— Que apartamento grande vocês receberam.

Aqui eu vou ficar bem, — declarou a sogra.

Lena apertava as chaves com tanta força que o metal afundava na palma da mão.

Um apartamento de três quartos na Prospekt Mira.

Oitavo andar.

Setenta e dois metros quadrados.

A tia Valia viveu ali por quarenta anos, e no último ano ficou internada no hospital, e agora aquele apartamento pertencia a Lena — a única sobrinha que a visitava toda semana, levava frutas e lia romances policiais em voz alta para ela.

— Vamos lá ver? — Andrei abraçou a esposa pelos ombros.

— Você quer ir sozinha primeiro?

— Não, vamos juntos.

Eles ficaram em silêncio durante todo o trajeto no metrô.

Lena olhava pela janela do vagão, onde as luzes passavam rapidamente, e pensava no quanto aquele apartamento significava.

Ela e Andrei alugavam um apartamento de um cômodo em Otradnoe — vinte e oito metros, onde o sofá virava cama, e um filho era algo que só podiam sonhar.

“Algum dia, mais para frente”, diziam um ao outro.

“Quando tivermos espaço para viver de verdade.”

O prédio os recebeu com cheiro de tinta fresca — tinham feito reforma havia pouco.

O elevador funcionava sem ruído.

No oitavo andar estava silencioso, só em algum lugar tocava música — baixa, clássica.

A porta se abriu com um rangido.

No hall havia cheiro de velhice e lavanda — tia Valia adorava sachês de ervas.

Lena deu um passo para dentro e parou.

O apartamento era enorme.

Comparado ao apartamento deles em Otradnoe — um verdadeiro palácio.

Um corredor amplo levava a uma sala espaçosa com duas janelas.

À esquerda — dois quartos, à direita — uma cozinha de uns quinze metros, clara, com varanda.

— Meu Deus, — expirou Lena.

Andrei passou pelos cômodos, espiou o banheiro, abriu a porta da varanda.

Voltou com os olhos brilhando.

— Lenka, isso é… isso é simplesmente inacreditável!

Aqui dá para viver!

Aqui dá para criar filhos!

Ela assentiu, sem conseguir falar.

Tinha um nó na garganta.

Tia Valia, obrigada.

Obrigada por ter se lembrado.

Por não ter esquecido.

— Precisamos calcular quanto vai custar a reforma, — Andrei já fazia planos.

— Podemos pegar um empréstimo pequeno.

Melhor ainda!

Mudamos para cá, e aqui…

— Espera, — Lena sentou-se num sofá antigo, coberto com uma tapeçaria desbotada.

— Vamos não ter pressa.

Preciso pensar.

— Pensar em quê? — Andrei sentou-se ao lado dela e pegou sua mão.

— Isso é uma chance, entende?

Durante anos adiamos tudo — o filho, uma vida normal.

E agora…

— Eu sei.

Só me dá um tempo.

À noite, quando voltaram para Otradnoe, Galina Petrovna ligou para Lena.

— O Andriusha disse que vocês foram ver o apartamento, — a voz da sogra soava animada, com notas metálicas.

— Eu também quero ver.

Amanhã eu vou.

Dez da manhã está bom?

Lena fez uma careta.

Galina Petrovna morava num pequeno subúrbio, num apartamento khrushchovka na periferia.

Trabalhara a vida toda como engenheira numa fábrica, criara o filho sozinha e agora, aposentada, considerava ter o direito de participar de todos os assuntos da família.

— Galina Petrovna, talvez não valha a pena… nós mesmos ainda não decidimos o que vamos fazer.

— Ainda mais razão para conversar.

Amanhã às dez eu estarei aí.

Ela chegou sem se atrasar.

Estava vestida de forma prática — com um conjunto esportivo azul-escuro e tênis, com uma grande bolsa a tiracolo.

Cumprimentou secamente, sem beijo no rosto.

— Então, mostrem a herança de vocês.

Foram de novo para a Prospekt Mira.

Durante todo o trajeto Lena se sentiu desconfortável — Galina Petrovna estava sentada com os lábios comprimidos e pensava em alguma coisa.

Seu rosto, normalmente severo, agora parecia especialmente inacessível.

No apartamento, a sogra percorreu metodicamente todos os cômodos.

Olhou dentro dos armários, verificou as torneiras do banheiro, ficou um tempo na varanda.

Voltou para a sala e a observou com um olhar avaliador.

— Que apartamento grande vocês receberam, — disse enfim.

— Aqui eu vou ficar bem.

Lena não entendeu de imediato.

Perguntou de novo:

— O quê… desculpe?

— Estou dizendo que aqui vai ser confortável para eu morar, — Galina Petrovna apontou para um dos quartos.

— Este quarto serve.

As janelas dão para o pátio, é silencioso.

O metrô é perto, a policlínica fica no prédio ao lado.

Os mercados aqui perto são bons, não como onde eu moro.

Lá, para chegar a um mercado decente, tenho de andar meia hora a pé, e na minha idade isso é pesado.

Lena sentiu as costas gelarem.

— A senhora… quer morar aqui?

— Claro.

Já estou com idade, a saúde já não é a mesma.

E aqui tanto a policlínica é ótima quanto os mercados ficam ao lado.

E também será mais tranquilo para você e Andriusha — eu cuido da casa enquanto vocês estiverem trabalhando.

Ela falava como se tudo já estivesse resolvido.

Como se não houvesse nada a discutir.

Andrei estava calado, de pé junto à janela, olhando para o pátio.

Lena via por suas costas tensas que ele não sabia o que dizer.

— Galina Petrovna, — Lena tentava falar com calma, — nós mesmos ainda não decidimos o que faremos com o apartamento.

Talvez a gente o alugue.

Ou venda e compre outra coisa.

— Para que vender? — a sogra franziu a testa.

— É um ótimo apartamento, num bairro excelente.

Claro que vai ser preciso fazer uma reforma, mas isso não é problema.

Eu vou ajudar vocês, tanto com dinheiro quanto na prática.

Tenho algumas economias.

— Não se trata da reforma…

— Então se trata do quê? — Galina Petrovna a encarava diretamente.

— Você tem pena de me ceder um quarto?

Afinal, eu não sou uma estranha.

Sou a mãe do Andrei, aliás.

— Mãe, — finalmente Andrei falou, — vamos não falar disso agora.

Precisamos pensar…

— Pensar em quê? — a sogra elevou a voz.

— Dediquei minha vida inteira a você!

Criei você sozinha, sacrifiquei tudo!

E agora, quando apareceu a chance de você ajudar a própria mãe, você fica pensando?

— Mãe, por favor…

— Não, deixe sua esposa responder! — Galina Petrovna virou-se para Lena.

— Diga logo — você tem pena de mim, não é?

Lena ficou em silêncio.

Havia um zumbido em seus ouvidos.

Ela sabia que precisava dizer algo diplomático, suave, mas as palavras não vinham.

— Eu vou pensar, — conseguiu dizer por fim.

— Pois pense, — a sogra pegou a bolsa.

— Enquanto isso eu vou para casa.

Andrei, você me acompanha?

Eles saíram juntos.

Lena ficou sozinha no grande apartamento vazio.

Sentou-se no sofá e cobriu o rosto com as mãos.

À noite Andrei voltou tarde.

Cheirava a cigarro — ele não fumava havia dois anos, mas, ao que parecia, recaíra.

— Len, — sentou-se ao lado dela, — vamos conversar com calma.

— Sobre o quê? — ela não olhou para ele.

— Sobre a mamãe.

Entende, realmente está difícil para ela morar lá.

Ela caiu recentemente no ponto de ônibus, eu não tinha contado para você.

Ainda bem que as pessoas ajudaram.

Senão teria ficado caída até alguém notar.

— E daí?

— Bem… talvez valha mesmo a pena pensar nisso.

Não seria para sempre.

Enquanto ela ainda consegue se manter de pé.

Depois…

— Depois o quê? — Lena virou-se para ele.

— Andrei, você entende do que está falando?

Sua mãe quer entrar no MEU apartamento.

No apartamento que a minha tia deixou para MIM.

E ela nem sequer pergunta — ela simplesmente impõe como fato consumado!

— É só o jeito dela de se expressar.

Ela não sabe ser delicada.

— Nós dois vivemos há três anos nessa caixa, adiamos o nascimento de um filho, sonhamos com um apartamento normal.

— Lena se levantou e andou pelo quarto.

— E agora ele existe!

Finalmente!

E o que acontece?

Sua mãe já distribuiu os quartos!

— Lena, ela já está com idade…

— Todo mundo tem idade!

A minha mãe também tem idade, e também mora sozinha!

Mas por algum motivo ela não exige um quarto para si!

— Sua mãe é diferente.

— Diferente em quê?

No fato de saber se comportar?

Andrei empalideceu.

— Isso é baixo.

— Baixo é quando uma pessoa chega ao apartamento dos outros e declara que vai morar ali! — Lena sentiu a voz tremer.

— Andrei, diga honestamente.

Você falou disso com ela antes?

— Não!

Juro, eu fiquei em choque quando ela disse aquilo.

— Mas você ficou calado.

— Eu não sabia o que dizer!

— Devia ter dito “não”!

Com firmeza e na hora!

Mas você ficou calado, e agora ela acha que já está tudo decidido!

Eles não se falaram por três dias.

Andrei dormiu na casa de um amigo.

Lena não dormia, repassava aquela conversa na cabeça, imaginava o que poderia ter dito, o que deveria ter dito.

No quarto dia Andrei voltou.

Sentou-se diante dela e colocou as mãos sobre a mesa.

— Len.

Mamãe ligou.

Ela chorou.

— E daí?

— Ela diz que você não gosta dela.

Que sempre a tratou mal.

— Isso não é verdade.

— Eu sei.

Mas é assim que ela sente.

Len, ela tem sessenta e oito anos.

Tem problemas no coração.

Talvez realmente…

— Não, — Lena olhou nos olhos dele.

— Andrei, escute com atenção.

Se sua mãe entrar neste apartamento, eu não vou aguentar.

Não vou conseguir viver com ela.

Não vou conseguir criar filhos sob o controle dela.

Eu a conheço.

Ela vai estar em toda parte, em tudo, sempre.

— Você está exagerando…

— Não.

Eu sei do que estou falando.

Lembra quando ela veio passar uma semana com a gente no ano passado?

Lembra que você mesmo disse que não aguentaria mais?

Andrei ficou em silêncio.

— Foi uma semana, — continuou Lena.

— Uma única semana.

Agora imagine que isso seja para sempre.

— Não para sempre.

Até ela…

— Até o quê?

Até morrer?

Andrei, você está ouvindo o que está dizendo?

Você está me propondo esperar sua mãe morrer?

— Não foi isso que eu quis dizer!

— Então o que foi?

O que você quis dizer?

Ele cobriu o rosto com as mãos.

— Eu não sei.

É só que… ela é minha mãe.

A única pessoa de sangue que eu tenho, além de você.

— E eu entendo, — Lena pegou sua mão.

— Entendo.

Mas isso não significa que devamos sacrificar a nossa vida.

Podemos ajudá-la — com dinheiro, indo visitá-la, trazendo-a para passar fins de semana conosco.

Mas morar juntos… Andrei, isso vai matar o nosso casamento.

— Você é tão categórica…

— Porque eu sei.

Eu vejo como ela fala com você.

Como manipula.

Como pressiona sua culpa.

— Ela não manipula!

Ela simplesmente…

— O quê?

Simplesmente ama você? — Lena soltou a mão dele.

— Amor não é controle.

Amor é respeito.

E sua mãe não respeita nem a mim, nem a você, nem os nossos limites.

Andrei levantou-se e foi até a janela.

— O que você propõe?

— Dizer não a ela.

Explicar que somos gratos, que entendemos, mas que o apartamento é necessário para nós.

Para nós.

Para os nossos futuros filhos.

— Ela não vai aceitar isso.

— Então que não aceite.

Mas a decisão é nossa.

— Ela vai se magoar.

Vai parar de falar comigo.

— É possível, — Lena aproximou-se dele.

— E isso será doloroso.

Mas será uma escolha dela, não nossa.

— Lena…

— Andrei, eu quero um filho.

Quero uma família.

Quero morar neste apartamento e ser feliz.

Mas não ao preço da minha saúde e do nosso relacionamento.

Ele ficou em silêncio por um longo tempo.

Depois a abraçou.

— Estou com medo.

— Eu também.

— Mas você tem razão.

Eles telefonaram para Galina Petrovna no dia seguinte.

Encontraram-se num café — território neutro.

A sogra chegou em trajes completos — com um terno rigoroso, penteado arrumado.

Lena entendeu: ela se preparara para a batalha.

— Mãe, — começou Andrei, e Lena percebeu como sua voz tremia.

— Queremos conversar.

— Estou ouvindo, — Galina Petrovna cruzou as mãos sobre a bolsa.

— Decidimos que o apartamento é necessário para nós.

Queremos nos mudar para lá e… bem, no futuro, filhos…

— Então não há lugar para mim, — a sogra disse isso de forma uniforme, mas Lena viu como os nós dos dedos dela ficaram brancos.

— Mãe, nós podemos ajudar.

Com dinheiro, visitando…

— Eu não preciso do dinheiro de vocês, — ela se levantou.

— Eu precisava do meu filho.

Mas, ao que parece, já não o tenho mais.

— Mãe, por favor…

— Eu dei a minha vida inteira a você! — a voz falhou.

— A vida inteira!

Abri mão de tudo — da vida pessoal, da carreira!

Só por sua causa!

E você…

— Galina Petrovna, — interveio Lena, — ninguém pediu à senhora que abrisse mão da sua vida.

A sogra olhou para ela com tanto ódio que Lena involuntariamente recuou.

— Você, — sibilou Galina Petrovna, — você o colocou contra mim.

Você me tirou meu filho.

— Não, — Lena forçou-se a falar com calma.

— Eu não tirei ninguém.

Eu só quero viver a minha vida.

E quero que Andrei também possa viver a dele.

— A dele? — a sogra riu amargamente.

— Vocês vivem com o meu dinheiro!

Eu dei dinheiro para o casamento de vocês, eu ajudei a comprar móveis!

— E nós somos gratos, — disse Andrei.

— Mamãe, somos realmente gratos.

Mas isso não significa que devamos…

— Vocês me devem tudo! — ela gritou isso tão alto que as pessoas no café se viraram.

— Tudo, entende?

Eu pari você, criei você, eduquei você!

E o que recebo em troca?

Traição!

— Mãe…

— Não ouse me chamar de mãe!

Agora você tem outra família! — ela agarrou a bolsa.

— Vivam como quiserem.

Mas não apareçam mais na minha casa.

Eu não sou necessária a vocês!

Ela foi embora, batendo a porta com força.

Andrei ficou sentado pálido, com o olhar vazio.

— Ela não pensa isso de verdade, — sussurrou ele.

— Ela só ficou chateada.

— Andrei, — Lena cobriu a mão dele com a sua, — ela é uma pessoa adulta.

Ela mesma é responsável pelas palavras que diz.

— Mas…

— Sem “mas”.

Fizemos o que precisávamos fazer.

Ele assentiu, mas ela via: doía nele.

Doía tanto que dava vontade de voltar atrás, concordar com tudo, só para não ver aquela dor.

Mas Lena sabia: se cedessem agora, depois só seria pior.

Galina Petrovna não ligou por duas semanas.

Depois ligou, mas falava só com Andrei — brevemente, secamente, sobre o tempo e a saúde.

Às perguntas sobre como iam as coisas, respondia: “Normal. Sobrevivendo.”

Andrei ficava sombrio cada vez depois dessas ligações.

Lena via como aquilo o corroía, mas se calava.

Sabia: ele mesmo precisava atravessar aquilo.

Um mês depois eles começaram a reforma.

Contrataram uma equipe, fizeram um plano.

O apartamento se transformava — de apartamento de avó, com tapetes pesados e papel de parede escuro, tornava-se claro, moderno, deles.

Lena ficou de pé no meio do futuro quarto infantil e imaginava: aqui o berço, aqui o armário de brinquedos, aqui a cômoda para as coisas do bebê.

E pela primeira vez em muito tempo sentiu que aquilo era possível.

Que era real.

— Em que está pensando? — Andrei a abraçou por trás.

— No futuro.

— Bom?

— Sim, — ela se virou para ele.

— Muito bom.

— Mamãe ligou, — ele fez uma pausa.

— Perguntou como ia a reforma.

— E o que você respondeu?

— Que bem.

Que em breve terminaremos.

— Ela disse mais alguma coisa?

— Disse que… que gostaria de ver.

Quando estivesse pronto.

Lena se retesou.

— E?

— Eu disse que claro.

Que ela sempre pode vir nos visitar.

— Nos visitar, — repetiu Lena.

— Você falou exatamente assim?

— Sim.

E ela… ela chorou.

— Andrei…

— Mas depois concordou.

Disse que sim, claro, visitar.

Lena o abraçou com força.

— Vai ficar tudo bem.

— Você acha?

— Eu sei.

A reforma terminou em outubro.

O apartamento ficou exatamente como eles sonhavam — claro, espaçoso, acolhedor.

Galina Petrovna veio à inauguração com um bolo enorme.

— Está bonito, — disse ela, percorrendo os cômodos.

— Muito bonito.

Lena esperava alguma armadilha, mas não houve nenhuma.

A sogra bebia chá, contava histórias dos vizinhos, perguntava sobre o trabalho.

Mantinha certa distância, mas sem frieza.

Quando ia embora, Andrei se ofereceu para acompanhá-la.

— Não precisa, — Galina Petrovna o deteve.

— Eu vou sozinha.

Ela vestiu o casaco, abotoou os botões.

Depois olhou para Lena.

— O apartamento ficou bom.

— Obrigada.

— As crianças vão ficar bem aqui.

Lena assentiu, sem saber o que dizer.

— Acho que eu não estava certa, — disse a sogra em voz baixa, olhando para o lado.

— Quando exigi.

Era o seu apartamento.

A sua herança.

— Galina Petrovna…

— Não, me deixe falar.

Eu… eu estava com medo.

Sozinha.

E pensei… mas foi egoísta da minha parte.

— A senhora é sempre bem-vinda, — disse Lena.

— É verdade.

A sogra assentiu.

— Eu sei.

Obrigada.

Ela foi embora.

Andrei fechou a porta atrás dela e se encostou nela de costas.

— Isso foi…

— Sim, — Lena o abraçou.

— Isso foi importante.

À noite, eles estavam deitados no novo quarto, na nova cama, olhando para o teto.

— Você acha, — perguntou Andrei, — que conseguimos?

— Em quê?

— Bem… em tudo isso.

Com a mamãe.

Com o apartamento.

Lena virou-se para ele.

— Fizemos o que precisávamos fazer.

Defendemos a nossa vida.

— Foi difícil.

— Sim.

Mas conseguimos.

— Juntos.

— Juntos, — ela o beijou.

— E agora temos uma casa.

Uma casa de verdade.

Para nós.

E para os nossos filhos.

Andrei a abraçou mais forte.

— Eu amo você.

— E eu amo você.

Lá fora a cidade fazia ruído.

No apartamento havia cheiro de tinta fresca e de vida nova.

E Lena sabia: tudo ficaria bem.

Porque eles escolheram um ao outro.

Porque eles escolheram a si mesmos.

E essa tinha sido a escolha certa.