— Eu convidei a minha mãe e a minha irmã para o Ano-Novo, — disse o marido na noite de trinta de dezembro.

— Você dá conta de preparar tudo a tempo?

Eu chamei minha mãe e minha irmã para virem à nossa casa no Ano-Novo, disse o marido quando o relógio marcou meia-noite do dia trinta de dezembro.

A gente consegue preparar tudo?

Finalmente, esses fins de semana tranquilos! exclamou Aglaya, sentando-se num puff fofinho na entrada e tirando as botas de inverno.

Dez dias inteiros de descanso.

Ela esticou os braços, deixando os músculos relaxarem, e sorriu por dentro, imaginando como passaria aqueles dez dias em silêncio.

Ótimo, assentiu Konstantin, encostado ao batente da porta.

A propósito, eu acabei de falar com a Svetlana.

Ela disse que ainda não decidiram onde vão passar o Ano-Novo, então eles vêm para cá, acrescentou ele.

E, claro, mamãe também vai estar aqui, continuou, percebendo como o humor da esposa mudava.

Você entende que o Ano-Novo é amanhã? perguntou Olga, bruscamente, parada junto à janela.

Eu tive que trabalhar até tarde a semana inteira para bater a meta.

E agora você está me dizendo que amanhã vai ser só sobre frigideiras? a voz dela subiu.

Preparar o quê? respondeu o marido com calma.

Duas saladas, um prato principal, umas fatias frias talvez, alguns petiscos.

Kostya, afasta de mim, senão uma frigideirada pode te atingir, declarou Aglaya, mais séria do que nunca.

Se os seus parentes querem vir aqui, que tragam comida.

Ligue para eles agora mesmo e diga isso.

Eu lembro de um Ano-Novo em que eu passei a noite inteira correndo com bandejas, enquanto as suas mulheres ficavam no sofá, bebendo vinho e assistindo ao “Goluboy ogonyok”.

Por que você está falando assim? perguntou Konstantin, sem esperar uma reação dessas.

E como eu deveria falar? respondeu a esposa, cortante, e, sem esperar explicações, foi para o quarto, vestindo o roupão de casa.

Aglaya, furiosa com o marido, encontrou consolo no fato de que, naquele mês, sua renda tinha sido uma vez e meia maior do que o normal.

Ela foi até o espelho, removeu a maquiagem devagar e pensou no dia seguinte.

No ideal, ela queria dormir até o meio-dia, depois tomar café da manhã sem pressa, arrumar a casa, pedir entrega de mercado e preparar algo leve para a festa.

Barulho e agitação não a atraíam: o trabalho a tinha esgotado ao limite, e ela sonhava com uma comemoração tranquila e aconchegante.

“Como encaixar tudo no plano?” repetia na cabeça, avaliando possibilidades.

Sem notar o marido, que andava de um lado para o outro pelo apartamento, Aglaya foi até a cozinha, serviu para si um chá quente com limão e se acomodou à mesa.

Lá fora, uma neve fina caía, cintilando sob os postes como pequenas estrelinhas dançando.

De repente, ela viu na janela uma imagem estranha: uma ursa enorme tocando balalaika, e o pensamento dela deslizou para uma ideia genial, porém arriscada.

A manhã chegou, como previsto, ao meio-dia.

Aglaya, espreguiçando-se, descobriu que o marido já tinha acordado e estava se mexendo na cozinha — uma raridade às vésperas do feriado.

O que você está aprontando? perguntou ela, semicerrando os olhos por causa da luz forte.

Quero agradar a minha amada com um café da manhã festivo, sorriu Kostya, mexendo alguma coisa numa tigela.

Parece que está queimando, riu Aglaya, vendo uma fumacinha subir da frigideira.

Sentando-se à mesa, ela perguntou ao marido quais eram os planos para os convidados, já que não tinham comprado nada e o apartamento não estava arrumado.

Eu não consegui dizer não para a Svetlana, respondeu ele, sem levantar os olhos do prato.

É difícil dizer não para a sua irmã, comentou Aglaya, erguendo as sobrancelhas.

Você queria sugerir alguma coisa?

Eu vi o seu olhar pensativo ontem.

Na verdade, eu fiquei surpreso com a sua calma, achei que você ia destruir o apartamento inteiro.

Primeiro, ligue para a sua irmã e confirme o que eles vão trazer: petiscos, saladas.

São quatro: dois adultos e duas crianças.

Tá bem, assentiu Konstantin.

Kostya discou o número da irmã.

Svetlana, oi.

A gente está preparando a mesa; diz o que vocês vão trazer para não repetir.

Uma risada estourou do outro lado da linha.

Kostya, você está brincando?

Quando eu vou cozinhar?

Eu tenho filhos!

A gente estava contando que você mesma inventasse alguma coisa, respondeu Svetlana, atrevida.

As crianças já estão na escola, observou Kostya.

Do telefone veio um estrondo.

Ai, desculpa, eu quebrei outra coisa de novo.

Tá, até mais tarde! soltou Svetlana.

Kostya voltou para Aglaya com um ar confuso.

Eles não vão trazer nada? perguntou ela.

E mamãe também não.

As duas disseram que querem descansar, não cozinhar, resumiu o marido, seco.

Entendi, respondeu Aglaya, pensativa, mordendo o lábio.

Eu quero ir para a casa dos meus pais em Moscou.

Eles me chamaram já na quinta-feira, mas eu queria ficar em casa e não te contei.

Você vai comigo?

O tempo é curto.

Então vamos brigar com a família, disse Kostya, olhando pensativo.

Ou você vai brigar comigo, sorriu Aglaya de canto.

Claro que eu escolho você, respondeu Kostya e levantou as mãos em sinal de paz.

Aglaya decidiu arrumar a casa, e Kostya foi ao shopping “Galeria Plus”, levando a lista de compras que ela tinha feito.

Na entrada, ele foi recebido por uma iluminação de Ano-Novo: luzes piscando, árvores enfeitadas, figuras do Ded Moroz.

Isso!

A árvore!

Como eu pude esquecer? exclamou ele, largando tudo e indo em direção ao mercado.

Ele escolheu um pinheiro pequeno, mas bonito; os galhos faziam cócegas no rosto quando ele o carregava no ombro.

Em casa, Aglaya o recebeu com um sorriso.

Árvore? os olhos dela brilharam.

Você vai enfeitar?

Eu ainda não comprei nada da lista, só quis te alegrar.

Mas você sempre foi contra árvore de verdade.

Não sei, este ano eu quis mudanças, deu de ombros o marido.

O clima ficou realmente de Ano-Novo.

Aglaya tirou do armário a caixa de enfeites e começou a decorar a árvore, pendurando bolas e luzinhas, enquanto o quarto se enchia de uma luz mágica.

Kostya voltou, carregando sacolas com alimentos e lembrancinhas.

Comprou tudo? perguntou ela, examinando as sacolas.

Sim, exceto o peixe — não estava fresco.

A gente passa em outro mercado no caminho, respondeu ele, e o coração dela se aqueceu.

Eles carregaram o carro, e o relógio já marcava sete da noite, e os convidados deveriam chegar às dez.

A estrada até a casa dos pais, nos arredores de Moscou, levou uma hora, mas eles decidiram sair com antecedência.

Perto do porta-malas aberto estavam as sacolas com comida e presentes.

Espero que não tenhamos esquecido nada, disse Aglaya.

Está tudo aqui, exceto a sobremesa, mas podemos comprar no caminho, assentiu Kostya.

A casa dos pais era um chalé rural aconchegante, construído dez anos antes, quando eles decidiram deixar o apartamento na cidade.

Do lado de fora, uma árvore brilhava com luzes, criando uma atmosfera festiva.

A gente nem tirou as luzes do ano passado, riu Anton Petrovich, quando Aglaya comentou o esforço deles.

Eu nem tinha reparado, respondeu ela, sorrindo.

Eles começaram a descarregar as coisas, e Aglaya, passando as sacolas ao pai, disse:

A gente trouxe um monte de coisas; não sei o que vocês planejam cozinhar, mas acho que vai servir.

Anton, um homem ativo mesmo na velhice, sugeriu na hora:

Enquanto vocês cozinham, eu e o Kostya organizamos a banya, acrescentou ele, apontando para a pequena sauna que ele mesmo tinha construído, perfumada com óleos essenciais.

Enquanto isso, Aglaya e a mãe dela, Valeria Grigorievna, colocaram filmes de Ano-Novo e mergulharam nos preparativos.

Quando o relógio bateu nove, o telefone do Kostya tocou.

Kostya, abre!

A gente está na porta, gritou Svetlana.

A gente não está em casa, respondeu ele, inseguro.

Onde vocês estão?

Quando vocês voltam? perguntou a irmã.

A gente foi para a aldeia, aconteceu tudo rápido, voltamos em dois dias, tentou se justificar Kostya.

Para a aldeia?

E o Ano-Novo? Svetlana não acreditava.

A gente vai comemorar aqui, na aldeia, explicou ele.

E a gente faz o quê? perguntou Aleksandra, irmã do Kostya, com uma ponta de ironia.

Vocês ainda têm tempo de voltar para casa e comemorar em família, respondeu Konstantin.

Quer dizer que eu tenho que entreter as crianças a noite toda? ela se espantou.

Não sei, se tiver que ser, vai ser, resmungou Kostya.

Essa maldade sua é inesperada.

Vai ver vocês esconderam a chave debaixo do tapete? perguntou ela, sem perder a esperança.

Agora eu entendo por que vocês passam todo Ano-Novo na casa dos outros, ironizou Kostya.

Só que a minha esposa foi mais esperta do que você.

Feliz Ano-Novo, querida! acrescentou ele e desligou.

Ele contou até dez, e na tela apareceu o número da mãe, Alevtina Petrovna.

Sim, nós viajamos, começou ele, sem esperar resposta.

Vamos passar o Ano-Novo na aldeia, não deixamos chaves.

Como você se atreve a fazer isso com a gente?

A gente contava com vocês! explodiu a mãe.

Eu entendo, mas foi assim que aconteceu, respondeu Kostya.

Eu cansei de passar todas as festas naquele nosso apartamentinho.

Por que a gente não convida vocês?

Mas chegar com tudo pronto, isso vocês adoram!

Filhinho, eu te criei para aguentar uma coisa dessas? perguntou Alevtina, amargurada.

Que coisa?

Justiça? retrucou ele.

Os dois ficaram em silêncio, sem saber o que dizer.

Tudo bem, filho, eu entendi, respondeu a mãe, baixinho.

Não vamos mais te incomodar.

Alevtina desligou, e Kostya soltou um suspiro pesado.

A conversa foi difícil, mas ele não queria estragar a relação por bobagens.

Está tudo bem? perguntou Aglaya, encostando a cabeça no ombro dele.

Sim, mamãe ligou, respondeu o marido, curto.

Entendi, suspirou ela.

A gente fez a coisa certa?

Claro que fez, confirmou Konstantin, olhando para a esposa.

Eles estão nos esperando, se preparando para a nossa chegada.

E os meus? perguntou ele, triste.

Só se aproveitam da minha bondade.

Eu aguentei por tempo demais.

Aglaya o abraçou, tentando apoiá-lo.

Vamos nos preparar para a festa, sugeriu Kostya, suavizando o tom.

Esse Ano-Novo foi inesquecível.

O casal passou alguns dias na casa dos pais, nos arredores de Moscou: noites tranquilas diante da lareira, descidas de trenó pela colina, conversas até o amanhecer.

Longe da agitação da cidade, eles encontraram paz no coração e o calor do lar.

Eles vão se lembrar disso sempre, quando chegar a próxima noite de Ano-Novo.