Marina ouviu o som familiar das chaves na fechadura e ficou imóvel diante do fogão.
O borsch fervilhava na panela, como se pressentisse a catástrofe que se aproximava.

Será que ela tinha esquecido de devolver as chaves reserva?
— Oi, meus queridos! — soou a voz de Valentina Petrovna no corredor.
— Só passei por uma horinha, para ver como vocês estão!
Marina apertou a concha com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Só por uma horinha?
Essa mulher não conhecia a palavra “horinha”.
Para ela, só existiam “dias”, “semanas” e “até eu me cansar”.
— Mãe, você tinha que avisar antes! — veio a voz de Igor da sala.
Ele falava com o tom de quem já estava cansado de repetir sempre a mesma coisa.
— O quê, por acaso eu sou uma estranha? — Valentina Petrovna deslizou até a cozinha como um cruzador de guerra pronto para o ataque.
— Marina, querida, que cheiro é esse?
É borsch, por acaso?
Marina se virou e forçou o sorriso mais falso de que era capaz:
— Sim, Valentina Petrovna.
De beterraba.
— Ah, mas você sabe que o Igor não gosta de beterraba desde criança?
Eu já te falei isso umas cem vezes!
Ele precisa de borsch sem beterraba, com mais repolho e obrigatoriamente com carne bovina.
Não com esse… — ela apontou com desprezo para o fogão, — frango.
Marina sentiu algo se romper dentro dela.
Como uma mola comprimida por tempo demais.
— Valentina Petrovna, a senhora disse “por uma horinha”.
Então o borsch não vai lhe fazer falta.
A sogra balançou a cabeça com o ar de alguém que não é compreendido de jeito nenhum:
— Querida, como você é literal!
“Uma horinha” é só modo de dizer.
Eu também posso ficar mais tempo, se precisarem de mim.
Aliás, onde estão minhas pantufas?
— Que pantufas? — Marina se surpreendeu de verdade.
— Como que pantufas?
Aquelas que eu deixei da outra vez.
Rosas, com pompons.
Eu falei que ia deixá-las aqui, para qualquer eventualidade.
Igor apareceu na porta da cozinha com uma expressão culpada:
— Mãe, a gente colocou elas no armário.
Já vou pegar.
— Não precisa! — disse Marina bruscamente.
— Valentina Petrovna só veio por uma hora.
Pode ficar com os sapatos de rua.
Fez-se silêncio.
Valentina Petrovna olhava para a nora como se ela tivesse sugerido que dançasse cancan num banheiro público.
— Igor, — disse ela num tom gelado, — sua esposa é sempre tão… hospitaleira?
— Marina, qual é! — Igor se agitava entre as duas mulheres como uma bolinha de tênis.
— Mãe, já vou trazer tudo.
— Não traga nada! — explodiu Marina.
— Que ela diga sinceramente: veio por uma hora ou não?
Valentina Petrovna se endireitou em toda a sua nada pequena estatura:
— Eu vim visitar meu filho.
E quanto tempo vou precisar para isso, eu mesma decido.
Ou você tem alguma objeção?
— Tenho! — Marina deixou a concha de lado e se voltou inteiramente para a sogra.
— Toda vez a senhora diz “por uma horinha”, e fica o dia inteiro.
Da última vez, a senhora veio “por uma horinha” no sábado de manhã e foi embora no domingo à noite!
— E o que há de errado nisso?
Eu estava ajudando vocês!
Cozinhando, limpando, lavando seus trapos…
— Minhas roupas, — corrigiu Marina entre os dentes.
— Tá bom, roupas, roupas.
Não fique se apegando às palavras.
O importante é que eu fazia boas ações.
Igor tossiu nervosamente:
— Meninas, talvez a gente não precise brigar?
A mãe realmente ajuda a gente.
Marina olhou para o marido com um espanto tão grande, como se ele de repente tivesse começado a falar chinês:
— Ajuda?
Igor, ontem ela lavou toda a roupa de novo, porque, segundo ela, eu não tinha enxaguado direito!
— Mas realmente você não enxaguou direito, — interveio Valentina Petrovna.
— Ficou sabão nos tecidos.
Isso faz mal para a pele!
Especialmente para a do Igor, ele tem alergia.
— Que alergia?! — Marina estava pronta para subir pelas paredes.
— Ele nunca teve alergia nenhuma!
— Teve, sim.
Na infância.
Só que você não sabe.
A mãe conhece melhor o próprio filho.
— Igor! — Marina se virou para o marido.
— Fala alguma coisa!
Defende sua esposa!
Igor estava ali parado como um soldadinho de chumbo, alternando o olhar entre uma mulher e a outra.
— A mamãe tem razão, Marina, — disse Igor quase inaudivelmente.
— Eu realmente tive alergia.
A alguns sabões em pó.
Marina fitou o marido como se ele tivesse se transformado num alienígena.
Será que aquele homem, com quem ela vivera cinco anos, tinha mesmo ficado do lado da mãe contra a própria esposa?
— Maravilha! — Marina bateu palmas tão alto que Igor se assustou.
— Então a sua mãezinha está certa e sua esposa é uma idiota!
Talvez então a sua mãezinha devesse cozinhar, lavar e limpar para sempre?
E eu estou fazendo o quê aqui, afinal?
— Não exagere, por favor, — Valentina Petrovna sentou-se numa cadeira com o ar de uma rainha concedendo audiência aos súditos.
— Eu não estou dizendo que você é uma dona de casa ruim.
Só… ainda inexperiente.
Igor está acostumado com uma certa ordem.
— Que ordem é essa, exatamente? — a voz de Marina subia cada vez mais.
— Por exemplo, o café da manhã dele tem que ser às sete da manhã.
Aveia com leite, sem açúcar, mas com mel.
E obrigatoriamente chá verde, não preto.
Por algum motivo, você sempre esquece o chá.
Marina abriu a boca para dizer que Igor nunca lhe contara isso, mas a sogra continuou sua palestra:
— E as camisas também.
Elas devem ficar penduradas no armário por cor: à esquerda as brancas, depois as azuis, depois as outras.
E você pendura tudo de qualquer jeito.
— Valentina Petrovna, — Marina tentou se controlar, — a senhora entende que esta é A MINHA casa?
A MINHA família?
E o MEU marido?
A sogra sorriu com condescendência:
— Querida, Igor é meu filho.
E continuará sendo meu filho mesmo quando você… — ela fez uma pausa significativa, — quando o relacionamento de vocês acabar.
— Mãe! — pela primeira vez em toda a conversa, uma nota de indignação soou na voz de Igor.
— O que a senhora está dizendo?
— E o que foi?
As estatísticas de divórcio são tristes.
Especialmente quando a esposa não sabe criar aconchego.
A Svetka, nossa vizinha, tinha um filho que se casou com uma mocinha tão… peculiar quanto você.
Eles sofreram por dois anos e depois se separaram.
Agora ele vê os netos só nos fins de semana.
Marina sentiu um incêndio se acender dentro dela.
Aquela mulher não estava apenas estragando seu humor — ela estava destruindo seu casamento de propósito!
— Sabe de uma coisa, — disse Marina com uma voz calma que, por algum motivo, deixou Igor em alerta, — talvez a senhora tenha razão.
Talvez eu realmente seja uma esposa ruim.
E, já que a senhora se preocupa tanto com o seu filho, então fique.
Prepare para ele os cafés da manhã certos, pendure as camisas por cor, lave tudo com o sabão perfeito.
— Marina, o que houve com você? — Igor finalmente começou a se preocupar de verdade.
— E eu vou para a casa da minha mãe.
Por um bom tempo.
Vou pensar no nosso relacionamento.
— Está vendo, Igorzinho, — Valentina Petrovna balançou a cabeça, — eu te disse que ela é desequilibrada.
Esposas normais não correm para a casa da mãe por qualquer coisinha.
— Coisinha?! — Marina se virou para a sogra.
— A senhora chama de coisinha a interferência constante na nossa família?
A senhora aparece sem avisar, critica tudo o que eu faço, refaz as tarefas domésticas atrás de mim e vira o seu filho contra a esposa!
E isso é uma coisinha?
— Eu defendo os interesses do meu filho! — Valentina Petrovna se levantou, e parecia que uma faísca passava entre as duas mulheres.
— Você não vê?
Ele está emagrecendo, anda pálido!
Está claro que você não o alimenta direito!
Igor instintivamente encolheu a barriga, embora perder um pouco de peso não lhe fizesse mal.
— Ele está emagrecendo por causa do estresse! — disparou Marina.
— Por causa das suas visitas constantes!
— Como você se atreve!
Eu sou a mãe dele!
Eu tenho o direito…
— A senhora tem o direito de ser mãe, mas não de ser a segunda esposa!
Fez-se um silêncio ensurdecedor.
Até o borsch parou de fervilhar, como se estivesse ouvindo o drama que se desenrolava.
— Igor, — disse Valentina Petrovna num tom glacial, — você ouviu o que sua esposa disse?
Ela insultou sua mãe.
— Eu disse a verdade! — Marina já não controlava o volume da voz.
— A senhora se comporta como uma esposa ciumenta!
Fiscaliza como eu cozinho, como eu limpo, como eu cuido do meu marido!
E ele fica calado e permite tudo isso!
— Marina, se acalma, — Igor tentou pegar a mão da esposa, mas ela a puxou de volta.
— Não encoste em mim!
Você fez a sua escolha.
Viva com a sua mãe.
Eu não vou mais suportar essa humilhação.
Marina correu até o fogão e desligou a boca.
O borsch já não fervilhava mais — parecia congelado à espera do desfecho da tragédia familiar.
— Maravilha! — Valentina Petrovna bateu palmas.
— Eis a verdadeira natureza da esposa!
Na primeira dificuldade, já corre para a casa da mãe!
E a família?
E as obrigações?
— Que obrigações? — Marina se virou com uma expressão tão dura que Igor involuntariamente deu um passo para trás.
— Ser escrava dentro da minha própria casa?
Ouvir seus sermões sobre como eu vivo errado com o meu próprio marido?
— Eu estou te ensinando a ser uma boa esposa!
— Valentina Petrovna, e quem ensinou a senhora a ser uma boa sogra? — a voz de Marina ficou perigosamente baixa.
— Porque a senhora consegue isso de um jeito simplesmente horrível.
A sogra ergueu as mãos:
— Igor!
Você está ouvindo como ela fala comigo?
Sua mãe te criou por vinte e oito anos, e ela chega e…
— E daí? — interrompeu Marina.
— E estraga a sua família perfeita?
E impede a senhora de controlar um homem adulto?
Igor, quantos anos você tem?
Vinte e oito ou oito?
Igor corou até a raiz do cabelo:
— Marina, não parta para ataques pessoais.
— Eu que estou partindo para ataques pessoais?! — ela riu, mas aquele riso soou amargo.
— Sua mãe está há seis meses me dizendo que eu sou uma dona de casa ruim, uma esposa incapaz, uma nora inadequada.
E isso não é ataque pessoal?
— Querida, eu digo isso com as melhores intenções, — Valentina Petrovna estampou no rosto uma expressão de cuidado maternal.
— Quero te ajudar a ser melhor.
— Sabe o que eu entendi? — Marina se apoiou na geladeira e olhou fixamente para a sogra.
— A senhora não quer que eu fique melhor.
A senhora quer que eu vire a senhora.
Que eu cozinhe como a senhora, limpe como a senhora e crie o seu filho como a senhora.
Mas então para que ele precisa de esposa?
Que fique com a senhora para sempre!
— E talvez seja verdade? — disse de repente Valentina Petrovna, pensativa.
— Talvez tenha sido cedo demais para ele se casar?
Eu falei isso — cedo demais!
Primeiro ele tinha que comprar um apartamento melhor, fazer carreira…
— Mãe! — Igor finalmente explodiu.
— Chega!
Eu tenho vinte e oito anos!
Eu decido quando casar e com quem!
— Ah, decide? — Marina se virou para o marido.
— Então por que você deixa ela se meter no nosso casamento?
Por que não consegue defender sua própria esposa dos insultos?
— Que insultos?
Mamãe só…
— Mamãe só o quê? — a voz de Marina ficava cada vez mais baixa e perigosa.
— Mamãe só diz que eu cozinho mal, limpo mal, pareço mal e, no geral, não sou adequada para o filhinho precioso dela?
E você concorda com isso?
Igor ficou em silêncio.
E aquele silêncio disse mais do que quaisquer palavras.
— Entendi, — assentiu Marina.
— Então você concorda.
Ela caminhou em direção à saída da cozinha, mas a sogra bloqueou seu caminho:
— Aonde você pensa que vai?
Vai deixar o borsch pela metade?
O Igor vai ficar com fome?
— Valentina Petrovna, a senhora cozinha melhor do que eu.
Termine de fazer a sopa a senhora mesma.
Aliás, cozinhe sempre para ele de agora em diante.
Ele está acostumado com a comida da mamãe.
— Marina, pare! — Igor finalmente saiu do lugar e tentou impedir a passagem da esposa.
— Para onde você vai?
Vamos conversar direito!
— Direito? — ela sorriu com ironia.
— Igor, em cinco anos de casamento você nunca conversou direito com a sua mãe sobre limites.
Você deixa que ela venha sem avisar, me critique, refaça meu trabalho doméstico.
E quando eu fico indignada, você fica do lado dela!
Sobre o que exatamente vamos conversar direito?
— Mas ela só… quer ajudar!
— Igor, — Marina parou e olhou diretamente nos olhos do marido, — se até agora você não entende a diferença entre ajuda e controle, então realmente não temos nada para conversar.
Valentina Petrovna sorriu triunfante:
— Está vendo, filhinho, como ela é intransigente?
Não quer fazer concessões, não quer aprender…
— E a senhora quer fazer concessões? — Marina se virou para a sogra.
— Está pronta para parar de aparecer sem avisar?
Está pronta para parar de criticar a minha comida e a minha limpeza?
Está pronta para parar de refazer meu trabalho doméstico?
Valentina Petrovna bufou:
— E se eu vejo que algo está sendo feito errado, devo ficar calada?
O Igor está sofrendo!
— Está tudo claro, — assentiu Marina.
— Compromissos só são exigidos de mim.
Ela passou pelo marido e entrou no quarto.
Um minuto depois, vieram de lá sons de portas de armário se abrindo e do farfalhar de sacolas.
— O que ela está fazendo? — sussurrou Igor.
— Arrumando as coisas, pelo visto, — respondeu Valentina Petrovna com indiferença.
— E que vá.
Talvez seja até melhor assim.
Vai rodar um pouco por aí, vai entender que em casa é bom.
Mas de repente Igor sentiu que algo irreparável estava acontecendo.
Algo depois do qual não haveria mais volta à vida de antes.
Igor estava no corredor, ouvindo os sons vindos do quarto, e de repente entendeu: Marina não estava apenas arrumando algumas coisas para uns dois dias.
Ela estava fazendo a mala de verdade, como alguém que vai embora por muito tempo.
Ou para sempre.
— Marina! — ele correu para o quarto, mas a esposa já saía de lá com uma grande mala de viagem nas mãos.
— Não tente me impedir, — disse ela calmamente.
— Eu já decidi tudo.
— Mas você não pode simplesmente pegar e ir embora!
Nós somos uma família!
Temos planos!
Marina parou e olhou para o marido com pena:
— Que planos, Igor?
Sua mãe já planejou tudo por nós.
Como eu devo preparar o café da manhã, como devo pendurar as camisas, como devo limpar o apartamento.
E você concordou com todos os planos dela.
— Marina, querida, — interferiu Valentina Petrovna, aproximando-se, — por que você está agindo assim, como uma criança?
Todas as famílias passam por um período de adaptação.
Você vai ficar uma semaninha na casa da sua mãe, vai esfriar a cabeça e voltar…
— Eu não vou voltar, — cortou Marina.
— Pelo menos enquanto nada aqui mudar.
— E o que precisa mudar? — perguntou Igor, sinceramente surpreso.
Marina riu — amarga e desesperançada:
— Você está perguntando o que precisa mudar?
Igor, você precisa se tornar marido, e não filho!
Precisa proteger sua família, e não permitir que sua mãe a destrua!
— Mas ela não está destruindo nada!
Ela está ajudando!
— Ajudando? — Marina pôs a mala no chão e cruzou os braços sobre o peito.
— Ótimo.
Então me diga com sinceridade: você é feliz no nosso casamento?
Igor se atrapalhou:
— Claro que sou feliz…
Quer dizer, no geral, sim…
— No geral? — repetiu Marina.
— E o que não te satisfaz?
— Bem… às vezes você realmente faz o borsch um pouco forte demais…
E as camisas poderiam ser penduradas com mais cuidado…
Valentina Petrovna assentiu com aprovação, e Marina empalideceu.
— Entendi, — sussurrou ela.
— Então eu realmente sou uma esposa ruim.
Então sua mãe tem razão em tudo.
— Marina, não foi isso que eu quis dizer!
— Foi exatamente isso que você quis dizer! — a voz da esposa falhou.
— Cinco anos, Igor!
Cinco anos tentando ser uma boa esposa, aprendendo a cozinhar seus pratos favoritos, criando aconchego na nossa casa.
E em cinco anos você nem percebeu o quanto eu me esforço!
Mas percebeu imediatamente que a mamãe cozinha melhor!
— Marina, mas o que a mamãe tem a ver com isso…
— Tem tudo a ver, porque você me compara com ela o tempo todo!
E nessa comparação eu sempre perco!
Valentina Petrovna sorria triunfante:
— Finalmente você entendeu!
Experiência é uma grande coisa.
Passei trinta anos cozinhando para o pai do Igor, conheço todos os hábitos dele…
— Cale-se! — explodiu Marina.
— Cale-se de uma vez!
A senhora destruiu meu casamento e ainda se orgulha disso!
— Eu salvei meu filho de uma esposa inadequada!
— Mãe! — Igor finalmente levantou a voz para a mãe.
— Chega!
Marina é minha esposa e eu a amo!
— Ama? — Marina olhou para o marido com um sorriso amargo.
— Então por que não a defende?
Por que permite que sua mãe fale essas coisas sobre mim?
Igor ficou em silêncio, alternando o olhar entre a esposa e a mãe.
— Exatamente, — assentiu Marina.
— Você não consegue escolher entre nós.
E sabe de uma coisa?
Eu vou escolher por você.
Viva com a sua mãe.
Ela cozinha melhor que eu, limpa melhor e entende você melhor.
O casal perfeito.
Ela pegou a mala e foi em direção à saída.
— Marina, espera! — Igor correu atrás dela.
— O que você está fazendo?
Isso é uma loucura!
Volta, vamos conversar sobre tudo!
— Conversar? — ela se virou já perto da porta.
— Igor, eu estou cansada de conversar.
Estou cansada de provar meu direito de ser esposa dentro da minha própria casa.
Estou cansada de competir com a sua mãe pelo seu amor.
— Mas você não está competindo…
— Estou, sim!
E perco todos os dias!
Toda vez que você concorda com as críticas dela.
Toda vez que você permite que ela se intrometa na nossa vida.
Toda vez que escolhe o lado dela.
Marina abriu a porta e se virou pela última vez:
— Sabe no que eu pensei?
Talvez sua mãe tenha razão.
Talvez realmente não sejamos compatíveis um com o outro.
Mas não porque eu seja uma esposa ruim.
E sim porque você não está pronto para ser marido.
A porta se fechou.
Igor ficou parado na entrada, olhando para a porta fechada, enquanto da cozinha vinha a voz da mãe:
— Pronto, melhor assim!
Agora vamos viver normalmente!
Vou terminar o borsch, e amanhã vou ao mercado comprar os produtos como deve ser…
Mas Igor já não a ouvia.
Ele pensava que, na manhã seguinte, Marina não o acordaria às sete, não lhe serviria o café da manhã nem passaria sua camisa.
E que, talvez, nunca mais fizesse isso.
Enquanto isso, Valentina Petrovna se acomodava no sofá, tirando as pantufas da bolsa.
— Veio só por uma horinha, — murmurou Igor.
— O que foi que você disse, meu filho?
— Nada, mãe.
Nada.
Na manhã seguinte, Marina entrou com o pedido de divórcio.







