Um frio feroz chegou justamente na véspera de Ano-Novo.

Antes de sair, Marina olhou o termômetro — menos vinte.

Mas a sensação térmica parecia muito pior.

— Bela festa… Antes tivesse começado a nevar, — murmurou ela, acomodando as sacolas de compras no porta-malas.

A velha “Niva” era motivo de orgulho para seu marido, Nikolai.

Ele se recusava terminantemente a trocar de carro, embora já fizesse tempo que pudessem comprar algo mais moderno.

Marina sonhava com conforto, e ele repetia teimosamente:

— A “Niva” tem uma capacidade de passar por qualquer terreno melhor do que qualquer carro estrangeiro.

Discutir com ele era inútil — parecia que até na velhice continuariam andando exatamente naquele carro.

Os dois já tinham passado dos sessenta, mas Marina não se sentia idosa.

Ambos estavam em boa forma, sem problemas sérios de saúde.

A mãe de Nikolai, apesar da idade, os convidara para passar o Ano-Novo na casa dela.

Como sempre, os preparativos se prolongaram — de manhã os filhos apareceram para dar os parabéns, depois trouxeram os netos.

Nikolai resmungava que estavam saindo tarde demais.

Mas como ir sem levar quitutes?

A sogra gostava de comer bem, especialmente nos feriados.

Marina, no último instante, corria pelo mercado, enquanto o relógio já marcava quase nove da noite.

— Está sentindo esse frio? Parece até que piorou, — disse ela.

— E o tempo voa! Ainda temos duas horas de estrada! Em que você está pensando, Marina? — respondeu o marido, irritado.

— E o que eu podia fazer? Alguém tinha de dar a entender ao nosso filho que hoje nós não somos babás!

Marina resmungava mais por aparência do que por convicção.

Na verdade, mesmo que Nikolai insistisse, ela seria a primeira a recusar — os netos eram tudo para ela.

Eles partiram, esperando chegar antes da meia-noite.

A estrada estava quase vazia.

Normalmente Marina tinha medo da velocidade, mas agora permanecia calada, apenas olhando de vez em quando para o velocímetro.

Ela entendia: se chegassem atrasados, a culpa cairia sobre ela.

Nikolai observava atentamente a estrada, ajustando os óculos de vez em quando.

A única coisa que o preocupava era a visão — no resto, sentia-se forte.

E então Marina percebeu que ele esfregava o peito e respirava com dificuldade.

— Kolia, o que houve? Você está passando mal? — perguntou ela, alarmada.

— Não é nada… Só apertou aqui do lado esquerdo, — respondeu ele.

— Mas isso é o coração! Vamos parar!

— Marina, não comece a imaginar coisas. Vamos chegar e pronto.

Depois de alguns quilômetros, viram uma mulher agitando desesperadamente os braços ao lado de um carro vermelho.

— Parece que ela está com problema, — disse Nikolai, começando a frear.

— Não para, Kolia! Vamos nos atrasar! — disse Marina, nervosa.

Mas ele parou mesmo assim.

A mulher, de uns quarenta anos, tremia de frio, vestindo apenas um casaco fino.

— O pneu furou… Eu não sei o que fazer. Vocês não têm estepe? — perguntou ela.

— Temos. E você tem ferramentas? — perguntou Nikolai.

— Não… E eu não sei trocar…

Marina não aguentou:

— Como alguém pode viajar sozinha e não saber de nada? E ainda com um casaco desses!

A mulher explicou, com ar culpado, que já estava ali havia mais de uma hora.

Nikolai, sem dar atenção ao descontentamento da esposa, começou a trocar o pneu.

— Kolia, nós não vamos chegar a tempo! — continuava ela.

— Vai para o carro, — respondeu ele secamente.

— Já termino e a gente segue.

Ele terminou o serviço rápido, mas ficou claro: já não chegariam à meia-noite.

Nikolai sentou-se ao volante, esfregou as mãos e deu partida.

— Então, ajudou? E por que ela não está indo embora? — insistia Marina.

— Ela vai… deixa o motor esquentar.

Ele se calou.

Mais uma vez segurava o peito e respirava cada vez com mais dificuldade.

As luzes da cidade já apareciam adiante quando, de repente, o carro derrapou.

Nikolai conseguiu pará-lo.

— Estou me sentindo muito mal, Marina… — sussurrou ele, tombando sobre o volante.

Em pânico, Marina correu até ele:

— Kolia! Você está me ouvindo?!

Ele não respirava.

Ela escancarou a porta e começou a sacudi-lo.

Nesse momento, o mesmo carro vermelho parou ao lado deles.

— O que aconteceu? — correu a mulher.

— Ele estava respirando com dificuldade… É o coração… — respondeu Marina, atordoada.

A mulher pegou rapidamente o telefone e verificou a respiração.

— Ele não está respirando. Precisamos tirá-lo do carro e colocá-lo no chão. Me ajude!

— O quê?! Mas ele vai congelar! — gritou Marina, embora já estivesse ajudando.

Elas deitaram Nikolai diretamente na neve.

— Chame a ambulância! — gritou a mulher.

Marina discou com as mãos trêmulas, enquanto a outra já abria a jaqueta de Nikolai e começava a fazer massagem cardíaca e respiração artificial.

— Você sabe o que está fazendo? Você é médica? — sussurrou Marina.

— Sou reanimadora. Vou trazê-lo de volta. Hoje é noite de Ano-Novo… um milagre tem que acontecer!

A ambulância chegou rápido.

Já dentro do veículo ficou claro — Nikolai havia começado a respirar.

— Tudo foi feito corretamente. Você salvou a vida dele, — disse o paramédico.

— Eu sabia o que estava fazendo. Sou do Primeiro Hospital da Cidade. Levem-no para lá, eu vou logo atrás.

No primeiro de janeiro, Marina estava sentada no quarto ao lado do marido.

Durante a noite, ela não saiu da porta da UTI.

De manhã lhe disseram que o perigo havia passado.

Nikolai tinha recuperado a consciência.

— Kolia, você pode comer alguma coisa? — apressou-se ela.

— Espera… Foi impressão minha ou aquela mulher entrou aqui? De jaleco branco?

— Sim, era ela. Irina Viktorovna, médica. Ela salvou você. Você não estava respirando… Kolia, foi terrível. Ainda bem que ela não foi embora antes de nós. Ela é seu anjo da guarda.

Nikolai olhou para ela em silêncio:

— E se eu não tivesse parado? Como você queria?

— Não diga isso, Kolia… Dá até medo de pensar em como tudo teria terminado… — sussurrou Marina.