O que você fez?
Por que eu tenho que passar vergonha na frente dos meus amigos?!

O telefone vibrou sobre a bancada da mesa da cozinha, e Olga, sem olhar para a tela, estendeu a mão para pegá-lo.
Ela sabia que era Dmitri.
Ele tinha prometido voltar às dez, e agora já eram onze e meia.
— Alô?
— a voz dela soou calma, quase indiferente.
— Eu não consigo pagar com o cartão!
O que você fez?
Por que eu tenho que passar vergonha na frente dos meus amigos?!
— berrou Dmitri, e Olga afastou o telefone do ouvido por reflexo.
A voz dele estava bêbada, rouca, cheia de agressividade.
Ao fundo ouviam-se vozes abafadas, música, risadas — ele ainda estava no bar.
— Dima, o que aconteceu?
— ela tentou manter a calma, embora por dentro tudo já se contraísse com o pressentimento de mais uma cena.
— O que aconteceu?!
— ele quase guinchou.
— Eu convidei os caras, disse que eu pagava, e o cartão não passa!
Você entende como isso fica?
Você entende ou não?!
— Dima, escuta…
— Não, escuta você!
— ele a interrompeu.
— O que foi que você aprontou?
Para onde foi o dinheiro?
Eu nem posso pagar uma cerveja para os meus amigos?!
Olga apertou os lábios.
Ela sentia crescer dentro de si aquela irritação conhecida, misturada com cansaço e uma dor quase física.
Não por causa das palavras dele — mas porque aquilo se repetia uma vez após a outra.
— Dmitri, você está bêbado.
Vamos conversar quando você voltar para casa.
— Eu não estou bêbado!
— gritou ele tão alto que ela afastou de novo o telefone.
— Eu só quero saber por que diabos a conta está vazia!
Para onde o dinheiro vai?!
— Dima, eu paguei a hipoteca, — disse ela devagar, como se estivesse explicando algo a uma criança.
— Hoje era o último dia.
— E daí?!
— ele não se acalmava.
— Tinha que ter sobrado alguma coisa!
Eu sei quanto você ganha!
Você acha que eu não sei fazer conta?!
Ao fundo, alguém riu alto, e Olga ouviu uma voz parecida com a de Sereja, amigo de Dmitri: “Dimon, deixa pra lá, a gente paga!”
Olga sentiu vergonha.
Vergonha do marido, que estava armando um escândalo pelo telefone bem na frente dos amigos.
Vergonha de si mesma, por ter suportado isso por tanto tempo.
— Dima, eu não vou falar com você enquanto você estiver nesse estado.
Venha para casa, e a gente conversa com calma.
— Não me corta assim!
Eu quero saber agora!
Olga apertou o botão vermelho e pousou o telefone sobre a mesa.
As mãos tremiam.
Ela se levantou, serviu-se de água da torneira e bebeu tudo de um gole só, olhando pela janela para o pátio escuro.
Os postes balançavam com o vento, lançando sombras trêmulas sobre o asfalto.
Ela sabia o que aconteceria agora.
Dentro de uns vinte minutos Dmitri entraria no apartamento aos tropeços, e tudo começaria de novo.
Ela poderia ir embora — para a casa de uma amiga, para a da mãe.
Mas algo teimoso dentro dela dizia: não, chega de correr.
Chega de se esconder.
Olga voltou para a mesa, abriu o notebook e olhou o aplicativo do banco.
O saldo da conta conjunta deles realmente estava quase zerado.
Hipoteca — quarenta e dois mil.
Mais o celular novo, que ela comprara na semana passada — vinte e oito mil.
O antigo tinha se espatifado quando ela escorregou na escada do metrô.
Naquele dia Dmitri apenas deu de ombros: “Compra qualquer um, por que está me perguntando?”
E ela comprou.
Não o mais caro, mas também não o mais barato.
Ela precisava de um telefone para trabalhar — para ligações com colegas, para o e-mail, para tudo.
Olga fechou os olhos e tentou se lembrar de quando tudo começou a dar errado.
Três anos antes, quando se casaram, Dmitri era diferente.
Confiante, decidido.
Trabalhava numa empresa de TI, ganhava bem, fazia planos.
Eles escolheram juntos aquele apartamento, comemoraram juntos a aprovação da hipoteca.
Ele dizia: “Não se preocupe, eu dou conta de tudo.”
E dava conta mesmo.
No primeiro ano, no segundo.
Mas depois começaram os problemas na empresa dele.
Atrasos salariais.
Cortes.
Dmitri não foi demitido, mas passou a trabalhar meio período, com salário reduzido.
“É temporário”, dizia.
“Logo tudo vai melhorar.”
Mas nada melhorou.
Há seis meses ele saiu de vez, dizendo que estava cansado da incerteza, que encontraria algo melhor.
Não encontrou.
Olga não o censurou naquela época.
Ela entendia — o mercado de trabalho estava difícil, havia crise, todos estavam estressados.
Ela assumiu a hipoteca, as contas, as compras.
Dmitri às vezes fazia alguns bicos — um pouco de freelancer, alguns projetos pontuais.
Mas o dinheiro chegava de forma irregular e, ao que parecia, sumia cada vez mais para sabe-se lá onde.
Para encontros com os amigos.
Para cerveja.
Para aquelas malditas saídas para o bar.
O som da chave na fechadura a arrancou dos pensamentos.
Olga não se virou, continuando sentada à mesa.
A porta se abriu de supetão, e Dmitri entrou no corredor, batendo os sapatos com força.
— Então é aqui que você está, — lançou ele, entrando na cozinha.
Ele cheirava a álcool.
O rosto estava vermelho, os olhos injetados.
— Desligou na minha cara, foi?
Conveniente, né?
— Dima, você gritou comigo na frente dos seus amigos, — disse Olga com firmeza, ainda sem olhar para ele.
— Eu não sou obrigada a suportar isso.
— E eu não sou obrigado a suportar que a minha mulher gaste todo o dinheiro com sabe-se lá o quê!
— ele deu um passo mais perto, apoiando as palmas das mãos na bancada.
— Me explica onde está o dinheiro, Olya!
Só me explica direito!
— Eu já expliquei ao telefone, — por fim ela levantou os olhos para ele, e a calma dela pareceu irritá-lo ainda mais.
— A hipoteca.
Quarenta e dois mil.
Vencia hoje.
— E só?!
— ele bateu a mão na mesa, e o notebook pulou.
— Você ganha setenta mil!
Para onde foi o resto?!
— O celular, — Olga fez um gesto para o smartphone novo, que estava ao lado.
— Vinte e oito mil.
O meu quebrou, lembra?
Eu te falei.
— E daí que me falou?!
— Dmitri endireitou-se e começou a andar de um lado para o outro pela cozinha, nervoso.
— Você devia ter sido mais cuidadosa!
É o básico: não deixar o telefone cair!
Eu ainda tenho o meu velho, e funciona numa boa!
— Você está falando sério?
— perguntou ela em voz baixa.
— Estou falando muito sério!
— ele se virou para ela e apontou o dedo.
— Eu te sustentei por dois anos, Olya!
Dois anos eu paguei tudo!
As contas, a comida, as suas roupas!
E agora, quando eu estou em crise, quando está difícil para mim, você não consegue nem passar um mês sem jogar tudo fora com alguma besteira!
— Um celular não é uma besteira, — rebateu ela, e sua voz continuou gelada.
— Sem telefone eu não consigo trabalhar.
Não consigo…
— Podia ter consertado!
— ele a interrompeu.
— Ou comprado um mais barato!
Mas não, você tinha que comprar alguma coisa da moda!
— Dima, é o modelo mais comum possível, de faixa média de preço.
— Não estou nem aí!
— ele elevou a voz outra vez.
— Eu estou em crise agora, entende?
Está difícil para mim!
E você devia entender isso, devia me apoiar, em vez de sair gastando dinheiro para tudo quanto é lado!
Olga se levantou.
Devagar, sem pressa.
Olhou o marido diretamente nos olhos — o rosto vermelho, as mãos trêmulas, a tentativa patética de parecer ameaçador.
— Em crise, — repetiu, pensativa.
— Você está em crise há seis meses, Dima.
Há seis meses você fica em casa, às vezes faz alguma coisa, mas na maior parte do tempo encontra os amigos e bebe cerveja.
E eu vou trabalhar todos os dias, pago este apartamento.
Mas é você que está em crise, claro.
— Você não entende como é isso!
— ele deu um passo em direção a ela, mas ela não recuou.
— Está difícil para mim psicologicamente!
Eu estou esgotado!
Preciso de tempo!
— Tempo, — Olga assentiu.
— Seis meses de tempo.
E, durante todo esse tempo, você não disse obrigado nem uma vez.
Nem uma vez perguntou como eu estava, se estava pesado para mim.
Você simplesmente decidiu que agora era a minha vez de te carregar.
— Eu te sustentei por dois anos!
— explodiu ele.
— Dois anos!
Eu mereci uma pausa!
— Uma pausa?
— Olga sorriu, e não havia um pingo de calor naquele sorriso.
— Dima, nós éramos uma família.
Nós dois trabalhávamos, nós dois trazíamos dinheiro.
Sim, por algum tempo você ganhou mais.
Mas isso não significa que agora eu tenha que te sustentar enquanto você… o quê?
Descansa?
Se procura?
— Eu estou procurando emprego!
— a voz dele subiu para um falsete histérico.
— Você bebe com os amigos nos bares!
— pela primeira vez em toda a conversa Olga elevou a voz, e Dmitri se assustou.
— Você os convida, promete pagar com o meu dinheiro, e depois me liga bêbado, gritando que a culpa é minha!
— Eu não… eu só queria…
— ele se atrapalhou, e Olga viu os ombros dele cederem, viu toda a agressividade começar a sair dele.
— Você queria parecer importante na frente dos seus amigos, — concluiu ela por ele.
— Queria mostrar que está tudo bem, que tem tudo sob controle.
Quando, na verdade, você vive com o dinheiro da sua esposa, a mesma esposa que você acusa de não fazer o suficiente.
— Olya, não foi isso que eu quis dizer…
— Foi exatamente isso que você quis dizer, — ela se aproximou mais, e ele recuou involuntariamente um passo.
— Você me acusou por eu ter comprado um telefone de que preciso para trabalhar.
Você gritou comigo porque eu paguei a hipoteca em dia, para não nos cobrarem multa.
Você me humilhou na frente dos seus amigos armando um escândalo por telefone.
E agora está aqui tentando se fazer de vítima.
— Olya, me desculpa, eu tinha bebido, não pensei… — surgiram notas suplicantes na voz dele, e Olga percebeu com surpresa que sentia por ele apenas repulsa.
— Sabe o que é mais assustador?
— perguntou ela baixinho.
— Eu estou tentando lembrar quando você mudou.
Quando, de um homem forte com quem eu queria construir um futuro, você se transformou em… nisso.
— ela o indicou da cabeça aos pés com a mão.
— Num fraco que sente pena de si mesmo e não faz nada para mudar a situação.
— Eu não sou fraco!
— tentou protestar, mas a voz soou insegura.
— Você é fraco, Dima, — cortou Olga.
— Porque, em vez de se recompor e começar a mudar alguma coisa, você bebe, reclama e me culpa.
Porque é mais fácil jogar toda a culpa em outra pessoa do que admitir que foi você mesmo quem desistiu.
Dmitri ficou em silêncio, de cabeça baixa.
Os ombros curvados, os braços soltos ao longo do corpo.
De repente ele pareceu menor, como se tivesse encolhido.
— Há três anos, — continuou Olga, e sua voz permanecia dura, impiedosa, — quando nos mudamos para este apartamento, você disse que daríamos conta de tudo juntos.
Que seríamos uma equipe.
Lembra?
Ele assentiu em silêncio, sem levantar os olhos.
— Equipe, Dima.
Isso significa que, quando um está com dificuldades, o outro apoia.
Quando eu, para que pudéssemos sobreviver, aceitei assumir mais trabalho, a primeira coisa que você perguntou foi quanto eu ia ganhar.
Não como eu estava me sentindo, não se eu estava cansada, não em que você podia ajudar.
Mas quanto dinheiro.
— Ela fez uma pausa, deixando as palavras assentarem.
— E quando você perdeu uma renda estável, eu não te recriminei nem uma vez.
Eu simplesmente assumi mais.
Porque achava que éramos uma equipe.
— Nós somos… — ele começou, mas ela o interrompeu com um gesto.
— Não.
A equipe não existe mais.
Existe você, que sente pena de si mesmo e espera que alguém resolva todos os seus problemas.
E existe eu, que finalmente entendi que nós não temos futuro.
Ele levantou os olhos para ela, e neles havia confusão, quase infantil.
— Do que você está falando?
— Estou falando, — Olga cruzou os braços sobre o peito, — que você não mora mais neste apartamento.
— O quê?!
— ele deu um passo à frente, mas ela levantou a mão, e ele congelou.
— Olya, este apartamento é nosso!
Nosso!
— Não, — a voz dela soou como uma sentença.
— Este era o nosso apartamento.
Nos últimos seis meses, eu pago a hipoteca sozinha.
As contas — sozinha.
As compras — sozinha.
Você não colocou um centavo nele durante todo esse tempo.
Então, na prática, agora este apartamento é meu.
— Mas… mas eu moro aqui!
— a voz dele se quebrou num guincho histérico.
— Você não pode me expulsar!
— Posso, — Olga virou-lhe as costas e se aproximou da janela.
— E estou te expulsando.
Faça as malas, Dima.
Hoje mesmo.
— Mas eu não tenho para onde ir!
— o pânico apareceu na voz dele.
— Para a casa dos seus pais, — atirou ela por cima do ombro.
— Ou para a casa dos seus amigos com quem você tanto gosta de beber cerveja.
Tenho certeza de que Sereja vai ficar feliz em te receber no sofá.
— Olya, por favor… — ele deu um passo em direção a ela, e ela ouviu a voz dele tremer.
— Eu entendi, eu errei.
Me perdoa.
Eu não vou mais fazer isso.
Vou encontrar um trabalho, prometo!
Olga se virou e olhou para ele.
Para a figura miserável, para os lábios trêmulos, para as mãos estendidas em súplica.
— Sabe qual é o seu maior problema, Dima?
— perguntou baixinho.
— Você acha que pedidos de desculpa consertam tudo.
Que basta dizer “me desculpa” e tudo volta a ser como antes.
Mas não vai voltar.
Porque eu vi a sua verdadeira face.
E eu não gosto dela.
— Olya… — ele estendeu a mão em direção a ela, e ela deu um passo para trás.
— Eu achava que você só tinha se perdido temporariamente.
Que era a crise, o estresse, e que você voltaria a ser aquele Dima por quem me apaixonei.
Mas hoje eu entendi que aquele Dima não existe mais.
Talvez nunca tenha existido.
Talvez ele só fingisse muito bem enquanto tudo corria bem para ele.
— Não é assim!
Eu te amo!
— Amar significa respeitar, — disse Olga.
— Cuidar.
Estar ao lado não só na alegria, mas também nas dificuldades.
E você… você simplesmente jogou as suas dificuldades em cima de mim e decidiu que isso era normal.
Dmitri deixou-se cair numa cadeira e cobriu o rosto com as mãos.
Os ombros tremiam — de choro ou de raiva.
Olga olhava para ele e não sentia nada.
Nem pena, nem compaixão.
Só cansaço e alívio pela decisão tomada.
— Você tem uma hora, — disse ela.
— Pegue o essencial.
O resto eu vou empacotar e entregar pela sua mãe.
— Olya, por favor… — ele ergueu para ela o rosto molhado de lágrimas.
— Me dá mais uma chance.
Eu vou mudar, de verdade!
— Quantas chances eu já te dei, Dima?
— a voz dela vacilou pela primeira vez em toda a conversa.
— Quantas vezes eu fechei os olhos para os seus surtos, para a sua agressividade, para a maneira como você desvaloriza tudo o que eu faço?
Quantas vezes eu disse a mim mesma: não faz mal, é só uma fase difícil, tudo vai melhorar?
Ele ficou em silêncio, amassando a barra da camiseta nas mãos.
— Mas nada melhora, — continuou Olga.
— Só piora.
E hoje, quando você me ligou e começou a berrar comigo, me acusando de todos os pecados, eu entendi: acabou.
Ponto final.
Eu não quero mais viver com uma pessoa que vê em mim apenas uma fonte de dinheiro e um alvo para a sua agressividade.
— Eu não penso assim!
Olya, você para mim é…
— Uma hora, — repetiu ela, e havia aço em sua voz.
— Não me obrigue a chamar a polícia.
Dmitri se levantou cambaleando.
Ficou parado no meio da cozinha, como se não acreditasse no que estava acontecendo.
Depois foi lentamente para o quarto.
Olga ouvia ele abrir o armário, tirar uma mala, jogar roupas dentro dela.
Ouvia-o deixar cair alguma coisa, praguejar baixinho, recomeçar a arrumar.
Ela permaneceu junto à janela, olhando a escuridão do lado de fora.
O próprio reflexo — pálido, com olheiras escuras, com os lábios fortemente cerrados.
Parecia exausta, mas nos olhos ardia a determinação.
Quarenta minutos depois, Dmitri saiu do quarto com uma mala cheia no ombro.
O rosto estava vermelho e inchado, os olhos inquietos.
— Olya, — chamou ele da porta.
— Eu realmente posso mudar tudo.
Me dá uma semana.
Só uma semana.
Ela se virou e balançou a cabeça.
— Adeus, Dima.
Ele parou, abriu a boca, quis dizer alguma coisa, mas apenas abriu os braços num gesto impotente.
Depois se virou e saiu.
A porta se fechou atrás dele com um clique surdo.
Olga permaneceu imóvel por mais um ou dois minutos.
Depois se aproximou devagar da porta de entrada, trancou-a em todas as fechaduras e apoiou a testa na superfície fria.
Não havia lágrimas.
Só um nó pesado na garganta e uma estranha sensação de liberdade, assustadora pela novidade.
Amanhã ela começará uma nova vida.
Sem gritos, sem acusações, sem o homem que a puxava para o fundo.
Sozinha, mas livre.
Olga foi tomar banho.
A água quente levava embora o cansaço, a tensão, o peso dos últimos meses.
Ela ficou sob o chuveiro pensando em quanta coisa havia pela frente — difícil, desconhecida, mas indiscutivelmente dela.
Quando saiu do banheiro, o apartamento estava em silêncio.
O vazio já não a esmagava — ele respirava.
Perspectiva, esperança, um novo começo.
Olga se deitou na cama, cobriu-se com o cobertor e fechou os olhos.
Pela primeira vez em seis meses, ela estava em paz.
Amanhã será um novo dia.
E ela o enfrentará sem o peso da fraqueza alheia sobre os ombros.







