Minha esposa é uma vaca.

Ela come o tempo todo.

«Sveta, vamos, está tarde!» – Aleksej ajustou impaciente a gravata na entrada, apressando a esposa, que mexia em alguma coisa no quarto.

«Um minuto, Lesha, não consigo fechar o zíper, acho que dei uma alargadinha nos quadris», soou a voz dela, levemente tensa pelo esforço.

Aleksej suspirou.

«Você deu uma alargadinha» foi dito com gentileza.

Ele mesmo tinha reparado que, nos últimos meses, Sveta de alguma forma tinha “se desmanchado”.

Lesha amava a esposa.

Estavam casados há apenas três anos e, no geral, viviam em perfeita harmonia.

Ela era sua melhor amiga, seu porto seguro.

Mas naquela noite, na festa de fim de ano da empresa organizada pela diretoria, para a qual todos tinham sido convidados com as respectivas esposas, ele preferia ir sem ela.

Sveta saiu do quarto com o vestido azul novo.

Era bonito, mas ficava justo nela, ressaltando a barriga arredondada e os quadris cheios.

«E então, como estou?» – perguntou Sveta, girando insegura diante do marido.

«Ótima», resmungou Lesha, tentando não olhar nos olhos dela.

«Vamos, o chefe gosta quando todo mundo chega pontualmente.»

No caminho, Sveta falava sem parar sobre a festa, sobre os presentes para os parentes, sobre como era bom que ele finalmente iria se distrair do trabalho.

Aleksej assentia, com o nariz enfiado no telefone, e mentalmente calculava quais colegas estariam presentes.

Provavelmente Artem, do departamento de logística, com a esposa-modelo, Alisa.

O restaurante era luxuoso, cheirava a pinheiro, a perfumes caros e a comida.

Já havia umas trinta pessoas e o barulho era considerável.

Foram recebidos pelo próprio diretor, Igor Petrovich, um homem corpulento com um charuto na mão.

«Aleksej, vamos, entrem!

Finalmente nos mostrou a sua esposa!

Boa noite, Svetlana, é um prazer.»

Sveta, um pouco constrangida, sorriu e desejou feliz ano novo ao chefe.

Aleksej observava com orgulho como ela conseguia facilmente encontrar assunto com o diretor.

Mas esse orgulho sumiu rapidamente quando entraram no salão principal.

E ali estava, o momento da verdade.

Todas as esposas dos colegas, uma mais do que a outra: esguias, cuidadas, em vestidos deslumbrantes.

Até Olga, a contadora, uma mulher já não tão jovem, parecia magra e elegante.

E a sua Sveta…

Ao lado delas parecia… um pouco simples.

Bonita, claro, mas simples.

E gorda!

Muito gorda.

«Lesha, olha essa mesa!

Parece um conto de fadas!» – sussurrou a esposa em seu ouvido, e os olhos dela brilhavam de entusiasmo.

Aleksej assentiu.

Sim, a mesa estava magnífica: caviar vermelho, lagostins, leitõezinhos recheados, saladas em canapés.

Mas o entusiasmo dela com a comida o irritava, sem que ele soubesse bem por quê.

A noite começou.

O chefe fez um brinde, todos levantaram as taças.

Aleksej virou um cálice de conhaque de uma vez, depois outro.

O álcool começou a se espalhar pelo corpo em uma onda quente, abafando a leve sensação de inquietação.

Enquanto isso, Sveta já tinha se acomodado à mesa e, com evidente prazer, começou a comer.

Comia o pato assado, a salada “Olivier”, os canapés com carne de caranguejo.

Comia com um apetite tão evidente, com uma alegria tão sincera, que Aleksej involuntariamente começou a comparar.

Ali estava a esposa de Artem, Alisa, cutucando uma folha de alface com o garfo e bebendo água com limão.

Ali estava a esposa do chefe de RH, uma loira esguia, dançando na pista com os braços acima da cabeça.

E a sua Sveta sentada.

E comendo…

Só fazia isso: comer.

«Sveta, que tal dançarmos?» – ele propôs, na esperança de desviar a atenção dela do prato.

«Ah, Lesha, agora não, o prato principal está tão gostoso!

Vamos mais tarde», respondeu ela, saboreando um pedaço de carne.

Aleksej fez uma careta e se serviu de mais conhaque.

A cada dose, sentia-se ainda mais desconfortável.

Parecia-lhe que os colegas olhavam para Sveta e cochichavam.

Que Artem sorria com ironia, olhando para a sua “gordinha”.

O amor pela esposa não tinha desaparecido, mas era encoberto por um agudo sentimento de vergonha.

Vergonha dela e dele mesmo, por ter permitido que sua mulher ficasse daquele jeito.

Ele queria se esconder em algum lugar.

Como se lesse os pensamentos dele, Artem gritou de uma ponta à outra da mesa: «Lesha, vamos fumar!

Pessoal, todo mundo lá fora!»

Aleksej levantou aliviado.

«Sveta, já volto.»

«Tá bem, fico aqui» – ela já estendia a mão em direção à sobremesa, uma mousse de morango.

Na área de fumantes, na varanda, estava fresco e cheio de fumaça.

Tinham se juntado ali uns cinco ou seis colegas.

Bebiam o conhaque trazido da mesa, conversavam sobre trabalho, futebol, as próximas férias.

«E então, pessoal, o que acham da festa da firma?» – perguntou Artem, soltando argolas de fumaça.

«Ah, está boa, Igor Petrovich não economizou», respondeu alguém.

«Nossas esposas hoje estão todas brilhando», Artem piscou.

«Principalmente a sua, Lesha, vejo que ela com certeza não sofre de falta de apetite.»

Todos riram educadamente.

Aleksej sentiu como se levasse uma picada de agulha.

O álcool, a vergonha e o desejo de “ser como eles”, de entrar naquele “bando de machos alfa”, começaram a falar dentro dele.

«É, disso ela realmente não sofre», disse sombriamente Aleksej e engoliu um grande gole de conhaque.

Precisava se justificar.

Mostrar que controlava a situação, que não era um frouxo em cujo pescoço a esposa tinha subido.

«Minha vaca, caramba, não consegue parar de se entupir de comida.

Perdeu completamente a vergonha.»

Por um instante, fez-se silêncio na área de fumantes.

Os colegas trocaram olhares.

A frase soara dura demais.

«Pega leve, Lesha», o colega mais velho, Viktor, balançou a cabeça.

«Pegar leve nada!» – agora Aleksej tinha pegado embalo.

Queria despejar para fora toda a irritação acumulada.

«Eu já falei pra ela: larga esses pãezinhos.

Nada, de noite ataca a geladeira.

Mas tudo bem, depois das festas vou botar ela numa dieta, podem ter certeza.

Chega de engordar.»

Ele disse isso em voz alta, com ar desafiador, tentando esconder a própria vergonha atrás da fanfarronice, e não percebeu quando, pela porta entreaberta que levava da área de fumantes ao salão principal, passou uma figura.

Era Olga, a contadora.

Estava saindo do banheiro feminino e parou por um segundo, ouvindo aquela voz alta.

Seu rosto se alongou de espanto com o que tinha escutado.

Ela lançou um olhar a Aleksej, depois ao salão, onde Sveta estava sentada, e se afastou rapidamente.

Exaltado pela própria “vitória” e pelo álcool, Aleksej voltou para o salão.

Pareceu-lhe que agora os colegas o olhavam com respeito.

Como quem diz: ele é quem manda na esposa.

Sentou-se ao lado da mulher, que terminava a mousse.

«E aí, conversou bastante com os colegas?» – perguntou ela sorrindo.

As bochechas estavam coradas, os olhos brilhavam.

Ela estava feliz.

«Sim, tudo certo», murmurou Aleksej.

De repente, ele percebeu que Olga se aproximara da esposa de Artem, Alisa, e lhe sussurrava algo, lançando olhares significativos em direção à mesa deles.

Alisa arqueou as sobrancelhas e depois também olhou para Sveta com uma expressão estranha, meio entre compaixão e curiosidade.

Sveta, sentindo aqueles olhares, enrijeceu.

Olhou para Aleksej, mas ele desviou os olhos.

Então o olhar dela cruzou com o de Olga.

Esta virou-se depressa, mas no rosto permaneceu uma máscara de piedade descarada.

Algo se quebrou dentro de Sveta.

O ar ao redor pareceu ficar mais denso.

Ela sentiu um arrepio nas costas.

Já não se sentia à vontade.

De repente percebeu, com dolorosa nitidez, que todas aquelas mulheres magras e bonitas, provavelmente o tempo todo, a julgavam, comentavam a sua figura, o seu apetite.

E agora Olga tinha dito algo a Alisa, e esta a observava do mesmo jeito: com pena.

«Lesha, não estou me sentindo muito bem», disse Sveta baixinho.

«Acho que comi demais.

Estou tonta.»

«É mesmo?» – na verdade, Aleksej ficou satisfeito com o pretexto para ir embora.

Ele também já estava cansado daquela noite.

«Talvez a gente fique mais um pouco?»

«Não, eu preferia ir pra casa», a voz dela tremeu.

«Tudo bem, vou só me despedir do chefe e a gente vai.»

Ele se levantou e foi até a mesa onde Igor Petrovich estava sentado.

Enquanto explicava que a esposa não estava passando bem, Sveta foi ao guarda-roupa buscar suas coisas.

No banheiro feminino, deu de cara com Olga.

«Svetlana, vocês já estão indo?» – perguntou Olga, e na voz dela se sentia uma doçura piedosa, enjoativa.

«Sim, estou um pouco cansada», respondeu Sveta, tentando sorrir.

Olga suspirou.

«Entendo.

Deve ser difícil, quando todo mundo olha pra você desse jeito…

E quando até o marido…»

Ela parou, fingindo ter deixado escapar algo.

«O marido?

O que tem o marido?» – Sveta sentiu um gelo por dentro.

«Ah, nada, não ligue pra isso», Olga se agitou.

«Os homens são todos iguais… principalmente quando beberam um pouco.

Falam sem pensar.

O meu, no ano passado, no meu aniversário…

Enfim, deixa pra lá.

Não se torture.

Aleksej ama você, ele só… falou como homem.

Lá na área de fumantes.

Sobre dieta e sobre o fato de que… você come muito.»

Ela disse isso com uma doçura tão venenosa que Sveta quase vomitou.

Todas aquelas comidas deliciosas, que ela tinha comido com tanto prazer, subiram à garganta como um bloco.

«O que… o que ele disse?» – sussurrou.

«Ora, deixa isso pra lá!

Bobagens!

Que a ‘vaca dele não consegue parar de comer’.

Que vai pôr você numa dieta.

Sabe como é, os homens… têm de ficar se exibindo na frente dos outros…»

Sveta não escutava mais.

O mundo se reduziu a um pontinho.

Ela não se lembrava de como pegou o casaco no guarda-roupa, nem de como saiu para a rua.

As palavras «vaca» e «comer como um porco» ecoavam em seus ouvidos como uma martelada de sino.

Foi Aleksej que disse isso?

O seu Lesha?

O marido que a tinha beijado naquela manhã, que lhe dissera que a amava, com quem tinham sonhado com filhos?

Que era seu melhor amigo?

Ela sentia tanta vergonha que queria sumir da face da terra.

Agora entendia todos aqueles olhares.

Não tinha imaginado.

Todos tinham ouvido, todos sabiam.

Todos os colegas de Aleksej e suas esposas agora sabiam que ele a considerava uma vaca.

E provavelmente concordavam com ele.

Ela os imaginou rindo pelas costas, enquanto ela se servia de mais um pedaço de bolo.

As lágrimas sufocavam Sveta.

Ela pegou um táxi e, chorando, ficou a viagem inteira olhando pela janela embaçada.

Como ele pôde?

Por quê?

Ela sempre o apoiou, acreditou nele, construiu para ele um lar acolhedor.

Eles se amavam!

Ou será que era mentira?

Talvez ele a desprezasse já há muito tempo?

Enquanto isso, Aleksej voltou da mesa do chefe e não encontrou Sveta no salão.

Foi ao guarda-roupa – ela não estava.

Perguntou ao funcionário – este disse que uma jovem de vestido azul acabara de pegar um táxi.

«Ela foi embora?

Sozinha?» – Aleksej ficou atônito.

Nesse momento chegou Artem, deu um tapa em seu ombro.

«Lesha, por que você está aí parado?

Vem com a gente, o chefe mandou abrir o champanhe!»

«É que a Sveta… foi embora.

Disse que não está se sentindo bem.»

«Que vá, que descanse» – Artem fez um gesto indiferente.

«Você não vai sair correndo atrás dela feito um pintinho, né?

Você é homem ou não é?

Ela é adulta.

Vai dormir e passa.

Qual é, não paga de bobo.»

Essa frase – «não paga de bobo» – acertou em cheio.

Aleksej já estava a noite inteira inseguro e agora, além disso, a esposa tinha ido embora, deixando-o parecer um capacho.

Sim, Artem tinha razão.

Correr atrás dela significaria perder de vez a cara diante dos colegas.

No fim das contas, ela tinha sido mesmo boba, tinha procurado isso com o próprio comportamento.

«Você tem razão», disse sombriamente Aleksej.

«Vamos beber.»

Voltou para o salão.

Bebeu muito e com raiva, tentando abafar aquele estranho, desagradável sentimento de culpa que começava a arranhá-lo por dentro.

Ria mais alto do que todos, contava piadas, tentava flertar com as garçonetes para provar a todos – e a si mesmo – que era um “alfa”, que não ligava para nada.

Mas por dentro se sentia vazio e sujo.

Lesha voltou para casa de manhã, mal se aguentando em pé.

No apartamento as luzes estavam acesas e Sveta estava sentada no sofá da sala.

Não dormia.

O rosto dela estava inchado de tanto chorar, na mão ela apertava um lenço amarrotado.

«Sveta, você ainda acordada?» – ele tentou falar normalmente, mas a língua enrolava.

Ela o olhava em silêncio.

No olhar não havia nem raiva, nem censura.

Apenas uma dor infinita e decepção.

«O que aconteceu?» – ele tentou se aproximar, mas cambaleou e se apoiou no batente da porta.

«Eu sei de tudo, Lesha», a voz dela era calma, mas absolutamente clara.

«Sei que você me chamou de vaca.

Que disse que eu não consigo parar de comer.

Que vai me pôr em dieta.»

Uma onda gelada percorreu as costas de Aleksej.

Foi como se ficasse sóbrio na mesma hora.

«Sveta… eu… não é assim… a gente só estava conversando entre homens… eu não quis dizer isso…» – balbuciava, entendendo que não havia e não poderia haver desculpas.

«Não quis dizer isso?» – ela riu baixinho, e essa risada soou mais terrível do que o choro.

«E o que você quis dizer, Lesha?

Explica pra mim, burra aqui.

Como é que eu devo interpretar a palavra “vaca”?

Como um elogio?»

«Sveta, me perdoa, eu estava bêbado, falei besteira!

Eu te amo!» – ele tentou se aproximar, mas ela recuou como se fugisse de um leproso.

«Não chega perto!

Não encosta em mim!» – pela primeira vez a voz dela soou histérica.

«Você me ama?

E por isso me humilhou na frente de todos os seus colegas?

Me transformou na piada da noite!

Eu estava sentada lá, comendo porque me sentia bem, porque estava feliz de passar a noite com você!

E você… você…»

Ela voltou a chorar, cobrindo o rosto com as mãos.

Aleksej se dobrava de vergonha.

Ele via a figura dela encolhida, ouvia os soluços, e queria sumir.

Pensou em como ela provavelmente tinha esperado aquela noite, como tinha escolhido o vestido, como tinha se alegrado.

E ele estragou tudo.

Por quê?

Pelo aplauso de Artem?

«Sveta, eu… morro de vergonha…

Não sei o que deu em mim…» – falava sinceramente, com lágrimas nos olhos.

«Eu sei por que estou com tanto apetite, Aleksej», disse Sveta, parando de chorar.

Enxugou as lágrimas e olhou diretamente para ele.

«Eu queria te fazer uma surpresa de aniversário.

Mas pelo visto vou ter que falar antes.»

Ela pousou a mão sobre o ventre.

O sentido daquele gesto não atingiu Aleksej de imediato.

«Estou grávida.

Vamos ter um filho.

Já estou no terceiro mês.

E sim, engordei.

E sim, como muito.

Porque estou com fome o tempo todo.

O médico disse que é normal.

Eu como por dois.»

Ela disse isso sem emoção, como um simples fato.

Para Aleksej, foi como um trovão em céu azul.

Ele ficou paralisado.

Grávida?

Um filho!

O sonho deles.

E ele… ele tinha chamado a mãe do seu filho de vaca.

Porque ela comia por dois.

Uma onda de vergonha absoluta o tomou com tanta força que ele não aguentou e caiu de joelhos no meio da sala.

«Sveta… amor… me perdoa…

Eu sou um canalha… um idiota completo…»

Sveta o olhava de cima.

No coração dela se enfrentavam mágoa, compaixão e amor.

«Levanta, Lesha.

Não se humilha ainda mais.»

Ele se levantou.

O rosto estava molhado de lágrimas.

«Eu faço qualquer coisa!

Qualquer coisa!

Só me diz o que eu tenho que fazer pra você me perdoar.»

Ela o encarou por um longo tempo.

Depois disse, muito calma: «Você me humilhou em público, na frente de todos os seus colegas.

Então vai pedir desculpas do mesmo jeito.

Em público.

Não vou aceitar desculpas em particular.

Você vai fazer isso no trabalho.

Pra que todas aquelas… aquelas esposas… fiquem sabendo.»

Aleksej congelou.

Falar diante de toda a equipe?

Dizer uma coisa dessas?

Seria o fim total da sua reputação de “durão”.

Mas, ao olhar nos olhos decididos da esposa, ele entendeu que não havia outra opção.

Tinha que escolher: o orgulho ou a esposa e o futuro filho.

«Tá bem», disse baixinho.

«Eu vou fazer isso.»

Os dias restantes do recesso de Ano Novo passaram em um silêncio gelado.

Sveta foi dormir na sala.

Era gentil, mas fria como um iceberg.

Aleksej rondava em volta dela como um fantasma, tentava cuidar dela, cozinhar, mas ela se afastava.

Ele a via chorar todas as manhãs no banheiro, e cada vez queria desaparecer.

Finalmente chegou o primeiro dia de trabalho depois das festas.

De manhã, Aleksej se arrumou com cuidado especial.

Estava pálido e concentrado.

«Eu vou fazer isso, Sveta.

Eu prometo», disse ao se despedir.

Ela apenas assentiu, sem olhar para ele.

No escritório, o clima era relaxado, de pós-festas.

Todos falavam das férias, trocavam impressões.

Às dez, como de costume, estava marcada a reunião geral na grande sala de conferências.

Aleksej sentou-se olhando fixo para a mesa.

As mãos tremiam.

Ele imaginava o que iria dizer e se sentia mal.

Mas lembrava o rosto de Sveta, suas lágrimas, e sua determinação ficava mais forte.

Igor Petrovich fez o balanço do ano, apresentou os planos.

«Bem, colegas, feliz ano novo a todos!

Alguém quer acrescentar alguma coisa?»

Normalmente, nesse momento todos ficavam em silêncio, esperando o fim da reunião.

Aleksej se levantou.

A cadeira arrastou alto para trás.

Todos olharam para ele, surpresos.

«Eu gostaria de dizer uma coisa», a voz dele tremia, mas ele se forçou a falar alto e claro.

«Sim, Aleksej, estamos ouvindo», disse o chefe, surpreso.

Aleksej percorreu a sala com o olhar.

Viu Artem, que sorria ironicamente.

Viu Olga, que o observava com curiosidade mal disfarçada.

Viu todos os colegas, cujas esposas tinham estado presentes na fatídica festa da empresa.

«Quero pedir desculpas publicamente à minha esposa, Svetlana», começou.

Na sala caiu um silêncio absoluto.

«Na festa de Ano Novo, bêbado, eu me permiti, em relação a ela, palavras ofensivas, grosseiras, imperdoáveis.

Eu a chamei de…» – engoliu o nó na garganta – «…a chamei de vaca.

Disse que ela come demais.

Tive vergonha dela.

E esse foi o maior erro da minha vida.»

Alguém soltou um «oh» na sala.

Artem parou de sorrir, Olga abaixou os olhos.

«Não sei como pude dizer uma coisa dessas sobre a mulher que eu amo mais do que a minha vida.

Sobre a mulher mais gentil, inteligente e maravilhosa do mundo.

Eu não mereço o perdão dela.

Porque descobri a causa do apetite maior que ela tem.»

Ele fez uma pausa para respirar.

«Minha esposa está grávida.

Estamos esperando um bebê.

E ela come por dois.

Pelo nosso pequeno.

E eu… eu fui um imbecil cego e vaidoso, a quem importava mais a opinião de alguns…» – ele parou, mas todos entenderam de quem falava – «…a opinião dos outros, do que a felicidade da pessoa mais próxima de mim.»

O nó voltou à sua garganta.

«Portanto, quero que todos saibam de uma coisa.

Minha esposa é a melhor e mais amada mulher do mundo.

E os ‘quilos a mais’ dela…» – ele olhou de novo para os rostos espantados dos colegas – «…não são quilos a mais.

São lugares para beijos.

Para os meus beijos.

E se eu ainda ouvir, nem que seja uma insinuação, qualquer coisa indecente a respeito dela, eu não vou discutir.

Entendido?»

Ele terminou.

Na sala reinava um silêncio total.

Então foi quebrado por Igor Petrovich.

Ele começou a bater palmas devagar.

Uma vez.

Outra.

Depois se juntou a ele Olga, da contabilidade.

Depois mais alguém.

E em pouco tempo toda a sala estava aplaudindo.

Algumas mulheres enxugavam as lágrimas.

Artem aproximou-se de Aleksej e, um pouco sem jeito, deu-lhe um tapa no ombro.

«Cara, respeito.

Você é um homem de verdade.»

Aleksej ficou ali, sem sentir as pernas.

Já não se importava com o que aquelas pessoas pensavam.

Tinha feito o que tinha de ser feito.

Na volta para casa, passou em uma floricultura e comprou um enorme buquê de rosas.

Depois entrou em uma joalheria e escolheu um par de brincos simples, mas bonitos.

Em casa, cheirava a frango assado – o prato preferido dele.

Sveta estava em pé no fogão, na cozinha.

Ela se virou, e nos olhos havia uma pergunta.

Ele lhe estendeu, em silêncio, as flores e a caixinha.

«Eu fiz, Sveta.

Na frente de todo mundo.

Disse tudo como você queria.»

Ela pegou as flores e as colocou em um vaso.

Depois abriu a caixinha.

Um sorriso tremeu em seus lábios.

«Eu sei.

A esposa de Igor Petrovich já me ligou.

Me deu parabéns pela gravidez e disse que sou uma mulher de sorte por ter um marido assim.»

Aleksej não acreditava no que ouvia.

«E… e o que você respondeu?»

«Disse que eu também sei disso», respondeu Sveta baixinho.

E começou a chorar.

Mas eram lágrimas diferentes.

Lágrimas de alívio e de perdão.

Ela se aproximou do marido e o abraçou.

Ele a apertou contra si, sentindo sob as mãos o corpo dela mudado, que se tornara tão precioso.

«Me perdoa, Sveta.

Eu te amo.

Mais do que a minha própria vida.»

«Eu sei, seu bobo» – ela soluçou no ombro dele.

«Não faz mais isso.»

«Nunca mais.

Eu juro pelo nosso filho.»

Ele a beijou no alto da cabeça, depois na testa, depois nas bochechas.

Beijou os ombros macios, a barriga arredondada – todos aqueles lugares que antes tinha chamado de “quilos a mais”.

E agora sabia que não eram quilos a mais.

Eram, de verdade, os melhores, mais desejados e mais amados lugares do mundo para os seus beijos.