Você sempre quis economizar?

Então continue economizando.

Mas sem mim. — disse Katya.

Katya sempre se considerou uma pessoa que via o melhor nos outros.

Quando seu relacionamento com Oleg começou, três anos antes, ela tinha certeza de que ele era o homem certo para ela.

Ele sabia falar bem, era prático, e sua calma em qualquer situação lhe parecia um sinal de maturidade.

Com o tempo, porém, a calma de Oleg começou cada vez mais a beirar a indiferença.

Mas Katya afastava esses pensamentos.

“Está tudo bem entre nós.

Ele só não está acostumado com emoções”, repetia para si mesma.

O pedido de casamento foi para ela como um sopro de ar fresco.

Aconteceu na cozinha, em um ambiente cotidiano.

Sem anéis, sem surpresas.

“Você seria uma boa esposa.

Vamos nos casar”, disse Oleg, jogando uma colher suja na pia.

Katya, embora esperasse algo mais, ficou feliz.

Agora começariam os preparativos, a emoção, os sonhos…

Ela não sabia que Oleg via tudo aquilo de uma forma completamente diferente.

— Eu pensei que poderíamos começar a olhar alianças neste fim de semana. — sugeriu Katya durante o jantar.

— Alianças?

Por que agora?

Temos muito tempo.

— Só para dar uma olhada.

Quero entender do que você gosta.

— Eu gosto de não gastar dinheiro, — respondeu Oleg, mal levantando os olhos do telefone.

Katya ficou imóvel.

Ela já estava acostumada com a franqueza dele, mas daquela vez aquilo a feriu.

— Oleg, não é só um símbolo.

É uma lembrança para a vida toda.

Ele franziu a testa, mas não respondeu nada.

Um minuto depois, apenas disse:

— Se você quiser, vá.

Eu confio em você.

Katya sentiu a raiva ferver dentro de si, mas a reprimiu.

— Está bem, falamos disso depois, — disse ela, virando o rosto.

Na manhã de sábado, Katya conseguiu convencê-lo a entrar em uma joalheria.

No começo, Oleg ficou parado diante da vitrine, olhando as alianças com indiferença, mas quando ela escolheu algumas opções, a irritação dele explodiu.

— Trinta mil por uma aliança fininha?!

Isso é um roubo! — exclamou em voz alta, fazendo a vendedora corar.

Katya tentou acalmá-lo, mas Oleg já tinha perdido o controle.

— Isso é preço do ouro ou do nome da marca?!

E quem foi que inventou preços assim?

As pessoas na loja começaram a se virar para olhar.

Katya sentiu o rosto ficar vermelho, mas não de vergonha de si mesma — ela sentia vergonha de Oleg.

— Oleg, por favor, vamos sair, — disse baixinho, pegando a mão dele.

— Sair?

Eu queria era que viesse uma fiscalização aqui!

Katya não aguentou mais e o puxou para a saída.

Na rua, caminharam em silêncio.

— São só alianças, — disse Katya por fim.

— Exatamente!

Só alianças, — retrucou Oleg. — Vamos encomendar com um joalheiro conhecido meu, vai sair mais barato.

— Você entende que não se trata de dinheiro? — perguntou Katya com cuidado.

De repente, Oleg parou e olhou diretamente nos olhos dela.

— Eu entendo.

Trata-se do seu romantismo tolo.

Pela primeira vez, Katya pensou que as ideias deles sobre o futuro talvez fossem diferentes demais.

Katya e Oleg voltaram para casa, mergulhados em silêncio e em seus próprios pensamentos.

Katya tentava justificar o comportamento dele: “Ele não está acostumado a esse tipo de gasto, ele simplesmente não entende como isso é importante para mim”.

Mas, dentro dela, a inquietação crescia, como se sua intuição estivesse tentando desesperadamente fazê-la ouvir.

Oleg, por outro lado, a julgar por sua calma, não dava a menor importância ao que tinha acontecido.

Ligou a televisão, se esparramou no velho sofá e até sorriu.

— O que vamos jantar? — perguntou, mudando de canal.

— Não sei.

Talvez a gente possa pedir alguma coisa, — respondeu Katya com indiferença, sem tirar os olhos da janela.

— Pedir?

Melhor você preparar alguma coisa.

Essas entregas já estão devorando todo o orçamento.

Katya sentiu a raiva ferver novamente dentro de si, mas não disse nada.

Foi para a cozinha, mas não começou a cozinhar — apenas se sentou à mesa e mergulhou no telefone.

No dia seguinte, Katya decidiu fazer limpeza.

O velho sofá, que há tempos rangia sob o peso de Oleg, voltou a se fazer notar — ouviu-se um estalo surdo.

— O que foi isso? — assustou-se Katya, aparecendo à porta.

Oleg, como se nada tivesse acontecido, levantou-se preguiçosamente do sofá.

— A estrutura rachou.

Vou ter que consertar, — disse, indo em direção ao depósito.

Katya sabia que no depósito havia apenas um martelo velho e alguns pregos.

— Oleg, talvez a gente devesse comprar um novo?

Esse aí já cumpriu o que tinha para cumprir.

— Para quê?

Eu conserto, vai ficar como novo.

Comprar agora seria um gasto desnecessário.

Katya observou enquanto ele tentava, empenhado, prender a madeira rachada com pregos.

O sofá parecia prestes a se desfazer com o menor movimento.

— Isso é temporário, — disse Oleg com confiança, sentando-se no sofá quase consertado.

Ele rangeu em protesto.

— Quando o temporário vira permanente? — perguntou Katya baixinho, mas Oleg não respondeu.

Naquela noite, sua amiga Liza foi visitá-los.

Ela notou na mesma hora o conserto absurdo do sofá.

— Katya, que antiguidade é essa? — riu ela. — Será que não dá simplesmente para comprar um novo?

Katya lançou um olhar para Oleg, que assistia a vídeos no telefone com uma indiferença forçada.

— Oleg acha que isso é desperdício de dinheiro, — respondeu ela secamente.

— Mas não é desperdício de nervos, — disse Liza, lançando um olhar de lado para Oleg.

Mais tarde, quando Oleg saiu por um momento para ir à loja, a amiga não conseguiu se conter.

— Katya, você tem certeza de que quer ligar sua vida à dele?

Ele economiza em tudo.

Como é que se vive com um homem assim?

— Ele só é prático, — respondeu Katya com um sorriso inseguro.

— Isso não é praticidade.

É avareza.

Um dia você vai entender isso.

As palavras de Liza ficaram presas na cabeça de Katya.

Ela sempre se orgulhara de saber ser paciente e de procurar compromissos.

Mas, ao que parecia, os compromissos eram exigidos apenas dela.

Alguns dias depois, uma nova camada se somou ao conflito deles.

A cadela de Katya, sua amiga fiel, de repente começou a passar mal.

— Acho que ela está intoxicada, — disse Katya, preocupada, ao perceber que a pet se recusava a comer.

— Ah, para com isso, ela só comeu demais.

Vai ficar tudo bem, — respondeu Oleg despreocupadamente.

Mas durante a noite piorou.

Katya não pregou os olhos, correndo para a rua com a cachorra, e ao amanhecer chamou um veterinário.

— O que ela comeu? — perguntou o médico.

Katya lembrou que alguns dias antes havia pedido a Oleg que comprasse a ração.

— Oleg, onde você comprou isso?

— No mercadinho aqui perto.

— Mas no mercadinho não vendem essa ração.

Isso aqui é falsificado, — franziu a testa o veterinário, abrindo o pacote.

Katya sentiu tudo se contrair dentro de si.

— Oleg, o que foi que você comprou?

— Ué, a mais barata.

Eu sou milionário, por acaso, para ficar comprando luxo para cachorro?

— Você colocou ração barata no pacote velho para que eu não percebesse nada?

Ele não respondeu, mas pelo rosto dele Katya entendeu que era verdade.

— Você não está apenas economizando.

Você está colocando em risco aqueles que são importantes para mim, — disse ela, contendo as lágrimas com dificuldade.

Oleg deu de ombros.

— Ah, para de dramatizar.

No fim, ficou tudo bem.

Mas, para Katya, já não tinha ficado tudo bem.

Aquele foi o momento em que ela começou a ver Oleg como ele realmente era.

Katya olhava para sua cachorra, enroscada no chão.

Seu pelo, antes brilhante, havia perdido o viço, e as orelhas, sempre atentas, agora pendiam sem força.

Ela acariciava sua orelha macia, sentindo crescer dentro de si um nó de mágoa, raiva e impotência.

— Vai ficar tudo bem, meu bem, — sussurrava ela.

Mas, no fundo da alma, compreendia que “bem” não ficaria enquanto Oleg estivesse ao lado dela.

Ele estava sentado no sofá, aquele mesmo que agora mais parecia uma ponte velha — mais um passo, e desabaria.

Oleg deslizava o dedo pelo telefone, sem perceber que o mundo de Katya, aquele em que havia espaço para sonhos, confiança e alegria, estava rachando rapidamente pelas costuras.

— Desculpa, eu não pensei que isso fosse tão importante, — disse ele, sem tirar os olhos da tela.

— Não é importante para você, — Katya finalmente ergueu o olhar para ele. — Mas é importante para mim.

Oleg suspirou e largou o telefone.

— Você exagera tudo.

É só ração.

Só um sofá.

Só alianças.

Só… tudo.

Katya se calou.

Seu coração se apertou dolorosamente com aquelas palavras.

Para ele, tudo era “só”.

Até ela.

Uma semana depois, começaram os preparativos para as festas.

Katya tentava não pensar nos acontecimentos recentes, esperando que o relacionamento deles ainda pudesse ser salvo.

— Precisamos decidir o que vamos dar aos meus pais no aniversário deles.

É uma data importante, — disse durante o jantar.

— Aniversário? — perguntou Oleg, distraindo-se por um segundo da comida. — Vamos dar alguma coisa simbólica.

Uma caixa de chocolates e uma garrafa de vinho, por exemplo.

Katya congelou.

— Simbólica?

Eles estão comemorando trinta anos de casamento.

— E daí?

Somos um casal jovem.

Não temos dinheiro para esse tipo de gesto, — retrucou Oleg.

— Nós não somos obrigados a fazer algo luxuoso, — continuou Katya, tentando com dificuldade manter a calma. — Mas dar algo que mostre que respeitamos eles e a relação deles… Isso não é importante?

Oleg apenas resmungou.

— Seus pais são problema seu.

Se quiser, você mesma pode comprar tudo.

Katya foi à loja sozinha.

Passou muito tempo andando entre as prateleiras, pensando em ideias de presentes.

Um robô aspirador, que sua mãe sonhava em ter havia muito tempo, lhe parecia a opção perfeita.

Mas o preço era alto, e ela sentia como se ouvisse a voz de Oleg em sua cabeça: “Gasto idiota de dinheiro”.

Ainda assim, ela o comprou.

Com a caixa nas mãos, ultrapassando a borda do carrinho, Katya sentiu nascer dentro de si uma sensação estranha: satisfação.

Era o seu cuidado com os seus pais, e ela não precisava se justificar por aquela escolha.

Quando voltou para casa, Oleg a recebeu com um olhar indiferente.

— Então, gastou de novo? — sua voz estava carregada de reprovação.

Katya não respondeu.

Estava cansada de discutir, cansada de explicar.

Tudo terminou na noite anterior ao Ano-Novo.

Eles foram juntos comprar os produtos para a mesa de festa.

Para Katya, esse processo sempre fora mágico: as luzes brilhantes das guirlandas, o aroma das tangerinas e do pinheiro, o farfalhar das sacolas…

Mas Oleg transformou aquilo em um pesadelo.

— Você está falando sério que vai levar esse champanhe?

Ele custa o dobro! — exclamou, arrancando a garrafa do cesto dela. — Pegue o que está em promoção.

— Eu não quero o que está em promoção.

Eu quero este.

— E quem é que vai pagar por tudo isso? — perguntou em voz tão alta que várias pessoas se viraram.

Katya sentiu as bochechas queimarem.

— Nós, Oleg.

Nós dois pagamos juntos a nossa mesa.

— Não, Katya.

É você quem está comprando tudo isso.

Eu não vou pagar por isso.

As palavras dele, o tom dele… destruíram de vez o que restava da paciência dela.

— Sabe de uma coisa, — disse ela, deixando o carrinho no meio do corredor. — Eu não quero comprar mais nada com você.

E também não quero passar o Ano-Novo com você.

Ela foi embora, deixando Oleg parado, sem entender nada.

Naquela noite, Katya colocou as coisas de Oleg em um saco de lixo.

Era o símbolo de sua purificação, de seu primeiro passo de volta para si mesma.

Quando ele voltou no dia seguinte para buscá-las, tentou convencê-la:

— Ah, qual é, Katya.

Por que tudo isso assim, de repente?

Ela sorriu para ele e, estendendo-lhe o saco, respondeu:

— Você sempre quis economizar.

Então aqui está.

Continue economizando.

Mas sem mim.

Oleg foi embora.

Katya ficou sozinha em seu apartamento.

Sentou-se no chão ao lado de sua cachorra, que parecia compreender seu estado de espírito.

— E então, minha amiga, agora tudo vai ser diferente para nós, — disse ela, afundando os dedos em seu pelo.

Pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se leve.