O marido permanecia em silêncio todas as vezes que a irmã humilhava a esposa.

Um dia, esse silêncio custou-lhe caro demais.

Regina ouviu aquela palavra pela primeira vez na cozinha da sogra, quando Polina tinha oito meses.

A cunhada Zhanna estava sentada junto à janela, descascava uma tangerina e falava ao telefone com uma amiga.

Não em voz baixa.

Em voz alta.

— Mas que esposa é ela?

É uma encostada que vive às custas dos filhos.

Vitka só a mantém por pena, porque Polinka ainda é pequena.

Caso contrário, já teria resolvido isso há muito tempo.

Regina estava parada no corredor com a mamadeira na mão.

Polina respirava baixinho apoiada em seu ombro.

A sogra, Tamara Nikolaevna, lavava a louça a três metros de Zhanna e não se virou.

Ninguém se virou.

Regina passou pela cozinha, subiu para o quarto e sentou-se na cama.

Polina adormeceu.

Regina nem chegou a aquecer a mamadeira.

Ela não chorou.

Ficou apenas sentada, ouvindo Zhanna rir no andar de baixo.

Viktor voltou do trabalho por volta das nove.

Regina não disse nada.

Não porque tivesse medo de uma discussão.

Ela sabia exatamente como tudo aconteceria.

Viktor diria:

— Zhanka é uma idiota, não ligue para ela.

Tamara Nikolaevna diria:

— Ela não quis dizer isso.

E uma semana depois tudo se repetiria.

Antes da licença-maternidade, Regina trabalhava como contadora em uma construtora.

Seu salário era de quarenta e seis mil rublos.

Não era muito dinheiro, mas era dela.

O apartamento em que moravam pertencia a Tamara Nikolaevna.

Era um apartamento de dois cômodos em um velho prédio soviético na rua Leningradskaya.

A sogra morava na casa de campo da primavera até novembro e, no inverno, mudava-se para a casa deles ou para a de Zhanna.

Viktor pagava as contas e considerava que eles moravam de graça.

Regina pensava de outra maneira.

Em dois anos, ela trocou os canos do apartamento, comprou uma máquina de lavar, substituiu o papel de parede do quarto da criança e instalou janelas de plástico na sala.

Pagou tudo com suas próprias economias.

Os recibos ficavam guardados em uma caixa de sapatos no maleiro.

Ela não planejava provar nada a ninguém.

Simplesmente tinha o hábito de guardar documentos.

Mas a palavra “encostada” ficou gravada em sua memória.

Na segunda vez, Zhanna disse isso diante de Viktor.

Era o primeiro aniversário de Polina.

Todos estavam sentados à mesa: Tamara Nikolaevna, Zhanna com o marido Eduard, Viktor e Regina.

Polina mexia em um pedaço de bolo em sua cadeirinha.

Zhanna deu-lhe de presente uma colherzinha de prata com uma gravação e disse:

— Pelo menos a criança terá alguma coisa que seja dela.

A mãe não tem onde cair morta.

Eduard soltou uma risadinha.

Tamara Nikolaevna permaneceu em silêncio.

Viktor olhou para Regina e desviou os olhos.

Regina pegou a colherzinha, disse “obrigada” e guardou-a em uma gaveta.

À noite, depois que os convidados foram embora, ela perguntou a Viktor:

— Você ouviu o que sua irmã disse?

— Ouvi.

Zhanka fala sem pensar.

Não ligue para isso.

— Eu não ligo.

Mas você poderia ter respondido.

— E o que eu deveria dizer?

Ela ficaria ofendida, minha mãe ficaria do lado dela e começaria um circo.

Você precisa disso?

Regina compreendeu duas coisas.

A primeira era que Viktor não brigaria com a irmã para defendê-la.

A segunda era que ela não podia ir embora naquele momento, porque não tinha para onde ir.

Não tinha apartamento próprio.

Com um salário de contadora e uma criança, seria possível pagar um aluguel, mas com muita dificuldade.

Além disso, ela ainda não tinha voltado ao trabalho.

Então Regina começou a fazer contas.

Durante o ano e meio seguinte, fez três coisas.

A primeira: voltou ao trabalho quando Polina completou um ano e meio.

Combinou com a diretora da creche um horário reduzido.

Levava a filha de manhã e a buscava às quatro da tarde.

A segunda: começou a economizar.

É claro que não conseguia guardar o salário inteiro.

Mas todos os meses transferia quinze mil rublos para uma conta separada, aberta em seu nome em outro banco.

Viktor conhecia apenas o cartão do Sberbank no qual Regina recebia o salário.

Ele não sabia nada sobre a poupança.

A terceira: começou a reunir documentos.

Os recibos dos canos, das janelas, da máquina de lavar e do papel de parede.

O contrato com o trabalhador que instalara as janelas.

As contas de serviços que ela pagava nos meses em que Viktor se esquecia.

Tudo permanecia guardado na mesma caixa no maleiro.

Ela não estava se preparando para uma guerra.

Estava se preparando para o dia em que alguém lhe diria para ir embora, para que tivesse para onde ir.

Durante esse período, Zhanna chamou-a de “encostada” mais quatro vezes.

Regina contou todas.

Uma vez diante da vizinha de Tamara Nikolaevna.

Uma vez diante da educadora da creche, quando foi buscar Polina no lugar de Regina.

Uma vez ao telefone, mas falando alto o suficiente para Regina ouvir.

E uma vez diante de Polina.

A menina tinha dois anos e meio.

Zhanna se agachou diante dela e disse:

— Você é tão linda.

Ainda bem que não puxou à sua mãe.

Polina não entendeu.

Mas Regina entendeu tudo.

A reviravolta aconteceu em março, quando Polina tinha três anos.

Tamara Nikolaevna anunciou que queria vender o apartamento da rua Leningradskaya.

Tinham-lhe oferecido um bom preço.

Três milhões e duzentos mil rublos.

Ela pretendia mudar-se definitivamente para a casa de campo, isolá-la termicamente e morar lá durante o ano inteiro.

— Você e Vitia terão de procurar algo para vocês, — disse durante o jantar.

Sem maldade.

Apenas como um fato.

Viktor empalideceu.

— Mãe, mas nós moramos aqui.

A creche de Polinka fica do outro lado da rua.

— Eu sei.

Mas este apartamento é meu, Vitia.

Eu o paguei durante trinta anos.

Regina permaneceu em silêncio.

Dentro dela, tudo estava calmo e claro.

No dia seguinte, telefonou para um advogado.

Não para entrar com uma ação.

Apenas para uma consulta.

Perguntou se poderia exigir uma indenização pela reforma, já que o apartamento não era dela, mas o dinheiro investido era seu.

O advogado explicou que, se ela tivesse recibos, contratos e comprovantes de pagamento, poderia tentar entrar na Justiça por enriquecimento sem causa.

Não era uma garantia, mas havia uma possibilidade.

Regina agradeceu e desligou.

Ela não pretendia processar Tamara Nikolaevna.

Mas agora sabia que os recibos guardados na caixa não eram apenas fruto de um hábito.

Zhanna soube da venda do apartamento antes de Regina.

E reagiu à sua maneira.

Telefonou para Viktor e disse:

— Mamãe vai vender o apartamento.

Ela dividirá o dinheiro entre nós.

Mas cuide para que a sua mulher não apareça com suas exigências.

Ela não investiu um único copeque naquele apartamento.

Viktor contou a conversa a Regina.

Provavelmente achava que ela ficaria calada.

Como sempre.

— Nem um único copeque? — perguntou Regina.

— Bem, é o que Zhanka pensa.

— E você?

Viktor permaneceu em silêncio por alguns instantes.

— Eu acho que somos uma família e vamos resolver isso.

Regina assentiu.

Mas naquela noite tirou a caixa do maleiro.

Somou novamente todos os recibos.

O valor total investido em três anos chegava a quatrocentos e vinte e oito mil rublos.

Canos, janelas, máquina de lavar, papel de parede, pequenos reparos no banheiro, substituição da torneira e uma nova fechadura para a porta de entrada.

Ela fotografou cada recibo e enviou as imagens para a nuvem.

Duas semanas depois, Tamara Nikolaevna encontrou um comprador.

A venda foi marcada para abril.

Regina e Viktor precisavam cancelar o registro de residência naquele endereço.

Regina foi sozinha ao centro de serviços públicos.

Cancelou seu registro.

Registrou Polina junto com ela.

Encontrou um apartamento de um cômodo na rua Yuzhnaya por dezoito mil rublos mensais.

Pagou o primeiro e o último mês.

Transferiu seus pertences em dois dias, enquanto Viktor estava no trabalho.

Quando voltou, ele encontrou o apartamento vazio.

Telefonou.

— Regina, onde você está?

— Na rua Yuzhnaya.

Eu e Polina nos mudamos.

— Como assim se mudaram?

Por quê?

— Porque sua mãe está vendendo o apartamento.

Teríamos de sair de qualquer maneira.

— Mas poderíamos ter alugado alguma coisa juntos!

— Poderíamos.

Mas decidi que primeiro preciso entender se ainda quero ficar com você.

Viktor permaneceu em silêncio.

Foi o primeiro silêncio que lhe custou caro.

Zhanna soube da mudança por Tamara Nikolaevna.

E não conseguiu se conter.

Mandou uma mensagem para Viktor.

Mais tarde, ele a mostrou a Regina, quando apareceu na rua Yuzhnaya com uma sacola de compras e uma expressão culpada.

A mensagem dizia:

— Pronto, a encostada foi embora sozinha.

Eu avisei.

Ela vai levar Polinka e abandonar você.

Diga à mamãe para não dividir o dinheiro da venda em três partes.

Somos apenas nós dois.

Regina leu a mensagem.

Devolveu-lhe o telefone.

— Você respondeu?

— Ainda não.

— Então não responda.

Ela não explicou nada.

Já sabia o que faria.

Tamara Nikolaevna vendeu o apartamento no fim de abril.

Três milhões e duzentos mil rublos.

O dinheiro foi depositado em sua conta.

Em maio, convidou Viktor e Zhanna para a casa de campo.

Queria discutir como dividiria o dinheiro.

Regina não foi convidada.

Viktor contou tudo depois.

Tamara Nikolaevna queria ficar com um milhão e seiscentos mil rublos para isolar a casa de campo.

O restante seria dividido igualmente: oitocentos mil para Viktor e oitocentos mil para Zhanna.

Zhanna disse:

— Só não deixe Vitka dar nem um copeque para a mulher dele.

Esse dinheiro é da nossa família, e ela é uma estranha.

Viktor permaneceu em silêncio.

Ficou calado novamente.

Regina entrou com o pedido de divórcio em junho.

Viktor não acreditou.

Foi até a rua Yuzhnaya.

Ficou parado na porta.

— Por causa de Zhanka?

Por causa de uma palavra?

— Não foi por causa de uma palavra, Vitia.

Foi porque você permaneceu em silêncio todas as vezes que ela disse isso.

E porque ficou calado quando ela me chamou de estranha diante da sua mãe.

E porque você nunca disse: esta é minha esposa, a mãe da minha filha, e ela investiu quase meio milhão de rublos no apartamento de vocês.

Viktor sentou-se em um banquinho.

— Que meio milhão?

— Quatrocentos e vinte e oito mil rublos.

Canos.

Janelas.

Máquina de lavar.

Papel de parede.

Banheiro.

Fechadura.

Torneira.

Tenho recibos de tudo.

Ele a olhou como se a visse pela primeira vez.

— Você guardou tudo isso?

— Eu sou contadora, Vitia.

Eu guardo tudo.

A audiência foi marcada para setembro.

O divórcio ocorreu sem disputa de bens, porque praticamente não tinham patrimônio em comum.

O apartamento pertencia a outra pessoa.

Não tinham carro.

Não haviam feito nenhum empréstimo em conjunto.

Polina ficaria com a mãe, e Viktor não se opôs.

Mas Regina entrou com uma ação separada contra Tamara Nikolaevna.

Não para dividir bens.

Para recuperar o valor correspondente ao enriquecimento sem causa.

Ela havia investido quatrocentos e vinte e oito mil rublos em um imóvel alheio, tudo comprovado por recibos, contratos e contas.

O advogado avisou que o tribunal poderia reduzir o valor.

Também poderia rejeitar parte do pedido.

Mas os documentos eram sólidos.

Tamara Nikolaevna soube da ação e telefonou para Viktor.

— Ela está falando sério?

Ela realmente me processou?

— Mãe, durante três anos ela reformou seu apartamento com o próprio dinheiro.

Você sabia disso.

— Eu não pedi nada!

— Mas também não recusou.

E Zhanka também não recusou quando a água quente começou a correr pelos canos novos.

Foi a primeira vez que Viktor não permaneceu em silêncio.

Mas já era tarde demais.

A audiência aconteceu em outubro.

Regina compareceu com seu advogado.

Tamara Nikolaevna chegou com Zhanna.

Zhanna estava sentada na sala com as costas eretas e os lábios apertados.

Quando a juíza começou a ler os documentos do processo, Zhanna inclinou-se para a mãe e sussurrou alguma coisa.

Tamara Nikolaevna afastou-se dela.

A juíza examinou os recibos.

O contrato de instalação das janelas.

As contas.

As fotografias do apartamento antes e depois da reforma, que Regina encontrou no telefone.

Zhanna não aguentou:

— Meritíssima, ela morava naquele apartamento de graça.

A reforma era o pagamento pela moradia.

A juíza olhou para ela.

— A senhora é a proprietária do apartamento?

— Não, mas…

— Então sua opinião sobre o mérito da causa não tem relevância.

Zhanna ficou em silêncio.

Pela primeira vez desde que Regina a conhecia.

O tribunal aceitou parcialmente o pedido.

Trezentos e dez mil rublos.

A juíza excluiu os pequenos reparos e a torneira, por serem melhorias não comprovadas por um contrato separado.

Mas os canos, as janelas, a máquina de lavar e o papel de parede foram reconhecidos.

Tamara Nikolaevna deveria pagar trezentos e dez mil rublos no prazo de três meses.

Mas a história não terminou no tribunal.

Terminou no cartório de registro civil.

Em novembro, Regina e Viktor foram buscar a certidão de divórcio.

O procedimento era simples: aproximar-se do balcão, apresentar os passaportes, assinar e receber o documento.

Viktor estava ao lado dela.

Em silêncio.

Com as mãos nos bolsos do casaco.

Regina assinou primeiro.

Fez sua assinatura com firmeza e tranquilidade.

Pegou sua cópia da certidão.

Viktor assinou.

Pegou a dele.

Eles saíram para a escadaria do prédio.

Era um novembro frio e as folhas já haviam caído.

Regina guardou a certidão na bolsa.

— Diga a Zhanna, — falou.

— A encostada cancelou o registro.

Oficialmente.

Viktor não respondeu.

Apenas assentiu.

Ficou parado na escadaria do cartório enquanto Regina caminhava até o ponto, entrou em uma van e foi embora.

Durante as primeiras duas semanas, Polina perguntava pelo pai todas as noites.

Depois começou a perguntar em dias alternados.

Depois, uma vez por semana.

Regina respondia sempre da mesma maneira:

— Papai ama você.

Vocês continuarão se vendo.

Viktor buscava Polina aos sábados.

Trazia-a de volta às seis.

Transferia a pensão alimentícia para o cartão de Regina no dia vinte e cinco de cada mês.

Tamara Nikolaevna pagou cento e cinquenta mil rublos em dezembro.

Transferiu os cento e sessenta mil restantes em fevereiro, pouco antes do prazo final.

Zhanna não telefonou nenhuma vez.

Nem para pedir desculpas, nem para brigar.

Simplesmente desapareceu.

Regina não sentiu falta dela.

Em março, exatamente um ano depois de Tamara Nikolaevna anunciar a venda do apartamento, Regina pagou a entrada de um apartamento de um cômodo em um edifício novo.

Trezentos e dez mil rublos recebidos por decisão judicial.

Duzentos e setenta mil rublos da poupança.

Uma hipoteca de quinze anos.

O apartamento ficava no quarto andar e tinha uma varanda voltada para o sul.

Polina corria pelos cômodos vazios e gritava:

— Mamãe, aqui tem eco!

Regina estava parada junto à janela.

Segurava o contrato de compra e venda nas mãos.

Em seu nome.

Somente em seu nome.

Pensou que precisaria comprar uma máquina de lavar.

E que, dessa vez, não seria necessário guardar o recibo.

A quem estiver lendo esta história e morar em um apartamento alheio, investindo o próprio dinheiro em reformas, eis o que é importante saber.

Guardem os recibos.

Não porque estejam esperando uma batalha.

Mas porque a vida é imprevisível, e um pedaço de papel referente a uma torneira de três mil rublos pode um dia tornar-se parte das provas em um processo judicial.

Fotografem o apartamento antes e depois da reforma.

Guardem cópias na nuvem.

Caso façam um pagamento por transferência bancária, escrevam na descrição exatamente pelo que estão pagando: “pagamento pela instalação das janelas conforme o contrato”, e não apenas “transferência”.

E quando alguém chamar vocês de encostados, não discutam.

Façam as contas.