O noivo devolveu de repente a aliança bem no cartório, mas a noiva tinha os seus próprios planos.

A sala de espera do cartório cheirava a rosas frescas e a cera para móveis.

As cortinas brancas deixavam passar suavemente a luz de inverno, e na parede um relógio antigo fazia tique-taque em silêncio.

As pessoas estavam sentadas nos sofás macios: parentes, amigos, colegas.

Alguém conversava baixinho, alguém ajeitava os buquês, alguém verificava o telefone.

Todos esperavam uma única coisa: o início da cerimônia.

A noiva, Alina, estava diante do espelho no corredor.

O vestido caía perfeitamente: cetim fino, um cinto delicado, véu comprido.

Ela se olhava com calma.

Até calma demais para uma moça que, dentro de poucos minutos, deveria se casar.

— Está tudo bem? — perguntou sua amiga Lena, ajeitando-lhe o véu.

— Claro, — respondeu Alina baixinho.

Mas seus olhos estavam atentos.

Como se ela observasse tudo o que estava acontecendo de fora.

O noivo, Dmitri, estava na outra ponta do corredor.

Ele girava nervosamente entre as mãos a caixinha com as alianças.

— Como você está? — perguntou-lhe seu amigo Sasha.

— Não sei… — murmurou Dmitri.

— Já é tarde para mudar de ideia.

— Eu não estou mudando de ideia…

Mas na sua voz havia dúvida.

Nas últimas semanas ele pensava cada vez com mais frequência: será que estava mesmo fazendo a coisa certa?

Alina tinha se tornado fria.

Calma.

Calma demais.

E isso o assustava.

A cerimônia começou.

A música soou baixa e solene.

Os convidados se levantaram.

Alina entrou na sala de braços dados com o pai.

Seus passos eram firmes.

Ela mantinha as costas eretas e olhava diretamente à frente.

Dmitri percebeu um detalhe estranho.

Ela não sorria.

Mas parecia… confiante.

Até um pouco enigmática.

A funcionária do cartório começou o discurso padrão.

— Hoje estamos reunidos para unir os destinos de duas pessoas que se amam…

Os convidados ouviam.

Alguns filmavam com o telefone.

Alguns fungavam discretamente.

Mas Dmitri mal ouvia as palavras.

Ele olhava para Alina.

E, de repente, entendeu.

Ele não tinha certeza.

Nenhuma.

Chegou o momento da troca das alianças.

A funcionária sorriu.

— Dmitri, o senhor concorda em tomar Alina por esposa?

Silêncio.

Todos olhavam para ele.

Dmitri sentiu tudo se apertar por dentro.

E, de repente…

Ele tirou a aliança.

Olhou para ela.

E então… colocou-a de volta na caixinha.

— Desculpem… — disse ele em voz baixa.

Um murmúrio percorreu a sala.

— Eu… não posso.

O silêncio ficou glacial.

A mãe da noiva levantou-se num salto.

— Como assim não pode?!

Alguém suspirou de espanto.

Alguém derrubou o telefone.

Dmitri abaixou a cabeça.

— Não tenho certeza de que devamos nos casar.

Ele se virou para Alina.

— Me desculpe.

Um alvoroço começou na sala.

Mas Alina… permaneceu calma.

Ela nem sequer empalideceu.

E, de repente, sorriu.

Um sorriso leve, quase imperceptível.

— Finalmente, — disse ela em voz baixa.

Todos congelaram.

— O quê? — surpreendeu-se Dmitri.

Alina tirou o véu.

E se virou para os convidados.

— Já que a verdade veio à tona… acho que vale a pena contar tudo.

A sala ficou em silêncio.

Ela olhou diretamente para Dmitri.

— Você acha que eu não sabia?

Ele piscou, confuso.

— Não sabia o quê?

Alina tirou o telefone.

E apertou um botão.

Uma gravação ecoou pela sala.

Uma voz feminina.

— Dima, quando você vai contar a verdade para ela? Você não a ama…

Os convidados prenderam a respiração.

Dmitri empalideceu.

Alina disse calmamente:

— Essa gravação foi feita há três semanas.

Ela olhou para os convidados.

— Eu ouvi por acaso uma conversa do meu noivo com a sua… colega.

Um sussurro percorreu a sala.

— Eles planejavam se casar comigo e depois se divorciar tranquilamente para dividir o apartamento que meus pais nos deram de presente de casamento.

A mãe de Dmitri levantou-se abruptamente.

— Isso é mentira!

Alina abriu calmamente uma pasta.

— Aqui estão as mensagens.

Os prints.

E mais algumas gravações.

O silêncio ficou pesado.

Dmitri tentou falar.

— Alina, você entendeu tudo errado…

Mas ela o interrompeu.

— Não.

Ela olhou diretamente nos olhos dele.

— Eu entendi tudo certo.

E fez uma pausa.

— Por isso eu tinha um plano.

Os convidados ouviam sem respirar.

— Eu decidi levar tudo até o fim, — disse Alina.

— Até o cartório.

Dmitri franziu a testa.

— Para quê?

Ela sorriu.

— Para que você mesmo destruísse tudo.

Algumas risadinhas foram ouvidas na sala.

Alina explicou calmamente:

— Se eu tivesse cancelado o casamento, vocês teriam me feito parecer culpada.

Ela olhou para os pais dele.

— Mas agora todos veem quem realmente queria enganar.

A mãe de Dmitri corou.

Alina continuou:

— A propósito, sobre o apartamento.

Ela abriu a bolsa.

— Eu alterei os documentos já faz uma semana.

Agora o apartamento está registrado somente no meu nome.

Dmitri ergueu a cabeça bruscamente.

— O quê?!

— Sim.

Ela assentiu calmamente.

— E também cancelei todas as transferências financeiras.

O pai de Alina sorriu discretamente.

— Muito bem, minha filha.

Dmitri parecia alguém que acabara de levar um golpe.

— Você planejou tudo isso?

— Claro.

Ela deu de ombros.

— Você também estava planejando.

Alguém na sala riu baixinho.

Uma das tias sussurrou:

— Ora, isso sim foi uma reviravolta…

A amiga Lena não aguentou e disse em voz alta:

— Alina, você é uma lenda.

Dmitri tentou salvar a situação.

— Vamos conversar com calma…

Mas Alina já tinha tirado a aliança.

E a colocou sobre a mesa.

— Não é preciso.

Ela olhou para a funcionária do cartório.

— Peço desculpas pelo espetáculo.

A mulher apenas sorriu.

— Em vinte anos de trabalho eu vi de tudo… mas isso foi impressionante.

Alina virou-se para os convidados.

— Já que todos vocês estão aqui…

Ela bateu palmas.

— O banquete já está pago de qualquer forma.

Alguém na sala riu.

— Por isso, proponho comemorarmos a minha liberdade.

Os convidados trocaram olhares.

E, de repente, começaram a aplaudir.

Primeiro baixinho.

Depois mais alto.

A amiga Lena abraçou Alina.

— Tenho orgulho de você.

Dmitri estava ali, pálido.

— Você destruiu tudo.

Alina respondeu calmamente:

— Não.

Ela olhou para ele.

— Eu apenas não deixei que me destruíssem.

O pai de Alina aproximou-se de Dmitri.

E disse baixinho:

— Filho… você escolheu a mulher errada para brincar desse jeito.

Meia hora depois, a sala estava vazia.

Dmitri foi o primeiro a ir embora.

Alina ficou com os amigos e a família.

Ela tirou os sapatos e soltou o ar devagar.

Lena perguntou-lhe:

— Você realmente não está abalada?

Alina pensou por um instante.

E, de repente, sorriu.

— Sabe… um pouco, sim.

— Por causa dele?

— Não.

Ela caiu na risada.

— Por causa de que agora vamos ter de comer o bolo sem casamento.

À noite, quando os convidados já estavam sentados no restaurante, Alina ergueu a taça.

— À honestidade.

Todos ergueram as taças.

— E também ao fato de que, às vezes, o melhor dia da vida é o dia em que o casamento não aconteceu, — acrescentou ela.

A sala explodiu em gargalhadas.

Final.

Mais tarde, Lena perguntou:

— E se ele não tivesse devolvido a aliança?

Alina sorriu.

— Então eu mesma teria feito isso.

— Bem no cartório?

— Claro.

Ela olhou pela janela.

E disse baixinho:

— Porque, às vezes, o melhor plano é não se casar com a pessoa errada.