Eu estava do lado de fora do apartamento do Ezra, com o coração batendo forte no peito.
A briga que tivemos na semana passada foi feia—palavras que não queríamos dizer, acusações que doíam.

Mas eu não estava pronta para desistir de nós.
Respirei fundo e bati na porta.
Quando ele abriu, sua expressão era indecifrável.
“O que você está fazendo aqui, Sophia?”
“Vim pedir desculpas,” disse baixinho, entrando.
“Eu estava errada, e eu—” Minhas palavras falharam na garganta quando percebi as caixas empilhadas contra as paredes.
“O que está acontecendo?”
Ezra suspirou e passou a mão pelo cabelo.
“Eu ia te contar.
“Contar o quê?”
Ele hesitou, então olhou nos meus olhos.
“Eu estou indo embora. Encontrei um novo lugar.”
Eu pisquei.
“Espera—você vai sair daqui?” Meu estômago se revirou.
“Ezra, eu vim tentar consertar as coisas, para—”
Ele balançou a cabeça.
“Sophia, é tarde demais.”
Eu dei um passo para trás, lutando para respirar.
“Para onde você vai?”
E então ele disse.
“Com a sua mãe.”
A sala girou.
“O quê?”
“Ela me ofereceu um lugar para ficar.
Faz sentido.”
Eu dei uma risada curta, incrédula.
“Você está brincando.”
“Não estou.”
Ele cruzou os braços.
“Ela me entende, Sophia.
Ela escuta.
Ela—”
“Ela é minha mãe!” Minha voz quebrou.
“Você não vê o quão errado isso é?”
Ezra exalou forte.
“Sophia, as coisas entre nós estão ruins há muito tempo.
Sua mãe—”
Levantei a mão, balançando a cabeça.
“Não.
Só não.”
Eu me virei e saí antes que ele pudesse dizer mais uma palavra.
Mal percebi o ar frio da noite enquanto tropeçava em direção ao meu carro, com a mente a mil.
Isso não era apenas sobre a briga.
Era algo maior.
Há quanto tempo isso estava acontecendo? Há quanto tempo minha própria mãe estava confortando meu namorado às minhas costas?
Um nó se formou na minha garganta enquanto eu dirigia para casa.
Eu não podia ir até ela.
Não agora.
Ainda não.
Eu precisava de tempo para pensar, para processar a traição.
Na manhã seguinte, meu telefone vibrou.
Uma mensagem da minha mãe.
*Sophia, por favor me ligue.
Nós precisamos conversar.*
Joguei o celular para o lado.
Eu não estava pronta para ouvir as desculpas dela.
Ainda não.
Nos dias seguintes, minha mente não parava de replayar cada momento, cada vez que minha mãe mencionava o Ezra de passagem.
A forma como ela o defendia depois das nossas brigas, como ela sempre parecia saber como ele estava se sentindo antes de eu saber.
Ela estava planejando isso? E ele?
No quarto dia, finalmente cedi e fui até a casa dela.
A mesma casa onde cresci, a casa onde ela me criou, onde eu uma vez me senti segura.
Agora, parecia estranha.
Ela abriu a porta antes mesmo de eu bater.
“Sophia, graças a Deus.
Eu estava tão preocupada.”
Entrei, com os braços cruzados.
“Então, é verdade? O Ezra está aqui?”
O rosto dela amoleceu.
“Querida, eu não queria te machucar.”
Eu ri amargamente.
“Isso é engraçado, porque foi exatamente isso que você fez.”
“O Ezra não tinha para onde ir,” disse ela.
“Vocês dois estavam brigando tanto, e eu—”
“O quê? Achou que ia acolhê-lo como um cachorro perdido?” Minha voz estava afiada.
“Mãe, você sequer se escuta?”
Ela suspirou.
“Eu só queria ajudar.”
Balancei a cabeça.
“Não, você queria tomar o meu lugar.
Ou talvez ele quisesse que você fizesse isso.”
Ela olhou para o lado, a culpa estampada em seu rosto.
Isso foi tudo o que eu precisava para ter a confirmação.
Me virei nos calcanhares e fui em direção à porta.
“Divirta-se com seu novo companheiro de quarto.”
“Sophia, espera!”
Mas eu já tinha ido.
Enquanto eu dirigia para longe, uma sensação estranha de alívio tomou conta de mim.
Dói—Deus, dói—mas não fui eu quem perdeu algo naquele dia.
Eles foram.
E eu ficaria bem sem eles.







