai olhou para cima e franziu a testa.
— Ksenia, quantas vezes vamos passar por isso? Eu te disse, agora não é o melhor momento para ter filhos!
— Mas você mesmo sonhava com uma família grande antes do casamento! — Ksenia sentou na beira do sofá.
— Você disse que queria pelo menos dois!
E agora, assim que surge uma pista de gravidez, você encontra mil razões pelas quais “não é o momento certo!”
Nikolai largou o celular e se sentou, esfregando a testa.
— Eu estou em um período crítico no trabalho! Estou avançando, você sabe disso! Minha carreira precisa de atenção!
Assim que eu me estabelecer na minha nova posição, vamos organizar nossas finanças, e aí podemos conversar!
Ksenia sorriu amargamente.
Essa conversa vinha se repetindo entre eles com uma regularidade invejável nos últimos dois anos.
Primeiro, ele teve que esperar até se tornar gerente da filial, depois precisaram comprar um carro, e agora tudo era sobre ele se “estabilizar”.
Sempre havia uma razão para adiar a conversa sobre filhos.
— Você sabe que já tenho trinta anos! — ela disse em voz baixa.
— Os médicos dizem que quanto mais velha você fica, mais difícil é engravidar e carregar um bebê!
Kolya fez um gesto impaciente com a mão.
— Ksenia, você não pretende ter um filho quando tiver cinquenta anos! Muitas mulheres têm filhos saudáveis até aos quarenta!
— Mas eu quero agora!
— E eu não quero! — ele a interrompeu e pegou seu celular novamente.
— Eu tenho uma apresentação importante, estou preparando o relatório anual, agora não é hora de me distrair com fraldas e noites sem dormir!
Ksenia não respondeu.
Ela se levantou e caminhou silenciosamente até a cozinha.
Eles estavam casados há três anos e ainda sem filhos, embora antes do casamento Kolya jurasse que sonhava com uma grande família.
Ela o amava, confiava nele, e três anos atrás, quando ele fez a proposta, ela não tinha dúvidas.
Ela transferiu metade do apartamento que herdou de sua avó para o nome dele, o apoiou na carreira, tolerou os atrasos de trabalho, as viagens de negócios e o estresse.
Mas agora, sentada na cozinha com uma xícara de chá frio, ela percebeu, com uma clareza cortante, que talvez tivesse se enganado sobre ele o tempo todo.
Dois dias depois, Ksenia decidiu passar na sala de Kolya mais cedo, do trabalho — para convidá-lo a jantar em um café, tentar de novo conversar sobre o futuro deles.
Mas, quando ela se aproximava do prédio, viu Kolya saindo do escritório.
Uma mulher jovem estava com ele — sua secretária, Lisa, que Ksenia já tinha visto algumas vezes em eventos corporativos.
Ksenia estava prestes a buzinar, mas sua mão congelou no meio do caminho.
Kolya se inclinou para Lisa e a beijou — não rapidamente na bochecha, mas longamente, apaixonadamente, nos lábios.
Sua mão deslizou para a cintura dela e mais abaixo, puxando-a para mais perto.
O coração de Ksenia apertou e a náusea subiu em sua garganta.
Ela não buzinou, não gritou, não saiu do carro.
Ela simplesmente observou seu marido beijando outra mulher na rua, sem vergonha, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Quando Kolya se afastou de Lisa, ele acidentalmente olhou para a estrada e notou o familiar “Honda” prata.
Por um momento, seus olhos se cruzaram através do vidro, e Ksenia viu medo em seu rosto.
Ela acelerou e dirigiu para casa sem olhar para trás.
Agora tudo fazia sentido.
Ele não queria filhos não por causa da carreira ou das finanças.
Ele simplesmente tinha outra mulher.
Talvez mais de uma.
Em casa, Ksenia tirou uma bolsa grande do armário e começou a arrumar as coisas de Kolya.
Devagar.
Ela dobrava suas camisas, calças, meias, roupas íntimas.
Ela pegou a xícara favorita dele da prateleira, limpou os itens de barbear do banheiro.
Cada movimento era preciso, como se estivesse realizando uma operação planejada há muito tempo.
Quando a bolsa estava quase cheia, a porta da frente se abriu.
Kolya estava na porta, sem fôlego.
Kolya entrou no apartamento como um furacão, seu rosto pálido, os olhos percorrendo o ambiente.
— Ksenia, não é o que você está pensando! — ele exclamou da porta ao ver a esposa segurando suas coisas.
Ksenia continuou silenciosamente arrumando as roupas dele na bolsa.
Um suéter, outro suéter, um moletom…
— O que você está fazendo? — Kolya se aproximou, olhando para a bolsa.
— Por que você está arrumando minhas coisas?
— O que você acha? — a voz de Ksenia estava surpreendentemente calma.
— Eu estou arrumando suas coisas para você pegar e sair! Para sempre!
— Escuta, o que você viu… Foi só um mal-entendido!
Ksenia parou de arrumar as roupas e olhou para o marido.
— Um mal-entendido? Você beijou sua secretária na rua, e isso é um mal-entendido? — ela balançou a cabeça.
— Para de mentir, pelo menos agora!
— Mas eu realmente posso explicar! — Kolya pegou sua mão.
— Ela veio para cima de mim! Eu a empurrei, mas você deve ter visto o momento em que…
— Chega! — Ksenia puxou a mão dele.
— Eu já vi o suficiente! Você não a empurrou, você a puxou para perto!
Você a beijou como adolescentes, bem na frente do seu escritório, onde não só eu, mas também seus colegas poderiam ver!
O rosto de Kolya mudou.
A máscara de preocupação escorregou, dando lugar à irritação.
— E agora? Por causa de um beijo, você vai me jogar para fora de casa?
— Um beijo? — Ksenia sorriu amargamente.
— Você realmente acha que é só sobre o beijo? Você acha que vou acreditar que não tem mais nada entre vocês dois?
Que vocês não estão dormindo juntos? E a sua constante recusa em ter filhos? Seus atrasos no trabalho? Suas viagens de negócios?
Quantas vezes você mentiu para mim nesses três anos?
Kolya deu um passo para trás, como se as palavras dela o empurrassem fisicamente.
Então, o olhar dele ficou mais duro.
— Você já pensou em como é para mim com você? — a voz dele ficou mais alta.
— Só fala de filhos! Filhos, filhos, filhos! Como se não houvesse mais nada na vida!
Todo mês, a mesma coisa — “Estou atrasada, vamos fazer o teste”! Você já pensou que talvez eu não queira filhos com você?
Ksenia congelou, olhando para o marido.
As palavras dele bateram mais forte que um tapa.
— Então, por que se casou comigo? — ela perguntou em voz baixa.
— Você sabia que eu queria uma família!
— Porque você era conveniente! — Kolya exclamou.
— Você tem um apartamento, um bom emprego! Você cuidou de mim, me apoiou! Mas como mulher… — ele parou, mas já era tarde demais.
— Acabe sua frase! — Ksenia disse com frieza.
— Como mulher, eu não te satisfaço, não é?
Kolya fez uma pausa, claramente pensando nas próximas palavras.
— Você sabe, Ksenia, eu sempre tive pena de você! Embora você seja linda, absolutamente deslumbrante! Mas… — ele finalmente disse.
— Você não tem ideia de como você parece de fora com esse seu desejo desesperado de ter um filho! Como uma galinha tentando botar um ovo!
Onde está a paixão? Onde está o fogo? Onde está o desejo? Você não me vê como um homem, só como o potencial pai dos seus filhos!
— Isso não é verdade! — Ksenia balançou a cabeça.
— Eu sempre te amei como homem! Eu me importava com você, te apoiava em seus projetos…
— Sim, e isso era conveniente, — Kolya a interrompeu.
— Mas não é amor, é cuidado.
— Como para uma criança.
— Mas eu sou um homem, eu preciso de paixão, admiração!
— E você encontrou essa paixão nos braços da sua secretária?
— A Lisa me faz me sentir um homem! Ela me admira, me olha com adoração, não como se eu fosse um reprodutor!
Ksenia não conseguiu segurar e riu — amargamente, com dor.
— Você sabe, Kolya, todo esse tempo eu pensei que você não queria filhos por causa do trabalho, por causa da sua carreira!
Mas agora vejo que você simplesmente não quer filhos comigo! Isso explica muita coisa!
Ela fechou a bolsa e colocou-a perto da porta.
— Então pegue suas coisas e vá para quem te faz se sentir um homem!
O rosto de Kolya mudou.
Ele claramente não esperava tal reação.
Ele se aproximou e tentou pegar as mãos de Ksenia.
— Ksenia, eu reagi demais! Vamos esquecer o que eu acabei de dizer! Somos adultos, podemos conversar sobre tudo!
— Não há nada para conversar! — Ksenia deu um passo para trás.
— Você já disse tudo! Eu sou apenas a sua empregada conveniente, que você tolerou por pena! Bem, você não precisa mais me tolerar!
Kolya começou a entrar em pânico.
Ele sabia bem que estava perdendo não só a esposa, mas também o teto sobre sua cabeça, já que Ksenia ainda era a principal proprietária do apartamento.
— Você está apenas emocional agora! Vamos não tomar decisões precipitadas! — a voz dele ficou mais suave.
— Vamos pensar sobre isso amanhã com a cabeça fria!
— Não, Kolya! A decisão já foi tomada! Saia!
Kolya ficou parado por vários segundos, claramente calculando suas opções.
Então, ele mudou de tática.
— Ksenia, você sabe que eu não vou a lugar nenhum! — ele disse baixo, mas com firmeza.
— Este apartamento é a minha casa! Eu estou registrado aqui, tenho direitos sobre ele!
— Uma parte! Você tem uma parte! — corrigiu Ksenia.
— E estou disposta a pagar o valor dela! Mas você não vai mais morar aqui!
— Você realmente acha que pode simplesmente me jogar para fora assim? — Kolya zombou.
— E para onde eu vou? Não tenho onde ficar!
— Isso não é problema meu! Vai para a sua Lisa! — Ksenia deu de ombros.
— Ou para seus pais! Ou aluga um apartamento — com o seu salário, você pode pagar!
Kolya passou a mão nervosamente pelos cabelos.
— Escuta, eu exagerei! Falei demais! Mas você não vai me jogar para a rua, vai? Vamos esfriar a cabeça, conversamos amanhã!
— Não! Nada de “amanhã”! Você vai sair hoje!
Kolya foi até a janela, virando as costas para a esposa.
Seus ombros caíram.
— Você realmente quer isso? — perguntou ele em voz baixa.
— Destruir tudo o que tínhamos?
— Você destruiu! — Ksenia respondeu.
— No momento em que você decidiu que precisava de outra mulher!
— Eu te amo! — Kolya disse de repente, virando-se abruptamente.
— Sempre te amei! Sim, eu me confundi, cometi um erro! Mas você não pode me dar uma chance?
Ksenia olhou para o marido e não o reconheceu.
Onde foi parar sua autoconfiança? Sua arrogância? Agora, diante dela, estava um homem perdido, com um olhar suplicante.
— Eu ainda sou seu marido! — Kolya continuou.
— Prometemos que estaríamos sempre juntos, na fidelidade! Sim, tropecei, mas estou pronto para consertar tudo! Me dê uma chance!
— Uma chance para quê? — Ksenia perguntou.
— Para que você continue me traindo e mentindo sobre não querer filhos?
— Eu vou mudar! Prometo! — ele se aproximou, tentando pegar a mão dela.
— Se quiser, podemos começar a ter um bebê agora! Estou pronto!
— Agora você está pronto? — Ksenia puxou a mão para longe.
— Depois que te peguei com a sua amante? E você acha que vou acreditar em você?
— Eu juro, vou cortar os laços com a Lisa! — Kolya quase implorou.
— Ela não significa nada para mim! Foi um momento de fraqueza!
— Uma fraqueza que durou sabe-se lá quanto tempo! — Ksenia disse friamente.
— E que explica sua relutância em ter filhos comigo!
Kolya se sentou no sofá, segurando a cabeça com as mãos.
— O que posso fazer para que você acredite em mim? Vou ligar para ela na sua frente e dizer que acabou!
— Não faça isso! — Ksenia balançou a cabeça.
— Não me interessa! Nosso casamento acabou, Kolya! Eu vou pedir o divórcio!
Na palavra “divórcio”, Kolya estremeceu.
Ele levantou os olhos, e nos seus olhos, Ksenia viu medo — medo real, sem disfarces.
— Ksenia, não faça isso! — ele disse.
— Nós compramos o carro juntos! No divórcio, você pode reivindicar a metade…
Era isso.
Não era amor, não era família, não eram os relacionamentos que o preocupavam — era a propriedade.
O carro que compraram um ano atrás e ele estava tão orgulhoso.
Ksenia sentiu os últimos vestígios de afeição por aquele homem desaparecerem em seu coração.
— Sim, Kolya! — ela disse calmamente.
— No divórcio, vou reivindicar metade do carro! É meu direito legal! Assim como o direito de te jogar para fora do meu apartamento!
— Você não pode fazer isso! — ele saltou do sofá.
— Eu investi tanto nesse carro! Estou pagando o empréstimo!
— Nós dois pagamos! — Ksenia o lembrou.
— E eu vou continuar pagando depois do divórcio! E depois, quando o empréstimo estiver pago, vou vender minha parte!
Kolya se agarrou à cabeça.
— Por favor, Ksenia! Não faça isso! Estou te implorando! — sua voz falhou, e Ksenia se surpreendeu ao ver lágrimas nos olhos de seu marido.
— Eu te amo tanto, não consigo viver sem você! Me dê mais uma chance, juro que serei o marido perfeito!
Ele realmente se ajoelhou diante dela, tentando abraçar suas pernas.
Ksenia deu um passo para trás, sentindo nojo.
— Não! Não tente me fazer sentir culpa, Kolya! Você não vai mais morar no meu apartamento! Vai para sua vagabunda!
Kolya levantou-se de joelhos, seu rosto mudando instantaneamente.
As lágrimas haviam sumido, a expressão suplicante também — agora, diante de Ksenia, estava um homem bravo, furioso.
— Você é repulsiva! — ele sibilou entre os dentes.
— Você acha que vai ser melhor sem mim? Quem vai precisar de você com essa obsessão por filhos?
— Já está melhor! — Ksenia respondeu calmamente.
— Agora eu vejo o verdadeiro você, não a máscara patética que você tentou colocar!
— Não tenha tanta certeza! — Kolya pegou a bolsa com suas coisas.
— Quando você perceber, será tarde demais! Eu não vou voltar, mesmo que você implore!
— Não se preocupe, eu não vou! — Ksenia foi até a porta e a abriu.
Kolya olhou ao redor do apartamento como se tentasse memorizar ou encontrar algo valioso para levar com ele.
Então, sem dizer mais nada, ele correu para fora.
Ksenia fechou a porta atrás dele, virou a chave na fechadura e se apoiou na porta.
Só agora, quando ele se foi, sentiu suas mãos tremendo.
Mas não era tremor de desespero — era libertação.
Como se o pesado fardo que ela carregava nos últimos anos finalmente tivesse caído de seus ombros.
Três meses se passaram.
Muita coisa mudou na vida de Ksenia durante esse tempo.
Ela pediu o divórcio, e o processo estava indo bem.
Kolya tentou arrastar a situação, chamou-a para “negociações de paz”, até tentou falar sobre reconciliação novamente, mas Ksenia se manteve firme.
Em um dia de primavera, sentada em um café com sua amiga Alia, Ksenia estava contando sobre o último encontro com seu quase ex-marido.
— Você acredita, ontem ele me ligou e pediu uma reunião! — Ksenia mexia em seu cappuccino.
— Ele disse que era uma conversa importante! Eu aceitei, pensando que talvez fosse algo realmente importante!
— E o que aconteceu? — Alia perguntou curiosa.
— A Lisa o expulsou! — Ksenia não conseguiu conter um sorriso.
— Aparentemente, depois do nosso término, ele foi morar com ela! Mas ontem, ela o jogou para fora porque encontrou um “cara mais promissor”
— um diretor de outro departamento! Agora Kolya está ficando com amigos e tentando voltar para o meu lugar!
— Sério? E o que você disse?
— Eu disse que não me importo com os problemas de moradia dele! — Ksenia deu de ombros.
— Ele tentou me fazer sentir culpa, dizendo que eu sou cruel e insensível! Mas sabe de uma coisa? Eu realmente não me importo!
Eu não sinto nada por ele mais — nem amor, nem ódio! Só vazio!
Alia acenou com a cabeça, aprovada.
— Isso é um bom sinal! Significa que você realmente o deixou ir!
— Sim! — Ksenia sorriu.
— E sabe o que é mais interessante? Eu me inscrevi para uma consulta na clínica de fertilidade!
Decidi não esperar pelo “momento perfeito” ou pelo “homem certo”! Se eu quero um filho — posso fazer isso sozinha!
— Que decisão corajosa! — Alia apertou a mão da amiga.
— Estou orgulhosa de você!
Uma semana depois, Ksenia encontrou Kolya no prédio do tribunal.
Hoje estava marcada a audiência do divórcio deles.
Kolya parecia abatido, desleixado — seu terno cinza estava amassado, sua barba por fazer, círculos escuros sob os olhos.
— Ksenia, podemos conversar de novo? — ele começou assim que ela se aproximou.
— Eu repensei muita coisa…
— Não, Kolya! — Ksenia respondeu firmemente.
— Já discutimos tudo! Hoje o tribunal vai colocar um ponto final no nosso relacionamento!
— Mas o carro… — sua voz vacilou.
— Não me tire o carro, pelo menos! É tudo o que eu tenho!
— Eu não vou tirar! — Ksenia respondeu calmamente.
— Estou pedindo minha parte de direito! Você pode me comprar, se quiser ficar com o carro inteiro!
— Você sabe que eu não tenho esse tipo de dinheiro! — ele exclamou.
— Eles me rebaixaram depois de toda a história com a Lisa! Mal consigo pagar minhas contas!
— Então vai ter que vender o carro e dividir o dinheiro! Ou me dar minha parte no meu apartamento! — Ksenia deu de ombros.
Havia raiva brilhando nos olhos de Kolya, mas ele se conteve.
— Você mudou! — ele disse baixinho.
— Você costumava ser mais suave, mais gentil!
— Eu não mudei! — Ksenia sorriu.
— Eu apenas parei de deixar você me manipular!
Uma hora depois, saindo do tribunal como mulher divorciada, Ksenia respirou profundamente o ar da primavera.
À sua frente, estava uma nova vida — sem mentiras, sem manipulação, sem desculpas constantes.
Uma vida na qual ela tomava decisões e assumia a responsabilidade por elas.
Seu telefone tocou.
Uma mensagem apareceu na tela da clínica de fertilidade: “Querida Ksenia, um lembrete de que sua consulta inicial com a Dra.
Smirnova está marcada para amanhã às 10:00.”
Ksenia sorriu.
Amanhã, sua jornada em direção à maternidade começaria.
Uma jornada que ela faria nos seus termos, no seu tempo…







