— Lena, me salva, cinquenta mil! Minha mãe teve um infarto extenso, o médico da regional disse que, se não levarmos dinheiro em espécie para o stent antes do meio-dia, ela não vai sobreviver até a noite!
Elena, caixa-chefe de um hipermercado de materiais de construção, ficou imóvel com a jaqueta de trabalho nas mãos.

Esses cinquenta mil ela juntou aos poucos por quase dois anos.
Trabalhava em dois turnos, pegava horas extras nos fins de semana, já nem lembrava quando foi a última vez que comprou sapatos novos para si.
O dinheiro estava na conta para pagar o contrato do filho universitário — o prazo de pagamento terminava em duas semanas.
Mas ver a amiga, com quem era amiga desde a escola, engasgando em lágrimas, era insuportável.
— Agora, bebe água, — Elena correu para a cozinha buscar um copo e gotas calmantes.
Ao voltar, encontrou Vitória no corredor — ela mexia nervosamente na alça da bolsa, parada bem perto do armário aberto onde estavam as chaves e a carteira de Elena.
Sem dar importância a isso, Elena pegou o telefone, abriu o aplicativo do banco e transferiu toda a quantia de sua conta poupança para o cartão da amiga.
— Eu devolvo em um mês, juro pela saúde dos meus filhos! — Vitória pegou o telefone, conferindo o saldo, abraçou Elena rapidamente e saiu correndo pela porta, dizendo que cada minuto contava.
O dia inteiro no caixa, Elena não conseguia se concentrar.
Ela ligou várias vezes para a amiga para saber como tinha sido a operação, mas as chamadas eram recusadas.
Às seis da tarde chegou uma mensagem curta: «Mamãe está na UTI.
Os médicos estão lutando.
Estou sentada na porta do quarto, não posso falar.
Obrigada por salvar a vida!»
Elena soltou um suspiro de alívio.
No fim do turno, ela entrou no vestiário apertado dos funcionários, tirou os sapatos de trabalho dos pés doloridos e pegou a bolsa.
Precisava passar na farmácia, e abriu a carteira por hábito para pegar o cartão de crédito.
O cartão plástico amarelo com limite de trinta mil não estava lá.
Ela revirou os bolsos da jaqueta, despejou o conteúdo da bolsa no banco.
Vazio.
Nesse momento, a tela do telefone acendeu.
Chegou uma notificação do banco.
«Pagamento: 950 UAH.
Boutique de flores “Orquídea”.
Sucesso».
Elena franziu a testa, sem entender o que estava acontecendo.
E imediatamente o telefone vibrou com uma segunda notificação que a fez gelar:
«Recusado: 18 400 UAH.
Restaurante “Montblanc”.
Motivo: limite de pagamento por aproximação excedido.
PIN necessário».
Golpistas.
Alguém roubou o cartão e, neste exato momento, tenta sacar uma quantia enorme.
O restaurante “Montblanc” ficava no prédio vizinho do centro empresarial, literalmente a cem metros do hipermercado.
Sem trocar a camiseta do uniforme, Elena enfiou os pés de volta nos sapatos de trabalho e correu para a saída.
Ela entrou correndo no saguão do restaurante, ofegante.
Atrás das portas de vidro do salão principal tocava música ao vivo.
Elena se aproximou do administrador, mas seu olhar se fixou na mesa central perto da janela panorâmica.
A mesa estava repleta de iguarias de carne, frutas e baldes com gelo.
Na cabeceira da mesa, rindo alto, estava Vitória em um vestido de noite verde-esmeralda.
E ao lado dela, com penteado perfeito de salão e um colar de ouro no pescoço, estava sua mãe “moribunda”, bebendo prosecco com prazer.
Ao lado de Vitória estava um garçom com o terminal bancário na mão.
A amiga, com o rosto vermelho de tensão, apertava freneticamente a tela do terminal, tentando adivinhar o PIN do cartão amarelo alheio.
Elena afastou o administrador, entrou no salão e se aproximou da mesa.
— Esqueceu os números, Vika? Quer ajuda? — a voz de Elena soava seca e alta, sobrepondo-se à música de fundo.
Vitória se sobressaltou.
O terminal quase escapou das mãos do garçom.
Uma pausa caiu sobre a mesa, os convidados pararam de mastigar ao mesmo tempo.
— Lena? — Vitória empalideceu tanto que a base ficou visível nas maçãs do rosto.
Ela tentou esconder o cartão amarelo sob o guardanapo de tecido.
— O que você está fazendo aqui? Vamos sair, eu explico tudo!
— Na UTI servem bem a comida.
E o Wi-Fi funciona, — Elena acenou para a mesa luxuosa e depois olhou para a mãe da amiga.
— Parabéns pelo stent bem-sucedido, Nina Vasilievna.
A mãe de Vitória levantou-se indignada da cadeira:
— Senhora, quem é você e por que está invadindo o meu aniversário de sessenta anos desse jeito? Minha filha me organizou uma festa, ela recebeu um grande bônus! Segurança!
— Bônus? — Elena sorriu com sarcasmo, sentindo a raiva crescer dentro dela.
— Hoje de manhã sua filha estava no meu corredor jurando que você estava morrendo.
Eu transferi para ela meus últimos cinquenta mil hryvnias.
Dinheiro para os estudos do meu filho.
E enquanto eu fui à cozinha buscar remédio, ela roubou meu cartão de crédito da minha bolsa, com o qual agora tenta pagar o seu banquete.
O marido de Vitória, Andrei, levantou-se bruscamente da mesa.
— Vika, que cinquenta mil? — disse entre os dentes, olhando para a esposa.
— Você disse que quitou suas dívidas de microcrédito porque recebeu um bônus! Você enganou a Lena com a doença da sua mãe?!
Vitória se encolheu contra o encosto do sofá.
A máscara de filha bem-sucedida desmoronou.
Descobriu-se que Vitória já estava há muito tempo afundada em dívidas por causa de cassinos online.
Ao receber a transferência de Elena, ela imediatamente enviou o dinheiro aos cobradores, que ameaçavam ir ao trabalho do marido.
E o banquete para a mãe, organizado para manter o status, não tinha como ser pago.
Vitória roubou o cartão de crédito, esperando que o pagamento passasse sem PIN e que Elena notasse a falta apenas no dia seguinte.
— Eu teria recuperado tudo e devolvido! — gritou Vitória, olhando para o marido atônito e a mãe chocada.
— Você tem um emprego estável, Lena, você teria esperado! E a mim ameaçaram me mutilar!
Elena pegou o telefone em silêncio e discou um número.
— Polícia? Restaurante “Montblanc”.
Registrem fraude e roubo de cartão bancário.
A criminosa está aqui.
O garçom pigarreou e perguntou em voz baixa:
— Quem vai pagar a conta? Dezoito mil e quatrocentos.
Andrei tirou todo o dinheiro da carteira, jogou sobre a mesa, virou-se e saiu rapidamente, ignorando os pedidos da esposa.
Os convidados, evitando contato visual, começaram a sair apressadamente.
Elena se virou e caminhou em direção à porta.
Amanhã ela teria que procurar um trabalho extra para salvar os estudos do filho, mas sabia com certeza que levaria esse caso até o tribunal.
Na sua opinião, Elena deve perdoar a amiga, considerando as ameaças dos cobradores, ou por tamanha traição ela deve ser punida com uma pena real de prisão sem qualquer piedade? Escreva sua opinião nos comentários!







