Depois dessas palavras, Marina simplesmente jogou o jantar dele no lixo.
Galina Sergueievna estava sentada na cozinha de Marina como se aquele apartamento fosse dela.

As mãos pousadas sobre a barriga, o olhar deslizando pela mesa — avaliador, descontente.
Viktor comia em silêncio o escamudo (pollock), com as mãos gordurosas e os olhos no prato.
Marina estava junto ao fogão e pensava que, nos últimos doze anos, tentou agradar alguém que nem sequer levantava os olhos para ela.
— Esse peixe tem muitas espinhas, Marinotchka, — a sogra empurrou o prato para a beirada da mesa.
— E, além disso, você devia arejar isso aqui.
O Vitênka chegou da estrada, precisa descansar, e na sua casa está cheirando a química.
Você lavou de novo as clientes no banheiro?
Marina apertou os lábios e continuou esfregando a frigideira, embora ela já estivesse limpa.
Ela trabalhava em casa, pintava o cabelo das mulheres, fazia escova — tudo o que rendia dinheiro.
Viktor era caminhoneiro, mas trazia o salário de forma irregular e, quando ela perguntava, respondia que as estradas eram caras.
— As clientes pagam por essa química, Galina Sergueievna, — respondeu Marina em voz baixa.
— Graças a elas, temos uma geladeira nova e o carro funcionando.
— O carro, — a sogra bufou e olhou para o filho.
— Vítia, olha pra ela.
Está toda acabada.
Não é esposa, é um cavalo de carga.
Eu te disse: escolhe uma moça de família decente, e não dessas que ganham a vida sozinhas.
Depois elas não consideram o marido como homem.
Viktor, sem tirar os olhos do prato, assentiu.
Marina viu isso de canto de olho e sentiu algo se apertar por dentro.
Galina Sergueievna apareceu um mês depois do casamento e nunca mais sumiu.
No começo vinha uma vez por semana, depois — como se estivesse na própria casa.
As chaves quem deu foi Viktor, sem perguntar à esposa.
A sogra entrava sem tocar a campainha, checava a geladeira, comentava a roupa no varal.
Marina se calava, porque Viktor dizia que a mãe merecia respeito.
E então Galina Sergueievna passou a vir na hora do jantar.
Sentava, esperava colocarem a mesa e começava.
A sopa estava salgada demais, a carne dura, o chão sujo.
Viktor assentia e comia.
Marina tirava a louça e ia para o banheiro, onde abria a torneira mais forte.
— Vitênka, você devia dizer pra ela que, pelo menos uma vez por semana, faça uma janta de verdade, — continuava Galina Sergueievna, examinando as unhas.
— Porque aqui é tudo correndo.
Você é um homem que trabalha, precisa de força.
Marina se virou.
Na mesa havia uma tigela de salada, um prato de batatas, o peixe.
Ela tinha levado duas horas para preparar aquilo, entre uma cliente e outra.
As mãos cheiravam a tinta, as costas doíam, os olhos pesavam.
— Galina Sergueievna, eu cozinho o que o Viktor gosta, — disse Marina, num tom firme.
— Se a senhora não gosta, pode não comer.
A sogra ergueu as sobrancelhas.
— Você ouviu como ela fala comigo?
Vítia, você é homem ou um trapo?
Defende a sua mãe.
Viktor levantou a cabeça.
Olhou para Marina como se ela tivesse feito algo errado.
— Marin, qual é?
A mamãe se preocupa comigo.
Não seja grossa.
Algo dentro de Marina estalou.
Ela largou o pano, se aproximou da mesa.
Olhou para a sogra, depois para o marido.
— Eu lhe devolvo o seu filhinho, Galina Sergueievna, — disse ela calmamente.
— Leve-o.
Viktor ficou paralisado com um pedaço de peixe no garfo.
— Você está falando o quê?
Marina pegou o prato dele — aquele em que ainda restava peixe — e levou até a lixeira.
Viktor a acompanhou com o olhar, sem entender.
Marina abriu a tampa e despejou tudo lá dentro.
O peixe caiu com um baque surdo.
— Você está fazendo o quê?!
— Viktor se levantou de repente.
— Enlouqueceu de vez?
— Não, — Marina se virou para ele.
O rosto calmo, as mãos firmes.
— Eu só terminei de ser a empregada de vocês.
Ela foi para o quarto, escancarou o guarda-roupa.
Tirou duas malas grandes e as arrastou para o corredor de entrada.
As coisas de Viktor: jaquetas, jeans, tudo o que ele deixava entre uma viagem e outra.
Viktor foi atrás dela, atordoado, com as mãos gordurosas.
— Marin, o que deu em você?
A gente vivia bem.
— Bem vivia você, — Marina jogou a mala aos pés dele.
— Você comia, dormia, andava no carro que eu pago.
E eu servia vocês dois.
Galina Sergueievna saiu disparada da cozinha, o rosto vermelho.
— Vítia, você vai aguentar isso?
Ela está abusada!
Marina abriu a porta.
O ar frio bateu no rosto dela.
— Leve-o, Galina Sergueievna.
Alimente, lave, passe.
Eu não vou mais fazer isso.
Viktor tentou segurar a mão dela.
— Marin, para onde eu vou?
Esse apartamento também é meu.
— É meu, — Marina se afastou.
— Eu pago por ele há cinco anos.
Você só ajuda de vez em quando com gasolina.
Então vá embora.
Ela empurrou as malas para fora da porta.
Viktor ficou ali, atônito, a sogra puxava o ar pela boca.
Marina fechou a porta e girou a chave.
Uma semana depois, Viktor estava embaixo das janelas, ligando, gritando que ela iria se arrepender.
Marina não abriu.
Ela trabalhava, atendia clientes, pintava cabelo.
À noite, sentava na cozinha em silêncio e tomava café preto.
O apartamento cheirava a tinta — o cheiro do dinheiro dela, da vida dela.
Ela soube por acaso, um mês depois, por uma conhecida em comum.
Viktor agora morava com a mãe.
Não trabalhava, ficava o tempo todo em casa.
Galina Sergueievna lavava, cozinhava, limpava atrás do filho de quarenta anos, que ficava deitado no sofá rolando o telefone.
Ela tentou expulsá-lo, mas ele disse que não tinha para onde ir.
Foi assim que ela o criou — para ser o “chefe”.
— Marin, ela me ligou, — disse a conhecida.
— Pediu que você o pegasse de volta.
Diz que não aguenta mais.
Marina ficou em silêncio.
Depois disse: — Que ela aproveite.
Ela o amava tanto.
Ela desligou e olhou pela janela.
Sobre a mesa havia um caderno com os horários das clientes para a semana seguinte.
O sol batia direto no rosto dela, e Marina apertou os olhos.
Ela não precisava mais provar nada a ninguém.
Ela simplesmente vivia.
E, pela primeira vez em doze anos, não precisava se justificar para ninguém.







