Depois da minha resposta, tiveram de começar a negociar tudo de novo.
— Eu e a Ljubótchka já decidimos tudo.

Na sexta-feira vocês vão desocupar o quarto dos fundos, aquele onde você, Dásha, guarda esses seus desenhos.
Vai ficar perfeito para a Ljuba e o Tiómotchka.
Eu até já encomendei uma “Gazelle” para sábado.
Devagar, quase com precisão matemática, coloquei o garfinho de sobremesa na borda do pratinho com “Napoleão”.
À mesa, fez-se silêncio, interrompido apenas pelo tic-tac regular do relógio de parede na sala de estar da minha sogra e pelo tilintar abafado da louça vindo da cozinha — lá estava atarefada a tia Nina, irmã mais velha da minha sogra, que tinha vindo do subúrbio para fazer exames.
— E quem seriam “nós”, Valentina Grigórievna? — perguntei calmamente, olhando direto para os seus olhos seguros, delineados a lápis.
— E, com licença, para qual apartamento exatamente foi encomendado o caminhão para sábado?
Minha sogra, Valentina Grigórievna, ex-diretora de um grande ateliê, estava acostumada a cortar a vida dos outros com a mesma desenvoltura com que, na juventude, cortava tecido grosso.
Se ela decidia que em algum lugar devia haver uma pence, então haveria uma pence, mesmo que o tecido já estivesse estourando nas costuras.
Ao lado dela estava sentada Ljuba, minha cunhada de trinta e um anos.
Com ar independente, Ljuba lixava a manicure perfeita com uma lixa, encarnando com toda a sua aparência a vítima da crise mundial e da maldade masculina.
Uma semana antes, seu companheiro Vadim — dono de uma pequena rede de oficinas mecânicas, um homem prático e que sabia contar dinheiro — não aguentara mais e a colocara para fora com suas coisas.
Ljuba contava a todos que ele “não tinha dado conta da sua escala e da sua energia”, enquanto Vadim, como meu marido Maksim sabia, simplesmente se cansara de pagar do próprio bolso os intermináveis cursos de crescimento espiritual dela.
— Dásh, por que você já está começando? — resmungou a cunhada em tom caprichoso, sem tirar os olhos das unhas.
— Vocês têm um apartamento de três quartos.
Você e o Maks vivem aí no maior luxo, enquanto eu agora estou passando por um momento difícil.
— Eu preciso recuperar minhas energias.
E, além disso, para o meu trabalho de florista eu preciso de espaço.
Aquele armário embutido grande eu vou pegar para as flores secas e as embalagens, e o seu computador você pode levar para a cozinha, você não é nenhuma baronesa.
Eu sou arquiteta projetista.
No meu sistema de coordenadas, não se pode simplesmente derrubar uma parede estrutural só porque alguém quer mais luz.
E, do mesmo modo, não se pode entrar na minha casa por ordem verbal da mãe de outra pessoa.
Meu marido Maksim, engenheiro de automação industrial, um homem sólido e que não gostava de agitação vazia, pousou o guardanapo.
Normalmente ele tentava amenizar as excentricidades da mãe, mas naquele dia a ousadia dela atravessou até a armadura dele.
— Mãe, — a voz de Maksim soou incomumente surda e pesada.
— Cancele a “Gazelle”.
Ninguém vai para lugar nenhum.
Minha esposa não é um centro gratuito de acolhimento para parentes, e nosso apartamento não é um hotel.
Valentina Grigórievna se inflamou.
— Maksim!
Como você se atreve a falar assim?!
É a sua irmã de sangue! — ela levou teatralmente a mão ao peito.
— A menina ficou na rua com uma criança de cinco anos nos braços!
Aquele canalha do Vadim a pôs para fora com as coisas dela!
Vocês são obrigados a compreender a situação!
A família deve ajudar!
— A família ajuda quando lhe pedem, — observei em tom sereno.
— Mas quando, pelas minhas costas, dividem o meu espaço, mentalmente jogam fora a minha mesa de trabalho, que, aliás, ajuda a pagar a nossa hipoteca, e decidem onde eu devo colocar o meu computador — isso não é um pedido de ajuda.
Isso é uma tomada hostil, Valentina Grigórievna.
— Ah, eles pagam a hipoteca! — bufou minha sogra.
— Como se só vocês tivessem dívidas!
Apertem-se um pouco!
Em casa apertada também se vive!
Ela já disse ao Vadim que as pontes estão queimadas!
Ljuba, sentindo o apoio, deixou escapar uma lágrima:
— Dásha, mas você é mulher, você deveria entender…
O Tiómotchka precisa de estabilidade!
Perto da casa de vocês tem um bom jardim de infância!
Eu vou ficar só um ano ou dois, até me reerguer.
Um ano ou dois.
Traduzido da língua de Ljuba, isso significava: “até eu encontrar um novo patrocinador e, até lá, vocês vão me sustentar, aguentar o cheiro de eucaliptos tingidos pelo apartamento inteiro e cuidar do meu filho enquanto eu procuro a mim mesma”.
Respirei fundo.
Era hora de passar ao ataque.
Tirei da bolsa um bloquinho e uma caneta — hábito profissional de sempre ter à mão uma ferramenta para cálculos.
— Muito bem, Ljuba.
Vamos ligar a lógica, — comecei a escrever rapidamente.
— Se você considera o nosso apartamento como um centro de crise temporário, então vamos discutir as condições.
O aluguel de mercado de um quarto no nosso bairro é de trinta mil.
Por sermos parentes, baixamos para quinze mil.
Mais um terço das despesas de condomínio e utilidades.
Mais um depósito pela preservação da reforma — afinal, você está vindo com criança e caixas de tintas.
Os olhos da minha cunhada se arregalaram como se eu tivesse sugerido que ela vendesse um rim.
— Que aluguel?!
Entre parentes?!
Você ficou louca?!
— Absolutamente não, — assenti.
— Agora, mais uma coisa.
Silêncio a partir das 22h.
Nada de floricultura nas áreas comuns — sujeira e restos você limpa imediatamente.
Nada de visitas.
A comida você compra por conta própria, e nós vamos dividir as prateleiras da geladeira.
Assinaremos um contrato oficial.
— Valia, mas a menina está certíssima! — ouviu-se de repente uma voz grave e zombeteira vinda do corredor.
Na sala de jantar entrou tia Nina, enxugando as mãos num pano de prato.
Ela já estava hospedada na casa da irmã havia três dias, passando por consultas médicas na clínica regional, e ouvira todo aquele conselho de família da cozinha, onde ao mesmo tempo assava seus famosos pirozhki.
Era uma mulher vivida, de língua afiada, e não simpatizava com Valentina por causa do esnobismo eterno dela.
— Por que você está arregalando os olhos assim, Valka? — resmungou tia Nina, sentando-se à mesa e servindo-se de chá.
— Estamos no capitalismo, minha querida.
E você continua tirando as castanhas do fogo com a mão dos outros.
Por que você mesma não acolhe sua filhinha em casa?
Um passe perfeito.
Aplaudi mentalmente tia Nina e logo desenvolvi a ideia:
— De fato, Valentina Grigórievna.
A senhora tem uma magnífica “stalinka” de oitenta metros quadrados.
Mora sozinha.
Uma sala enorme, um quarto vazio…
Por que a Ljuba deveria se apertar na nossa caixinha num bairro-dormitório, se aqui a senhora está bem no centro?
Minha sogra engasgou com o ar.
Seu plano perfeito, no qual ela continuava sendo a mãe bondosa às custas dos outros, começou a ruir.
— Eu tenho… arquivos! — disparou ela.
— Meus tecidos!
Revistas!
Máquinas de costura!
E, além disso, eu tenho pressão alta!
Eu preciso de paz, e aí o Tiómotchka vai ficar correndo!
— Ou seja, — estreitei os olhos, cruzando as mãos, — uma criança de cinco anos e caixas de flores destruiriam a sua pressão, mas se encaixariam perfeitamente nos meus prazos de trabalho?
Então os seus tecidos são mais importantes do que o seu próprio neto, e os meus desenhos para clientes são só lixo para ser jogado na cozinha?
— Como você se atreve a distorcer tudo assim! — guinchou minha sogra, perdendo definitivamente a compostura.
Tia Nina caiu na gargalhada:
— Ai, Valka, eu não aguento!
Pegaram você no pulo!
Você não quer ver a bagunça da Ljuba no seu parquet de carvalho.
Você sabe muito bem que ela não vai lavar nem uma xícara atrás de si, nem trazer um tostão para dentro de casa!
E o Vadim não a expulsou sem motivo, não é, Ljubka?
Conte para nós como você zerou o cartão de crédito dele com seus “maratonas dos desejos” e depois se recusou a pagar!
O homem se matava de trabalhar nas oficinas, e você deixou para ele a carteira vazia e buquês secos e apodrecidos pelos cantos!
Ljuba ficou vermelha até a raiz dos cabelos e encolheu-se na cadeira.
Maksim, que até então observava tudo em silêncio, levantou-se pesadamente da mesa.
— Então é o seguinte, — disse ele, marcando cada palavra.
— O assunto está encerrado para sempre.
Cancele a Gazelle.
Ninguém vem para a nossa casa nem amanhã, nem daqui a um ano.
Se no sábado aparecerem coisas de alguém diante da nossa porta, eu mesmo vou chamar carregadores e mandar tudo para este endereço.
Mãe, está na hora de você entender: minha família é a Dásha.
E, na nossa casa, quem manda somos nós.
Valentina Grigórievna ficou sentada de boca aberta.
Seu filho sempre obediente, que ela manipulava com tanta habilidade havia anos, acabara de fechar diante do nariz dela uma porta de ferro.
— Pelo menos por uma semana… — tentou recuar, trocando o tom imperial por um tom queixoso.
— Até ela achar um apartamento…
Levantei-me, ajeitei a bolsa no ombro e, com um sorriso educado e gelado, respondi:
— Nem por uma hora, Valentina Grigórievna.
Nós já resolvemos tudo sem a senhora.
A senhora gosta quando tudo está decidido de antemão, não é?
Então considere que nós já decidimos tudo.
Nós fomos embora.
Ninguém mais tentou mandar na nossa casa.
E Ljuba, milagrosamente, já no dia seguinte encontrou dinheiro para alugar um pequeno apartamento de um quarto — pelo visto, as “maratonas dos desejos” funcionam muito melhor quando você entende que não vai conseguir viver às custas do seu irmão.







