— Mãe, quando o papai vai chegar? — Petya estava à janela, com o nariz encostado no vidro frio.
Svetlana olhou para o relógio.

Dez e quarenta.
Oleg tinha prometido voltar às dez.
A mesa estava posta, a salada Olivier na geladeira, o frango assado esperando no fogão.
Ela até comprou espumante, embora normalmente economizassem.
— Já já, meu amor.
A voz falhou.
A nevasca lá fora ficava mais forte, a neve grudava nos postes de luz do pátio.
Svetlana discou o número do marido pela quarta vez.
Nas três primeiras, ele desligou.
Agora, pelo menos, chamou.
— O que foi? — a voz de Oleg estava abafada, irritada.
— Onde você está? Estamos esperando, já são quase onze…
— Eu disse que ia me atrasar.
A nevasca está infernal, não limpam as estradas.
Não me espere, vai dormir.
Não me espere.
Ele disse isso tão naturalmente, como se fosse sobre um café da manhã perdido, e não sobre o Ano Novo.
Svetlana apertou o telefone.
— Oleg, é Ano Novo.
O Petya ficou a noite inteira na janela…
— Sveta, não me enche!
Eu não posso agora!
Com esse tempo é mortalmente perigoso dirigir, você não entende?!
Mas por trás da voz dele, no fundo da ligação, ela ouviu outra coisa.
Risos.
De mulher.
Depois uma voz masculina gritou algo animado.
E música.
— Onde você está?
— Eu já disse, estou preso!
Chega, tchau!
Ele desligou.
Svetlana baixou a mão com o telefone e quase imediatamente viu o nome dele de novo na tela — chamada recebida.
Ela apertou “atender”, mas não teve tempo de dizer uma palavra.
— …você tá falando sério que vai pra casa? — uma voz estranha, jovem, bêbada.
— Tá doido, — era Oleg, e ele não estava falando com ela, e sim com alguém ao lado, — pra que eu vou ficar mofando em casa com a esposa e o moleque, quando aqui tá acontecendo isso!
Eu disse pra ela: não me espera em casa.
Que ela comemore sozinha, se quiser.
Gargalhadas.
Brinde de copinhos.
A música mais alta.
Oleg continuou dizendo alguma coisa, mas Svetlana já tinha colocado o telefone sobre a mesa.
Ele não tinha encerrado a ligação.
Ligou para ela de novo sem querer, e agora ela ouvia tudo.
Ela foi até a janela, onde Petya estava, e o abraçou pelos ombros.
— Peten’ka, vem cá.
Nós dois vamos pra casa da vovó e do vovô.
Agora mesmo.
O filho se virou e assentiu.
Não perguntou por quê.
Crianças sentem mais do que parece.
Svetlana pegou no armário uma mala velha e em dez minutos juntou as coisas: as do menino, as dela, documentos.
Não chorou.
As lágrimas tinham ido tão fundo que não dava para alcançá-las.
A árvore piscava luzinhas coloridas, a mesa continuava intocada.
Ela apagou a luz do quarto, deixando só o pisca-pisca.
Que fique aceso.
Que ele volte e veja.
O vizinho Viktor ajudou a levar as malas até o carro.
Ele não perguntou nada, só assentiu, sombrio.
— Numa nevasca dessas?
— Numa dessas.
Svetlana ligou o motor e saiu do pátio.
Petya já cochilava no banco de trás.
A nevasca batia no vidro com tanta força que os limpadores mal davam conta.
A estrada estava vazia.
Todo mundo estava em casa, celebrando.
Todo mundo, menos ela.
O carro morreu no quilômetro vinte e três.
Svetlana tentou dar partida de novo — o motor engasgava e apagava.
Em volta, um branco sem fim, neve até os joelhos, ninguém.
O telefone marcava meia-noite e meia.
O Ano Novo já tinha começado.
Petya dormia sob a jaqueta dela.
O frio se infiltrava no interior do carro.
Vinte minutos depois, no retrovisor, brilharam faróis amarelos.
Um grande SUV parou a poucos metros.
Da cabine desceu um homem alto, puxou o capuz e se aproximou da janela.
— Vocês ficaram presos?
— O carro apagou.
Ele deu a volta no carro e voltou.
— Dmitri.
Posso rebocar.
Pra onde vocês precisam ir?
— Para a casa dos meus pais.
Mais uns trinta quilômetros.
Ele assentiu como se fosse a coisa mais natural do mundo — levar uma desconhecida com uma criança numa nevasca, no meio da noite.
Engatou tudo rápido, sem palavras desnecessárias.
Dez minutos depois, já estavam andando.
Quando chegaram à casa dos pais, Dmitri desceu e soltou o cabo.
Svetlana pegou a carteira, mas ele balançou a cabeça.
— Não precisa.
Só se cuide.
— Eu nem sei como agradecer…
— Você já agradeceu.
Por ter ido.
Significa que está fazendo a coisa certa.
Ele falava como se soubesse tudo, embora ela não tivesse contado nada.
Dmitri estendeu um pedaço de papel.
— Se for consertar o carro, aqui está o telefone de um mecânico conhecido.
E o meu também está aí.
Por via das dúvidas.
Svetlana pegou o papel.
Dmitri entrou no carro dele e foi embora, os faróis se dissolveram na nevasca.
A mãe abriu a porta.
Não perguntou nada, apenas abraçou a filha e pegou Petya adormecido no colo.
Oleg apareceu no terceiro dia.
Ligou como se nada tivesse acontecido, a voz estava frouxa.
— Qual é, não seja criança.
Ficou ofendida?
Eu não fiz de propósito, só aconteceu.
Svetlana estava sentada na cozinha dos pais, olhando pela janela o pátio coberto de neve.
— Eu entrei com o pedido de divórcio.
Pausa.
Depois uma risadinha.
— Você tá falando sério?
Por causa de uma noite?
— Por causa de cinco anos em que eu não quis ver a verdade.
E naquela noite você mesmo me mostrou.
— Sveta, você tá falando besteira.
Volta pra casa, a gente conversa direito…
— Eu já estou em casa.
Ela desligou.
Ele não ligou mais.
O divórcio foi pelo tribunal e levou dois meses.
Oleg foi uma vez, deu de ombros e disse que, se ela queria assim, então que fosse do jeito dela.
Fixaram pensão, mas ele pagava uma vez a cada três meses.
Svetlana não corria atrás.
Ela não se importava.
Três semanas depois do divórcio, o telefone vibrou com um número desconhecido.
— Svetlana?
Aqui é o Dmitri.
Aquele da estrada.
Desculpe incomodar.
Queria saber — como você está?
Consertaram o carro?
Ela se surpreendeu.
— Está tudo bem.
Consertamos.
Obrigada mais uma vez.
— Fico feliz em ouvir.
Sabe, naquele dia eu também não estava indo pra casa.
Minha noiva me deixou antes do Ano Novo.
Disse que não queria se envolver com alguém que passa metade da vida na estrada.
Então eu peguei uma viagem pra não ficar sozinho.
Quando vi você na estrada com uma criança, pensei: é o destino.
Mostrando que não sou o único.
Ele falava simples, sem pena de si mesmo.
Svetlana escutava e entendia que, pela primeira vez, era leve conversar com um homem.
Eles conversaram por uma hora, depois de novo à noite.
Dmitri ligava uma vez por semana, depois com mais frequência.
Contava sobre as estradas, ela sobre o trabalho no correio e sobre Petya.
Sem pressa.
Apenas duas pessoas para quem era fácil conversar.
Um dia, em abril, Svetlana entrou no mercadinho perto do correio.
Na fila do caixa estava Oleg.
Ele parecia cansado, o rosto inchado, a jaqueta amassada.
Pagava com moedas, contando trocados.
— Não dá, — disse a caixa, fria.
— Como não dá?
Eu contei certinho…
— Faltam trinta rublos.
Ou você completa, ou tira alguma coisa.
Oleg corou, começou a vasculhar os bolsos.
Svetlana estava na fila atrás dele e via as mãos dele tremendo.
Ele tirou uma nota amassada e colocou no balcão.
— Aqui, toma.
A caixa pegou o dinheiro e passou a compra.
Oleg agarrou a sacola e se virou — viu Svetlana.
Parou.
— Oi, — disse ele, baixinho.
— Oi.
Ficaram em silêncio.
Oleg lambeu os lábios, tentou sorrir.
— Como você tá?
E o Petya?
— Bem.
Tudo bem.
— Escuta, eu queria dizer… sobre a pensão.
Eu vou transferir logo, juro.
Só que eu mudei de trabalho, lá atrasam o salário…
Svetlana olhou para ele e percebeu que não sentia nada.
Nem raiva, nem pena.
Vazio.
— Oleg, não precisa.
A gente dá conta.
Ele assentiu, desviou o olhar.
Ficou mais um segundo e saiu.
Svetlana pagou suas compras e viu pela janela como ele ia pela rua sozinho, curvado sob uma chuvinha fina.
Ninguém o esperava.
Ele não tinha pressa de chegar a lugar nenhum.
Ela se lembrou daquela noite de Ano Novo, do riso dele na ligação, das palavras “não me espere em casa” — e entendeu que ele tinha recebido exatamente o que merecia.
Solidão.
Dmitri veio em maio.
Trouxe para Petya um carrinho grande — uma cópia exata do caminhão dele.
O menino ficou encantado, e Svetlana, pela primeira vez em muito tempo, sentiu que havia ao lado um homem que não mentia.
Eles não se viam com frequência — Dmitri trabalhava muito — mas quando vinha, ficava bastante tempo.
Ajudava em casa, brincava com Petya, não prometia mundos e fundos.
Apenas estava ali.
Dois anos depois, ao som das badaladas da meia-noite, Svetlana estava perto da árvore.
Dmitri segurava a mão dela.
Petya dormia no quarto ao lado, abraçado àquele carrinho.
— Svetlana, casa comigo, — disse Dmitri, baixo.
Ela olhou para ele.
Sem lágrimas, sem drama.
— Sim.
Naquele momento, ela se lembrou da nevasca, do carro parado, da noite em que foi deixada sozinha.
E entendeu que às vezes é preciso perder tudo para encontrar o que realmente importa.
E Oleg ficou lá, naquela vida em que cada um escolhe o próprio caminho.
Ele escolheu a diversão por uma noite.
E recebeu o vazio por todo o resto.







