— Estou exagerando? — Lena virou-se para o marido.

— Este é o meu apartamento, a minha mesa, e a tua mãe está comparando o meu bolo ao Napoleão daquela mesma Zoia!

— Mas as camadas ficaram um pouco secas, Lenochka.

— O bolo da Zoia sempre derretia na boca, era bem fofinho.

— Este aqui precisa ser mastigado com esforço.

— Desculpe a franqueza.

Nadejda Nikolaevna afastou de si, de maneira afetada, o pratinho de sobremesa e enxugou demonstrativamente os lábios com um guardanapo de papel.

Seu rosto expressava a mais profunda decepção, como se lhe tivessem servido não um doce caseiro, mas um pedaço de papelão.

Lena ficou imóvel, com a espátula metálica na mão.

A irritação que ela vinha reprimindo obstinadamente durante toda aquela longa noite agora ameaçava explodir num fluxo incontrolável.

Ela passara dois dias diante do fogão, depois de turnos pesados no seu trabalho principal, para preparar uma mesa esplêndida para o aniversário de trinta e cinco anos de Oleg.

Ela mesma assara a carne numa marinada elaborada, preparara cinco tipos de saladas sofisticadas, montara aquele maldito bolo, seguindo rigorosamente a receita.

E tudo isso apenas para ouvir, mais uma vez, o nome da primeira esposa dele.

— Mãe, está normal a sobremesa, só que a receita é outra, — respondeu Oleg preguiçosamente, remexendo a sua porção com o garfo.

— Embora, sim, o creme da Zoia sempre tivesse um toque especial.

— Não era tão enjoativo, talvez.

À grande mesa retangular, todos se calaram de repente.

Os três amigos de Oleg e suas esposas passaram, ao mesmo tempo, a estudar com grande interesse o desenho elaborado da toalha de mesa.

Ninguém queria se meter nas brigas da família.

Lena apoiou lentamente a espátula na beirada da mesa.

Olhou para o marido, que nem sequer levantou os olhos para ela, continuando a mastigar com total indiferença.

— Então vocês estão falando sério, sentados à minha mesa, discutindo os talentos culinários da mulher de quem Oleg se divorciou há cinco anos? — perguntou Lena em voz alta e com extrema clareza.

Nadejda Nikolaevna soltou um suspiro indignado e recostou-se na cadeira, assumindo a postura de quem teve a dignidade profundamente ofendida.

— Ah, mas por que você já fica nervosa sem motivo?

— Eu só expressei a minha opinião objetiva.

— Quer estragar a festa do seu marido?

— Você vive com os nervos à flor da pele, não se pode dizer uma palavra.

— Somos da família, uma só família, o que há de tão terrível nisso?

— Exatamente, Lena, — Oleg fez uma careta de desagrado, empurrando bruscamente o prato para o centro da mesa.

— Por que você começa isso na frente dos convidados?

— Mamãe só lembrou de uma receita antiga.

— O bolo da Zoia era mais delicado, você é que está exagerando!

— Eu estou exagerando? — Lena virou-se bruscamente para o marido.

— Este é o meu apartamento, a minha mesa, e a tua mãe está comparando o meu bolo ao Napoleão daquela mesma Zoia!

Oleg jogou irritado o guardanapo amassado.

— Chega dessas cenas baratas.

— Peça desculpas à mamãe.

— Ela é uma pessoa idosa e tem o direito de dizer o que pensa.

Pedir desculpas?

Lena olhava para o homem com quem dividira a vida doméstica nos últimos três anos, e foi como se um véu turvo finalmente caísse de seus olhos cansados.

Durante todos aqueles anos, ela fizera de tudo para se tornar perfeita aos olhos da família dele.

Comprava regularmente para a sogra estadias caras numa colônia de férias, suportava as visitas frequentes dela sem telefonema prévio, fechava os olhos para os comentários mordazes constantes.

Nadejda Nikolaevna sempre encontrava um motivo para alfinetar a nova nora.

Ora as cortinas de Lena estavam penduradas de forma errada, ora ela trabalhava demais, ora ganhava mais do que o marido, ferindo a dignidade masculina dele.

E Oleg sempre se calava.

Ou, pior ainda, pedia a Lena que fosse mais sábia e simplesmente não desse importância aos caprichos da mãe.

Lena aproximou-se da mesa em silêncio e pegou com firmeza o grande prato de vidro com os restos da sobremesa festiva.

— Para onde você está levando isso? — admirou-se Nadejda Nikolaevna, esticando o pescoço.

— Eu não disse que não dá para comer de jeito nenhum.

— Amanhã até serve, se amolecer.

Lena aproximou-se do armário da cozinha, pressionou com o pé o pedal do lixo sob a pia e, com um único movimento brusco, varreu o bolo inteiro diretamente para o saco preto de lixo.

— Você está completamente maluca? — Oleg saltou da cadeira, quase a derrubando.

Os convidados se encolheram, assustados, em seus lugares.

Uma das esposas dos amigos fixou nervosamente o olhar na tela do celular, desviando a vista.

— Estou absolutamente sã, — respondeu Lena em tom calmo.

Ela voltou tranquilamente para a mesa, pegou o prato do marido e também despejou seu conteúdo no lixo.

Logo em seguida, o pedaço mordido da sogra foi parar no mesmo lugar.

— A festa acabou.

— Obrigada a todos os convidados pela companhia, mas está na hora de vocês irem embora.

— Que tipo de selvageria é essa? — a voz de Nadejda Nikolaevna transformou-se num guincho.

Ela levantou-se pesadamente da cadeira, apoiando-se no tampo da mesa.

— Como você ousa se comportar assim conosco?

— A Zoia nunca se permitiu tamanha falta de respeito!

— Então vão para a Zoia, — Lena apontou com a mão para o corredor.

— Agora mesmo.

— Oleg, vá ao closet, pegue a sua jaqueta.

— E não se esqueça de levar a sua mãe também.

— Amanhã vou dar entrada no divórcio.

— E a senhora, Nadejda Nikolaevna, leve seu filho com a senhora.

— Ele sempre foi só seu.

— Você está me expulsando por causa de um pedaço de massa? — Oleg riu nervosamente, olhando para os amigos em busca de solidariedade masculina.

Mas apoio nenhum veio.

Os convidados já se levantavam apressadamente da mesa, murmurando desculpas incompreensíveis e se dirigindo de lado para a entrada.

Ninguém queria ser testemunha do escândalo familiar alheio.

Um minuto depois, a porta de entrada se fechou suavemente atrás dos convidados.

— Estou expulsando você porque você não sabe respeitar a sua esposa, — rebateu Lena com calma, ficando a sós com os parentes.

— Você permite que limpem os pés em mim dentro da minha própria casa.

— Junte as suas coisas.

— Agora mesmo.

— Caso contrário, vou colocar suas caixas direto no corredor do prédio.

— Nós não vamos a lugar nenhum a essa hora da noite! — declarou a sogra, apoiando as mãos nas ancas fartas.

— Esta casa também é do meu filho!

— Vocês vivem num casamento legal!

— O apartamento foi comprado por mim antes do casamento, — lembrou Lena com dureza, cruzando os braços sobre o peito.

— Então, juridicamente, o seu filho adorado aqui é apenas um hóspede.

— E o tempo dele acabou.

— Vocês têm dez minutos para recolher as coisas.

— Depois disso, vou chamar a polícia e denunciar a presença ilegal de pessoas estranhas.

Oleg entendeu que a esposa não estava brincando nem um pouco.

O rosto de Lena estava severo, e seus olhos ardiam com uma determinação gelada.

Ele chutou com raiva a perna de uma cadeira, praguejou entre os dentes e foi com passos pesados para o quarto arrumar as coisas.

A meia hora seguinte passou em meio a uma agitação nervosa.

Oleg jogava febrilmente camisetas e calças numa grande bolsa esportiva.

Nadejda Nikolaevna andava atrás dele, lamentando em voz alta, por todo o apartamento, que mulher ingrata eles haviam acolhido.

Lena ficou na porta do quarto, observando em silêncio o processo, para que o futuro ex-marido não levasse por engano seus relógios caros ou seus documentos.

Quando a bolsa ficou abarrotada até não caber mais nada, Oleg saiu para a entrada.

Ele respirava pesadamente, e seu rosto estava deformado por uma raiva mal contida.

— Você ainda vai se arrepender amargamente disso, — sibilou ele, calçando as botas com agressividade.

— Vai correr para pedir perdão quando ficar sozinha.

— Quem vai querer você com esse seu temperamento horrível?

— Certamente não um filhinho da mamãe, — Lena escancarou a porta de entrada.

— Está livre.

A porta se fechou com um estalo pesado.

Lena girou a trava da fechadura e soltou um suspiro profundo.

O apartamento ficou incrivelmente silencioso.

Sem recriminações, sem suspiros descontentes, sem conversas sobre outras mulheres.

Lena não fez escândalo, nem ligou para as amigas para reclamar da vida.

Foi até a cozinha, recolheu metodicamente toda a louça suja da mesa e a colocou na máquina de lavar louça.

Guardou a comida intocada em recipientes, limpou cuidadosamente a bancada com um pano úmido.

A simples arrumação sempre a ajudava a pôr os pensamentos em ordem e aliviar a tensão.

Na manhã seguinte, ela acordou com o toque do despertador de sempre.

Lena abriu os olhos e espreguiçou-se prazerosamente na cama espaçosa.

Pela primeira vez em muito tempo, ela não precisava saltar da cama em pânico e correr para o fogão para conseguir preparar um café da manhã reforçado para o marido sempre insatisfeito.

Tomou banho sem pressa, vestiu seu roupão de seda favorito, que Oleg sempre chamava de ridículo e impraticável.

Serviu-se de um copo alto de água fresca com uma rodela de limão e aproximou-se da janela aberta.

O sol da manhã iluminava vivamente a cidade que despertava.

O telefone sobre a mesa da cozinha vibrou brevemente.

Lena pegou o aparelho nas mãos.

Três chamadas perdidas da sogra e uma longa mensagem de Oleg.

“Lena, então, você já se acalmou?

Vou aí hoje à noite, e vamos conversar direito, sem emoções desnecessárias.

Ontem você realmente passou dos limites na frente dos rapazes, mas estou disposto a mostrar indulgência.

Prepare um jantar decente”.

Lena sorriu com ironia.

Nada muda.

Ele ainda acredita sinceramente que ela vai correr atrás dele pedindo desculpas e tentando conquistar sua aprovação.

“Venha às oito da noite.

Suas malas restantes com as roupas de inverno estarão com a porteira no térreo.

Não vou deixar você entrar no apartamento.

Enviarei os papéis do divórcio por mensageiro”, digitou ela rapidamente.

Sem esperar uma resposta indignada, Lena bloqueou os números de Oleg e de sua mãe em todas as listas de contatos.

Ela deu um grande gole na água.

Pela frente, esperava-a uma desagradável batalha judicial com o divórcio e a divisão do carro adquirido durante o casamento.

Mas dentro dela não havia medo, nem o menor arrependimento pelo passo que dera.

Havia apenas uma enorme e avassaladora sensação de leveza.

Ela finalmente recuperara para si o mais importante: o direito de ser a plena dona da própria vida.

E ninguém jamais voltaria a ousar impor-lhe condições dentro do seu próprio território.