— E agora a senhora ainda vai me ensinar como lavar a louça.
A senhora já perdeu completamente o juízo, Tamara Georgievna!

— não aguentou a nora, quando a sogra…
— A senhora está falando sério que pretende servir isso aos convidados no jubileu?
Larisa Pavlovna espetou com nojo o garfo na salada que a nora acabara de preparar.
Nastya ficou paralisada com a toalha nas mãos.
Havia quatro horas que ela preparava a mesa de festa para o trigésimo aniversário do marido, e agora a sogra decidira fazer uma inspeção.
— O que há de errado com a salada?
Nastya tentou falar com calma.
— Tudo está errado!
Larisa Pavlovna empurrou o prato para longe, de propósito.
— A maionese é de mercado, os pepinos estão cortados muito grandes, e a cenoura está crua!
Você não sabe que, para o olivier, a cenoura tem de ser cozida separadamente da batata?
Nastya respirou fundo.
Cinco anos de casamento lhe ensinaram uma coisa: discutir com Larisa Pavlovna não adiantava.
Ela sempre encontraria do que reclamar, especialmente quando se tratava do seu amado filho Maksim.
— Eu cozinhei os legumes conforme a receita, — respondeu Nastya em voz baixa.
— Os convidados chegam em duas horas, eu ainda consigo terminar tudo.
— Terminar?
Larisa Pavlovna levantou as mãos ao alto.
— Aqui não é para “terminar”, é para refazer tudo!
O Maksiminho merece uma festa decente, e não isso… — ela passou a mão por cima da mesa posta, — esse “showzinho” amador.
Maksim apareceu na porta, atraído pelas vozes elevadas.
— Mãe, você já chegou?
Ele beijou a mãe no rosto, como se não percebesse a tensão no ar.
— Cheguei, meu filho, e bem a tempo!
Larisa Pavlovna imediatamente se transformou, abrindo um sorriso.
— Olha o que a sua esposa preparou para o seu aniversário.
Isso é uma catástrofe!
Maksim examinou rapidamente a mesa, onde já havia petiscos, frios e saladas.
— Para mim, está tudo ótimo, — deu de ombros.
— Ótimo?
Larisa Pavlovna balançou a cabeça.
— Você não entende.
No seu aniversário de vinte e cinco anos eu fiz uma mesa dessas — os convidados lembram até hoje!
E isso aqui… dá vergonha de mostrar às pessoas.
Nastya começou a recolher silenciosamente os pratos com a salada.
Se a sogra decidiu que está tudo ruim, é mais fácil refazer do que ouvir uma palestra de uma hora sobre como cozinhar “do jeito certo”.
— Para onde você está levando isso?
Larisa Pavlovna se sobressaltou.
— Vai jogar fora?
— Vou refazer do jeito que a senhora quer, — Nastya tentou manter um tom neutro.
— Isso, isso, sempre assim!
A sogra se virou para o filho.
— Primeiro faz do jeito dela e depois desperdiça os produtos!
Você sabe quanto custa hoje um quilo de linguiça boa?
— Mãe, não precisa refazer nada, — Maksim tentou intervir.
— A Nastya está cozinhando desde cedo, está tudo gostoso.
— Você nem provou!
Larisa Pavlovna apontou para a mesa.
— Eu provei.
A batata está desmanchando, a carne está seca, e desse vinagrete eu nem falo — é só beterraba!
Nastya colocou as tigelas de volta na mesa, entendendo que discutir era inútil.
Larisa Pavlovna já tinha entrado no seu papel favorito: especialista em tudo.
— Eu trouxe produtos decentes, — declarou a sogra, tirando sacolas da bolsa.
— Eu sabia que teria de salvar a situação.
Maksiminho, vai descansar um pouco, eu e a Nastya damos conta aqui.
— Talvez não precise? — sugeriu Maksim, inseguro, mas a mãe já acenara para ele.
— Vai, vai, isso é coisa de mulher.
E ainda vou ensinar sua esposa a se preparar direito para as festas.
Maksim lançou à esposa um olhar culpado e recuou para a sala.
Nastya ficou sozinha com a sogra, pressentindo que as próximas duas horas seriam as mais longas da sua vida.
— Então, — Larisa Pavlovna arregaçou as mangas.
— Primeiro vamos jogar fora todo esse horror, e depois começamos a cozinhar de verdade.
Você vai anotando o que eu faço; quem sabe em cinco anos você aprende alguma coisa.
— Larisa Pavlovna, — Nastya tentou mais uma vez.
— Os convidados esperam certos pratos.
Eu combinei o cardápio com todo mundo.
— Combinou!
A sogra bufou.
— E o que eles entendem?
Quando virem meus pratos “de assinatura”, vão lamber os dedos.
E as suas invenções nem o Barsik comeria.
Barsik era o gato de Larisa Pavlovna, que, segundo ela, tinha um paladar refinado e sabia distinguir comida boa de comida ruim.
A hora seguinte passou num clima de guerra.
Larisa Pavlovna mandava, criticava, dava lições.
Nastya executava as ordens em silêncio, sentindo a irritação crescer por dentro.
— Não, você não corta assim!
Pela centésima vez, a sogra se indignou.
— A cebola para a salada tem de ficar transparente, como uma lágrima!
E você faz o quê?
Uns palitinhos!
— É um corte moderno, — tentou explicar Nastya.
— Eu vi numa revista de culinária.
— Numa revista!
Larisa Pavlovna revirou os olhos teatralmente.
— É por causa dessas revistas que vocês, jovens, desaprenderam a cozinhar.
Ficam vendo bobagem e depois os maridos andam com fome.
Nastya mordeu a língua.
Maksim nunca reclamara da comida dela; ao contrário, frequentemente elogiava.
Mas para Larisa Pavlovna isso não significava nada: na cabeça dela, o filho era apenas bom demais para criticar a esposa.
— E que carne é essa?
A sogra olhou a embalagem com desconfiança.
— Por que não é do mercado?
— É carne bovina de produtor rural, de uma loja confiável, — respondeu Nastya.
— Eles têm todos os certificados.
— Certificados!
Larisa Pavlovna soltou um risinho de desprezo.
— Eu compro carne no mercado há cinquenta anos e nunca vi um certificado.
Mas eu conheço cada açougueiro de rosto, e eles não vão me empurrar coisa ruim.
Nastya ficou calada.
Discutir as vantagens de produtos certificados era inútil.
Para a sogra existia apenas um jeito certo: o jeito dela.
— E, no geral, — continuou Larisa Pavlovna, cortando a carne, — eu não entendo por que você não falou comigo sobre o cardápio.
Eu sou a mãe do aniversariante!
— Eu e o Maksim fizemos juntos a lista de pratos, — Nastya tentou manter a calma.
— Foi ele quem escolheu o que queria na mesa.
— O Maksim não entende dessas coisas, — a sogra dispensou com a mão.
— Homem, com comida, é como criança.
Você diz que macarrão com ketchup é prato de festa e ele acredita.
Da sala veio uma risada — Maksim assistia a algum programa humorístico, sem suspeitar das batalhas na cozinha.
— Aliás, sobre os convidados, — Larisa Pavlovna mudou de assunto.
— Quem vocês chamaram?
Nastya começou a listar: amigos dos tempos de faculdade, colegas de trabalho do Maksim, alguns vizinhos com quem eram próximos.
— E a Verinha Sokolova?
A sogra interrompeu.
— Que Verinha?
Nastya não entendeu.
— Como assim “que Verinha”?
O primeiro amor do Maksiminho!
Eles ainda se falam, ela sempre liga no aniversário dele.
Nastya parou com a faca na mão.
Isso era novidade.
Em cinco anos de vida juntos, Maksim nunca mencionara nenhuma Verinha.
— Nós não a convidamos, — disse ela, seca.
— Como não convidaram?
Larisa Pavlovna abriu os braços.
— Eles são amigos desde criança!
Eu sempre disse que eles formariam um casal maravilhoso.
A Verinha é tão prendada, tão inteligente!
Agora, é verdade, está divorciada, mas isso é até melhor.
— Melhor para quem? — Nastya não se conteve.
— Bem, quer dizer… — Larisa Pavlovna se interrompeu, percebendo que falara demais.
— Quero dizer, melhor para ela mesma.
O primeiro marido dela não prestava.
Nastya se virou para o fogão, tentando controlar as emoções que a invadiram.
Será que a sogra realmente achava que outra mulher combinaria mais com o filho dela?
— Não tem problema, eu vou ligar para ela, — decidiu Larisa Pavlovna.
— Vou dizer para ela vir.
O Maksim vai ficar feliz.
— Não ligue para ninguém, — disse Nastya com firmeza.
— A lista de convidados foi combinada, e está tudo calculado para aquele número de pessoas.
— Ah, por favor, mais uma pessoa!
A sogra pegou o telefone.
— Além disso, a Verinha vai trazer alguma coisa.
Ela faz umas tortas… uma delícia!
Nastya arrancou o telefone das mãos de Larisa Pavlovna, surpreendendo a si mesma com a própria decisão.
— Eu disse para não ligar para ninguém!
— Como você se atreve?
A sogra ficou vermelha de indignação.
— Como você ousa arrancar meu telefone?
— E a senhora, como ousa convidar pessoas para a minha casa sem a minha permissão?
Nastya já não se segurava.
— Ainda mais ex-namoradas do meu marido!
— Que ex?
Larisa Pavlovna tentou pegar o telefone de volta.
— Elas são só amigas de infância!
— Que poderiam ter sido um casal maravilhoso, como a senhora acabou de dizer!
Maksim espiou pela porta da cozinha, atraído pelas vozes elevadas:
— O que está acontecendo?
— Sua mãe quer convidar para o seu aniversário a Verinha Sokolova, — Nastya se virou para o marido.
— O seu primeiro amor, sobre quem você, por algum motivo, nunca me contou.
Maksim olhava confuso da esposa para a mãe:
— Mãe, por que você está fazendo isso?
— O que eu estou fazendo?
Larisa Pavlovna se indignou.
— Eu quero que no aniversário do meu filho estejam todos os amigos mais próximos dele!
— A Vera não é uma amiga próxima, — Maksim balançou a cabeça.
— A gente não se fala há uns dez anos.
— Mas ela te dá parabéns no aniversário! — insistiu a mãe.
— Ela escreve nas redes sociais, como mais umas cem pessoas, — Maksim se aproximou da esposa e passou o braço pelos ombros dela.
— Mãe, para com isso, por favor.
Larisa Pavlovna apertou os lábios, magoada.
— Eu só queria o melhor.
Mas se aqui a minha opinião não interessa a ninguém…
Ela se virou demonstrativamente para o fogão, com o corpo inteiro encenando dignidade ofendida.
Nastya e Maksim trocaram um olhar.
— Vamos apenas terminar tudo com calma antes de os convidados chegarem, — sugeriu Maksim.
— Mãe, nós valorizamos a sua ajuda, de verdade.
Só não convide mais ninguém, está bem?
— Como você quiser, — resmungou Larisa Pavlovna, mexendo furiosamente alguma coisa na panela.
— Depois não reclame se o aniversário ficar entediante.
Maksim saiu, deixando as mulheres a sós.
A atmosfera na cozinha estava tão tensa que dava para cortar com faca.
Elas trabalharam em silêncio, cada uma mergulhada nos próprios pensamentos.
Nastya cortava os legumes mecanicamente, pensando que cinco anos eram tempo suficiente para a sogra aceitá-la como parte da família.
Mas não: Larisa Pavlovna ainda a via como uma estranha, indigna do filho precioso.
— Onde está o sal? — rosnou a sogra.
— No armário acima do fogão, — respondeu Nastya.
— Não é onde deveria estar!
Larisa Pavlovna achou na hora outro motivo para criticar.
— O sal tem de ficar ao lado do fogão, para não precisar esticar o braço toda vez.
Nastya ficou calada.
Discutir a posição do sal na cozinha estava além das forças dela.
Passou mais uma hora.
A mesa estava quase pronta — agora havia nela tanto os pratos de Nastya quanto as criações de Larisa Pavlovna.
A sogra examinou o resultado com satisfação:
— Agora sim, outra coisa!
Dá para ver de longe: as minhas saladas ficam mais apetitosas.
Nastya mordeu a língua.
As saladas dela não pareciam nem um pouco piores; apenas estavam decoradas num estilo mais moderno.
— Aliás, — Larisa Pavlovna voltou ao tema sensível.
— E por que vocês não convidaram os pais?
— Meus pais estão de férias, num sanatório, — respondeu Nastya.
— E o seu marido…
— Meu marido não suporta reuniões barulhentas, você sabe, — interrompeu a sogra.
— Mas eu estou aqui!
E graças a Deus, porque eu queria ver como vocês se virariam sem mim.
Nastya olhou o relógio — faltava menos de uma hora para os convidados chegarem.
Era preciso trocar de roupa, se maquiar, preparar-se mentalmente para a noite.
— Eu vou me trocar, — disse ela.
— Vá, — permitiu Larisa Pavlovna, magnânima.
— Só não se arrume demais.
Lembre-se: é o aniversário do Maksim, não o seu.
Não precisa puxar a atenção para você.
Nastya parou na porta:
— O que a senhora quer dizer com isso?
— Bem, você gosta daqueles seus vestidos “reveladores”, — a sogra balançou a cabeça.
— Da última vez, no Ano-Novo, você se arrumou de um jeito que os homens só olhavam para você.
— Era um vestido de coquetel normal, — Nastya não acreditava no que ouvia.
— E o Maksim que escolheu.
— O Maksim é bonzinho, não quis te magoar, — Larisa Pavlovna começou a organizar os pratos.
— Mas eu vi como ele ficou constrangido.
Nastya se virou e saiu, sem confiar em si mesma para continuar aquela conversa.
No quarto, sentou-se na cama tentando se acalmar.
Será que isso nunca ia acabar?
Será que ela passaria a vida inteira ouvindo repreensões e observações?
Maksim a encontrou ali quinze minutos depois.
— Ei, o que foi? — ele se sentou ao lado dela.
— Os convidados já vão chegar.
— Sua mãe acha que eu me visto de um jeito provocante demais, — Nastya se virou para o marido.
— E que você ficou constrangido por minha causa no Ano-Novo.
— Que bobagem é essa?
Maksim franziu a testa.
— Você foi a mais bonita naquela noite.
Eu tinha orgulho de você.
— Então por que você não diz isso para ela?
Nastya olhou nos olhos dele.
— Por que você deixa ela falar mal de mim?
Maksim suspirou:
— Ela não faz por mal, Nasty.
É só que… é difícil para ela aceitar que eu cresci.
Que eu tenho a minha família.
— Cinco anos, Maks!
Nastya elevou a voz.
— Cinco anos eu aguento as críticas dela!
Quando isso vai acabar?
— Aguenta só mais um pouco, — Maksim abraçou a esposa.
— Ela não é sempre assim.
Hoje ela só está nervosa por causa da festa.
Nastya queria retrucar que Larisa Pavlovna era sempre assim, mas tocaram a campainha — chegaram os primeiros convidados.
A noite, surpreendentemente, transcorreu bem.
Os convidados se divertiam, parabenizavam o aniversariante, elogiavam a comida.
Larisa Pavlovna brilhava, recebendo elogios pelos seus pratos, e assentia com condescendência quando elogiavam as saladas da Nastya.
— A sua sogra é uma mulher de ouro! — disse uma das colegas do Maksim.
— Ela ajuda tanto vocês!
Nastya forçou um sorriso, sem contar a que custo aquela ajuda tinha vindo.
Por volta das dez da noite, os convidados começaram a ir embora.
Larisa Pavlovna, corada pelo vinho e pelos elogios, reinava na poltrona como uma rainha.
— Foi uma noite maravilhosa, — declarou.
— Ainda bem que eu vim.
Sem mim vocês não teriam dado conta.
Nastya começou a arrumar a mesa, tentando não reagir a mais uma alfinetada.
Maksim ajudava, levando a louça suja para a cozinha.
— Deixa, meu filho, — Larisa Pavlovna acenou com a mão.
— Isso é trabalho de mulher.
A Nastya vai limpar.
— Mãe, eu também moro aqui, — retrucou Maksim.
— E posso ajudar minha esposa.
— Isso!
A sogra apontou o dedo para ele.
— Olha no que você fez ele chegar! — isso já foi para a Nastya.
— Um homem lavando louça!
Está satisfeita?
— Larisa Pavlovna, — Nastya colocou uma pilha de pratos sobre a mesa.
— Nas famílias modernas, homens e mulheres dividem as tarefas domésticas.
— Modernas!
A sogra bufou.
— Em famílias normais, a mulher cria o aconchego e o homem ganha dinheiro.
Eu não criei o Maksim para ele correr pela cozinha de avental!
— Eu não estou correndo de avental, — disse Maksim, cansado.
— Eu só estou ajudando a arrumar depois da festa.
Que, aliás, foi em minha homenagem.
— E daí?
Larisa Pavlovna se levantou da poltrona.
— O aniversariante tem que se servir sozinho?
Que família é essa de vocês?
— Uma família normal, — disse Maksim, inesperadamente firme.
— Em que marido e mulher são parceiros, não senhor e empregada.
Larisa Pavlovna abriu a boca para retrucar, mas então Nastya não aguentou.
O cansaço, a tensão do dia inteiro, a mágoa pelos anos de humilhações — tudo veio à tona.
— Chega!
Ela elevou a voz de um jeito que fez Larisa Pavlovna se sobressaltar.
— Eu não vou mais tolerar isso!
Há cinco anos a senhora vem à nossa casa e age como se eu fosse uma empregada!
Critica tudo o que eu faço, me compara com alguma Verinha, me ensina a viver!
— Nastya… — começou Maksim, mas ela o conteve com um gesto.
— Não, Maks, deixa eu falar!
Nastya se virou para a sogra.
— A senhora criou um filho maravilhoso, isso é verdade.
Mas ele já é um adulto!
Ele tem a vida dele, a família dele!
E eu faço parte dessa família, goste a senhora ou não!
— Como você ousa… — começou Larisa Pavlovna, mas Nastya a interrompeu:
— Eu ouso!
Na minha casa eu ouso dizer o que penso!
A senhora critica a minha comida?
Mas o Maksim nunca reclamou!
A senhora condena o meu jeito de me vestir?
Mas o meu marido gosta de como eu pareço!
A senhora acha que eu sou uma dona de casa ruim?
Mas a nossa casa é limpa e aconchegante!
— Fui eu que ensinei o Maksim a não ser exigente! — disparou Larisa Pavlovna.
— Ele só não quer te ofender!
— Não, mãe, — Maksim se colocou ao lado da esposa.
— Quem está ofendendo nós dois agora é você.
A Nastya tem razão: você não a aceita, faça ela o que fizer.
— Maksim!
Larisa Pavlovna não acreditava no que ouvia.
— Você fica do lado dela contra a sua própria mãe?
— Eu fico do lado da minha família, — disse ele com firmeza.
— A Nastya é minha esposa, a pessoa mais próxima de mim.
E se você não consegue aceitar isso…
— Então o quê?
A sogra cruzou os braços no peito.
— O que você vai fazer?
Vai expulsar a mãe de casa?
— Não, — Maksim balançou a cabeça.
— Mas eu vou proteger minha esposa de ataques injustos.
E se você não consegue falar com ela com respeito, então…
— …nós vamos ser obrigados a limitar as suas visitas, — concluiu Nastya.
O silêncio tomou conta do cômodo.
Larisa Pavlovna olhava para o filho como se o visse pela primeira vez.
— Então é isso, — disse por fim.
— Então alguma mulher é mais importante para você do que a sua mãe.
— Não alguma mulher, mas a minha esposa, — corrigiu Maksim.
— E não é uma questão de quem é mais importante.
É uma questão de respeito.
Larisa Pavlovna pegou a bolsa em silêncio.
— Eu entendi, — disse seca.
— Não vou mais atrapalhar vocês.
— Mãe, não dramatize, — Maksim tentou detê-la.
— Vamos só conversar como gente, sem essas críticas constantes.
— Eu passei a vida inteira me esforçando por você, — Larisa Pavlovna olhou o filho com reprovação.
— Dei toda a minha vida para você.
E você…
— E eu cresci, mãe, — disse Maksim, com suavidade.
— E isso é normal.
Filhos crescem, constroem suas famílias.
Isso não quer dizer que eu te ame menos.
Mas a minha vida agora também é a vida da Nastya.
Larisa Pavlovna ficou mais um instante, depois se virou e saiu.
A porta de entrada bateu, e o apartamento ficou estranhamente silencioso.
Nastya e Maksim ficaram no meio da sala, sem saber o que dizer.
— Obrigada, — sussurrou Nastya por fim.
— Obrigada por ter me defendido.
— Desculpa por não ter feito isso antes, — Maksim puxou a esposa para perto.
— Eu achei que, se a gente não desse atenção, tudo ia se ajeitar sozinho.
— Nada se ajeita sozinho, — Nastya encostou o rosto no ombro dele.
— Mas agora, talvez, a gente tenha uma chance.
Eles ficaram assim por alguns minutos, abraçados.
Depois, juntos, começaram a limpar a mesa, comentando a noite e rindo dos momentos engraçados.
Na manhã seguinte, Maksim ligou para a mãe.
A conversa foi longa e difícil, mas no fim Larisa Pavlovna concordou que talvez tivesse sido categórica demais.
— Mas ela continua colocando maionese demais, — a sogra não resistiu.
— Mãe, — disse Maksim, em tom de aviso.
— Tá bom, tá bom, fico quieta, — suspirou Larisa Pavlovna.
— Venham tomar chá no domingo.
Vou tentar me comportar direito.
Foi um começo.
Não perfeito, não simples, mas um começo.
Nastya sabia que ainda havia muito trabalho pela frente nos relacionamentos.
Mas o principal já tinha acontecido: Maksim ficou do lado dela, mostrou à mãe que a família dele agora era ele e Nastya.
E Larisa Pavlovna…
Bem, talvez com o tempo ela aprenda a ver na nora não uma rival, mas uma aliada.
Aquela que ama o filho dela e cuida dele.
Aquela que está disposta a construir pontes, e não queimá-las.
O tempo dirá.
E, por enquanto, Nastya aproveitava o silêncio da própria casa e o fato de que não precisava mais se justificar por cada pitada de sal e cada fatia de cebola cortada.







