Que o Igor descanse, e você, nora, vá trabalhar! — declarou a sogra.

Que o Dmitri vá de férias, e você vá trabalhar! — soou da boca da sogra.

Quando Olga ouviu o tilintar das chaves na porta, seu coração se apertou.

Ela reconhecia aqueles passos duros no corredor melhor do que a própria respiração.

No nono mês de gravidez, cada movimento se transformava em tortura, e agora teria de encontrar justamente aquela de quem tinha mais medo do que do próprio parto.

A porta escancarou e um furacão invadiu o apartamento na pessoa de Liudmila Semiónovna.

— Mas olha o seu estado! — lançou a sogra em vez de um cumprimento. — Você se deixou largar de vez, hein?

A chegada da mãe de Dmitri era a última coisa que Olga queria.

Ela sonhava em se deitar: a barriga puxava para o chão, as costas doíam. Até lavar uma xícara tinha se tornado um feito.

A licença-maternidade deveria lhe dar um descanso, mas os planos desmoronaram num instante.

— Seja bem-vinda, Liudmila Semiónovna, — disse Olga baixinho, recuando para o lado.

— E onde está o meu Dimochka? — a sogra começou logo a olhar em volta.

— Está no trabalho, — respondeu Olga, se controlando. — Está ganhando o sustento da nossa família.

— E você não dá conta sozinha, é? — Liudmila Semiónovna largou as sacolas pesadas e avançou para dentro do apartamento, quase derrubando a nora grávida. — Daqui a pouco vai ser mãe e se comporta como uma criança!

Assim que entrou, a sogra começou a inspecionar o apartamento, como se estivesse conferindo um quartel. Isso deixou Olga em alerta.

— A senhora apareceu de surpresa. Esqueceu alguma coisa? — perguntou com cuidado.

— Esqueci o quê? — Liudmila Semiónovna se virou. — Agora eu moro aqui.

As pernas de Olga amoleceram.

— Mas como… — sussurrou ela.

— Cansei daquele grosso com quem eu dividia o apartamento, — cortou a sogra. —
Não aguento mais. Então me mudei. Vou morar com vocês por enquanto.

A explicação só aumentou a amargura.

Sim, o apartamento era grande, mas isso dava à sogra o direito de invadir sem pedir?

Olga quis retrucar, mas as forças a abandonaram, e ela foi em silêncio para o quarto esperar o marido.

Quando Dmitri voltou, apenas abriu os braços, impotente.

A mãe era difícil, mas ele não podia simplesmente mandá-la embora: afinal, tinha sido ela quem o criara.

Olga se conformou, na esperança de que a sogra ao menos ajudasse um pouco em casa.

Mas as esperanças se desfizeram em dois dias. Liudmila Semiónovna impôs suas próprias regras no lar.

E como Dmitri passava o dia inteiro no trabalho, quem tinha de aguentar os surtos dela era Olga.

E era insuportável aguentar. A sogra criticava tudo: a louça por lavar, o pó no peitoril da janela, até o chá que não estava perfeitamente preparado.

— Liudmila Semiónovna… — a voz de Olga tremia de cansaço. — Está difícil pra mim, minhas costas doem, minhas pernas estão inchadas…

— Claro que doem! — a sogra cruzou os braços sobre o peito. —
Destino de mulher é aguentar! Ter filho não é motivo pra largar as obrigações! Eu criei o meu filho, eu sei melhor!

Olga se calava, com medo de prejudicar o bebê com tantas brigas.

Um dia, quando a comida acabou, Olga pediu à sogra para ir com ela ao mercado.

— Tá bom, eu vou, — resmungou Liudmila Semiónovna. —
Senão você ainda compra a coisa errada.

O caminho correu tranquilo, mas no caixa a sogra de repente estendeu as sacolas para ela.

— Pega, leva.

— Mas eu não posso carregar peso… — murmurou Olga, assustada.

— Que “não pode” o quê! — zombou a sogra, imitando-a.

Olga pegou obediente as sacolas, mas depois de alguns passos começou a passar mal.

— Ai… — cambaleou.

— Pronto, de novo! — Liudmila Semiónovna não levantou nem uma sobrancelha.

— Precisa de ajuda? — um transeunte correu até elas.

— Não, não, está tudo bem… — Olga mal conseguia ficar em pé.

— As fresquinhas de hoje em dia… — resmungou a sogra, mas ainda assim pegou parte das compras.

Ao saber do ocorrido, Dmitri correu para casa.

— Lenochka, por que você fez isso? — alisou a mão dela. — Eu mesmo teria ido!

— Eu só queria ajudar… — sussurrou Olga.
— Por que a sua mãe não te apoiou?

Olga fechou os olhos.

— Foi ela que me obrigou a carregar as sacolas. E quando eu comecei a passar mal, só fez pouco caso.

Dmitri ficou paralisado.

— A minha mãe?.. — repetiu ele, sem acreditar no que ouvira.

Naquela mesma noite ele teve uma conversa séria com Liudmila Semiónovna. Olga ouvia os gritos, mas não conseguia entender as palavras exatas.

Parecia que, depois disso, a sogra ficou ainda mais maldosa. Agora criticava Olga até pela forma como ela enfaixava a menina.

— E você chama isso de ser mãe? — sibilava Liudmila Semiónovna, olhando Olga embalar a bebê chorosa.

Mas não tinha pressa em ajudar. Depois de criticar, ia embora, deixando Olga sozinha com a criança.

Um dia Dmitri voltou do trabalho calado, com o olhar apagado.

— Fui demitido, — disse em tom rouco.

Olga ficou imóvel. No quarto ao lado, a filha começou a chorar.

— Vai dar tudo certo, — ela sorriu fracamente e foi até a bebê.

No dia seguinte, eles conversavam sobre como seguir em frente. E então Liudmila Semiónovna interferiu.

— Estou ouvindo vocês fazendo planos, — comentou com ironia. —
E tudo em cima do Dima? Você não pensa em trabalhar?

Olga ficou atônita.

— Do que a senhora está falando?

— Que o Dmitri vá de férias, e você vá trabalhar! — repetiu a sogra.

Olga não acreditava no que ouvia. Tinha um bebê de colo, não dormia à noite, mal se aguentava em pé… e diziam uma coisa dessas a ela!

Mas então Dmitri explodiu.

— Mãe, como a senhora pode?! — pela primeira vez levantou a voz para ela. —
A senhora está vendo como a Olia está exausta?

Ela está criando a nossa filha! E a senhora só sabe criticar!

— Eu estou é cuidando de você! — exclamou Liudmila Semiónovna.

— Então pare de fazer a minha esposa infeliz, — disse o filho com firmeza. —
E vá embora. Procure um apartamento para a senhora.

— Ah, é assim?! — a sogra ficou paralisada. — Pois muito bem! Viver com vocês é um inferno!

— Ótimo, — respondeu Dmitri friamente.

Dois dias depois, batendo a porta, Liudmila Semiónovna deixou a casa deles.

Desde então, não a viram mais.

Dmitri encontrou um novo emprego, e Olga se virava cada vez melhor com a pequena.