Junte suas coisas — e suma daqui!
— declarou a sogra na noite de Ano-Novo, distribuindo presentes para todos.

Vitória enxugava a louça na cozinha depois do café da manhã, quando ouviu Larisa Petrovna entrar no quarto e começar a rearrumar algo nas prateleiras, bem alto.
A sogra fazia isso de propósito, para mostrar que naquela casa a dona era ela, e que a nora ali era apenas uma visita.
Dois anos antes, Vitória tinha se casado com Maksim e se mudado para Moscou, vinda de uma cidade pequena perto de Tver.
Naquela época, parecia que o amor poderia superar qualquer dificuldade.
Maksim prometia que em breve eles alugariam um lugar só deles ou juntariam dinheiro para um financiamento.
Mas se passaram dois anos, e eles continuavam morando no apartamento de três quartos dos pais dele.
Fiódor Ivanovitch, pai de Maksim, era um homem calado e de poucas palavras.
Ele trabalhava como engenheiro numa fábrica, chegava em casa cansado e normalmente ficava em silêncio no jantar.
Vitória percebia que às vezes ele a olhava com compaixão quando Larisa Petrovna começava com suas observações maldosas.
Mas o sogro nunca se atrevia a defender a nora.
Larisa Petrovna, por sua vez, desde o primeiro dia deixou claro que não gostava de Vitória.
A sogra trabalhava como chefe em uma policlínica do bairro e se considerava uma pessoa de status.
Ela sonhava que o filho se casaria com uma moça de família moscovita, com apartamento e contatos.
E, em vez disso, Maksim trouxe uma provinciana qualquer, filha de um professor e de uma enfermeira.
— Maksimka, você só olha como ela empilhou as xícaras!
— ouviu-se da cozinha.
— Não entende mesmo que porcelana fina não se coloca uma em cima da outra!
Aí no interior, pelo visto, não existe cultura nenhuma de casa!
Vitória apertou os lábios e continuou enxugando os pratos.
Havia muito tempo que ela aprendera a não reagir a esse tipo de ataque.
Maksim, sentado ao computador no quarto ao lado, não respondeu à mãe.
Ele, em geral, preferia não se envolver nos conflitos entre a esposa e a sogra.
Vitória trabalhava como logística numa empresa de transporte.
O trabalho era tenso, com ligações constantes e urgências, mas pagava bem.
Maksim trabalhava como programador numa pequena empresa de TI.
O salário dele era um pouco maior do que o da esposa.
Juntos, já poderiam ter alugado um apartamento, mas Maksim sempre encontrava motivos para adiar a saída da casa dos pais.
— Mãe, eu e a Vika queríamos te dizer…
— começou o marido no jantar, duas semanas antes.
— Estamos planejando começar a alugar um apartamento.
Larisa Petrovna pousou o garfo e se virou lentamente para o filho.
— Quer dizer que você quer abandonar os seus pais?
Depois de tudo o que fizemos por você?
Eu te criei, te eduquei, te arrumei numa boa empresa por meio dos meus conhecidos…
E agora você quer ir embora por causa dela?
— Mãe, a gente não está indo embora para sempre, só precisamos de um espaço nosso…
— Um espaço de vocês!
— a sogra elevou a voz.
— Vocês têm um quarto inteiro!
O que mais querem?!
Ou você acha que a sua esposa é mais importante do que a sua própria mãe?!
A conversa terminou ali.
Maksim não voltou a tocar no assunto da mudança.
E Vitória entendeu que não fazia sentido esperar por mudanças.
O Ano-Novo se aproximava.
Vitória sonhava em passar a festa com os próprios pais.
Serguei Pavlovitch e Galina Viktorovna tinham ido algumas vezes visitar a filha, mas Larisa Petrovna os recebia tão friamente que eles se sentiam desconfortáveis.
A sogra mal os cumprimentava e depois saía demonstrativamente para o próprio quarto, deixando os hóspedes na cozinha.
A última vez que os pais de Vitória vieram foi em outubro.
Galina Viktorovna trouxe para a filha potes de conservas caseiras — pepinos, tomates, geleia.
Ela sempre cuidava de Vitória e sabia que a filha não tinha tempo para essas coisas.
Larisa Petrovna viu os potes na cozinha e fez uma careta.
— Que caipirice é essa?
— a sogra olhou para as conservas com nojo.
— Na minha cozinha não vai ter essa tralha!
Que leve de volta!
Vitória ficou calada naquela hora, mas à noite colocou os potes discretamente no armário do seu quarto.
Maksim viu a cena, mas não disse nada.
Ele tentava, em geral, não notar os conflitos entre a mãe e a esposa, esperando que elas resolvessem sozinhas.
— Max, talvez a gente convide meus pais para o Ano-Novo?
— sugeriu Vitória com cuidado, três semanas antes da festa.
— Agora somos uma família, dá para comemorar todo mundo junto…
Maksim fez uma careta.
— Ah, não sei, Vik…
Preciso perguntar para a mãe.
Ela já deve ter planejado alguma coisa.
— E por que precisamos pedir permissão?
Essa também é a nossa casa, não é?
— Vitória, vamos sem conflitos, por favor!
— o marido afastou a esposa, irritado.
— Eu só peço para a mãe e pronto, vai ficar tudo bem.
Mas não ficou tudo bem.
Quando Maksim conversou com a mãe, Larisa Petrovna fez um escândalo de verdade.
— Que gente é essa que vai sentar à minha mesa?!
— ela gritava na cozinha tão alto que Vitória ouvia cada palavra do seu quarto.
— Eu já convidei minha irmã Liudmila com a família, Olgá Semiónovna com o marido, os sobrinhos…
Está tudo planejado!
E eu não vou receber uns estranhos quaisquer!
— Mãe, mas são os pais da Vika…
— Para mim tanto faz!
Que ela vá para a casa deles, já que quer tanto!
Ninguém a segura aqui!
Vitória ouviu essas palavras e sentiu algo se romper por dentro.
Ela foi até a porta e a escancarou.
Larisa Petrovna estava na cozinha, com os braços cruzados no peito.
Maksim olhou para a esposa com um olhar culpado.
— Eu não vou para a casa dos meus pais, — disse Vitória com firmeza.
— Eu vou ficar aqui.
Com meu marido.
É uma festa de família.
— Então fica!
— a sogra sorriu com sarcasmo.
— Só não fica atrapalhando!
Depois dessa conversa, Vitória decidiu ao menos comprar presentes para todos.
Ela gastou quase todo o bônus de dezembro em lembranças.
Para Larisa Petrovna, comprou um kit caro de cosméticos de marca francesa.
Para Fiódor Ivanovitch, um bom termo para o trabalho.
Para Maksim, fones de ouvido sem fio com os quais ele sonhava havia muito tempo.
Comprou presentes até para os convidados da sogra, embora não conhecesse todos pessoalmente.
Vitória esperava que, ao menos na noite festiva, Larisa Petrovna reconhecesse o esforço dela e que o relacionamento entre as duas melhorasse.
No dia trinta e um de dezembro, desde cedo, a casa entrou em agitação.
Vitória picava saladas, assava carne, preparava petiscos.
Larisa Petrovna comandava o processo, dizendo à nora o que e como fazer.
Maksim estava ao computador terminando algum projeto urgente do trabalho.
— Vitória!
Pica o arenque em pedaços menores!
E põe cebola junto!
— a sogra apareceu na cozinha.
— E, aliás, por que você não arrumou a mesa na sala?
Os convidados chegam em duas horas!
Vitória assentiu em silêncio.
As mãos doíam de tanto cortar, mas ela se esforçava para deixar tudo perfeito.
Queria que naquela noite, pelo menos alguma coisa desse certo.
Ela fez a salada Olivier, o “arenque sob casaco de pele”, cortou frios e queijos, montou canapés.
Fiódor Ivanovitch de vez em quando entrava na cozinha e observava a nora em silêncio, mas não oferecia ajuda.
Os convidados começaram a chegar por volta das oito da noite.
A irmã de Larisa Petrovna, Liudmila, trouxe o marido e dois filhos adultos com as esposas.
A sobrinha Olgá Semiónovna veio com o próprio marido.
Também apareceram vizinhos e velhos amigos da sogra.
Ao todo foram doze pessoas, sem contar os donos da casa.
Vitória ia e vinha entre a cozinha e a sala, levava pratos, completava as bebidas.
Maksim estava sentado à mesa ao lado da mãe e conversava animadamente com os primos.
Larisa Petrovna era o centro das atenções, ria alto e contava histórias da policlínica.
— Vocês acreditam que vem um médico de distrito e reclama que tem pacientes demais?
— a sogra acenou com a mão.
— E eu digo para ele: o quê, achou que medicina era fácil?
Eu trabalho há tantos anos e nunca reclamei!
Os convidados assentiram, concordando.
Fiódor Ivanovitch comia a salada em silêncio, de vez em quando servindo vodka para si.
Vitória sentou numa cadeira livre no canto da mesa, longe de todo mundo.
Ela estava exausta e só queria que a noite acabasse logo.
Quando faltava cerca de uma hora para meia-noite, Larisa Petrovna se levantou e anunciou solenemente:
— Meus queridos!
Quero parabenizar todos vocês pelo Ano-Novo que se aproxima!
E, claro, preparei um presente para cada um!
A sogra foi até uma grande sacola perto do sofá e começou a tirar caixas bem embrulhadas.
Para cada convidado, ela entregava um presente, dizendo palavras calorosas.
— Liudótschka, minha irmãzinha querida!
Você sempre foi meu apoio!
Aqui está um cachecol de cashmere, eu sei que você sonhava com um desses!
— Olechka, minha sobrinha!
Você é tão inteligente, tão linda!
Toma, um creme para o rosto, o melhor de todos!
— Fiódor, meu querido!
Para você, um cinto novo, porque o velho já está todo gasto!
Vitória observava tudo e esperava a sua vez.
Ela viu Larisa Petrovna distribuir presentes a todos os convidados.
Até a vizinha do andar de cima recebeu um presente.
Mas a sogra parecia não notar a nora.
Vitória estava sentada com as mãos no colo e sentia as bochechas queimarem.
Maksim examinava os fones que tinha ganhado — sim, justamente aqueles que a esposa comprara — e sorria.
Ele parecia não prestar atenção ao que estava acontecendo.
Quando o último presente foi entregue, Vitória decidiu falar.
Ela se levantou e se dirigiu baixinho à sogra:
— Larisa Petrovna, e para mim…
A senhora não esqueceu?
Um silêncio instantâneo tomou conta da sala.
Todos os convidados se viraram para Vitória.
Larisa Petrovna se virou lentamente para a nora e a mediu com um olhar frio.
No rosto dela apareceu um sorriso desagradável.
— Por que você está aí plantada?
— disse a sogra alto, para que todos ouvissem.
— Junte suas coisas — e suma daqui!
Vitória sentiu o rosto arder ainda mais.
O coração batia descontrolado.
Os convidados se entreolharam, mas ninguém disse nada.
Liudmila olhou sem jeito para a irmã e depois abaixou os olhos.
Fiódor Ivanovitch ficou parado com o garfo na mão.
Maksim estava sentado ao lado da mãe e encarava o prato.
Ele não levantou os olhos para a esposa, não se levantou, não disse uma palavra em defesa dela.
Vitória olhou para o marido, esperando alguma reação, mas Maksim continuou calado.
— Talvez não fosse o caso de…
— começou Fiódor Ivanovitch, sem convicção, mas a sogra o cortou:
— Você não se meta!
Este apartamento é meu, e eu decido quem fica aqui e quem não fica!
Larisa Petrovna se virou para os outros convidados e continuou com as felicitações, como se nada tivesse acontecido.
Vitória estava no meio da sala e queria sumir.
As lágrimas subiram à garganta, mas ela se conteve.
Virou-se e saiu rápido do salão, indo para o seu quarto.
Ela fechou a porta e encostou as costas nela.
As mãos tremiam.
Vitória pegou o telefone e olhou a hora — faltavam quarenta minutos para meia-noite.
Da sala vinham as vozes dos convidados, tentando devolver ao banquete o clima de antes.
Alguém ligou a música.
Vitória abriu o guarda-roupa e pegou a mala.
Começou a colocar as coisas — roupas, cosméticos, documentos.
As mãos agiam no automático, a cabeça estava enevoada.
Ela não pensava no que viria depois.
A única coisa que sabia com certeza era que não podia mais ficar naquela casa.
A porta do quarto se abriu.
Maksim estava na entrada.
O rosto dele estava confuso, mas não culpado.
— Vik, o que você está fazendo?
Vamos sem drama, por favor…
— ele entrou no quarto, hesitante.
— A mamãe só…
Bem, você sabe como ela é.
Não foi por mal.
Vitória se virou lentamente para o marido.
— Não foi por mal?
— a voz dela tremia.
— Ela me humilhou em público diante de todos os seus parentes!
E você ficou calado!
Nem uma palavra você disse!
— E o que eu podia fazer?
Você sabe como a mamãe reage quando alguém a contradiz…
Vamos, você só se acalma, espera aqui até de manhã, e amanhã a gente conversa com calma…
— Conversa?
— Vitória fechou a mala com força.
— Vamos conversar sobre por que a sua mãe se permite me expulsar de casa na noite de Ano-Novo?
Sobre por que ela dá presentes para todo mundo, menos para mim?
Sobre por que você não consegue defender a sua própria esposa?!
— Vitória, não agora, tá bom?
— Maksim passou a mão no cabelo.
— Os convidados ainda estão aqui…
Imagina o escândalo se você sair agora com a mala?
— Eu não quero ficar aqui nem mais um minuto, — disse Vitória com firmeza.
— Eu vou para a casa dos meus pais.
— A essa hora?
Você enlouqueceu!
— o marido tentou segurar a mão dela, mas Vitória se afastou.
— Vitória, eu te peço, fica!
A gente resolve isso depois das festas.
Eu vou falar com a mamãe, prometo!
— Você já prometeu isso umas cem vezes, — Vitória pegou a mala e vestiu a jaqueta.
— Estou cansada de esperar você finalmente agir como marido, e não como filhinho da mamãe.
Ela abriu o aplicativo de táxi no celular e chamou um carro.
Maksim ficou no meio do quarto olhando para a esposa.
Ele não tentou impedi-la, não implorou para ela ficar.
Apenas ficou ali, em silêncio.
— Eu vou esperar o carro lá embaixo, — disse Vitória e saiu do quarto.
Ela atravessou o corredor, passando pela sala, onde os convidados já abriam o espumante.
Larisa Petrovna contava algo em voz alta e todos riam.
Ninguém prestou atenção em Vitória com a mala.
Só Fiódor Ivanovitch encontrou o olhar dela quando ela calçava os sapatos no hall de entrada.
Ele a olhou com culpa, mas ficou calado.
Vitória fechou a porta atrás de si e desceu.
Lá fora estava frio.
A neve caía em flocos grandes, e tudo ao redor parecia irreal.
Vitória ficou em frente ao prédio esperando o táxi.
Ela ligou para a mãe.
— Vikuľia?
Feliz Ano-Novo adiantado, filhinha!
— a voz da mãe era quente e alegre.
— Como vocês estão?
Já sentaram à mesa?
— Mãe…
— a voz de Vitória vacilou.
— Eu estou indo para aí.
Chego em umas três horas.
— O quê?!
Vikuľia, o que aconteceu?!
— Eu conto depois.
Só…
Vocês podem me esperar?
— Claro, filhinha, claro!
Eu e seu pai estamos te esperando!
O táxi chegou exatamente às onze e meia.
Vitória sentou no banco de trás e pediu ao motorista para ir até a rodoviária.
O último ônibus para a cidade natal dela saía à meia-noite.
Se ela conseguisse, às três da manhã estaria em casa.
Na casa dos pais.
Onde a amavam e a valorizavam.
Ela olhava pela janela para a Moscou festiva.
As pessoas corriam para casa, para as famílias.
Alguém carregava buquês de flores, alguém levava espumante.
Todos estavam felizes com o ano que chegava.
E Vitória se afastava do marido e daquela vida que construíra por dois anos.
O ônibus partiu exatamente à meia-noite.
Vitória sentou perto da janela e fechou os olhos.
Do lado de fora começaram a estourar fogos.
No ônibus as pessoas se parabenizavam, riam, brindavam com copos de plástico.
Vitória pegou o telefone — Maksim não ligava nem mandava mensagem.
Mas chegou uma mensagem da mãe: «Filhinha, estamos te esperando muito.
Feliz Ano-Novo!
Vai ficar tudo bem!»
Vitória respondeu: «Obrigada, mamãe.
Eu amo vocês.
Logo a gente se vê».
Os pais a encontraram na rodoviária.
A mãe chorou assim que viu a filha com a mala.
O pai abraçou Vitória em silêncio e pegou a bolsa dela.
Eles foram para casa de carro, e durante todo o caminho Vitória contou o que tinha acontecido.
— Filhinha, você fez certo em ir embora, — a mãe acariciava a mão dela.
— Ninguém tem o direito de te tratar assim!
— Vik, e o Maksim?
Ele não te segurou?
— perguntou o pai.
— Não, pai.
Ele pediu para eu ficar até de manhã para não estragar a festa para os convidados.
E não pensou que eu estava magoada e sofrendo.
Em casa, os pais puseram a mesa de novo.
A mãe esquentou os pratos que tinha preparado para ela e o marido.
Ela tirou tortinhas caseiras de repolho, que Vitória gostava tanto.
Os três se sentaram à mesa e comemoraram o Ano-Novo de verdade — com calor, amor e cuidado.
Vitória sorriu pela primeira vez naquela noite.
No dia seguinte, Maksim ligou.
Vitória demorou a atender, mas depois acabou atendendo.
— Vik, volta, — a voz do marido soava cansada.
— A mamãe já se acalmou.
Ela não queria te magoar.
— Maksim, eu não vou voltar, — disse Vitória, calma.
— Eu quero me divorciar.
— O quê?!
Você está falando sério?!
Por causa de uma noite?!
— Não é por causa de uma noite, — Vitória suspirou.
— É por causa de dois anos de humilhações que você deixou sua mãe fazer comigo.
É por você nunca ter me defendido nem uma vez.
É porque, para você, eu valho menos do que a opinião da sua mãe.
Maksim ficou em silêncio.
— Se você concordar, a gente pode dar entrada pelo cartório.
A gente não tem filhos, não tem apartamento, nada em comum.
Vai ser rápido, — continuou Vitória.
— Eu…
Tá bem.
Certo, — Maksim suspirou.
— Vamos nos divorciar.
Vitória desligou.
Ela achou que ia chorar, que seria difícil.
Mas, em vez disso, sentiu alívio.
Como se um peso enorme tivesse saído dos ombros.
No começo de janeiro, Vitória e Maksim se encontraram no cartório e deram entrada no divórcio de comum acordo.
Eles preencheram os papéis em silêncio, quase sem se olhar.
Maksim parecia amassado e cansado.
Vitória se mantinha calma e confiante.
— Então é isso, — disse Maksim quando saíram do prédio.
— Quer dizer que, daqui a um mês…
— Sim, daqui a um mês estará tudo concluído, — Vitória assentiu.
— Você…
Você realmente não vai voltar?
— ele olhou para a ex-esposa.
— Não, Max.
Eu arrumei trabalho na minha cidade.
Vou morar com meus pais até encontrar meu próprio apartamento.
Estou começando do zero.
Maksim baixou os olhos.
— Eu…
Sinto muito.
Sinto mesmo.
— Eu também, — Vitória se virou e foi em direção ao ponto.
Ela não olhou para trás.
À frente havia uma vida nova, sem humilhações e sem um marido silencioso.
Uma vida em que ela mesma tomava as decisões e não dependia da opinião de ninguém.
Vitória pegou o ônibus até a rodoviária e olhou pela janela.
Moscou ficou para trás.
E aquela garota que por dois anos suportou as ofensas da sogra também ficou no passado.
Agora Vitória conhecia o próprio valor e nunca mais permitiria que alguém a tratasse como Larisa Petrovna a tratava.
O Ano-Novo realmente se tornou novo para ela — o início de uma outra vida, a verdadeira.
Ela conseguiu trabalho como logística numa empresa local que fazia entregas pela região.
O chefe valorizou a experiência dela em Moscou e logo ofereceu boas condições.
Vitória alugou um pequeno apartamento de um quarto não longe dos pais e foi ajeitando tudo aos poucos, do seu jeito.
Seis meses depois, o divórcio foi finalizado.
Maksim não ligou mais.
Vitória às vezes pensava nele, mas sem dor nem arrependimento.
Ela entendeu que tinha feito a escolha certa ao ir embora naquela noite de Ano-Novo.
Porque uma vida sem respeito por si mesma não é vida.







