— Este é o meu gabinete — zombou a secretária do meu marido.

Eu tirei silenciosamente um envelope do cofre.

Elena abriu o gabinete do diretor com a própria chave.

A chave girou com dificuldade.

Lá dentro, sentia-se o cheiro adocicado de vape de baunilha, de um perfume estranho e do café do dia anterior.

No sofá de couro estavam estendidas duas pernas calçadas com tênis brancos.

Sveta nem sequer levantou os olhos do celular.

Estava sentada na poltrona destinada às visitas, com as pernas apoiadas no braço do assento, digitando rapidamente.

Sobre a mesa do diretor havia uma caneca suja com marcas de batom vermelho-vivo.

— Eu pedi que batessem antes de entrar — disse Sveta, enquanto continuava rolando a tela.

Elena fechou a porta atrás de si.

A fechadura estalou.

— Tire os pés daí.

Sveta levantou o olhar lentamente.

Seus lábios se curvaram num sorriso desdenhoso.

Ela ajeitou o cabelo.

— Acho que a senhora se confundiu, Elena Viktorovna.

A sala dos professores fica no segundo andar.

Aqui é o gabinete de Igor Anatolievitch.

E o meu.

Elena aproximou-se da mesa.

Olhava para a ex-secretária do marido sem raiva.

Apenas como se olha para uma mancha de sujeira no chão.

— Igor Anatolievitch foi demitido há uma hora.

A ordem foi assinada pelo departamento.

Sveta bufou.

— Ah, poupe-me dessas histórias.

Igor está agora na administração.

Ele vai resolver tudo.

Lá eles só ficam empurrando papéis de um lado para o outro.

— Ele não vai resolver nada.

Porque, a partir de hoje, fui nomeada diretora da escola.

Elena jogou uma pasta sobre a mesa.

No topo estava a ordem oficial.

O selo vermelho brilhava sob a luz do sol de outono.

Sveta parou de mascar chiclete.

Baixou lentamente os pés até o chão.

Os tênis bateram com um som abafado no parquet.

— Isso é ilegal — sibilou ela.

— Eu e Igor levantamos esta escola das ruínas!

— Quem levantou esta escola fui eu.

Durante doze anos.

Quando você ainda nem tinha terminado os estudos.

Elena derrubou a caneca de café de Sveta no cesto de lixo.

A caneca tilintou tristemente contra a borda de plástico.

Sveta se assustou.

— Ei!

Era a minha favorita!

— As chaves do cofre sobre a mesa.

E suma daqui.

Sveta levantou-se de um salto.

Seu rosto ficou coberto de manchas vermelhas.

— A senhora não tem esse direito!

Eu sou a vice-diretora responsável pela administração e manutenção!

E, para sua informação, estou grávida!

— Leve o atestado da clínica ao departamento de recursos humanos.

As chaves.

— Não vou entregar.

— Então vou chamar a polícia.

Abriremos o cofre juntas.

E, já que estaremos nisso, também verificaremos para onde foi o dinheiro destinado à reforma do telhado do ginásio.

Sveta empalideceu.

Cerrou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

Em silêncio, enfiou a mão no bolso de seu caro cardigã.

Jogou o molho de chaves sobre a mesa.

Elas rolaram, tilintando, sobre a madeira polida.

— A senhora ainda vai se arrepender — sibilou Sveta.

— Feche a porta pelo lado de fora.

Sveta saiu às pressas do gabinete.

Elena ficou sozinha.

O apartamento estava silencioso.

Ou melhor, o gabinete.

Com o passar dos anos, a fronteira entre as duas coisas havia desaparecido.

Elena aproximou-se do cofre.

A pesada caixa de metal estava escondida atrás de um painel falso sob a estante de livros.

Ela e Igor haviam comprado aquele cofre juntos.

Cinco anos antes.

Naquela época, ainda eram uma família.

Elena inseriu a chave.

Girou-a duas vezes.

O cofre emitiu um sinal sonoro.

Por dentro, estava vazio.

Quase.

Não havia dinheiro, nem pastas com documentos pessoais.

Havia apenas um envelope amarelo e volumoso.

Nele, escrito com marcador vermelho e com a caligrafia angulosa e familiar de Igor, estava: “Abrir caso eu seja demitido injustamente”.

Elena soltou uma risada curta.

Justiça e Igor.

Essas duas palavras nunca combinavam na mesma frase.

Ela rasgou o papel.

Documentos caíram sobre a mesa.

Um pendrive.

Extratos bancários.

Contratos de empreitada.

Elena pegou a primeira folha.

Seus olhos percorreram rapidamente as linhas.

Era um extrato da conta da empresa “StroyGarant”.

A mesma empresa que, supostamente, havia realizado a reforma de toda a escola durante o verão.

Elena virou a página.

Três transferências.

Um milhão e duzentos mil rublos.

Dois milhões.

E mais um milhão e trezentos mil.

No total, quatro milhões e meio de rublos.

Exatamente a mesma quantia que Elena ainda devia ao banco pela hipoteca.

Quando Igor pediu o divórcio, seis meses antes, fez parecer que a dívida era apenas dela.

Ele pegou sua parte em dinheiro.

E expulsou Elena da casa que dividiam.

E da escola.

O documento seguinte fez Elena sentar-se na poltrona.

Era um contrato de compra e venda de imóvel.

Um apartamento de um cômodo em um novo condomínio residencial de luxo.

A compradora era Svetlana Yurievna Makarova.

A própria Sveta.

A data da compra coincidia de forma suspeita com as datas das transferências feitas a partir das contas da escola.

Igor não havia preparado aquele envelope para Elena.

Ele o havia preparado para a promotoria.

Para o caso de Sveta ou alguém em um cargo superior tentar fazer dele o único culpado.

Ele pretendia arrastar a amante para o fundo junto com ele.

— Como você é covarde, Igocha — disse Elena em voz alta.

Alguém bateu à porta.

Com golpes secos.

Sem pausas.

A porta se abriu antes que Elena tivesse tempo de responder.

Igor estava parado no limiar.

Respirava pesadamente.

O caro casaco de caxemira estava aberto.

A gravata estava torta.

Gotas de suor brilhavam em sua testa.

Ele viu Elena sentada na poltrona.

Viu o envelope rasgado sobre a mesa.

Seu rosto se contraiu.

— Lena.

Não toque nisso.

Elena entrelaçou os dedos.

Colocou as mãos sobre os papéis.

— Olá, Igor Anatolievitch.

Faz tempo que não nos vemos.

Quatro meses?

Desde a audiência de divisão dos bens.

Igor fechou a porta.

Deu um passo em direção à mesa.

— Isso não é seu, Lena.

Devolva.

— Estava no meu cofre.

No meu gabinete.

— Esta escola é minha! — explodiu Igor.

— Era.

Há uma hora e meia.

Agora o departamento decidiu o contrário.

Você foi expulso com vergonha por causa dos rombos financeiros.

Igor apoiou as mãos na mesa.

Inclinou-se sobre Elena.

Cheirava a tabaco e conhaque caro.

— Lenka, escute-me.

Você não entende no que está se metendo.

Devolva os documentos.

Ali… ali tudo é muito complicado.

— O que exatamente é complicado? — perguntou Elena com calma.

— O fato de você ter transferido quatro milhões e meio da conta da escola para uma empresa de fachada?

Ou o fato de sua amante grávida ter comprado um apartamento com esse dinheiro?

Igor recuou.

Como se tivesse levado um golpe.

— Ela não é uma prostituta.

— O caráter moral dela não me interessa.

O que me interessa são os números.

Quatro milhões e meio.

— Lena, por favor — a voz de Igor ficou suave.

Aveludada.

A mesma voz com que havia jurado amor a ela doze anos antes.

— Nós fomos uma família.

Não somos estranhos.

Elena olhou para ele como se não existisse.

— Uma família?

— Sim!

Eu dei um passo em falso.

Cometi um erro.

Homens às vezes erram.

Isso pode acontecer com qualquer um.

Mas eu deixei o carro para você!

Elena soltou uma risada curta.

Não de diversão.

De raiva.

— O carro?

Aquele Hyundai batido de 2010, cujo escapamento está caindo?

Muito generoso.

Em troca da minha parte no negócio e da hipoteca.

Que agora eu pago sozinha.

Igor fez uma careta.

— Você sempre mediu tudo em dinheiro!

Você só pensa em dinheiro!

Pelo menos Svetka tem alma.

E está esperando um filho.

Você, ao contrário, é uma megera obcecada por controle.

É vazia.

Aquela frase doeu.

Mas, dentro de Elena, alguma coisa se fechou definitivamente à chave.

— Já que Svetka tem alma, que seja ela a salvá-lo.

A polícia estará aqui dentro de uma hora.

Vou entregar este envelope a eles.

Como nova diretora, tenho o dever de denunciar o desvio.

Igor empalideceu.

Toda a sua arrogância desapareceu num instante.

— Lena… não faça isso.

Lenusya.

Nós vamos ser presos.

— Vão mesmo — assentiu Elena.

— Os dois.

Você e a sua Sveta.

Participação conjunta no crime.

De cinco a dez anos.

Igor deixou-se cair no sofá de couro.

O mesmo sofá onde, pouco antes, estavam os tênis de sua amante.

Cobriu o rosto com as mãos.

— Sveta me deixou — disse com voz abafada.

Elena ergueu uma sobrancelha.

— Ontem.

Disse que não precisava de um fracassado sem cargo.

E colocou o apartamento no próprio nome de maneira esperta.

Antes de se casar comigo.

— Que tragédia.

E você reuniu esses documentos para chantageá-la?

— Sim.

Eu queria recuperar meu dinheiro.

— Não era seu.

Era da escola.

Elena colocou cuidadosamente os papéis de volta no envelope.

Guardou-o na bolsa.

— Saia do gabinete.

— Lena!

— Fora.

Igor se levantou.

Parecia velho e patético.

Caminhou em silêncio até a porta.

— Len — disse no limiar.

— De qualquer forma, não vou para a prisão sozinho.

Vou jogar toda a culpa nela.

— Não me importa.

Feche bem a porta.

Quando ficou sozinha, Elena tirou o celular da bolsa.

Digitou o número do policial do bairro.

Mas não ligou.

Apagou os números.

Ela tinha outro plano.

Muito mais pragmático.

Naquela noite, Elena voltou para o apartamento alugado.

Um apartamento de dois cômodos na periferia.

O chão rangia.

O papel de parede antigo tinha flores.

Depois da espaçosa casa geminada que havia decorado sozinha, aquele apartamento parecia uma cela.

Ela pagava trinta mil rublos por mês por aquela cela.

E mais sessenta mil pela hipoteca da casa onde já não morava.

A chave girou na fechadura.

Elena entrou no corredor apertado.

Da cozinha vinha o cheiro de cebola frita.

E de Corvalol.

Elena ficou tensa.

Havia outra pessoa no apartamento.

Ela deu um passo à frente.

Tamara Pavlovna saiu da cozinha.

Sua ex-sogra.

Nas mãos, segurava um pano de cozinha sujo.

— Ah, finalmente apareceu — disse Tamara Pavlovna.

Elena ficou imóvel.

— Como a senhora entrou aqui?

— Peguei a chave reserva com Igor.

Vocês não são estranhos para ficar trocando fechaduras um do outro.

Elena jogou a bolsa sobre o aparador.

— As chaves sobre a mesa.

E depois, vá embora.

Tamara Pavlovna apertou os lábios.

Jogou o pano sobre o radiador.

— Você era má, Lenka, e continua sendo.

Quer deixar seu próprio marido na miséria.

— Meu ex-marido.

— Um carimbo no passaporte não significa nada diante de Deus! — elevou a voz a sogra.

— Igor é meu filho.

E você é obrigada a ajudá-lo.

Elena entrou na cozinha.

Sua frigideira estava sobre o fogão.

Tamara Pavlovna havia fritado para si algumas batatas tiradas da geladeira de Elena.

Elena desligou o gás.

— Não devo nada a ele.

Ele roubou dinheiro.

E me traiu.

— Ah, traiu! — Tamara Pavlovna revirou os olhos.

— Ele é um homem de quarenta anos!

Precisa de um herdeiro!

Você é estéril.

Em doze anos, não conseguiu ter um filho.

Sveta foi esperta, engravidou logo no primeiro mês.

É claro que ele foi para ela.

Um homem vai para onde há vida.

Elena apertou a borda da mesa.

Aquelas palavras atingiam seu ponto mais vulnerável.

Durante anos, eles haviam procurado médicos.

Igor tomava medicamentos.

A responsabilidade era dos dois.

Mas a culpa sempre recaía sobre ela.

— Já que Sveta é tão maravilhosa, que seja ela a resolver os problemas dele.

Por que a senhora veio até mim?

Tamara Pavlovna sentou-se no banco.

Colocou as mãos sobre a mesa com ar de dona da casa.

— Devolva os documentos.

Igor disse que você tem provas contra ele.

Destrua-as.

— Não.

— Lenka, não seja estúpida!

Você é uma mulher inteligente.

Para que precisa de um escândalo na escola?

Ele pegou um pouco do orçamento, e daí?

Todo mundo faz isso!

Ele já está passando por dificuldades.

O departamento está pressionando, e Svetka se revelou uma verdadeira megera.

Elena permaneceu calada.

Olhava para a sogra.

Para os brincos de ouro que ela própria havia lhe dado de presente no aniversário.

Para a convicção absoluta de que estava certa.

— Sabe de uma coisa, Tamara Pavlovna? — disse Elena em voz baixa.

— Foi a senhora quem aconselhou Igor a registrar a casa geminada no nome de sua irmã.

Para que eu não recebesse nada no divórcio.

A sogra não desviou os olhos.

— Claro que fui eu.

Por que deveríamos dar nossos bens a uma mulher de fora?

Você saiu da família, então saia sem nada.

Isso é justo.

Elena sorriu com desprezo.

— Justo.

Então me escute com atenção.

Dou exatamente um minuto para a senhora sair deste apartamento.

A chave reserva deve ficar sobre o aparador.

Caso contrário, chamarei a polícia.

Invasão de domicílio.

— Eu vou…!

— Cinquenta segundos.

Tamara Pavlovna levantou-se de um salto.

Seu rosto se deformou de raiva.

— Desgraçada!

Serpente estéril!

Ninguém nunca vai amar você!

Vai morrer aqui sozinha!

Ela foi até o corredor.

Batendo os pés com força.

Agarrou o próprio casaco.

Elena observou a sogra deixar a chave sobre o aparador.

A porta bateu com tanta força que pedaços de reboco caíram do teto.

Elena ficou sozinha.

Serviu-se de um copo de água fria.

Bebeu de uma vez.

Suas mãos não tremiam.

Por dentro, havia um vazio absoluto.

E uma grande calma.

Agora sabia o que precisava fazer.

No dia seguinte, às dez da manhã, Elena estava sentada em sua nova cadeira.

Os documentos do envelope estavam sobre a mesa.

Alguém bateu à porta.

Igor entrou.

Atrás dele, Sveta vinha arrastando os pés, contrariada.

Usava um vestido justo que destacava a barriga quase imperceptível.

Seu rosto estava descontente e arrogante.

— Então, por que nos chamou? — declarou Sveta assim que entrou.

— Não posso me estressar.

Estou com o útero contraído.

Elena apontou para as duas cadeiras diante da mesa.

— Sentem-se.

Igor se sentou.

Sveta permaneceu de pé, com os braços cruzados sobre o peito.

— Vou ficar em pé.

— Como quiser — respondeu Elena secamente.

Ela empurrou uma pasta até a borda da mesa.

— Analisei todos os documentos.

Seus esquemas de transferência.

O contrato de compra do apartamento.

Sveta bufou.

— E daí?

O apartamento é meu.

Foi comprado com minhas economias pessoais.

Ninguém poderá provar nada.

Elena tirou o pendrive.

Girou-o entre os dedos.

— Uma gravação de áudio.

Vinte e oito de agosto.

A voz de Igor Anatolievitch e a voz de Svetlana Yurievna.

Vocês discutem como incluir no orçamento falsos termos de aceitação do telhado.

E Sveta diz claramente: “O importante é que o construtor consiga fechar o negócio antes de setembro, antes que percebam que o dinheiro sumiu”.

O rosto de Sveta se alongou.

Ela olhou para Igor.

— Você me gravou?!

Seu canalha!

Igor encolheu os ombros.

— Eu precisava me proteger!

Você me passou para trás!

— Eu passei você para trás?!

Você é um impotente e um fracassado!

— Calem a boca os dois — disse Elena com calma, mas com firmeza.

Eles se calaram.

Elena recostou-se na cadeira.

— Vocês têm duas opções.

Primeira opção.

Eu ligo agora para a polícia econômica.

Entrego esta pasta a eles.

Uma perícia confirmará de quem são as vozes na gravação.

Vocês irão para a prisão.

O apartamento será confiscado pelo Estado.

O filho de Sveta nascerá numa colônia penal.

Sveta empalideceu.

Sua arrogância desapareceu.

— Lena… por que você está fazendo isso? — murmurou Igor.

— Segunda opção — continuou Elena, ignorando seus lamentos.

— Eu destruo esta pasta.

Informarei ao departamento que o dinheiro foi usado para comprar equipamentos retidos na alfândega.

Cobrirei o rombo com os próximos orçamentos.

A escola não fará nenhuma denúncia.

Não haverá processo criminal.

Um silêncio mortal pairou no gabinete.

Ouvia-se apenas o barulho dos carros do lado de fora.

Sveta apertou os olhos, desconfiada.

— E por que você nos protegeria?

Você me odeia.

Elena olhou diretamente em seus olhos.

— Eu não penso em termos de emoção, Sveta.

Preciso de dinheiro.

Elena colocou outro documento sobre a mesa.

Um formulário em branco de contrato de doação.

E uma folha com os dados bancários.

— Quatro milhões e meio.

Esse é o preço da liberdade de vocês.

Sveta, ligue agora mesmo para seu corretor.

Coloquem o apartamento à venda com urgência.

E transfiram toda a quantia para a minha conta da hipoteca.

— Você enlouqueceu?! — gritou Sveta.

— Aquele apartamento é meu!

— Foi comprado com dinheiro roubado — respondeu Elena.

— Você não tem apartamento nenhum.

Escolha.

Ou me entrega o dinheiro, ou vai para a prisão.

Sveta olhou para Igor.

— Faça alguma coisa!

Você é homem ou o quê?!

Igor olhava para o chão.

— Svet… ela tem razão.

Não temos escolha.

Seremos presos.

Lenka não está brincando.

— Covarde!

Frouxo! — Sveta bateu com o punho na mesa.

— A senhora é uma chantagista!

Vou à polícia e direi que está me chantageando!

Elena sorriu.

Um sorriso frio e calculista.

— Vá.

A chantagem precisa ser comprovada.

O desvio de dinheiro público, por outro lado, está documentado aqui.

Além da falsificação de assinaturas.

Então, vamos registrar as denúncias?

Sveta começou a respirar pesadamente.

Olhou para a pasta.

Depois para a porta.

Depois novamente para Elena.

— Eu… não tenho esse dinheiro agora.

— Então iremos ao cartório.

Você assinará um contrato de empréstimo com o apartamento como garantia.

Ficará devendo diretamente a mim.

Quando vender, pagará a dívida.

Igor levantou a cabeça.

— E eu?

O que devo fazer?

— Você, Igor, vai procurar um emprego.

De preferência como carregador.

Porque vou garantir que nunca mais consiga trabalhar na área da educação.

Elena pegou uma caneta.

Empurrou a folha em direção a Sveta.

— Escreva um recibo de dívida.

Agora mesmo.

Seguindo o meu modelo.

Com as mãos trêmulas, Sveta pegou a caneta.

Seus olhos se encheram de lágrimas de raiva impotente.

— Que você se engasgue com esse dinheiro.

Ela começou a escrever.

Rapidamente, arranhando o papel com raiva.

Igor observava tudo com desespero.

Em uma única semana, havia perdido a escola, o cargo, o dinheiro e a jovem esposa.

— Lena — disse ele baixinho.

— E nós?

Passamos tantos anos construindo esta escola juntos.

Elena observou Sveta assinar.

— Nós não construímos nada juntos, Igor.

Eu trabalhei até a exaustão.

Você roubou.

A diferença é óbvia.

Sveta jogou a caneta sobre a mesa.

— Pronto.

É tudo.

Vou embora.

Estou passando mal.

Ela se virou em direção à saída.

— Pare — disse Elena.

Sveta se virou.

— O que mais?

Quer beber o meu sangue também?

Elena levantou-se da cadeira.

Aproximou-se do cabide.

Ali pendia uma cara capa de chuva italiana.

Elena a retirou do gancho.

E jogou-a no chão, bem diante de Sveta.

— Agora o meu gabinete está limpo.

Pegue seus trapos e faça com que nem sua sombra volte a aparecer aqui.

E leve também seus tênis que estão no canto.

Sveta empalideceu.

Abaixou-se lentamente, gemendo por causa da barriga.

Pegou a capa do parquet empoeirado.

Apanhou os tênis.

Olhou para Elena com um ódio tão intenso que poderia incendiar o ar.

Mas não disse nada.

Apenas saiu, batendo a porta.

Igor foi atrás dela.

Em silêncio, com a cabeça baixa.

Quando a porta se fechou atrás deles, Elena aproximou-se da janela.

Viu Igor e Sveta saírem para a entrada da escola.

Sveta gritava alguma coisa para ele, gesticulando.

Igor apenas permanecia parado, fumando.

Elena abriu a janela.

O ar fresco de setembro invadiu o gabinete.

Ela voltou o olhar para a mesa.

Ali estava o recibo de dívida de quatro milhões e meio.

E os documentos do envelope amarelo.

No dia seguinte, ela quitaria a hipoteca.

E colocaria a casa geminada à venda.

No outro dia, realizaria sua primeira reunião como diretora.

Sem dívidas, sem Igor e sem os problemas dos outros.

Sim, ela não foi à polícia.

Sim, tornou-se cúmplice na ocultação do desvio de dinheiro público.

Cometeu um crime administrativo para recuperar aquilo que acreditava lhe pertencer por direito.

Elena pegou um isqueiro na gaveta da mesa.

A rodinha estalou.

A chama lambeu o canto do extrato bancário.

O papel escureceu e se enrolou.

Ela jogou a folha em chamas no cesto de lixo.

Depois, a seguinte.

Finalmente, o gabinete já não cheirava ao perfume de outra mulher, mas a fumaça e liberdade.

E vocês, no lugar de Elena, o que fariam?

Entregariam os documentos à polícia ou obrigariam os ladrões a pagar a sua hipoteca?