Parte 1. Hospitalidade com gosto de ocupação
— Você realmente não entende ou está fingindo? — Anton fechou o zíper da mala de viagem com um som como se tivesse cortado a corda que mantinha o casamento deles à tona.

— Zoya veio descansar.
— Ela precisa dormir bem.
— As costas dela são problemáticas, você mesma viu como ela anda.
— E naquele sofá do quarto de hóspedes não há um colchão, mas um instrumento de tortura.
— Esse “instrumento de tortura” custou duzentos mil, Anton.
— É um modelo ortopédico que escolhemos juntos, — a voz de Katerina soava calma.
— E a questão não é o colchão.
— A questão é que este é o nosso quarto.
— Um espaço íntimo.
— Por que eu devo ceder a minha cama à sua irmã enquanto você fica rodando em viagens de trabalho?
— Não “rodando”, mas trabalhando.
— O chefe não me pergunta se é cômodo ou não para mim levá-lo a Krasnodar, — rebateu Anton, conferindo os documentos no porta-luvas.
— Ele estava impecável na camisa do uniforme: motorista de um homem importante, participante de grandes assuntos, ainda que apenas através do volante do “Maybach” oficial.
— E você, Katya, podia mostrar um pouco de flexibilidade.
— Afinal, é da família.
— Não são estranhos.
— Ela não é da minha família, Anton.
— É sua irmã, que há três dias critica a minha comida, a poeira nas prateleiras e a maneira como eu toco os meus negócios.
— E agora ela quer dormir nos meus lençóis?
— Você é egoísta, — cravou ele, virando-se totalmente para ela.
— Nos olhos dele lia-se aquele mesmo desprezo condescendente que aparecia toda vez que Katerina tentava defender os próprios limites.
— Zoya é uma hóspede.
— Ela vai dormir no tapetinho da entrada?
— Eu vou viajar por cinco dias.
— É tão difícil assim para você ceder?
— Ou a sua coroa de tradutora vai cair se você dormir um par de noites no sofá?
Na moldura da porta apareceu a figura de Zoya.
— A cunhada era sete anos mais velha que Anton, mais corpulenta e possuía aquela astúcia camponesa que permite às pessoas, sem convite, comer o melhor pedaço do bolo na festa alheia.
— Ela estava encostada no batente e mastigava preguiçosamente uma maçã tirada sem pedir da fruteira.
— Antosh, não briguem por minha causa, — arrastou ela, e na sua voz tilintava um mel falso.
— Eu posso até dormir no chão.
— Estendo um casacão de pele, não seria novidade para mim.
— Não sou nenhuma madame, como certas outras.
— Deixa disso, Zoya, — Anton acenou com a mão, sem olhar para a esposa.
— Você vai dormir no quarto.
— Está decidido.
— Katerina só está cansada, agora vai ligar o cérebro e entender que está se comportando como uma histérica.
— Eu não sou histérica, — disse Katerina em voz baixa, mas firme.
— Eu sou a dona desta casa.
— E eu digo: NÃO.
— Zoya ficará no quarto de hóspedes.
Anton aproximou-se da esposa até bem perto.
— Dele vinha o cheiro da loção que ela mesma lhe dera de presente, e de um poder alheio, oficial.
— Enquanto eu pagar por este apartamento, sou eu quem estabelece as regras, — sibilou ele entre os dentes.
— Você pode fazer as suas traduções até na Lua, mas nós moramos aqui porque fui eu quem acertou com o corretor.
— Não me tire do sério antes da viagem.
— Zoya dorme no quarto.
— Ponto final.
Ele se virou, pegou a mala e saiu para o corredor.
— Zoya, soltando um resmungo triunfante, mordeu outro pedaço da maçã com um estalo alto, olhando Katerina bem nos olhos.
— Naquele olhar lia-se o triunfo da simplicidade do interior sobre a intelectualidade urbana.
Katerina permaneceu de pé no meio da sala.
— Dentro dela a raiva se enrolava como uma serpente — quente, densa, expulsando o medo e o hábito de sempre aparar as arestas.
Parte 2. Processo educativo
— Então, norinha, onde está a roupa de cama limpa? — a voz de Zoya arrancou Katerina do torpor.
Katerina estava diante da janela, mas não via a rua.
— Via o reflexo da sua própria vida, que de repente lhe pareceu um espelho deformado.
— Dois anos.
— Durante dois anos ela colocou a alma nesse homem.
— Pagava a parte do leão das despesas enquanto Anton juntava dinheiro para um “relógio de status”, para estar à altura do chefe.
— Ela abriu sua escola de idiomas “Lingua-Sfera”, mas em casa tentava não exibir os rendimentos, para não ferir o orgulho masculino dele.
— E eis a gratidão.
— A roupa de cama está no armário, no quarto de hóspedes, — respondeu Katerina sem se virar.
— Antosha disse que eu vou dormir aqui, — Zoya já abria com ares de dona a porta do quarto deles.
— A cama de vocês é larga, fica confortável para mim.
— E você, anda, não fique amuada.
— Homem falou, mulher obedeceu.
— Foi assim durante séculos, e ninguém morreu por isso, pelo contrário, as famílias eram mais fortes.
— Vocês, gente da cidade, pensam demais em si mesmas.
Zoya entrou no quarto e, para horror de Katerina, atirou-se pesadamente sobre a cama, ainda usando o robe caseiro com o qual acabara de fritar almôndegas na cozinha, respingando gordura por todo o fogão.
— Macia! — grunhiu a cunhada, aprovando.
— E você, por que ficou parada?
— Vá, arrume a sua cama na sala.
— E mais… traga-me um chá.
— Com limão.
Aquilo não era apenas grosseria.
— Era uma intervenção.
— Anton não apenas cedeu o lugar à irmã, como lhe deu carta branca para humilhar a esposa.
— Queria mostrar quem mandava ali.
— Educar.
Katerina saiu para a varanda e, com as mãos trêmulas, discou um número.
— Os toques demoraram bastante.
— Alô, Katyenka? — a voz da sogra era doce como um melão passado.
— Aconteceu alguma coisa?
— Anton chegou?
— Lídia Petrovna, seu filho viajou, mas deixou instruções para que Zoya dormisse na nossa cama de casal.
— E me mandou para o sofá, — Katerina esforçava-se para falar de forma seca, profissional.
— Eu considero isso inaceitável.
— Explique à sua filha que existem certas regras.
Houve uma pausa no telefone, e depois soou uma risadinha.
— Ai, Katyusha, por que você está tão nervosa?
— Zoyechka está cansada, ela veio do interior, precisa de conforto.
— Anton é o chefe da família, foi assim que ele decidiu.
— Seja mais sábia.
— A sabedoria feminina está na submissão.
— Não fique zangada com ele, ele vai voltar, vocês vão se reconciliar.
— E não mexa com Zoya, ela é uma hóspede.
— Vai lhe fazer bem treinar a humildade, porque você é muito… incisiva.
Humildade.
— Faz bem.
Katerina desligou a chamada.
— A tela do telefone se apagou, assim como a sua esperança na sensatez daquela família.
— Ela entendeu: era um complô.
— Anton não fizera aquilo por acaso.
— Eles tinham conversado sobre isso.
— Tinham decidido “colocar no lugar” a empresária metida.
Ao voltar para o quarto, viu que a porta do dormitório estava fechada.
— De lá de dentro vinham o murmúrio da televisão e sons de mastigação.
— Ei, Katka! — gritou Zoya atrás da porta.
— As almôndegas na mesa estão esfriando, põe na geladeira, senão azedam!
— E não fique mexendo na porta, eu vou dormir.
Katerina aproximou-se da porta.
— Ficou parada por um segundo.
— Virou-se e foi não para a cozinha, mas para o seu escritório.
— Ali havia caixas grandes que tinham sobrado da compra de livros didáticos para a escola.
— Viagem de trabalho, você diz? — sussurrou, e seus lábios se curvaram num sorriso cruel.
— Cinco dias?
— Ótimo.
— Em cinco dias dá para construir um império, quanto mais destruir esse castelo de cartas.
Ela começou a arrumar as coisas.
— Não de forma histérica, nem amassando roupas.
— Guardava tudo metodicamente, como um profissional embala equipamentos.
— O seu notebook.
— Os seus documentos.
— As suas roupas.
— Os seus aparelhos.
— A máquina de café, que tinha sido comprada por ela.
— O umidificador de ar.
— O robô aspirador.
— Tudo o que tornava aquele apartamento habitável pertencia a ela.
— Até as cortinas ela mesma escolhera e pagara.
— Não tirou as cortinas, porque era perda de tempo, mas levou o caro conjunto de roupa de cama do quarto de hóspedes.
Parte 3. Retirada estratégica
— Onde você está? — a mensagem de Anton chegou no terceiro dia.
Katerina estava sentada no seu novo escritório.
— As janelas panorâmicas davam para o centro empresarial da cidade, mas ela não olhava para a vista.
— Olhava para o contrato de aluguel.
— Apartamentos espaçosos em um complexo de luxo, integrados a uma área de trabalho.
— Caro.
— Muito caro.
— Mas ela podia se dar a esse luxo.
— Só que antes economizava, guardando para a “hipoteca conjunta” com a qual Anton sonhava, embora não tivesse colocado ali um centavo sequer.
— Estou ocupada, — digitou em resposta.
A ligação veio imediatamente.
— Como assim ocupada?
— Zoya ligou, disse que você não aparece há dois dias!
— A geladeira está vazia, a comida acabou.
— O quê, você largou a hóspede sozinha?
— Katya, você perdeu completamente o medo? — Anton não gritava, ele sibilava, e aquele som era nojento.
— Sua irmã é uma mulher adulta.
— Se foi capaz de ocupar o quarto alheio, também será capaz de ir ao mercado, — disse Katerina friamente, conferindo traduções de patentes para uma empresa farmacêutica.
— Volte imediatamente!
— Faça comida e peça desculpas a Zoya.
— Eu chego amanhã à noite.
— Se a casa estiver uma bagunça…
— Não vai estar uma bagunça, — interrompeu ela.
— Eu arrumei tudo.
Ela desligou o telefone.
A manhã do dia em que ela foi embora foi reveladora.
— Zoya acordou às onze, coçando os lados do corpo, e foi para a cozinha esperando o café da manhã.
— Mas a cozinha não estava mais lá.
— Quer dizer, as paredes continuavam, os armários do proprietário continuavam, mas louças, torradeira, batedeira e máquina de café tinham sumido.
— A geladeira estava virginalmente limpa, exceto por um pote de mostarda esquecido.
Então Zoya ligou para o irmão aos berros, dizendo que “aquela louca tinha roubado a gente”.
— Nesse momento, Katerina já comandava os carregadores, levando suas coisas para a nova vida.
Agora, sentada numa poltrona de couro natural, Katerina sentia uma estranha leveza.
— O medo desaparecera.
— Restava apenas o nojo do marido.
— Como se durante dois anos tivesse usado sapatos um número menor e, enfim, os tivesse tirado.
Sua assistente, Lenochka, colocou a cabeça para dentro do escritório:
— Ekaterina Viktorovna, o entregador trouxe documentos do banco.
— E mais… há um homem querendo entrar à força para vê-la.
— Diz que é seu marido.
— A segurança não o deixa passar.
Katerina franziu a testa.
— Ela não dera o novo endereço a Anton.
— Como ele descobrira?
— Ah, claro.
— Eles tinham uma conta compartilhada no serviço de entrega de comida.
— Ontem ela pedira jantar para o escritório.
— Anton, ao que tudo indicava, rastreava seus gastos, como sempre.
— Deixe-o entrar, — disse ela.
— Só avise a segurança para ficar de prontidão.
Parte 4. Aparição do herói
— Sua desgraçada! — a porta escancarou-se com um chute.
Anton estava parado à entrada, vermelho, desgrenhado, nada parecido com o motorista bem-apessoado de um carro de luxo.
— Vestia uma camiseta amassada, e nos olhos chacoalhava uma fúria turva.
— Onde ele está? — rugiu, invadindo a ampla sala de estar do seu novo apartamento-escritório.
— Quem? — Katerina nem sequer se levantou da mesa.
— Girava nas mãos um pesado rolo de massa de mármore, presente dos alunos, que ela usava como peso de papel.
— O seu amante! — Anton começou a correr pelo cômodo, espiando atrás das cortinas, abrindo armários.
— Você fugiu de propósito!
— Armou esse circo com a Zoya para trazer o seu macho para cá!
— Com que dinheiro você alugou isso aqui, hein?
— É ele quem paga?
— Você me traiu?
Ele avançou até a mesa e varreu uma pilha de relatórios para o chão.
— Eu cheguei em casa e não tinha nada lá!
— Zoya está com fome, chorando!
— Você levou até as toalhas!
— Você humilhou a minha família!
— Eu levei as minhas coisas.
— E o meu dinheiro, — Katerina levantou-se lentamente.
— O seu dinheiro? — ele caiu na gargalhada, uma gargalhada áspera, desagradável.
— Quem é você sem mim?
— Uma professorazinha!
— Uma tradutora de papéis!
— Fui eu que apresentei você à sociedade, fui eu que a coloquei em contato com gente respeitável!
— E você…
Ele agarrou um vaso do aparador e o atirou ao chão.
— Os cacos espalharam-se por toda parte.
— Você vai voltar agora mesmo.
— Vai rastejar de joelhos diante de Zoya.
— E diante de mim.
— Entendeu?
Anton avançou sobre ela, cerrando os punhos.
— Em seus olhos não havia nada de humano, apenas o amor-próprio ferido de um pequeno tirano a quem arrancaram o brinquedo.
— VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO? — gritou, cuspindo saliva.
— ARRUME AS SUAS COISAS, SUA VADIA!
Parte 5. Caçada ao javali
— SAIA DAQUI, — a voz de Katerina soou baixa.
— O quê?
— Você se atreve a mandar em mim? — ele avançou contra ela, querendo agarrá-la pelos cabelos.
Katerina não esperou.
— Durante dois anos ela suportou.
— Durante dois anos foi “sábia”.
— Durante dois anos engoliu ofensas.
— Chega.
Quando a mão dele se estendeu em direção ao seu rosto, ela não recuou.
— A raiva, acumulada gota a gota, rompeu a barragem.
— Ela segurou melhor o rolo de mármore e, com uma expiração curta, colocando no golpe todo o seu ódio pelo seu narcisismo arrogante, acertou-lhe o braço estendido.
Ouviu-se um estalo nítido.
— Anton urrou.
— Aaah!
— Você enlouqueceu?!
Ele recuou, embalando a mão atingida, com os olhos arregalados de choque.
— Não esperava resistência.
— Você queria guerra?
— Vai ter! — esquecendo a dor, lançou-se sobre ela com todo o peso, tentando prensá-la contra a parede.
Katerina deu um passo para o lado, e Anton, perdendo o equilíbrio, bateu com o ombro na estante de livros.
— Os livros desabaram sobre ele como granizo.
— Mas ele era como um touro enfurecido.
— Virando-se, tentou chutá-la.
Katerina, que na juventude não fizera balé, mas kickboxing, algo que Anton ou esquecera ou jamais considerara importante, reagiu por instinto.
— Saiu da linha de ataque e desferiu um golpe rápido e preciso com a ponta do sapato na virilha dele.
O som emitido por Anton não tinha nada de humano.
— Ele grunhiu como um porco, sem ar nos pulmões.
— Seus olhos saltaram das órbitas, o rosto ficou arroxeado.
— Ele caiu de joelhos, agarrando com as mãos a região dolorida, e encostou a testa no caro piso laminado.
— Levante-se, — ordenou Katerina friamente.
— Levante-se e rasteje para fora.
Anton, arfando e babando, tentou pôr-se de pé, apoiando uma das mãos no chão.
— Seu rosto estava retorcido de dor e humilhação.
— Com dificuldade, ergueu-se de quatro, depois, cambaleando, endireitou-se.
— Mas a maldade nele era mais forte que a dor.
— Eu vou te matar… — sibilou, dando um passo em direção a ela.
Katerina ergueu o rolo de massa.
— Ele se esquivou, tropeçou na própria perna e voou para a frente, batendo com o rosto bem na quina da porta aberta do corredor.
— O impacto foi surdo e terrível.
— Anton foi lançado para trás, pressionando as palmas das mãos contra o rosto.
— O sangue escorria entre os dedos: o nariz estava quebrado, e sob o olho já inchava imediatamente um hematoma roxo-escuro.
— Vá embora, Anton.
— Aqui você não tem poder, — ela disse isso com um desprezo como se ele fosse um gato malcriado que tivesse feito sujeira no chinelo.
— E tire também o seu carro do estacionamento.
— Eu chamei o guincho.
— Você ocupou a vaga do diretor.
— Que diretor? — balbuciou ele com os lábios machucados, cuspindo sangue.
Ela sorriu com ironia.
— Eu entrei com o pedido de divórcio online ontem mesmo.
— E este apartamento foi comprado por mim.
— E a escola é minha.
— Você achava que eu ganhava migalhas?
— Eu traduzo documentação técnica para conglomerados petrolíferos, idiota.
Anton recuou em direção à saída, apoiando-se na parede.
— Parecia lastimável: a mão inchada, o nariz torto para o lado, as calças empoeiradas, o olho inchado.
— Você… vai se arrepender… — balbuciou, tentando preservar ao menos uma gota de dignidade, mas soava patético.
Ele estendeu a mão saudável para a maçaneta, mas a coordenação o traiu.
— A pesada porta metálica, equipada com um potente fechador automático, começou a se fechar no exato momento em que ele decidiu apoiar-se no batente com a outra mão — justamente aquela que tinha recebido a pancada do rolo.
A porta bateu, prendendo o dedo médio dele.
O grito de Anton cobriu até o barulho da rua além da janela.
— Ele puxou o dedo, cuja unha imediatamente escureceu, e, uivando, saiu tropeçando para o corredor.
— E agora, — Katerina aproximou-se da soleira, olhando para o marido encolhido, — a parte mais interessante.
— O seu chefe, Pavel Nikolaevich, é meu cliente.
— Estávamos discutindo a tradução de um contrato meia hora atrás.
— E ele ficou muito surpreso ao saber que o seu motorista usa o “Maybach” oficial para acertos pessoais em horário de trabalho.
— Parece que ele mencionou que o carro é rastreado por GPS e que você já deveria estar no local há duas horas.
Anton congelou.
— A dor física recuou diante do horror social e financeiro.
— Perder o emprego com Pavel Nikolaevich significava receber uma espécie de marca negra.
— Ninguém mais na cidade o contrataria como motorista por aquele salário.
Nesse momento, o telefone de Anton tocou no bolso.
— O toque atribuído ao chefe.
— A Marcha Imperial.
Anton empalideceu por baixo da vermelhidão dos arranhões.
— Olhou para Katerina com um horror selvagem, animal.
— Não… — sussurrou.
— Atenda, — sorriu Katerina e bateu a porta com força diante do nariz dele.
Do lado de fora ouviu-se o som de um corpo escorregando pela parede e um ganido baixo, cheio de desespero.
Katerina recolocou o rolo de mármore no lugar, sacudiu as mãos e foi até o espelho.
— No reflexo a encarava uma mulher bonita e forte, cujo pior projeto da vida acabava de terminar.
Ela discou o número da assistente.
— Lena, chame a limpeza.
— No corredor é preciso remover os vestígios de… lixo biológico.







