Aos vinte anos, Alevtina nunca poderia imaginar o que a esperava.
Estudava na universidade, amava seu Stas, sonhava com o casamento – eles já falavam sobre isso.

Stas era mais velho, havia servido no exército, e apareceu no “Baile de Outono” da escola quando ela ainda estava no último ano.
Embora morassem na mesma cidade e até tivessem estudado na mesma escola, ele se formou antes.
“Que gato!”, pensou Alevtina quando o viu.
Ele entrou no salão, olhou ao redor, encontrou seu olhar e sorriu.
O coração dela deu um salto.
Como poderia ser diferente?
Ele era diferente de todos os outros.
Oi, sou o Stas. E você? – ele se aproximou, e as bochechas dela coraram.
Vamos dançar?
Ela respondeu quase sem voz:
Alevtina
Quase sem sentir as pernas, girava com ele na dança.
Ele a segurava com firmeza pela cintura, e ela acompanhava cada movimento dele.
Leve como uma pluma, ele sorriu.
A noite toda ficou ao lado dela.
Depois a acompanhou até em casa, caminharam até tarde, não queriam se separar.
Stas nunca a deixava entediada.
Depois da escola, ela entrou para a universidade local, e ele arrumou um emprego.
Com ele, tudo era divertido – sua energia contagiava todos.
Agora Alevtina estava sempre com ele e seus amigos, ia a casamentos.
Mesmo no inverno ele lhe dava rosas.
Cada encontro era uma celebração: cafés, passeios na natureza, risadas até de manhã.
No terceiro ano da faculdade, ele a surpreendeu:
No Ano Novo vamos para uma estação de esqui! Já comprei as passagens. Você vai aprender a esquiar – tem ótimos instrutores lá.
Stasik, você é o melhor! – ela pulou no pescoço dele, depois parou de repente:
Ai, mas eu sou medrosa! Tenho medo de altura! – e riu.
A viagem foi um sonho.
Ela aprendeu a esquiar rapidamente e até passou a gostar de velocidade.
Foi triste ir embora.
Depois veio o Dia Internacional da Mulher.
Stas apareceu com dois buquês de flores.
Feliz dia! – entregou um à mãe dela e o outro para ela.
Para a minha linda.
Stas, pra que tanto gasto? – suspirou a mãe.
É caro.
Besteira.
Eu vou com o Vit’ka e o Seryoga para uma missão – vamos instalar uma linha de alta tensão, paga bem.
Vou juntar dinheiro para o casamento e para um carro.
Não quero que você vá embora! – Alevtina apertou a mão dele.
Só por três ou quatro meses. Vamos nos falar.
Quero um casamento bonito – você também quer, né?
Quero, mas pode ser simples.
O mais importante é estarmos juntos.
Mas ele estava decidido.
Foi embora.
Ligava com frequência, o salário era realmente bom.
Alevtina estava na aula quando sentiu uma inquietação repentina.
Tinham falado ontem – hoje não esperava ligação.
Mas à noite, sentia o coração apertado.
Ligou para ele – silêncio.
Cinco vezes seguidas.
Ligou para Vítia, o amigo dele.
Vítia, onde está o Stas?
A voz do outro lado era estranha:
Ele não está mais aqui.
Como assim não está?! – mas só ouviu o sinal.
Mããããe! – gritou, e as lágrimas começaram a cair como uma enxurrada.
Depois, tudo parecia um pesadelo.
Soube que ele foi eletrocutado em um poste.
A mãe de Stas, Anna Semionovna, ficou devastada pela dor.
O pai e o irmão mais novo, Maksim, foram buscar o corpo.
Funeral, velório, vazio.
Alevtina vivia como em um nevoeiro.
Ia com frequência ver Anna Semionovna – ficavam em silêncio.
Visitavam o cemitério juntas.
No verão, ela sugeriu:
Vamos ao mar?
Alevtina aceitou, embora não soubesse por quê.
Sua mãe já dizia há tempos: “Chega de se torturar”.
Mas elas foram.
De manhã, praia; de tarde, descanso.
Anna Semionovna parecia ter voltado à vida.
Alevtina, sem conseguir dormir, saiu de repente para ver o mar.
A vida fervia ao redor, mas ela se sentia sozinha.
Tão bonita e tão triste – disse uma voz ao lado.
Ela se virou – era um rapaz.
Queria responder mal, mas algo nele a fez lembrar de Stas.
Bonitas não têm direito à felicidade – murmurou ela.
Não é verdade – ele sorriu.
Sou Gleb.
Alevtina.
Trocaram algumas palavras e ela foi embora.
Mas ele a observava ao longe.
Já fazia alguns dias que notava aquela garota triste.
Faltavam dois dias para o fim da viagem.
Anna Semionovna dormia, Alevtina foi ao mercado.
Na saída – de novo Gleb.
Quer ajuda? – pegou a sacola.
Se quiser.
Vamos conversar? – apontou para o café perto do supermercado.
Descobriram que moravam na mesma cidade.
Ele era formado na mesma universidade que ela, trabalhava na prefeitura.
Tinha terminado com a namorada há pouco – veio para distrair a cabeça.
Ela contou sobre Stas, sobre a mãe dele.
Gleb se surpreendeu:
Por que ela te prende? Normalmente os pais se afastam.
Não sei. Não quero magoá-la.
Trocaram números.
Quando voltou, Anna Semionovna a recebeu com cara feia:
Onde estava?
No mercado. Dei uma volta.
Ela começou a se sentir sufocada.
A mãe de Stas parecia puxá-la para o passado.
À noite, de repente, disse:
Achei que você estivesse grávida. Mas já que não está…
Tenho ainda o Maksim. Talvez você e ele…
Alevtina se encolheu.
O quê?! Não! – começou a chorar.
Pela primeira vez desde o funeral.
Tudo ficou claro.
Ela decidiu com firmeza: basta.
Novo ano letivo.
Encontros com Gleb.
Um dia, ela foi ao cemitério.
Adeus, Stas. Obrigada por tudo. Mas eu preciso seguir em frente.
Nos portões, Gleb a esperava.
Uma nova vida começou.
Logo se casaram.
E um ano depois nasceu o filho deles.







