— Vou dar a casa de campo à minha irmã, ela precisa mais do que nós, e nós nem a usamos, — meu marido me colocou diante do fato consumado.

Respondi da mesma forma.

— Vou dar a casa de campo à minha irmã, ela precisa mais do que nós, e nós nem a usamos, — disse ele.

Eu não respondi nada.

Apenas observei enquanto os dedos dele voltavam a se estender até a tigela, pegavam a mesma noz e a apertavam.

A noz rachou.

Anton juntou as cascas na mão fechada, procurou com os olhos a lixeira — ela ficava debaixo da pia — mas não se levantou e colocou as cascas de volta na tigela, junto das nozes inteiras.

A casa de campo.

Seiscentos metros quadrados a quarenta quilômetros da cidade.

As macieiras que meu avô havia plantado.

Os pés de groselha ao longo de todo o perímetro.

Uma casinha pré-fabricada, torta, com um pequeno fogão de ferro que acendíamos em setembro, quando íamos buscar batatas.

À direita, os vizinhos — a dona Zina, meio surda, sempre oferecendo mudas.

À esquerda, o terreno que três anos antes havia sido comprado por uns moscovitas, que ergueram uma cerca de chapa ondulada com quase três metros de altura.

Sempre tive a impressão de que, desde então, passamos a viver dentro de uma caixa.

Anton tinha ido à casa de campo umas cinco vezes durante todos esses anos.

Uma vez, quando levamos para lá o frigorífico velho, ele se sentou na varanda, bebeu uma cerveja e disse que ali era entediante.

Na segunda vez — no enterro do meu avô.

Ficou perto do portão, segurando uma pá e olhando para o telefone.

Na terceira — quando pedi que me ajudasse a refazer o telhado, ele apareceu, deu uma volta pela casa, disse que a ardósia ainda duraria bastante e voltou para a cidade com a desculpa de um trabalho urgente.

Das outras duas vezes, eu nem me lembro.

Talvez nem tenham existido.

— Ela precisa mais, — repetiu Anton.

— Tem hipoteca, dois filhos, e Valera está sem trabalho.

E para nós essa casa de campo só significa imposto.

Eu fiquei em silêncio.

Ele começou a se irritar.

Vi os músculos da mandíbula dele se contraírem — o mesmo jogo de sempre: primeiro o tom calmo, depois a irritação, depois a acusação de que eu complicava tudo.

— Você está me ouvindo?

— Estou.

— E então?

— Nada.

Ele se levantou e começou a andar pela cozinha.

Parou diante do frigorífico, abriu, olhou para dentro, fechou.

Abriu a torneira, encheu um copo com água, bebeu e deixou o copo na pia — não na máquina de lavar louça, que ficava ao lado, mas exatamente na pia, onde eu odiava deixar louça.

— Eu não estou pedindo sua autorização, — disse ele.

— Estou apenas informando você.

A casa de campo é minha.

Meu pai colocou no meu nome.

— Seu pai colocou no seu nome, — repeti.

— Mas as macieiras foram plantadas pelo meu avô.

— Que diferença faz quem plantou o quê?

Os documentos estão no meu nome.

Aproximei-me da mesa, despejei as nozes junto com as cascas de volta na tigela, com cuidado, uma ao lado da outra.

Depois peguei a tigela e a coloquei no peitoril da janela, ao lado do cacto que estava ali desde que nos mudamos.

O cacto era de plástico.

Eu o tinha comprado num posto de gasolina quando voltávamos da maternidade com o mais novo.

Sem motivo nenhum, só para colocar no carro.

Ficou no porta-copos e depois acabou indo parar na cozinha.

Uma vez Anton disse: «Para que você quer esse negócio que só junta poeira?», mas eu não joguei fora.

Não porque fosse caro.

Simplesmente não tive coragem.

— Tudo bem, — eu disse.

Ele ficou imóvel.

Esperava uma briga, esperava que eu começasse a gritar, que ligasse para a mãe dele, que lembrasse quanto eu havia investido naquela casa de campo durante vinte anos — e eu havia investido tudo o que tinha: minhas costas, meus nervos, sábados, domingos, férias.

Eu carregava baldes, pintava a cerca, amontoava terra nas plantas, arrancava mato, colhia, fazia conservas, congelava alimentos.

E ele ficava na cidade, no escritório dele, considerando que a casa de campo era apenas um lugar entediante.

— Tudo bem? — repetiu ele.

— Tudo bem.

Dê para sua irmã.

— Ótimo, — ele soltou o ar.

— Eu sabia que você entenderia.

Você é uma mulher sensata.

Ele se aproximou, quis me abraçar, mas eu me afastei — não de forma brusca, nem demonstrativa, simplesmente como se precisasse alcançar o armário, e ele entendeu que não devia me abraçar.

Foi para a sala.

Ouvi o clique do controle remoto e o murmúrio da televisão — notícias, cotação do dólar, sanções, mais sanções.

Fiquei junto à janela.

A vizinha com o toy terrier já tinha ido embora.

O pátio estava vazio.

No peitoril, ao lado do cacto de plástico, estava a tigela com as nozes.

Uma delas estava rachada e o miolo tinha caído — pequeno, enrugado, parecido com um cérebro.

Olhei para ele e pensei que, naquele ano, dona Zina não receberia minhas mudas.

Naquela noite Anton adormeceu rapidamente.

Ele sempre dormia rápido, como uma pessoa de consciência limpa ou de consciência muito conveniente — eu nunca soube qual era a forma mais certa de dizer.

Fiquei deitada olhando para o teto.

Um teto tensionado.

Branco.

Se olhasse por muito tempo, dava para perceber que ele cedia um pouco no canto, junto à janela.

O instalador tinha dito que era defeito, que precisava ser refeito, que voltássemos na semana seguinte.

Nós não voltamos.

Depois esquecemos.

Agora já nem nos lembraríamos.

Levantei-me, vesti o roupão e fui para a cozinha.

O telefone estava sobre a mesa.

Peguei, desbloqueei e procurei nos contatos a corretora de imóveis.

Uma mulher chamada Marina, que havia nos vendido aquele apartamento seis anos antes.

A conversa antiga tinha sido apagada, mas o número permanecia salvo.

Fiquei muito tempo escrevendo uma mensagem, apagando, escrevendo de novo.

No fim, escrevi simplesmente: «Marina, boa noite.

Lembra-se de mim?

O apartamento na Leninski, três quartos, Anton e eu.

Preciso saber quanto vale atualmente uma casa de campo a quarenta quilômetros da cidade, terreno de seiscentos metros quadrados, casinha pré-fabricada, macieiras.

E se é possível vender rápido.

Muito rápido.

Se algum dos seus clientes estiver procurando algo assim, pode vir ver.

O terreno é bom, elevado, não acumula água.

As maçãs são Papirovka e Antonovka.

A groselha é preta, grande.

Tem fogão.

Também ficou lenha seca, empilhada ao lado do galpão.

Diga-me o que acha».

Enviei.

Coloquei o telefone sobre a mesa.

Fui ao banheiro, lavei o rosto com água fria e me olhei no espelho.

Os olhos secos.

Os lábios cerrados.

A ruga entre as sobrancelhas — aquela mesma que a esteticista chamava de «ruga da raiva».

Eu não estava com raiva.

Na verdade, eu não sentia quase nada, além de uma estranha clareza na cabeça.

Como se alguém tivesse aberto uma janela em um cômodo abafado havia vinte anos.

De manhã, levantei-me antes de Anton.

Cozinhei ovos para ele — no café da manhã ele sempre comia dois ovos cozidos e bebia um copo de kefir.

Ele entrou na cozinha de cueca e camiseta, coçando o peito, e parou na porta: eu estava sentada à mesa com o notebook e havia documentos diante de mim.

— O que você está fazendo acordada tão cedo? — perguntou.

— Nada, não consegui dormir.

Ele se sentou à minha frente, descascou um ovo e colocou sal.

Olhou atentamente para mim.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não.

Está tudo bem.

— Você está meio…

— Meio o quê?

— Não sei.

Quietinha.

— De manhã eu sou sempre quieta.

— Não, hoje é outro tipo de silêncio.

Fechei o notebook, levantei-me, coloquei o prato com as cascas na pia e enxaguei as mãos.

Anton mastigava olhando para minhas costas.

Eu conhecia aquele olhar.

Ele não entendia o que estava acontecendo, e isso o irritava.

Precisava que tudo seguisse o roteiro dele: ele me comunicava sobre a casa de campo, eu ficava ofendida por um ou dois dias, depois ele me comprava alguma coisinha — brincos, um vestido, uma viagem de fim de semana — e eu amolecia.

Mas dessa vez eu não estava ofendida.

E isso destruía toda a estrutura dele.

— Talvez a gente vá no fim de semana? — perguntou.

— Para a casa de campo.

Antes de passar para o nome da minha irmã.

Fazemos churrasco, chamamos o Serëga e a Natasha.

Descansamos direito.

Eu me virei.

Ele me olhava quase suplicante — como no primeiro ano, quando tínhamos acabado de começar a namorar e ele me convidava para encontros bobos no boliche, enquanto eu fingia não ter tempo.

Eu queria fazê-lo insistir.

Naquela época eu gostava de ser a pessoa que precisava ser convencida.

— Não vai dar, — eu disse.

— Tenho outros planos.

— Quais?

— Vou visitar minha mãe.

Ela pediu ajuda com as cortinas.

— Que cortinas?

— Colocaram cortinas novas, precisa encurtar.

Eu prometi.

Ele fez um gesto com a mão — entendi, cortinas, coisa chata.

Pegou o telefone e começou a rolar a tela.

Saí da cozinha.

No quarto, abri o armário, peguei uma bolsa e coloquei algumas coisas dentro.

Era sexta-feira.

Eu tinha dois dias pela frente.

Até terça-feira, precisava conseguir fazer muita coisa.

Passei na casa da minha mãe, mas não por causa das cortinas.

Apenas sentei na cozinha dela, tomei chá com rosquinhas secas e ouvi histórias sobre o gato do vizinho, que havia revirado todos os canteiros, sobre o queijo cottage que tinha ficado mais caro, sobre meu pai não ligar de novo — apesar de meu pai ter morrido havia doze anos, e ela saber disso, mas às vezes esquecer, e eu não corrigia.

Minha mãe falava, e eu assentia.

Depois perguntou sobre Anton.

Eu disse: «Está trabalhando».

Ela suspirou: «Esse seu Anton tem um jeito difícil».

Eu não respondi.

Saindo do pátio da minha mãe, peguei um engarrafamento.

Fiquei parada, tamborilando os dedos no volante e olhando o para-choque do carro da frente.

No para-choque, como num espelho, meu rosto aparecia refletido — deformado, esticado.

Eu desviava o olhar, mas ele sempre voltava.

Em vinte anos, aprendi a não olhar para mim mesma em momentos assim.

Agora, de repente, fiquei curiosa.

Cheguei à casa de campo no fim da tarde.

A chave girou com dificuldade — a fechadura tinha enferrujado durante o inverno.

Lá dentro estava frio e cheirava a poeira, madeira velha e alguma coisa adocicada.

Abri as venezianas e deixei o ar entrar.

Andei pelo cômodo.

Uma cama de ferro coberta com uma manta de flanela.

Uma bacia esmaltada sobre um banquinho.

O pequeno fogão de ferro, com uma panela de ferro fundido em cima, contendo restos secos de algum mingau de tempos remotos.

Passei o dedo sobre a mesa.

A poeira formou uma linha cinza.

Depois saí para ver as macieiras.

Elas estavam floridas — branco sobre rosa, como se alguém tivesse jogado tule por cima.

Fiquei embaixo da Antonovka do meu avô e toquei o tronco áspero.

A árvore estava quente por causa do sol do dia.

O telefone apitou.

Marina: «Sveta, desculpe a demora para responder.

Posso ir ver a propriedade no sábado?

Tenho um comprador que quer algo para a mãe e precisa ser exatamente naquela região.

Se não estiver muito abandonada, dá para vender em dois ou três meses.

Mas venha também, me mostre tudo, eu tiro algumas fotos».

Escrevi: «Venha às onze.

Esteja lá.

O endereço é o mesmo».

Ela ligou de volta.

— Svet, você tem certeza de que consegue vender?

Pelos documentos, o proprietário é seu marido, certo?

— Vai conseguir, — respondi.

— Ele já concordou.

Mentir foi fácil.

Minha voz não tremeu.

Eu estava embaixo da macieira, olhando o céu, as nuvens parecidas com pedaços de algodão, pensando que Anton, na verdade, havia concordado.

Só não sabia disso ainda.

Naquela noite não dormi.

Alimentei o fogão, sentei na varanda e escutei o fogo rugir.

A fumaça subia para o céu, e parecia que eu estava sozinha no mundo inteiro.

Não existia cidade, apartamento, Anton com seus ovos cozidos, a irmã dele com a hipoteca, nem televisão com notícias.

Só eu, o fogão, as macieiras e a pilha de lenha ao lado do galpão.

Marina chegou sábado de manhã, exatamente às onze, em um crossover branco.

Desceu — saltos altos, terninho, óculos escuros cobrindo metade do rosto.

Olhou para a casa e para o terreno.

A expressão dela era profissionalmente simpática: sabia olhar para ruínas como se estivesse vendo uma casa de luxo.

— Então, mostre tudo, — disse.

Mostrei tudo: a casa, o fogão, o poço, as macieiras, os pés de groselha, a lenha.

Marina tirava fotos com o telefone e anotava coisas em um caderno.

Fazia perguntas sobre eletricidade, água, vizinhos.

Eu respondia calmamente, como se estivesse vendendo algo de outra pessoa.

Embora já fosse quase isso.

— Não quero criar falsas expectativas, — disse ela, guardando o telefone.

— Mas pelo preço que você quer, vai vender rápido.

Essa região está muito procurada pelos moscovitas agora.

Ainda mais porque a casa é habitável.

Se você colocar tudo em ordem, vai ser uma ótima opção.

— Vou colocar.

— Então segunda-feira eu mando o contrato.

Prepare os documentos: passaporte do proprietário, certificado, cadastro.

E diga ao seu marido que, para a venda, ele vai precisar comparecer pessoalmente.

Ou fazer uma procuração em cartório.

— Vou dizer.

Ela entrou no carro, mas não foi embora.

Baixou o vidro.

— Sveta, por que vocês estão vendendo?

O lugar é bom.

— Meu marido decidiu dar a casa de campo à irmã, — respondi.

— Ela precisa mais.

Marina assentiu.

Pelo rosto dela dava para perceber que não tinha entendido, mas não perguntou mais nada.

Foi embora.

Fiquei junto ao portão olhando a nuvem de poeira deixada pelas rodas.

Depois entrei em casa, encontrei uma velha caderneta quadriculada numa gaveta da mesa, sentei na varanda e comecei a escrever uma lista.

Maçãs — variedade.

Groselha — idade dos arbustos.

Poço — profundidade.

Fogão — combustível.

Preparei uma descrição.

Depois passei a limpo.

Depois rasguei a folha e comecei de novo.

Minhas mãos tremiam.

Parei, coloquei a caneta sobre os joelhos e expirei.

Não.

Ainda não.

Primeiro — a casa.

No domingo, lavei, esfreguei e joguei coisas fora.

Do galpão tirei baldes velhos furados — lixo.

De dentro da casa, levei para fora panos podres, potes vazios, pregos enferrujados.

Ao anoitecer, já havia três sacos cheios.

Coloquei-os do lado de fora do portão, perto da estrada.

A vizinha da direita, dona Zina, saiu por causa do barulho, ficou olhando por um bom tempo e depois se aproximou da cerca.

— Estão de mudança?

— Estou vendendo, — eu disse.

— Que pena.

— Para mim também.

Dona Zina ficou ali mais um pouco, acariciou o gato que se esfregava nas pernas dela e perguntou:

— E as macieiras vão ficar?

Ou alguém vai cortar?

— Que continuem crescendo.

— Deus queira, — disse ela, e foi embora.

À noite Anton ligou.

Sua voz estava desconfiada, como a de alguém procurando uma armadilha.

— Onde você está?

— Na casa de campo.

— Para quê?

— Colocando tudo em ordem.

Ele ficou em silêncio.

Depois disse:

— Para quê?

Se vamos dar para minha irmã?

— Pelo menos ela recebe limpa.

Não é bonito entregar um chiqueiro.

— Tá, tá, — ele disse.

— Mas você… volte.

Amanhã é segunda-feira.

— Vou voltar.

— Estou com saudade.

Eu fiquei em silêncio.

Ouvi a respiração dele pelo telefone.

— Svet?

— Vou voltar, — repeti.

— No fim da tarde.

Desliguei.

Fiquei perto do fogão.

O fogo já havia quase apagado, as brasas ainda brilhavam e estalavam.

Mexi nelas com o atiçador e acrescentei algumas lascas de madeira.

O tubo começou a roncar.

A fumaça subiu para o céu.

Na segunda-feira de manhã fui à cidade, até um cartório.

Não, não para fazer uma procuração para a venda.

Para outra procuração.

Uma antiga conhecida, Alina, trabalhava como tabeliã num cartório nos arredores.

Liguei para ela no caminho.

Ela disse: «Venha ao meio-dia, vai ser intervalo, mas eu recebo você».

O escritório cheirava a papel e verniz de móveis.

Alina estava sentada à mesa, analisando alguns documentos.

Ao me ver, colocou a pasta de lado e tirou os óculos.

— O que é tão urgente?

Sentei-me diante dela.

Tirei da bolsa uma pasta com os documentos da casa de campo.

Alina olhou a pasta, depois para mim.

— E?

— Faça uma procuração.

Para dispor dos bens.

— Em nome de quem?

— No meu.

— E quem é o proprietário?

— Anton.

— Anton precisa estar aqui.

— Alina.

Ela se recostou na cadeira.

Olhou para mim longamente — não como tabeliã, mas como alguém que me conhecia antes de Anton.

Uma vez dividimos apartamento, emprestávamos meias-calças uma à outra, brigamos por causa de um rapaz que depois acabou se casando com uma terceira.

Eu ainda não tinha pedido nada ilegal a ela.

Ainda.

— Sveta, eu não posso fazer isso sem ele.

— Ele não vai vir.

— Então menos ainda.

Abri a pasta e coloquei sobre a mesa o certificado, o passaporte cadastral, o contrato de doação que Anton havia assinado dois anos antes, quando o pai passou a casa de campo para ele.

Assinaturas.

Datas.

Tudo verdadeiro.

— Os documentos estão em ordem.

Preciso de uma procuração geral.

Para qualquer operação.

Eu vou vender.

— Você entende que isso é crime?

— Entendo.

— Você não é burra, Sveta.

Olhei para ela.

Alina suspirou, esfregou as têmporas, abriu uma gaveta e tirou um formulário em branco.

— Eu não ouvi nada, — disse ela.

— Você veio, mostrou os documentos, e eu preparei um rascunho.

A assinatura não é minha.

— Eu sei.

— Sveta, — ela fez uma pausa.

— Você realmente entende o que está fazendo?

— Entendo.

Ela começou a digitar.

Eu olhei pela janela.

Lá fora estava o pátio do cartório, a cerca, as bétulas.

O vento mexia as folhas.

De repente, senti-me leve, como se tivesse tirado um casaco pesado em um dia quente.

Alina me entregou a folha com o texto.

Eu li.

Estava tudo certo.

No campo «outorgante», aparecia o nome de Anton.

No campo «procurador» — o meu.

Faltava apenas a assinatura.

— Daqui para a frente é com você, — disse Alina.

Assenti, dobrei a folha e guardei na pasta.

Na porta, virei-me.

— Obrigada.

— Não agradeça, — respondeu.

— E não me ligue mais por causa disso.

Saí.

Dentro do carro, peguei uma caneta e coloquei a procuração sobre a pasta.

Minha mão não tremia.

Assinei.

Primeiro por mim.

Depois por ele.

A assinatura saiu parecida: durante vinte anos eu tinha visto Anton assinar listas, recibos, contratos.

A letra «A» com um gancho, o «n» parecido com um «i» invertido, e no final uma cauda longa e solta.

Atravessei a cidade inteira para voltar para casa.

Trânsito.

Semáforos vermelhos.

Pedestres que sempre precisam chegar ao outro lado.

Eu dirigia pensando que a casa de campo já quase não era mais minha.

E isso estava certo.

E, por algum motivo, não dava medo.

Anton me esperava na porta.

Estava parado no vão, braços cruzados sobre o peito, olhando para minha bolsa.

— Onde você estava vagando?

— Na casa da minha mãe.

— Liguei para sua mãe.

Você não estava lá.

— Então minha mãe mentiu.

Ele me agarrou pelo cotovelo, puxou para dentro do hall e fechou a porta.

O cheiro do perfume dele — algo masculino, apimentado — encheu todo o espaço.

— Sveta, o que está acontecendo?

— Nada.

— Você não dormiu em casa.

— Eu estava na casa de campo.

— Você esteve num cartório.

Fiquei imóvel.

Ele apertava meu cotovelo cada vez mais.

Uma veia saltou no pescoço.

Os olhos se moviam nervosamente.

— Como você sabe?

— Dasha, a mulher do Serëga, viu você saindo do cartório.

Ela trabalha do outro lado da rua.

Ligou perguntando por que minha mulher estava indo a um cartório tão cedo.

Achei que ela tivesse se confundido.

Mas aí aparece você com bolsa e essa cara de conspiradora.

Puxei o braço para me soltar.

Fui para a sala e sentei no sofá.

Ele sentou na minha frente, numa cadeira, entrelaçando os dedos.

Olhou para mim como para uma estranha.

Ou como para uma presa que havia parado de sentir medo.

— O que você está planejando?

— Nada.

— Sveta.

— A casa de campo, — eu disse.

— Você disse: dê para minha irmã.

Eu pensei: por que dar, se podemos vender?

E dividir o dinheiro.

— Quem vai dividir?

— Nós.

Você e eu.

Ou você já decidiu isso sem mim também?

Ele ficou em silêncio.

Eu via as engrenagens girando na cabeça dele.

Vender era mais lucrativo do que dar.

Dinheiro era um argumento.

Anton gostava de dinheiro.

Não como se ama o sentido da vida, mas como se ama doce: até enjoar, até deixar os dedos pegajosos.

— Quanto estão pagando?

— A corretora diz que podemos conseguir dois ou três milhões.

— Quanto?

— Três, se esperarmos.

— E se for rápido?

— Dois.

Ele esfregou o rosto com as mãos.

Depois olhou para mim — não com raiva, mas fazendo contas.

Eu conhecia aquele olhar.

Era o mesmo com que olhava para a calculadora de financiamento quando compramos o apartamento.

O mesmo com que olhava para o velho Ford Focus quando vendemos antes de comprar outro carro.

O mesmo com que olhava para mim quando decidia o que eu diria.

— Vamos vender, — disse ele.

— Ajudo minha irmã com o dinheiro.

Uma parte.

— Tudo bem.

— Precisa de algum documento meu?

— Uma procuração.

Já preparei.

— Onde está?

Abri a bolsa e tirei a pasta.

Entreguei a folha a ele.

Ele pegou, aproximou do rosto e mexeu os lábios enquanto lia.

Observei os olhos dele correrem pelas linhas.

Ele nunca lia com atenção.

Nunca verificava aquilo que assinava.

Podia assinar um contrato de crédito, um seguro, uma garantia sem pensar.

Eu sabia disso.

E ele também sabia.

— Me dá uma caneta, — disse.

Entreguei.

Ele assinou.

Sem olhar.

Depois devolveu a procuração.

Dobrei, guardei na pasta e coloquei de volta na bolsa.

— Pronto, — disse ele.

— E você estava com medo.

— Eu não estava com medo.

— Melhor ainda.

Ele se levantou, se espreguiçou, olhou o relógio e disse que iria até a casa do Serëga comemorar.

Pegou as chaves do carro, calçou os sapatos e bateu a porta.

Fiquei sozinha.

O apartamento ainda cheirava ao perfume dele.

Abri a janela.

O vento entrou trazendo o barulho do pátio, o grito de uma criança, o latido do toy terrier.

Sentei no peitoril, ao lado do cacto de plástico.

A tigela com as nozes estava entre nós.

Peguei a noz rachada, retirei o miolo e coloquei na boca.

Era amargo.

Mastiguei olhando os choupos balançando do lado de fora.

Uma semana depois, Marina trouxe o comprador.

Um homem forte de uns cinquenta anos, com a esposa — quieta, usando um lenço na cabeça.

Eles andaram pelo terreno, tocaram as macieiras, olharam dentro do poço.

A mulher sentou no banco ao lado da casa, passou a mão no peitoril de madeira e olhou para o fogão.

— Vamos ficar com ela, — disse o homem.

A venda foi feita na cidade, na imobiliária.

Eu cheguei com a procuração.

Marina examinou os documentos e assentiu.

O comprador transferiu o dinheiro.

Eu olhava para os números no contrato.

Três milhões e duzentos mil.

Por vinte anos de vida naquela casa de campo.

Cento e sessenta mil por ano.

Treze mil por mês.

Quatrocentos e trinta rublos por dia.

Menos do que o meu almoço no refeitório.

Em casa, transferi metade do valor para uma conta separada.

A outra metade deixei na conta conjunta.

Anton viu a notificação no telefone, correu para a cozinha de olhos arregalados.

— O quê?!

Você já vendeu?!

— Sim.

— Por que não me disse?

— Eu disse.

Você assinou a procuração.

Ou esqueceu?

Ele ficou parado de boca aberta.

Depois começou a rir — nervoso, em risadas curtas.

Me abraçou e me apertou contra ele.

Cheirava a suor e tabaco, embora ele não fumasse.

Eu fiquei parada, sem retribuir o abraço.

— Svetka, você é uma fera!

Olha só!

Dois milhões!

Dois!

Vamos trocar de carro!

Dá para comprar um Kia novo!

E se acrescentarmos um pouco…

— Não.

— Não o quê?

— Não vamos mexer no dinheiro.

— Como assim?

— Colocamos num depósito.

Rendendo juros.

Ou compramos um estúdio.

Alugamos.

— Um estúdio?

Para quê?

— Para que depois os filhos não perguntem onde foi parar a casa de campo.

Ele franziu a testa.

Eu via a ganância e o ressentimento lutando dentro dele.

Ele queria o carro.

Na cabeça, já estava dirigindo, já virava o volante, já entrava no pátio do Serëga buzinando.

E eu mais uma vez estragava tudo.

— Vamos ver, — disse ele.

— Você sempre tem essas fantasias.

Foi para o quarto.

Ouvi-o falando ao telefone — provavelmente com Serëga, pedindo opinião.

A voz dele ficava ora baixa, ora alta.

Eu não prestei atenção.

Peguei o telefone e liguei para minha mãe.

— Mãe, e as cortinas?

— Estão penduradas.

Por quê?

— Vou no sábado.

A gente encurta.

— Tudo bem, filha.

Desliguei o telefone.

Sentei perto da janela.

O cacto de plástico estava no peitoril.

Peguei, virei entre as mãos.

No fundo havia uma etiqueta — «Made in China».

Arranquei, fiz uma bolinha e joguei fora.

Depois coloquei o cacto de volta.

Que ficasse.

Ele não tinha culpa de ser de plástico.

Naquela noite, quando Anton adormeceu, levantei silenciosamente, me vesti e saí do apartamento.

Fui até a periferia, ao cartório.

Tranquei o carro e subi os degraus da entrada.

A porta, claro, estava fechada.

Mas eu não tinha ido para entrar.

Apenas fiquei parada junto à entrada, olhando as janelas e as bétulas do pátio.

O vento mexia as folhas.

Depois saí da cidade.

Segui pela estrada noturna, pela floresta, pela ponte.

Virei na estrada conhecida.

Parei diante do portão.

Não havia carro estranho — os compradores ainda não tinham se mudado.

Desci.

O portão rangeu.

As macieiras estavam na escuridão, e as flores brancas brilhavam como se alguém tivesse colocado vaga-lumes entre elas.

Segui pelo caminho até a casa e sentei na varanda.

Tirei a chave do bolso.

A mesma com que eu havia aberto aquela porta durante vinte anos.

Estava quente por causa da minha mão.

Segurei a chave e olhei para o céu.

As estrelas pareciam estranhas.

Ou talvez fossem minhas.

Eu não sabia.

E já não importava.

Quando amanheceu, levantei, sacudi o vestido e saí pelo portão.

A chave ficou sobre o degrau — pequena, de ferro, com uma ranhura enferrujada.

Não olhei para trás.

Entrei no carro e girei a chave na ignição.

Para trás ficaram as macieiras, a casa, o fogão e a pilha de lenha.

À frente — a estrada para a cidade, o apartamento na Leninski, Anton dormindo e a conta conjunta com um milhão.