Enviei à cliente um sorriso amistoso: estou vendo tudo, já passo o pagamento aqui e venho até você.
Mas a dama corpulenta de casaco de pele não se acalmava.

— Por que eu tenho que gritar pelo meio da loja inteira? Que falta de respeito! Eu bem que podia reclamar com o seu gerente.
— Querida, deixa disso, — sussurrou em tom apaziguador, atrás da mulher histérica, o marido apagado.
Com um sorriso colado no rosto, como se fosse grudado com cola forte, eu me aproximei da “querida”.
Só fica quieta, disse para mim mesma, nada de conversa.
— São diamantes de verdade?
Eu assenti em silêncio.
A cliente me mirava com antipatia, furando-me com um olhar nada amigável.
— Eu conheço gente como você, só pensa em enganar os outros. Ouvi dizer que vocês aqui vendem falsificações. Mas mesmo assim me mostre este anel, — a “querida” fez uma careta rabugenta e enfiou o dedo na vitrine sem nenhum cuidado.
— Vamos ver que diamantes vocês têm aqui. Qual é o tipo de liga?
Não tinha jeito, eu ia ter que responder.
— Setecentos e cinquenta.
Quantas vezes eu tinha prometido a mim mesma não conversar com gente como ela, eu sei bem: se eu não me controlar e começar a falar, a coisa sempre termina em compra.
O trabalho delicado e fino não combinava nada com aqueles dedos gorduchos, mas a dama de casaco de pele percebeu sozinha que o anel não ficava bem e pediu um diamante maior.
— Por gentileza, me mostre o anel com cornalina, — ouviu-se da vitrine com as pedras semipreciosas.
A “querida” se ouriçou na mesma hora.
— Você não está vendo que a vendedora está ocupada com clientes sérios? — guinchou ela, lançando sobre a cliente um olhar de gelo e desprezo.
— Espere a sua vez!
— Querida, deixa disso, — o marido tornou a dizer, mas, como da outra vez, a esposa nem lhe deu atenção.
Tirei os fones de ouvido.
Os pensamentos das pessoas ao redor desabaram sobre mim como uma avalanche: os pensamentos maldosos e egoístas da “querida”, e os cansados, cheios de resignação, do marido.
Mas que mulher desagradável! Não ama ninguém além de si mesma, pulveriza em pó todo mundo que cruza o caminho, e daquele marido bom e maleável fez um verdadeiro capacho.
Ele está cansado dela, o amor que um dia existiu já se foi.
E ele até iria embora, se tivesse um pouco mais de força de vontade.
Tirei os óculos, agora eu via o passado e o futuro deles.
O passado — como um colar, em que os acontecimentos são enfiados num fio um após o outro, e o futuro — como um leque com raios se abrindo para todos os lados.
Agora eu sabia o que precisava fazer.
— Dê uma olhada nestas joias, parecem feitas especialmente para você.
A “querida” pegou com desconfiança os anéis que eu lhe estendi, enfiou-os em dedos diferentes e esticou a mão à sua frente.
Virou a palma, admirando os diamantes cintilantes.
— Acho que eu gostei deste.
“Mas é claro!”, eu queria dizer.
É que eu não sou uma vendedora comum: quando tiro os óculos, vejo o cliente por dentro.
A “querida” finalmente se decidiu.
— Vou levar este.
Lançou por cima do ombro, para o marido, com descaso:
— Paga aí.
Pois bem, foi ela mesma quem escolheu o próprio futuro.
Em ambos os anéis os diamantes tinham um pequeno defeito.
Não, não, por fora as pedras pareciam perfeitas, nenhum ourives duvidaria da qualidade.
Mas os ourives só conseguem notar inclusões estranhas ou rachaduras, e esse defeito é invisível ao olho humano.
Os minerais são como pessoas, por fora podem ser perfeitamente normais — duas mãos, duas pernas — e, no entanto, ter um caráter ruim, carunchado por dentro.
Igualzinho à “querida”.
E agora, quando ela colocar o anel, o diamante também vai começar a fazer suas maldades.
Daqui a meio ano o marido vai criar coragem e ir embora dela.
E se tivesse escolhido outro anel, teria acabado com uma úlcera no estômago.
Os diamantes são pedras muito poderosas, neles se concentra, como uma mola comprimida, uma energia enorme, são capazes de muita coisa.
Para as pessoas boas, trarão muito bem; para as más, devolverão o mesmo negativo que elas espalham pelo mundo.
Nesse dia ainda tive de tirar os óculos e arrancar os fones dos ouvidos mais algumas vezes.
Primeiro, eu vendi um anelzinho simpático com granada, rodeado por cristal de rocha, a uma estudante desconfiada e cheia de complexos.
Agora ela vai fazer as provas com calma.
A granada vai eliminar a insegurança, e o cristal de rocha vai pôr ordem nos pensamentos e melhorar a memória.
E ainda um bônus agradável, do qual a garota por enquanto nem desconfia: ela não vai mais duvidar do próprio encanto.
Depois tive que me virar com um homem de meia-idade que estava escolhendo um relógio.
Sim, no nosso salão de joias também temos relógios — de qualidade, prestigiados.
No entanto, os relógios só são capazes de atrasar ou adiantar o tempo.
Os bons — de acordo com o desejo do dono.
Os ruins — ao contrário: quando você precisa que o tempo passe rápido, eles o arrastam.
Mas relógio não é talismã, não sabe influenciar acontecimentos e não pode ajudar o seu dono em nada.
E aquele homem precisava de ajuda — eu percebi isso na mesma hora em que tirei os óculos.
Os parceiros de negócios o deixavam na mão, os sócios o traíam, os concorrentes o ultrapassavam.
Então eu o convenci a comprar um dragãozinho de jade.
Vai colocá-lo na mesa do escritório, e os negócios logo vão melhorar.
O dragãozinho vai apontar os traidores e parceiros desonestos — vai escurecer na presença deles.
O relógio, aliás, ele acabou comprando também.
Um bom, é claro.
Depois, já quase na hora de fechar, entrou uma mulher não muito jovem, cansada.
O casaco gasto tinha sido da moda alguns anos atrás, o cabelo estava preso de qualquer jeito num coque, nos cantos da boca se haviam cravado rugas, o olhar estava apagado.
Ela andava de um lado para o outro diante das vitrines com as bijuterias de prata baratas, sem ter coragem de pedir para ver alguma coisa.
Tinha acontecido alguma desgraça com ela, eu tinha certeza.
— Posso lhe mostrar alguma coisa? — não consigo ficar atrás do balcão de braços cruzados quando alguém está realmente precisando de ajuda.
— Nem sei… — a cliente sorriu, desconcertada.
O sorriso saiu forçado, tristinho.
— Vocês já devem estar fechando…
— Está tudo bem, — eu a tranquilizei e tirei os fones de ouvido.
Ai!..
Olhei para a mulher com pena.
Agora era a vez de tirar os óculos.
Sim, eu não me enganara: a doença da filha se tornara para ela uma verdadeira tragédia.
A moça agora luta contra a enfermidade, mas até quando terá forças?
— Eu só queria deixar minha filha um pouco mais feliz antes da operação, — suspirou pesadamente a mulher.
“Eu sei”, quase deixei escapar.
Pela frente vem uma operação difícil e depois uma recuperação longa e penosa.
Qualquer um desanimaria, mas a moça precisa ser forte.
— Espere um pouco, tenho algo especial, — eu disse e fui até o depósito.
Lá eu guardo umas coisas reservadas justamente para casos assim.
Voltei com um anel — obra de um mestre maravilhoso, no qual ele colocou a alma.
Uma peça dessas não se compra em uma joalheria comum.
E a pedrinha — especial, muito rara, desconhecida da maioria, nem nome moderno ela tem.
E, claro, é absurdamente cara.
Ela não vai curar a doença, para isso existem os médicos, mas vai dar sustentação, não vai deixar o ânimo cair.
Para uma pessoa doente, um pouco de apoio faz uma falta danada!
— Que coisa mais linda! — exclamou a cliente, tirando com cuidado o anel da caixinha.
E a pedra respondeu a ela, brilhou, começou a jogar reflexos.
Sentiu que podia ser útil.
— Só que deve ser muito caro, — disse a mulher, com pesar, devolvendo o anel.
— De jeito nenhum, — eu disse o valor mais baixo possível, até menor que o das peças de prata em que ela tinha reparado no começo.
Espero que com a moça fique tudo bem.
Eu já estava fechando a loja quando a porta se escancarou e, ofegante, entrou um rapaz.
— Espere! É uma questão de vida ou morte!
Sem perder tempo, livrei-me logo dos óculos e dos fones.
Sim, aqui ele não ia se virar sem a minha ajuda.
Perder o anel justamente quando está se preparando para pedir a namorada em casamento — isso não é brincadeira.
Sinais assim do destino merecem atenção e, se não para voltar atrás, ao menos para pedir um tempo; mas ele — veio direto para a joalheria.
O rapaz tentou me explicar, com gestos, como era o anel perdido.
— Você tem um igual?
E me olha cheio de esperança.
Eu balanço a cabeça:
— Duvido.
Finjo procurar o anel, embora ele esteja ali, deitadinho na segunda bandeja — ouro branco com zircônias.
Não é o presente mais feliz para uma futura noiva, principalmente se ela tiver tendências autoritárias.
— Veja estes aqui.
Pego dois anéis ao acaso e os estendo para o cliente, enquanto o espelho — fica num cantinho da vitrine, para a pessoa poder ver como colares e gargantilhas ficam — eu o viro de modo que caia bem no campo de visão dele.
Ah, pronto, pegou!
O olhar dele ficou preso, ele congelou no lugar, até a mandíbula caiu.
O que é normal — no espelho, agora, está se desenrolando um “filme”, toda a futura vida conjugal dele.
Ele fica parado, girando o anel nas mãos.
Balança a cabeça, deve estar pensando que foi imaginação.
Vou ter que ajudá-lo.
— Você estava com pressa para ir ao restaurante, não é? Então vá, jante tranquilo, — digo, com compaixão.
— O pedido você faz da próxima vez.
Dá mesmo para tomar uma decisão tão séria às pressas?
— É, acho que você tem razão.
Ele foi embora.
Ufa.
Agora sim eu já posso fechar a loja?
Negócio estranho o meu hoje, mas afinal eu também não sou apenas uma vendedora…







