Mamãe, que naquele momento estava atarefada no fogão, virou-se bruscamente para mim, como se eu tivesse dito algo completamente inadmissível.
Nas mãos, ela segurava uma velha makitra escurecida pelo tempo — estava prestes a moer sementes de papoula para os doces.

Em seu rosto ficou estampada uma sincera perplexidade, que um segundo depois foi substituída por uma sombra de mágoa.
— Por quê, minha filha?
Explica, o que aconteceu?
Você sabe que eu tenho só a aposentadoria, — disse ela baixinho, enxugando as mãos no avental e sentando-se perto da janela.
Suspirei profundamente.
Na cozinha havia o cheiro familiar da infância, de ervas secas e de doces assando — normalmente isso me acalmava, mas não hoje.
Hoje havia tensão no ar, quase palpável.
— Mãe, eu sei que você não tem dinheiro sobrando.
E eu nunca te pedi ajuda.
Mas não quero mais bancar a mesa para o Vadim, a família dele e todos os que ele trouxer junto.
— Que outras pessoas? — ela se alarmou, endireitando-se.
Vadim disse que só passaria na festa.
— Ele me ligou ontem.
Disse que viriam todos: ele com a esposa, os dois filhos…
E isso não é tudo.
Com eles virão os pais dela — seus futuros consogros — e a irmã da esposa com o marido.
E não por algumas horas, mas por vários dias.
Durante todo o fim de semana!
Mamãe ficou em silêncio por um instante, assimilando o que tinha ouvido.
Eu via como ela já começava, em pensamento, a justificar seu filho querido.
Seus dedos mexiam nervosamente na toalha de mesa.
— E daí? — ela respondeu com um gesto de despreocupação.
Isso é família.
A Páscoa é a festa em que todos ficam juntos.
Onde comem dois, dez também ficam satisfeitos.
— Mãe, isso não é simplesmente “família”, — dentro de mim começou a ferver a raiva que eu vinha acumulando havia semanas.
É uma multidão de gente que precisa ser alimentada durante vários dias seguidos.
Café da manhã, almoço, jantar.
E você conhece muito bem o Vadim — ele não vai comer um mingau simples.
Ele quer carne, embutidos, pratos caseiros, várias saladas e, claro, bebida cara.
No ano passado gastamos quase dez mil só com comida!
E isso com os preços antigos.
Ela balançou a cabeça e me olhou com pena.
— Minha filha… então agora, para você, a família se mede em dinheiro?
Tenho vergonha de você.
A cidade estragou você.
Será que um pedaço de pão para o seu irmão é mais importante do que a paz na família?
Aquelas palavras me atingiram com força.
Lembrei quantas vezes fiquei calada, quantas ofensas engoli só para evitar conflitos.
Mas uma paz construída sobre a minha paciência e sobre o nosso orçamento já não me parecia verdadeira.
— E eu não deveria ter vergonha? — respondi em voz baixa, mas firme.
Não deveria ter vergonha diante do Andrei?
Por termos passado anos abrindo mão de tudo para pagar ao Vadim a parte dele nesta casa?
Mamãe ficou tensa imediatamente.
O assunto dinheiro e herança sempre foi doloroso para ela.
— Não comece de novo…
Isso já ficou no passado.
— Não, vou começar, — pela primeira vez eu não recuei.
Porque essa é a verdade que você tenta esquecer.
Fiz um gesto com a mão, indicando a cozinha.
— Esta é a nossa casa.
Nos documentos e na prática.
Mas, para que ela se tornasse totalmente nossa, demos ao Vadim quinze mil dólares.
É muito dinheiro, mãe!
Nós não tiramos isso do nada.
— Eu me lembro, — disse ela baixinho, olhando pela janela.
Mas em sua voz não havia arrependimento.
— Nós nos endividamos.
Andrei trabalhava doze horas por dia para entregar esse dinheiro ao seu filho.
E o Vadim?
Onde está esse dinheiro agora?
Ele comprou alguma coisa?
Ou tudo foi embora em uma vida boa?
Mamãe ficou em silêncio.
— Ele dizia que estava juntando para um apartamento…
— Mãe, até hoje ele mora com os parentes da esposa.
E é exatamente por isso que ele vem para cá toda vez — porque aqui é confortável, espaçoso e de graça.
Aqui ele se sente o dono da casa.
— Porque esta casa também é dele! — respondeu mamãe bruscamente.
Ele cresceu aqui!
Fechei os punhos.
— Não é mais.
Ele mesmo vendeu o direito dele a esta casa por dinheiro.
— O fato de vocês terem pago não significa que ele seja um estranho! — ela levantou a voz.
Ele tem o direito de vir!
— Que venha, — explodi.
Mas que participe!
Não dá para vir com uma multidão de gente e se sentar à mesa para a qual ele não contribuiu com um centavo!
— Então você nem vai receber os convidados? — disse mamãe em tom de reprovação.
Eu vou ficar envergonhada diante das pessoas!
— Vou receber!
Mas não vou mais pagar tudo sozinha!
Eu propus ao Vadim dividir as despesas.
Sabe o que ele fez?
Mamãe se virou para o fogão.
— Não sei…
Antes a gente dava um jeito…
— Porque eu ficava calada! — sorri amargamente.
Eu cozinhava à noite, limpava, pagava — e ficava calada.
O silêncio tomou conta da casa.
— Você se lembra do ano passado?
Ele quis fazer churrasco.
Quando eu sugeri que ele mesmo comprasse a carne — ele se ofendeu e me chamou de mão de vaca.
— Bem, talvez você tenha falado de forma ríspida…
— Eu só sugeri dividir a despesa!
Mamãe ficou calada.
— Este ano eu liguei para ele com antecedência.
Propus dividir tudo de forma justa.
E o que ele fez?
Desligou na minha cara.
E depois ligou para você e disse que eu estava expulsando ele.
Mamãe suspirou pesadamente.
— Talvez ele tenha entendido errado…
— Ele entendeu do jeito que era mais conveniente para ele.
Porque é conveniente fazer o papel de vítima e não pagar nada.
Levantei-me.
— Eu não vou mais carregar isso.
Nós também temos despesas.
Eu não pretendo gastar o orçamento de um mês com pessoas estranhas.
Mamãe me olhou com teimosia.
— Eu não vou brigar com ele.
Ele é meu filho.
Se você não quer — isso é problema seu.
Mas eu o estou esperando.
Sorri amargamente.
— E eu sou quem?
Não sou sua filha?
Ela ficou em silêncio e voltou a moer as sementes de papoula.
E naquele silêncio havia tudo.
— Está bem, — disse eu baixinho.
Façam como quiserem.
Dirigi-me à saída.
— E não me imponha condições! — gritou mamãe.
Esta casa é minha!
Parei.
— Não, mãe…
Esta casa já faz muito tempo que não é só sua.
Nós pagamos por ela.
Nós a reformamos.
Se você quer ser a dona da casa — então todas as despesas também são suas.
Ela não respondeu.
Saí para a rua.
O ar da primavera estava fresco, mas por dentro tudo se apertava de dor.
O telefone vibrou.
Vadim.
Eu nem me dei ao trabalho de ler.
Fiquei parada no quintal pensando — ceder de novo ou, pela primeira vez, manter minha posição?
Porque, se eu ceder agora — vou perder o respeito por mim mesma.
E, se não ceder — posso perder a família.
E eu ainda não sabia o que era mais assustador.







