— Só não faça escândalo, Vera.
Nós vamos para Nice.

O voo é às onze, — Pasha não olhava para ela.
Ele colocava na mala de viagem as camisas que Vera passava todas as sextas-feiras.
— Eu e Alëna nos amamos.
Amor de verdade, entende?
Não esse seu… amor de cozinha e rotina doméstica.
Vera estava ao lado da ilha da cozinha, apertando uma espátula de silicone na mão.
No fogão esfriava o recheio de frutas vermelhas para um bolo encomendado.
O ar cheirava a framboesa e baunilha.
— Com a Alëna? — perguntou ela baixinho.
— Com a minha irmã?
— Sim.
E não faça essa cara de surpresa.
Alëna é diferente, com ela é sempre uma festa.
Com você, eu simplesmente… mofei, Vera.
Me perdoe, mas eu também tenho direito à felicidade.
Pasha levantou a cabeça, e Vera teve vontade de fechar os olhos diante do contraste.
Na frente dela estava um homem bem-cuidado, impecável, usando um caro casaco de caxemira — seu marido, aquele que ela literalmente havia “moldado” durante dez anos de casamento a partir de um estudante de pós-graduação pobre e sempre resfriado.
Ele usava um perfume de luxo que Alëna havia escolhido para ele no aniversário anterior.
Na época, Vera apenas sorriu, feliz por sua irmã mais nova cuidar tanto do cunhado.
Alëna sempre fora diferente.
Brilhante.
Leve.
Do tipo de mulher que cheira a cremes caros e dinheiro fácil, mesmo quando tem absolutamente zero na conta bancária.
Ela não sabe fazer sopa, confunde as contas do apartamento, mas os homens sempre se viram para olhá-la.
Alëna é como um objeto raro de uma loja cara, para o qual todos olham de boca aberta.
E Vera?
Ela sempre havia sido para ele apenas a base — confiável, habitual, caseira.
Ela construiu do zero sua confeitaria, “Framboesa e Canela”.
Ela acreditava que seu aconchego, seu lar seguro e seus impecáveis bolos de mousse eram justamente isso: amor.
No fim, isso se chamava “mofar”.
— Não precisa me acompanhar, — disse Pasha, pegando a mala.
— Vou deixar o apartamento para você.
Afinal, tenho direito a um gesto nobre.
A porta bateu.
Vera deslizou lentamente até o chão, ali mesmo, ao lado da ilha da cozinha.
Um pequeno pote de ouro comestível, atingido pela manga dela, caiu e rolou pelo piso, espalhando flocos leves e brilhantes de pó precioso.
A rica e cintilante ilusão da felicidade alheia havia voado para Nice.
Ali, no chão, restava apenas a realidade, com gosto de pasta de açúcar endurecida e traição.
Duas horas depois, na cozinha, entre o ouro comestível espalhado e o recheio de framboesa já frio, estava sua mãe.
Anna Borisovna nem tirou os sapatos.
Entrou pelo apartamento usando seus austeros sapatos de outono, cujo som sempre lembrava Vera do anúncio de uma sentença.
Sua mãe havia trabalhado por trinta anos como contadora-chefe em uma grande fábrica, e seu rosto parecia ter ficado para sempre congelado na expressão severa de quem faz uma auditoria.
Ela lançou um olhar para Vera chorando, para o armário aberto e vazio no corredor e suspirou pesadamente.
— Você é uma tola, Vera, — disse a mãe de forma cortante, sem introdução, colocando sobre a mesa uma pesada bolsa de couro.
— Sempre foi tola e continuou sendo apenas uma confeiteira.
Achou que podia segurar um homem com massa de bolo?
Tire essa farinha dos ouvidos.
— Mãe, eles foram para Nice… Pasha e Alëna, — Vera ergueu a cabeça, olhando para a mãe de baixo para cima, como uma menina pequena esperando proteção.
Mas não houve proteção.
Houve julgamento.
— Eu sei.
Alëna me ligou do táxi.
Disse: “Mamãe, não leve a mal, nós vamos para o mar”.
E sabe de uma coisa?
Eu não a justifico.
Ela é uma egoísta mimada, eu a criei assim e agora sou eu que tenho de carregar essa cruz.
Mas você! — A mãe deu um passo à frente e sua voz ficou pesada como ferro fundido.
— Como você permitiu que chegasse ao ponto de virar um capacho na porta?
Tudo para o Pasha, tudo pelo Pasha.
“Pasha precisa terminar a tese, eu vou pegar turnos noturnos”, “Pasha precisa de um carro para manter o status, eu não vou ampliar a confeitaria”.
E agora?
Você criou um gato de raça e ele pulou para o jardim dos outros.
Argh.
Me dá até enjoo olhar para você.
Levante do chão!
Mexa-se!
A mãe chutou com desprezo o pequeno pote que havia rolado.
As palavras duras, mas verdadeiras, da mãe trouxeram Vera imediatamente de volta à realidade.
Ela parou de chorar e, no lugar das lágrimas, surgiu um ressentimento pesado ao lembrar do passado.
Vera se levantou segurando-se na borda da bancada, enquanto diante de seus olhos passavam imagens da “era de ouro” dos dois.
…Dez anos antes, tudo era completamente diferente.
Naquela época, Pasha não usava casacos de caxemira e não conhecia o sabor de ostras.
Vera se lembrava dele com uma velha jaqueta desbotada e as mãos sempre vermelhas por causa do vento da região de Moscou.
Eles haviam se conhecido em um refeitório universitário barato.
Pasha roía um biscoito duro enquanto tentava decorar desenhos técnicos, e Vera, que na época ainda trabalhava como ajudante de padeiro, empurrou silenciosamente para ele um prato com pãezinhos doces quentes, recém-saídos do forno.
Eles cheiravam a leite assado, aconchego e esperança.
“Você é uma santa, Vera”, ele sussurrava mais tarde, no quarto quase escuro do alojamento, beijando as palmas das mãos dela, que cheiravam a baunilha e massa fermentada.
“Vou me matar de trabalhar, mas vou fazer você andar vestida de seda.
Não vou permitir que derrame uma única lágrima”.
E eles construíram aquela vida tijolo por tijolo.
Vera se lembrava de como economizaram para comprar a primeira batedeira profissional, abrindo mão de tudo.
Lembrava-se de como Pasha, depois de defender o diploma, correu até ela na fábrica com um enorme buquê de margaridas baratas, das quais caía pólen amarelo.
Eles beberam champanhe barato em copos de plástico bem no ponto de ônibus, sob uma forte chuva de junho, e se beijaram como se tivessem pela frente uma eternidade inteira que pertencia apenas aos dois.
Naquela época, Vera mal conseguia respirar de tanta felicidade.
Parecia-lhe que aquele vínculo duraria para sempre.
Onde tudo isso tinha ido parar?
Em que momento o bem-alimentado e impecável alto executivo Pavel havia esmagado aquele garoto resfriado das margaridas?
— Não adianta lembrar do que passou, — cortou a mãe, como se tivesse lido os pensamentos dela.
— Aquele Pasha não existe mais.
E Alëna é uma canalha, mas pelo menos pega da vida aquilo que quer.
Você, por outro lado, fica aí sentada com seus bolos como uma galinha em cima de um ninho vazio.
Amanhã mesmo vá ao cartório e peça o divórcio.
Está me ouvindo?
Não ouse aceitá-lo de volta, nem que ele volte rastejando.
A mãe se virou e saiu, batendo a porta com força.
No silêncio do apartamento, Vera ouvia apenas o zumbido monótono da geladeira.
Lá dentro, atrás da porta de vidro, um bolo de casamento inacabado esperava pelo seu destino.
A festa de outra pessoa, que ela teria de montar à mão enquanto o próprio casamento atravessava a Europa em classe executiva.
O redemoinho não engoliu Pavel de uma vez, mas o fez de forma irreversível.
Tudo começara seis meses antes de Nice, no aniversário da mãe, quando Alëna apareceu usando um vestido de seda semitransparente da cor do céu antes de uma tempestade.
Ela não caminhava — parecia deslizar pelo cômodo, deixando atrás de si um rastro de tabaco caro, figo amargo e uma liberdade absoluta e predatória.
Pavel, cansado de relatórios anuais intermináveis e das conversas de Vera sobre compras de chocolate belga, ficou imóvel.
Alëna o olhou por baixo dos cílios, riu de algum elogio banal e tocou casualmente seu ombro.
“Pasha, como você amadureceu.
Ficou tão… distinto.
Uma pena ficar preso entre quatro paredes”.
Naquele momento, algo estalou dentro da cabeça dele.
O velho mundo confiável, com cheiro de doces e tranquilidade doméstica, de repente lhe pareceu uma prisão sufocante.
Alëna se tornou sua obsessão, sua loucura particular.
Ele começou a mentir.
Viagens de trabalho que não existiam.
Reuniões até tarde nas quais, na verdade, ele se sentava na penumbra de bares caros, observando Alëna girar com os dedos finos a haste da taça.
Ela exigia atenção como uma divindade caprichosa.
“Quero ir para o mar, Pasha.
Aqui é tudo cinza demais.
Você pode pagar isso, não pode?
Ou está com medo da Vera?”.
E ele, traindo a si mesmo, gastava as economias da família nos caprichos dela, sufocando naquela felicidade artificial e embriagante.
Ele próprio colocou aquela coleira no pescoço.
…Então Nice acabou.
A vida real dentro da ilusão não se revelou uma imagem bonita de rede social, mas uma maratona exaustiva e fria.
Um ano se passou.
Vera mergulhou completamente no trabalho.
Sua confeitaria “Framboesa e Canela” cresceu e se transformou em um elegante café urbano.
Vera trabalhava até a exaustão, queimando dentro de si os últimos restos de dor.
Depois de um ano de trabalho pesado, Vera emagreceu e mudou muito.
Ela havia chorado todas as lágrimas possíveis e se tornado forte.
Agora, não era apenas uma excelente confeiteira, mas também uma chefe exigente, capaz de administrar funcionários e decidida a nunca mais deixar ninguém pisar nela.
Enquanto isso, Pavel se consumia lentamente em um apartamento alugado de dois quartos na periferia, para onde ele e Alëna haviam se mudado depois de voltar.
Descobriu-se que a “festa” não sabia e nem queria cuidar da vida cotidiana.
Na cozinha, acumulavam-se montanhas de louça suja e caixas de comida entregue em casa, enquanto a poeira se juntava pelos cantos.
Alëna perdeu rapidamente o interesse por Pavel quando percebeu que os recursos de um alto executivo não eram infinitos e que grande parte do dinheiro ia para o aluguel e para os próprios caprichos dela.
— Você ficou chato, Pasha.
Sempre cansado, sempre reclamando, — dizia ela preguiçosamente enquanto rolava a tela do celular na cama desarrumada.
— Onde está aquele homem confiante que me prometia o mundo inteiro?
Você é apenas uma função que parou de funcionar.
Pavel estava terrivelmente cansado, tanto moral quanto fisicamente.
Por causa da falta constante de sono e das brigas intermináveis em casa, começaram também os problemas no trabalho.
Ele passou a ter uma aparência ruim, e suas roupas caras ficaram amassadas e gastas.
Alëna já não o admirava.
Ele deixou de ser interessante para ela e simplesmente se tornou um incômodo.
Em uma noite de novembro, ao voltar do escritório, Pavel percebeu que os pertences dela haviam desaparecido do apartamento.
Sobre a mesa da cozinha havia um bilhete escrito descuidadamente com batom em um pedaço de recibo.
“Estou entediada.
Fui para Dubai.
Não me procure”.
Ele havia sido jogado para fora da vida dela.
A bela vida pela qual ele abandonara a esposa depois de dez anos de casamento havia acabado.
Não lhe restara nada além dos bolsos vazios.
Ele ficou sentado sozinho no meio daquele apartamento sujo e alheio, percebendo que havia simplesmente sido usado e depois jogado fora como uma coisa inútil.
—
Pavel a encontrou uma semana depois da fuga de Alëna.
Na confeitaria “Framboesa e Canela” havia um aroma agradável de café moído, canela e croissants recém-assados.
Do lado de fora das janelas panorâmicas, caía uma chuva fria de novembro, enquanto ali dentro reinava um aconchego perfeito.
Atrás do balcão, de costas para o salão, estava Vera.
Ela usava um avental preto, os cabelos presos em um coque rígido e seus movimentos eram precisos e seguros.
Pavel hesitou na entrada.
Parecia ter envelhecido dez anos.
— Vera… — chamou ele baixinho, dando um passo à frente.
Ela se virou.
Nenhum músculo se moveu em seu rosto.
Nenhuma surpresa, nenhum medo, nenhuma raiva.
Apenas o olhar calmo e avaliador de uma mulher de negócios.
— Olá, Pasha.
Sente-se.
Café?
Ela própria levou para ele uma xícara de café americano e se sentou em frente, em uma pequena mesa redonda junto à janela.
Pavel envolveu nervosamente a porcelana quente com os dedos, tentando se aquecer.
— Vera, eu… eu entendi tudo, — sua voz tremia.
— Foi um erro.
Alëna foi embora, ela… ela é vazia por dentro.
Eu perdi tudo, Vera.
Perdi o emprego, estraguei o projeto.
Mas o pior é que perdi você.
Lembra de como começamos?
Lembra dos nossos pãezinhos, do alojamento?
Vamos tentar voltar atrás.
Eu vou consertar tudo, eu juro.
Vamos trazer tudo de volta…
Vera ouviu atentamente sem interrompê-lo.
Não havia compaixão em seus olhos.
Ela já havia decidido tudo e sabia com absoluta certeza que não havia caminho de volta.
— Não dá para voltar atrás, Pasha, — disse ela suavemente, mas com uma calma devastadora.
— E nem é só por minha causa.
Vendi o apartamento há seis meses para comprar este espaço para a confeitaria.
Agora outras pessoas moram lá.
Pavel ficou imóvel, encarando-a.
— E isso não é tudo, — continuou Vera, olhando para a chuva além do vidro.
— Nossa mãe… Anna Borisovna.
Há um mês, quando Alëna mandou mais uma exigência para que ela enviasse dinheiro para Dubai, mamãe passou mal.
No próprio trabalho.
Agora, graças a Deus, está em casa, mas quase não consegue andar.
Eu vou vê-la a cada dois dias e contratei uma cuidadora.
Sua partida e a traição de Alëna a destruíram, Pasha.
Destruíram todos nós.
Mas nós conseguimos juntar os pedaços, mamãe não.
— Vera, me perdoe… eu não sabia… — Pavel cobriu o rosto com as mãos.
Seus ombros tremiam levemente.
— Eu fui um idiota.
Eu amo você.
Quero voltar para casa.
Para você.
Vera estendeu a mão por cima da mesa e afastou delicadamente as mãos dele do rosto.
Ela não estava com raiva.
Simplesmente já não sentia nada.
— Olhe para mim, Pasha.
É tarde demais.
Aquela garota que fazia pãezinhos para você e suportava seus caprichos desapareceu no dia em que você arrumou aquelas camisas na mala.
Já não dói.
Eu simplesmente… não sinto nada.
Tenho uma vida nova, novos planos, e neles não há lugar para uma pessoa capaz de trair a qualquer momento por causa de uma embalagem brilhante.
Não há volta.
Termine seu café e vá embora, por favor.
Não temos mais nada para conversar.
Ela se levantou, ajeitou o avental e caminhou até o balcão, onde o primeiro cliente da manhã já esperava no caixa.
Pavel permaneceu sentado sozinho perto da janela.
Seu café esfriou rapidamente, ficando amargo e desagradável.
Igualmente amarga e completamente destruída havia se tornado agora a vida dele.
Três anos se passaram.
O dia de maio estava excepcionalmente quente e ensolarado.
O parque da cidade farfalhava com folhas jovens, enquanto o ar cheirava a lilás e grama recém-cortada.
Vera caminhava devagar pela alameda, segurando Anna Borisovna pelo braço.
Sua mãe se apoiava em uma bengala e andava com cuidado, mas com segurança.
Depois da doença, ela havia se recuperado quase completamente, embora passasse a caminhar um pouco curvada.
— Vamos sentar um pouco, Vera, — disse a mãe baixinho, apontando para um banco vazio perto da fonte.
— Minhas pernas já não são as mesmas.
Elas se sentaram.
Vera tirou da bolsa uma embalagem de papel bem-arrumada da confeitaria.
Dentro havia uma torta de massa amanteigada com grandes cranberries, a preferida da mãe.
— Aqui, coma.
Agridoce, do jeito que você gosta, — Vera sorriu, oferecendo-lhe um pedaço.
A mãe pegou a torta, deu uma mordida e de repente parou, olhando para algum ponto à frente.
Vera acompanhou seu olhar.
Pavel caminhava pela trilha ao lado.
Ele já não parecia um chefe importante.
Usava jeans simples e uma jaqueta barata.
Ao lado dele caminhava uma mulher pequena e discreta de tênis, segurando pela mão uma menina de uns dois anos.
Pavel carregava uma sacola de compras.
Ele parecia tranquilo.
Um homem comum que finalmente havia encontrado seu porto seguro.
Conversava em voz baixa com a esposa.
Era evidente que finalmente havia encontrado uma família normal e tranquila e já não precisava correr atrás de uma vida bonita e chamativa.
A mãe pegou a torta, deu uma mordida e de repente parou, olhando para algum ponto à frente.
Vera acompanhou seu olhar.
Pavel caminhava pela trilha ao lado.
Ele já não parecia um chefe importante.
Usava jeans simples e uma jaqueta barata.
Ao lado dele caminhava uma mulher pequena e discreta de tênis, segurando pela mão uma filha pequena.
Pavel carregava uma sacola de compras.
Ele parecia tranquilo e comum.
Era evidente que finalmente havia encontrado uma família simples e serena e já não precisava correr atrás de uma vida bonita e chamativa.
Pavel virou a cabeça por um instante e viu Vera.
Os olhares dos dois se encontraram.
Não havia raiva nem velhos ressentimentos.
Pavel diminuiu o passo por um instante e apenas fez um leve aceno com a cabeça — tranquilo e quase agradecido por ela tê-lo deixado ir naquela época.
Vera respondeu com outro aceno.
Foi uma despedida silenciosa do passado, de algo que já não doía mais.
Ele seguiu em frente, desaparecendo no meio da multidão de pessoas que passeavam.
Alëna nunca mais apareceu na vida deles.
Segundo alguns boatos, ela havia permanecido em algum lugar no exterior, numa eterna busca pela bela vida, tornando-se uma estranha tanto para a mãe quanto para a irmã.
Anna Borisovna acompanhou Pavel com o olhar, suspirou e tirou delicadamente uma migalha de torta do colo.
— Não valorizamos o que temos e, quando perdemos, choramos, — disse a mãe baixinho, com sua antiga sabedoria.
— Foi bom ele ter se acalmado.
E foi bom você não ter tentado trazê-lo de volta naquela época, minha filha.
Você seria feliz agora se tivesse continuado presa àqueles velhos ressentimentos?
A vida é como uma massa.
Se estragou, jogue fora sem pena e prepare outra.
Vera abraçou a mãe e sentiu um calor tranquilo dentro de si.
Sua confeitaria ia muito bem, ela estava pronta para um novo relacionamento e todos os velhos ressentimentos haviam ficado no passado e já não a assustavam.
— Está bem, mãe, vamos, — Vera se levantou e ajeitou o cachecol.
— Ainda precisamos passar na confeitaria.
Hoje estou testando uma receita nova.
Tem uma leve nota amarga, mas é muito gostosa.
Elas continuaram caminhando pela alameda.
O passado havia ficado para trás, e agora elas simplesmente aproveitavam o dia presente.







