Filho, decidi vender a casa de campo.
Está ficando difícil para mim.

Antes o pai ajudava, mas agora estou sozinha.
Vocês não querem cuidar da horta, embora eu quase toda a colheita entregue a vocês.
— Que notícia! E onde vamos levar os meninos? As férias estão chegando, Vera e eu queríamos trazê-los para você durante todo o verão.
E no apartamento, o que eles fariam lá?
— Durante todo o verão? Édik, está difícil para mim, pressão alta, e já não sou jovem.
E preciso cozinhar para os netos três vezes ao dia, e não qualquer coisa, limpar depois deles.
Mesmo que já sejam grandes, eles não sabem arrumar suas coisas.
E a horta, tudo isso é pesado.
Grisha ajudava antes, mas sozinha não consigo mais…
— Mãe, não se exalte, não se apresse.
Vamos pensar na venda no outono.
Vera e eu queremos descansar deles no verão.
E você tem ar fresco aí, que beleza.
Pode chamar os meninos para a horta, eu permito.
— Não me faça rir.
Eles são preguiçosos aí, só sabem brincar, jogar e dormir.
Já estão crescidos, têm 13 anos, mas ainda agem como crianças.
E eu tenho que lavar a roupa deles, alimentá-los, além de vigiar onde estão e com quem.
Sua Vera pediu para ser mais rígida com eles.
Que venham por uma semana, no máximo.
E a casa de campo, vou colocar à venda, talvez alguém se interesse.
— Mãe, você vai nos dar um belo susto.
Estamos contando com você.
Vera já está olhando pacotes de viagem para o verão, queremos viajar para o exterior por um mês, conseguimos juntar dinheiro.
— Levem os filhos, vocês sempre viajam sem eles, eles vão se divertir.
— Ai, eles não sabem se comportar, só dão problemas.
À noite, Édik contou à esposa sobre a decisão da mãe.
— Édik, mas o que ela está fingindo? É saudável como um cavalo! Não quer ficar com os netos, que avó! E vender a casa de campo — que ideia tola! As batatas crescem maravilhosas, framboesas, tomates! Isso não se encontra no supermercado!
Ela poderia cuidar da horta e dos netos, o que mais poderia fazer? Onde vamos colocar esses preguiçosos agora? Eles já me deram dor de cabeça suficiente! Ao menos um ainda poderia ter sido bom.
Que azar ter gêmeos! Sem vida pessoal!
E agora sua mãe está se fazendo de difícil! Não me importo, vamos trazer os meninos e pronto! Que faça o que quiser com eles.
Estou cansada, quero descansar!
— Vera, eles plantaram a horta com o pai, e agora é difícil para ela sozinha.
Ela só se recuperou recentemente da morte dele.
E a pressão sobe, Deus nos livre de um derrame, você vai cuidar dela depois?
— Deus nos livre! Ainda me falta ter uma sogra doente, credo!
— Ou podemos levar para seus pais? Eles raramente veem os netos, então vão se divertir bastante!
— Que nada, minha mãe tem problemas cardíacos, o pai é diabético.
Eles não podem se estressar ou ficar nervosos!
— E minha mãe pode? Ela sempre concorda e ainda manda muitos mantimentos.
E os seus nunca nos ajudaram.
— Sabe, eu tenho marido, por que eles deveriam ajudar? Tudo bem, vamos resolver.
Vera decidiu ligar para a sogra e conversar.
— Alla Ivanovna, olá.
Édik disse que você quer vender a casa de campo? Está tão difícil assim? Você é forte e ainda não é velha.
Conheço senhoras que aos 80 anos ainda cuidam da horta, e nada.
E você é muito mais jovem.
E onde vamos levar as crianças, já pensou nisso? Elas precisam de ar fresco, natureza.
A vida toda, todos levam seus filhos para as avós nas férias.
Estou exausta deles…
— Vera, é difícil para mim cuidar da horta sozinha, vocês não querem ajudar, embora gostem de batatas e tomates da horta.
Quero viver para mim.
Ir à piscina, passear, ler livros, assistir TV.
E minha saúde não está boa.
Mas fico feliz com os netos.
Podem ficar por uma semana, e no apartamento também.
Nem todas as avós têm casas de campo.
Eu nunca recusei nada a vocês durante todos esses anos, não é?
— Vocês são egoístas! Pensam só em si! Vocês têm um filho e dois netos, por quem vivem? E o dinheiro da venda da casa, para onde vai? Édik e eu decidimos comprar outro carro para mim.
Com um só é inconveniente.
Poderiam ajudar.
Vocês já não precisam de nada.
— Eu fico me perguntando por que seus pais nunca pegavam os netos no verão, não ajudavam financeiramente e com mantimentos? Eles têm loja própria, renda boa.
Poderiam ajudar na compra do carro, se vocês mesmos não podiam.
— Sabe de uma coisa! Não fiquem contando o dinheiro dos outros! Eles ganharam honestamente, e é direito deles gastar ou não.
E não comparem saúde.
Minha mãe tem problemas no coração, não pode se sobrecarregar.
E vocês vão para a piscina, então não está tão ruim!
— Também não tenho muita saúde, mas raramente reclamo.
Meu marido e eu sempre ajudamos vocês em tudo!
— Está claro.
Não podemos esperar ajuda de vocês agora.
Não querem, então como quiserem.
Agora vocês quase não verão os netos.
Vivam para si mesmos, e não contem conosco.
Egoísta!
O telefone tocou.
Alla Ivanovna olhou para o retrato do marido.
— Ouviu, Grisha? Sou egoísta, pelo visto… Tudo o que fizemos por eles foi apagado de repente! Criamos nosso filho, olha só… A esposa dele diz o que quer, e ele obedece.
Sem a casa e sem dinheiro, ele não precisa mais de mim.
Vou agir conforme a consciência.
Como achar necessário.
Você concorda, Grisha? Então ótimo.
Alla Ivanovna vendeu a casa de campo.
Guardou parte do dinheiro para si e o restante levou ao banco, abriu contas para os netos.
Frequentou a piscina e até se matriculou em fitness para idosos.
Ficou feliz por não ter ouvido o filho e a nora e ter vendido a casa.
O filho e a esposa ficaram chateados por ela não ter dado nada da venda.
Eles não sabiam das contas abertas para os filhos.
As crianças eram deixadas de vez em quando, quando viajavam de férias, apesar das ameaças de Vera de que a avó não veria as crianças.
Por uma semana, no máximo.
Alla Ivanovna estabeleceu suas próprias regras.
Ela teve muito tempo livre, que passou se dedicando a si mesma.
Comprou um pacote para um sanatório e foi se tratar.
A vida ganhou novas cores! Que egoísta ela é!
Em nossa sociedade existe o estereótipo de que os pais devem ajudar os filhos, netos e até bisnetos até a velhice.
Conheço casos em que os pais construíram casas para os filhos, educaram-nos, organizaram casamentos.
Depois ajudavam os netos, davam dinheiro para estudo, telefones e outras alegrias da vida.
E ainda se privavam de muitas coisas, dizendo que não podiam, precisavam colocar os netos no caminho certo… E filhos e netos não reclamavam.
Já se acostumaram e aceitam como algo natural.
Ainda ficam chateados se a ajuda parar…







