— Katya, talvez já esteja na hora de você entrar em licença-maternidade? — observou com cautela Galina Petrovna.
— Olhe para você: está pálida, com as mãos tremendo.

— E, pelo tempo de gravidez, já passou da hora faz muito tempo.
Katerina abaixou automaticamente o olhar para os dedos, que de fato tremiam levemente enquanto seguravam uma caneca de chá já frio havia muito tempo.
O sétimo mês estava sendo pesado — a toxemia não tinha passado, à noite as pernas inchavam, e no trabalho ela precisava ficar em pé quase o dia todo.
— E o dinheiro?
— E o salário? — ela balançou a cabeça.
— Os pagamentos da licença-maternidade são miseráveis, Galina Petrovna.
— Roma sozinho não vai dar conta de tudo.
— Vou trabalhar mais um pouco, pelo menos mais um mês…
A sogra acenou com a mão.
— Você está carregando uma criança, o filho dele.
— Que Roman pense em como sustentar vocês.
— Ele é homem ou não é?
Ela não tinha forças para discutir.
Uma semana depois, Katerina cedeu: escreveu o pedido, recolheu suas coisas do armário e saiu pelo portão com uma sensação incomum de vazio.
Os primeiros dias foram estranhos — não precisava levantar às seis da manhã, correr para o ônibus, ficar em pé na esteira.
Mas, aos poucos, ela começou a se recuperar.
Passou a dormir melhor, a caminhar no parque, a preparar comida de verdade em vez de beliscar qualquer coisa correndo.
As bochechas ficaram rosadas, a náusea recuou, e na consulta até a médica se surpreendeu — os exames tinham voltado ao normal.
O filho nasceu no começo de março — forte, barulhento, com três quilos e setecentos.
Katerina estava deitada no quarto do hospital e não conseguia acreditar que aquele serzinho minúsculo era seu filho, seu Misha.
O primeiro ano passou como um borrão: noites sem dormir, mamadas de três em três horas, lavagens sem fim e embalos intermináveis.
Depois, ela nem conseguia lembrar quando tinha dormido direito ou comido com calma pela última vez.
Toda a sua existência se concentrou numa única coisa — no filho.
O choro dele, o sono dele, o primeiro sorriso, o primeiro dente.
O dinheiro do auxílio vinha, mas sumia imediatamente — fraldas, fórmulas, remédios para cólica.
Roman trabalhava, trazia dinheiro para casa, e Katerina era sinceramente grata a ele.
Sem nenhum pensamento oculto.
O marido sustenta a família — é assim que deve ser.
Quando Misha fez três anos, ela voltou ao trabalho.
Novo turno, novo parceiro de trabalho, mas as mãos logo se lembraram dos movimentos de sempre.
O primeiro salário depois da pausa — ela segurava o envelope e não conseguia conter a alegria.
Não era muito dinheiro, mas era seu.
Comprou botas para o filho, para si mesma aquele batom com que sonhava desde antes da licença-maternidade, e fez o borsch favorito de Roma.
À noite, os três estavam sentados à mesa.
Misha mexia distraidamente na colher, Roman comia em silêncio.
Uma noite comum…
— Katya, — Roman empurrou o prato para o lado, — quando você pretende me pagar a dívida?
Katerina ficou paralisada.
— Que dívida?
Ele pegou o celular e mostrou a tela:
— Olha.
— Eu anotei tudo.
Na tela havia uma tabela: datas, valores, observações.
Compras, contas da casa, fraldas, remédios, roupas, carrinho, cadeirinha de carro.
Três anos de vida — em números.
— Novecentos e quarenta mil.
— Quase um milhão, — disse ele calmamente.
— Durante todo esse tempo eu sustentei a família sozinho.
Katerina olhava para ele e não o reconhecia.
Parecia a mesma pessoa, mas por dentro — era um estranho.
— Roma, eu estava em licença-maternidade…
— Eu estava criando o nosso filho!
— E tudo bem, — ele assentiu.
— Mas família é divisão igual.
— Você não trabalhou durante três anos, eu trabalhei por dois.
— Agora é a sua vez de compensar.
Misha começou a pedir para ir ver desenhos.
Katerina limpou mecanicamente a boca dele e o deixou ir.
— Já faz tempo que eu quero trocar de carro, — continuou Roman.
— Então, quando vem o dinheiro?
— Espera só mais um pouco… — disse ela baixinho.
— Eu vou devolver.
Ele ficou satisfeito e começou a falar sobre o trabalho.
Mas, por dentro, nela tudo tinha mudado.
A gratidão desapareceu.
Ficou apenas uma sensação fria e dura — desprezo.
Por um homem que contava cada centavo gasto com o próprio filho.
Um mês depois, ele lembrou de novo:
— Katya, então?
— Em breve…
Ela esperou o dia em que ele saiu para o trabalho e começou a arrumar as coisas.
Primeiro, as coisas de Misha.
Depois, as suas.
Duas malas e alguns sacos — toda a vida deles.
O apartamento alugado os recebeu com vazio.
Misha corria pelo quarto, feliz com o eco.
E Katerina sentou no chão e finalmente começou a chorar.
Uma hora depois, o telefone tocou.
— Onde você está?! — gritava Roman.
— Estou em casa, e aqui está tudo vazio!
— Onde vocês estão?!
— Eu pedi o divórcio, Roma.
Ele riu.
— Você enlouqueceu?
— Você mesmo disse que eu lhe devia.
— Então cobre isso na Justiça.
— E eu vou pedir pensão alimentícia.
— Sua… interesseira! — gritou ele.
— Eu sustentei você!
Katerina desligou a ligação.
O telefone continuou vibrando, mas ela o deixou de lado e foi até o filho.
Agora só uma coisa importava — a tranquilidade dele.
O divórcio durou três meses.
Roman apareceu no tribunal com a tabela impressa.
— O senhor quer cobrar da ex-esposa as despesas com a criança? — esclareceu a juíza.
— Com a família, — corrigiu ele.
— Ela estava em licença para cuidar da criança.
— Não há fundamento.
— Pedido indeferido.
A pensão alimentícia foi fixada imediatamente.
Roman saiu sem olhar para ela.
Na escada, Galina Petrovna a alcançou.
— Katya… me perdoe.
— Tenho vergonha do meu filho.
Katerina ficou em silêncio.
— Posso ver o Misha?
— Por favor…
Katerina ficou calada por um instante e depois assentiu:
— Claro.
— Eu me divorciei do Roma, não da senhora.
Ela saiu para a rua.
À sua frente começava uma nova vida.







