— Nós saímos juntos quatro vezes, Artióm!

Quatro!

E você já quer tomar o meu apartamento?!

— Nós saímos juntos quatro vezes, Artióm, — eu disse baixinho, olhando para os papéis que ele tinha colocado diante de mim sobre a mesa.

— Quatro.

E você já quer tomar o meu apartamento?

Ele não se constrangeu.

Nem sequer baixou os olhos.

Apenas se recostou na poltrona e entrelaçou os dedos, como um advogado numa negociação.

— Lena, não é assim que isso soa.

— E como isso soa? — empurrei a folha de volta para ele.

— Me explica como isso soa.

Lá fora, caía a chuva de abril.

Miúda, insistente, aborrecida, igual a tudo o que vinha acontecendo nas duas últimas semanas.

Eu olhava para Artióm Volkov e tentava entender em que exato momento deixei de ver uma pessoa e comecei a ver um esquema.

Porque agora, diante de mim, estava exatamente um esquema.

Bem embalado, cheirando bem, com covinhas no rosto que, por pura ingenuidade minha, eu tinha tomado por sinceridade.

Tenho quarenta e sete anos.

Não sou uma menina.

Passei por um divórcio, pela morte da minha mãe, pela falência do meu ex-marido, que quase me arrastou para o fundo junto com ele.

Com as minhas próprias mãos, tirei este apartamento debaixo das dívidas dele, passei três anos na justiça, virei noites sem dormir, li fóruns jurídicos de madrugada e, no fim, venci.

Este apartamento é a minha fortaleza.

Os meus cento e quatorze metros quadrados de silêncio e segurança.

E agora Artióm Volkov coloca diante de mim documentos sobre uma parceria comercial com garantia imobiliária.

Depois de quatro encontros.

Nós nos conhecemos em fevereiro, no aniversário de Sveta Korshunova.

Sveta é minha amiga desde a escola, divorciada duas vezes, e considera seu dever organizar a vida amorosa de todo mundo ao redor.

Artióm apareceu como “amigo de um amigo”, ou seja, uma pessoa que ninguém conhece de verdade, mas todos fingem conhecer muito bem.

Ele era encantador.

Não de forma invasiva, não meloso — exatamente do jeito que agrada às mulheres da nossa idade.

Calmo, com humor, com capacidade de ouvir.

Tinha cinquenta e dois anos, aparentava quarenta e cinco, falava sobre negócios sem ostentação, como se estivesse apenas contando sobre a própria vida.

— Trabalho com materiais de construção, — disse ele quando acabamos lado a lado perto da mesa de aperitivos.

— Parece chato, mas na verdade é interessante.

Logística, pessoas, sempre surge alguma coisa nova.

— E por que é interessante? — perguntei, porque tenho o hábito de fazer a pergunta seguinte.

Ele me olhou com um pouco de surpresa.

Pelo visto, a maioria apenas concordava com a cabeça.

— Porque cada obra é o sonho de alguém, — disse ele.

— Alguém está construindo uma casa, alguém uma loja, alguém uma creche.

Eu faço parte disso.

Bonito.

Naquele momento pensei: bonito.

Não desconfiei de nada ruim, apenas registrei — sabe falar bem.

Depois, Sveta me ligou à noite:

— Então, o que achou do Artióm?

Bonito, não é?

Ele perguntou sobre você.

— Um homem normal, — respondi com cautela.

— Lena, “normal” é a sua nota máxima, eu sei.

Ele pediu o seu número.

Eu dei o número.

Pela primeira vez em três anos dei meu número a um homem desconhecido.

O primeiro encontro foi numa cafeteria na Marosseika.

Duas horas de conversa, café com cardamomo, as histórias dele sobre a infância em Vorôniej e as minhas sobre como comecei a trabalhar como contadora e odiei aquilo com toda a alma.

Ele ria do jeito certo — não das piadas, mas junto comigo das situações.

— E agora, o que você faz? — ele perguntou.

— Administro aluguéis.

Tenho três imóveis comerciais.

Pequenos, mas estáveis.

— Conseguiu isso sozinha?

— Sozinha, — respondi, e ele assentiu com uma expressão como se aquilo fosse importante para ele.

Como se respeitasse exatamente isso.

Depois veio o segundo encontro — jantar, restaurante italiano, ele pagou e não transformou isso em acontecimento.

O terceiro — um passeio pelo Jardim Neskútchny, abril estava inesperadamente quente, andávamos e falávamos sobre os filhos.

Ele tem um filho de vinte e cinco anos, mora sozinho.

Eu tenho uma filha de vinte e dois, casada em São Petersburgo.

— Você não sente falta de alguém, vivendo sozinha? — perguntou ele.

— Moro sozinha há oito anos, — respondi.

— Já entendi que isso não é castigo.

Ele pegou a minha mão.

Simplesmente pegou e segurou até o fim do passeio.

Eu deixei.

O quarto encontro foi na casa dele.

Um jantar que ele mesmo preparou — pato com laranja, uma garrafa de borgonha.

Pensei: ou ele faz isso regularmente para todas, ou eu significo alguma coisa.

Escolhi a segunda hipótese.

À toa.

Depois do jantar, ele me mostrou um álbum de fotografias.

Obras, imóveis, parceiros.

Falava sobre um projeto novo — galpões perto de Podolsk, um bom terreno, já havia um locatário âncora, faltava capital de giro por três meses.

— Os bancos estão estranhos agora, — disse ele, — os juros estão absurdos.

Estou procurando um parceiro privado, uma pessoa em quem eu confio.

Eu ouvia e assentia.

Estava me sentindo bem, relaxada, bebendo a segunda taça de vinho.

Não ouvi o sinal de alerta.

Ou melhor, ouvi, mas decidi que era apenas eu sendo desconfiada demais.

— Quanto? — perguntei.

— Quatro milhões.

Por três meses.

Vinte por cento ao ano.

— Vou pensar.

— Claro, — disse ele com suavidade.

— Nenhuma pressão.

Três dias depois, um mensageiro trouxe os documentos.

Com o meu apartamento como garantia.

— Lena, isso é prática padrão, — dizia ele agora, e a voz continuava a mesma, equilibrada, tranquilizadora.

— A garantia também é uma proteção para você.

Significa que o negócio é sério, que eu não pretendo desaparecer.

— A garantia significa que, se alguma coisa der errado, você vai ficar com o meu apartamento, — eu disse.

— Vamos falar com clareza.

— Nada vai dar errado.

— Você tem certeza?

— Absoluta.

Levantei-me.

Fui até a janela.

A chuva não parava.

Na rua, uma mulher puxava uma criança pela mão, vestida com uma capa vermelha, e a criança resistia, olhando para uma poça com aquela expressão com que as crianças olham para o que lhes é proibido.

— Artióm, — eu disse, sem me virar.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— Há quanto tempo você faz isso?

Pausa.

Bem curta, um segundo, talvez menos.

Mas eu a ouvi.

— Isso o quê, exatamente?

Virei-me.

— Conhece mulheres em festas.

Ganha a confiança delas.

Depois propõe um esquema com imóvel dado em garantia.

Ele me olhava.

Alguma coisa no rosto dele mudou — não muito, quase imperceptivelmente, mas eu estava olhando com atenção.

— Você está me acusando de alguma coisa?

— Não, — eu disse.

— Estou fazendo uma pergunta.

Naquela mesma noite, liguei para Sveta.

— De onde você tirou esse Volkov? — perguntei, sem introdução.

— O quê? — ela claramente estava dormindo.

— Lena, é uma e meia da manhã.

— De onde surgiu Artióm Volkov no seu aniversário?

Quem levou ele?

Ruído, pausa, som de luz sendo acesa.

— Quem levou foi Gena Samóilov.

Acho que eles jogam tênis juntos.

O que aconteceu?

— Nada.

Quem é Gena?

— Bom, o marido da Irka Samóilova, você conhece ela.

No ano passado eles se mudaram para Podolsk, compraram alguma coisa lá. — A voz de Sveta ficou mais tensa. — Lena, o que está acontecendo?

— Vai dormir, — eu disse.

— Amanhã eu te conto.

Podolsk.

Galpões perto de Podolsk.

Abri o notebook.

Não sou investigadora nem detetive.

Sou contadora de formação e proprietária locadora por profissão.

Mas oito anos de solidão e três anos de processo contra o meu ex-marido me ensinaram uma habilidade importante: seguir rastros.

Artióm Volkov.

O número de identificação fiscal apareceu rápido — ele tinha me dado um cartão de visita, e no cartão havia a pessoa jurídica.

OOO “StroiGarant”, registrada em 2019.

Capital social de dez mil rublos.

Único fundador e diretor — Volkov Artióm Serguéievitch.

Fui ao registro dos processos arbitrais.

Vinte minutos depois, eu tinha três casos.

Em 2021 — ação movida por um tal de Riábov Dmitri Pietróvitch, no valor de três milhões e duzentos mil.

Em 2022 — ação da OOO “Merkúri”, no valor de dois milhões.

Em 2023 — ação de pessoa física, Semiónova Natália Andrêievna, no valor de quatro milhões e meio.

Volkov perdeu os três casos.

Nos três houve decisão judicial determinando a cobrança.

Nos dois primeiros — as execuções foram encerradas por impossibilidade de cumprimento.

Em outras palavras, não havia de onde tirar o dinheiro.

No terceiro processo, a sentença tinha sido proferida sete meses antes.

A execução ainda estava ativa.

Semiónova Natália Andrêievna.

Eu a encontrei por meio do tribunal — nos autos constava o endereço.

Escrevi, à uma da manhã, para um e-mail aleatório que encontrei ao lado do sobrenome dela em algum fórum antigo.

Não esperava resposta.

A resposta chegou às sete da manhã.

“Olá.

Sim, sou eu.

Você também o conheceu em alguma festa?”

Natália veio à minha casa naquele mesmo dia.

Uma mulher baixa, de cinquenta anos, com um corte de cabelo bem cuidado e os olhos muito tranquilos de uma pessoa que já tinha vivido o luto até o fim.

— Eu perdi a datcha, — disse, envolvendo a xícara de chá com as mãos.

— Um terreno de dois mil metros quadrados, uma casa que eu e meu marido construímos durante doze anos.

Ele morreu três anos antes, eu estava sozinha, e eu… — ela se calou por um segundo. — Eu estava sozinha, e me sentia bem com o Artióm.

Entende?

Simplesmente bem.

Ele sabe fazer isso — estar ao seu lado de um jeito que você se sente bem.

— Quanto tempo vocês saíram juntos antes de ele propor o negócio?

— Seis encontros.

Comigo ele trabalhou por mais tempo. — Na voz dela não havia amargura — apenas uma precisão cansada. — Depois um advogado me explicou: o esquema é calculado para mulheres que vivem sozinhas, têm imóvel e não têm experiência jurídica.

Ele escolhe muito bem.

— Por que ele não está preso?

— Porque isso é direito civil.

Eu assinei os papéis.

Voluntariamente.

Em pleno juízo.

Ninguém me ameaçou.

Do ponto de vista dele, isso é um negócio. — Ela me olhou. — E Riábov e “Merkúri” são homens.

Homens também caem, só que com eles ele trabalha de outro jeito.

Conosco — por meio do relacionamento.

Eu estava sentada pensando no que ele tinha dito sobre a construção.

“Cada obra é o sonho de alguém.”

Bonito.

Eu mesma registrei — bonito.

E acreditei que era real.

— O que você vai fazer? — perguntou Natália.

— Ainda não sei, — respondi com sinceridade.

— Mas o meu apartamento ele não vai conseguir.

Encontrei Artióm mais uma vez.

Ele sugeriu uma cafeteria — aquela mesma, na Marosseika, onde tínhamos ido a primeira vez.

Uma jogada inteligente.

Voltar a uma lembrança boa.

Eu aceitei.

Ele chegou sorrindo, pediu café com cardamomo, como daquela vez, perguntou como eu estava.

Tudo era calculado com exatidão.

— Pensei na sua proposta, — eu disse.

— E? — ele me olhava com calma, cordialidade.

— Conheci Natália Semiónova.

Pausa.

— Quem é essa?

— A mulher que conheceu você numa festa em 2022.

Seis encontros, galpões perto de Serpukhov, datcha dada em garantia.

A datcha agora está registrada em nome de uma empresa que você encerrou três meses depois do negócio.

Ele pousou a xícara devagar.

— Lena…

— Também encontrei Riábov e a “Merkúri”, — continuei, com voz firme.

— Três processos perdidos, duas execuções encerradas.

Você trabalha de forma limpa, Artióm.

Juridicamente — quase impecável.

Você entende que eu não vim aqui brigar, não é?

— E veio para quê?

— Para avisar.

Ele me olhava.

Alguma coisa nele mudou — a máscara não caiu, mas saiu do lugar, e eu vi por baixo dela não um vilão de cinema, não um monstro — apenas um homem cansado, de meia-idade, que encontrou um método que funciona e há muito deixou de pensar nas pessoas contra quem esse método é dirigido.

— Avisar sobre o quê? — perguntou ele em voz baixa.

— Enviei tudo o que encontrei — processos, documentos, o esquema — para uma advogada.

Não a minha.

A advogada da Natália.

Ela está entrando com uma nova ação com novos fundamentos, porque apareceu um padrão.

Três episódios já formam um padrão, Artióm.

Isso já não é mais uma conversa apenas sobre direito civil.

Ele ficou calado.

— Você tem um filho de vinte e cinco anos, — eu disse.

— Foi você mesmo que me contou.

Não sei se isso é verdade ou não.

Mas, se for verdade, pense nele.

Levantei-me, deixei o dinheiro do meu café sobre a mesa e fui em direção à saída.

— Lena, — ele disse às minhas costas.

Parei, sem me virar.

— Eu não teria tomado o seu apartamento.

— Talvez, — eu disse.

— Mas você teria levado a minha confiança de que eu sei escolher as pessoas.

E isso vale mais do que um apartamento.

E saí.

Lá fora, a chuva tinha parado.

Eu caminhava pela Marosseika e pensava que não havia raiva.

Nenhuma.

Só cansaço e mais alguma coisa — não era ressentimento, não.

Era algo parecido com pena, mas não de mim mesma.

Sveta ligou à noite.

— Então, como foi com o Artióm? — perguntou despreocupadamente.

— Não deu certo, — respondi.

— Ah, que pena.

Ele era tão simpático.

— Era, — concordei.

— Simpático.

Natália me escreveu uma semana depois: a advogada aceitou o caso, havia perspectivas.

Gena Samóilov, que tinha levado Artióm àquela festa, acabou se revelando não um amigo, mas um conhecido superficial — eles tinham se cruzado em algum clube, e o próprio Artióm se convidara.

Isso também fazia parte do esquema: encontrar um evento com o público certo, encontrar um jeito de estar lá.

Pensei nisso durante vários dias.

Pensei no fato de que ele tinha me lido corretamente: sozinha, com imóvel, com uma história de luta por esse imóvel — logo, dou valor, logo, entendo o preço.

E, ao mesmo tempo — três anos sem intimidade, sem que alguém segurasse minha mão até o fim de um passeio.

Ele não errou na análise.

Errou em outra coisa.

Não levou em conta que uma mulher que passou três anos na justiça por causa de um apartamento sabe verificar documentos.

Em maio, acabei conhecendo um homem.

Não numa festa — numa fila da repartição de impostos, o que por si só já diz algo preciso sobre nós dois.

Ele é auditor fiscal aposentado, divorciado, cuida do jardim e lê romances históricos.

Parece chato.

Tomamos café uma vez.

Depois uma segunda vez.

No terceiro encontro, ele disse:

— Você é muito cautelosa.

— Sou mesmo, — concordei.

— Isso não é ruim, — disse ele.

— Só é interessante.

Olhei para ele.

Um homem comum.

Sem covinhas.

Sem frases bonitas sobre os sonhos dos outros.

Apenas uma pessoa de óculos que olha para mim e não faz cálculos — apenas olha.

— Eu tenho um apartamento, — disse eu, por algum motivo.

— Eu também tenho um apartamento, — respondeu ele, um pouco surpreso.

— Isso é importante?

— Não, — eu disse.

— Só estou avisando.

Ele riu.

Não porque fosse engraçado, mas porque não entendeu, embora estivesse se sentindo bem comigo.

Pelo menos, foi essa a impressão que tive.

E eu já me ensinei há muito tempo a não confiar no que parece.

Mas às vezes — muito raramente — permito a mim mesma tentar.