« No Canadá, viver custa metade, mas eu voltei à Rússia para sempre. » Destino complicado, quem é sua mulher e filhos: sobre a vida pessoal de Aleksei Serebriakov.

Em julho, ele completou 61 anos. Meio século no cinema, mais de cento e setenta papéis, reconhecimento nos dois lados do oceano — esse é o legado de Aleksei Serebriakov.

Mas sua vida não é apenas uma carreira de sucesso, é um verdadeiro romance com reviravoltas. Ele deixou a Rússia pelo Canadá, mas, dez anos depois, voltou, definitivamente ligado à pátria.

Ele encontrou sua única esposa, conquistando-a de um estrangeiro, formou uma família adotando dois irmãos, mas nunca teve filhos biológicos.

Qual é o segredo dessa personalidade brilhante, talentosa e inesquecível? Vamos aos bastidores de sua vida.

Acordeão por acaso e «O Chamado Eterno» : como tudo começou
Aleksei Valerievich nasceu em 3 de julho de 1964, em Moscou, em uma família de engenheiro aeronáutico e médica.

A infância do futuro ator foi no bairro do VDNKh, onde se apaixonou por música, não por teatro. O virtuosismo no acordeão foi decisivo.

Aos 13 anos, uma foto de Aleksei com o instrumento apareceu no «Vechernyaya Moskva» — reportagem sobre a escola de música.

A foto foi notada pelos assistentes do diretor Valeri Uskov, que procuravam um rosto para o filme «O Chamado Eterno».

Assim, Lesha estreou no cinema, interpretando o jovem Dimka Savelyev. Aos 17 anos, já tinha dezenas de papéis («Homens de Ombrelas Rubras», «A Última Fuga»).

Fracasso em «Shchuka» e teatro em Syzran
Mas o caminho para a fama foi árduo. Confiante em seus talentos, Aleksei decidiu estudar no Instituto Teatral Shchukin, mas falhou nos exames de entrada.

Um golpe no orgulho próprio o levou a Syzran, onde, por 50 rublos por mês, Serebriakov atuava no teatro dramático local e vivia em um dormitório precário.

Mas semear o conhecimento e o que é eterno na província foi mais difícil do que imaginava.

«A província me colocou rapidamente no meu lugar», mais tarde recordou ele.

Um ano depois, o jovem voltou a Moscou, entrou no Shchepkin, depois transferiu-se para o GITIS — na oficina lendária de Oleg Tabakov.

«Fanático», «Advogado» e recusa por princípio
Após o GITIS (1986), Serebriakov trabalhou 5 anos na «Tabakierka» de Tabakov, mas em 1991, entrou no cinema.

«Eu não estava satisfeito com o que acontecia no teatro», admite o artista.

Nas telas, seu primeiro grande sucesso foi o papel do karatêka Egor Larine («O Pequeno») no filme de ação «Fanático».

O filme teve bilheteria recorde, e o cachê do ator superou vários salários anuais no teatro.

Quando os diretores propuseram uma sequência, Aleksei recusou — chamando o roteiro de fraco, e ele não se enganou: a segunda parte fracassou.

Mas a verdadeira fama nacional chegou no início dos anos 2000, quando interpretou o respeitado Oleg Zvantsov («Advogado») na série criminal «São Petersburgo Bandido».

Curiosamente, Serebriakov inicialmente recusou o papel, mas foi convencido pelos amigos Dmitri Pevtsov e Olga Drozdova, que atuavam no projeto.

Depois vieram papéis cultes: o comandante Tverdokhlebov em «Battalion Penal» (2004), o dono de rancho em «Carga 200» (2007).

Pelo papel em «Foice e Martelo» (1994), ganhou o prêmio «Kinoshock», embora tenha considerado seu trabalho «fracassado».

Levou a mulher de um canadense : Maria, filhos e casamento destruído
A vida pessoal do ator é um roteiro dramático pronto. Ele conheceu sua única esposa Maria duas vezes.

Em 1980, em uma festa, conheceu Maria, bailarina do conjunto Moiseev. Mas ela foi ao Canadá por contrato, casou-se lá e teve uma filha, Daria.

Dez anos depois, reencontraram-se por acaso em Moscou. Maria era casada e criava a filha Dasha, mas um romance surgiu entre eles.

«Eu me agarrei a ela — era impossível largar! Passamos o dia juntos. Eu disse que a amava», lembrava o ator.

Logo Maria se divorciou e voltou com Dasha para a Rússia. Aleksei a adotou e, depois, o casal acolheu dois meninos de um orfanato — Danila e Stepan.

Os meninos tinham problemas de saúde, mas, graças aos cuidados dos pais, os superaram.

O casal não teve filhos biológicos — duas gravidezes de Maria terminaram triste.

O ator desistiu da ideia de herdeiros biológicos para não expor a esposa ao risco.

«No Canadá, viver custa metade»: mudança para o Canadá e vida nos dois países
Em 2012, o artista recebeu o título de Artista do Povo da Rússia (em 2010) e surpreendeu colegas — mudou-se com família para Toronto, Canadá.

Ele mencionava motivos variados: «No Canadá, viver custa metade»; «Na Rússia há agressividade e grosseria»; «Quero que meus filhos sejam cidadãos do mundo».

Mesmo assim, manteve a cidadania russa e continuou a filmar no país.

Em 2014, estreou «Leviathan» de Zviaguintsev, com Serebriakov no papel principal. O filme ganhou o Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar.

No entanto, colegas e fãs receberam sua atitude com ambivalência : «Se alimenta da Rússia, mas vive no exterior!».

A situação explodiu em 2018, após entrevista polêmica, com críticas duras ao país onde continuava a ganhar.

Enquanto isso, no Canadá, sua carreira não engrenou.

Serebriakov teve principalmente papéis pequenos e participações em séries como «McMafia», ou era o “russo malvado” no cinema hollywoodiano (como em «Nobody»).

Retorno ao lar: «Eu nunca saí!»
Em 2021, Aleksei declarou sem aviso prévio: «Voltei para a Rússia para sempre. E, na verdade, nunca saí — apenas educava meus filhos no Canadá».

Sua filha Dasha e a neta também retornaram a Moscou. Os meninos ficaram no Canadá, e Maria vive em dois continentes.

O ator explicou que emigrou para oferecer à família «uma ideologia de bondade», mas a saudade da pátria venceu.

Após o retorno, a carreira floresceu: entre 2023 e 2025, participou de 15 projetos, incluindo o thriller «Fúria», o drama «Salvar o Filho Único», a comédia «Sul» e o vencedor do Oscar «Anora», onde interpretou um oligarca russo.

Conclusão : «Sou russo, e me entrego»
Seu personagem em «Leviathan» dizia: «Eu me rendo, porque sou russo».

O ator, porém, não parece se render. Aos 61 anos, com mais de 170 papéis, repete no teatro, filma 4‑5 projetos por ano e cria os netos.

Seu retorno à Rússia não é arrependimento, mas uma escolha consciente. Como diz: «O homem deve viver onde pode concretizar o melhor de si».

Seu caminho reflete uma geração : do «Fanático» soviético ao triunfo em Cannes; da emigração «por causa da grosseria!» ao retorno com «eu não tinha partido!».

E mesmo que suas palavras sobre a Rússia provoquem controvérsia, seu talento é reconhecido até por críticos…