— Desocupem o apartamento.

Nem você nem a sua mãe vão continuar morando aqui — disse a nora calmamente à sogra.

— Desocupem o apartamento.

Nem você nem a sua mãe vão continuar morando aqui.

Arina colocou a bolsa de viagem ao lado do aparador e fechou a porta de entrada.

A fechadura estalou de um jeito especialmente alto.

Na cozinha, o tilintar das colheres parou.

Dmitri estava sentado perto da janela, usando uma camiseta de ficar em casa, como se a esposa não tivesse voltado três dias antes do previsto, mas apenas tivesse saído para comprar pão.

À sua frente estava Valentina Sergeevna.

Diante dela havia uma folha arrancada de um caderno, preenchida com uma caligrafia grande.

Ao lado estavam uma fita métrica, um lápis e várias amostras de piso.

A sogra foi a primeira a se recompor.

— Por que você não avisou?

Arina olhou para a folha.

Na primeira linha estava escrito: “Quarto de Valentina”.

Abaixo vinha uma lista: cama, cômoda, espelho, luminárias novas, armário até o teto.

— Agora isso é obrigatório? — perguntou Arina.

— Tenho que avisar quando volto para o meu próprio apartamento?

Dmitri afastou a caneca.

— Não comece assim que entrou.

— Você está cansada da viagem.

— Primeiro troque de roupa, coma alguma coisa e depois conversamos.

— Eu já vi tudo.

Ela atravessou o corredor e parou diante da porta do cômodo que, apenas uma semana antes, era seu escritório.

A escrivaninha não estava mais lá.

A poltrona também tinha desaparecido, e perto da janela já não havia o pequeno móvel estreito com as pastas.

No lugar deles, tinham colocado uma cama larga no meio do quarto.

Sobre ela havia uma colcha nova.

Ao longo de uma das paredes estava uma cômoda pesada que antes não existia no apartamento.

No parapeito da janela estavam amontoados vasos de flores, e perto da porta havia rolos enrolados.

Arina entrou e passou a mão pelo espaço vazio onde antes ficava a escrivaninha.

— Onde estão as minhas coisas?

Dmitri entrou atrás dela.

— No depósito.

— Algumas estão na varanda fechada.

— Os documentos também?

— Guardamos tudo com cuidado.

Arina se virou para ele.

— Quem autorizou vocês a mexerem no meu escritório?

— Decidimos que assim seria mais conveniente.

— Mamãe não pode continuar dormindo no sofá.

— E vocês não acharam necessário me perguntar?

— Você teria começado a discutir de qualquer jeito.

Arina assentiu devagar.

Nada mudou em seu rosto, apenas os dedos apertaram com mais força a alça da bolsa de viagem.

— Então vocês já sabiam que eu seria contra e fizeram isso enquanto eu não estava.

Valentina Sergeevna apareceu no corredor.

— Não dramatize.

— Você usa esse escritório umas duas vezes por mês.

— Eu preciso morar aqui todos os dias.

Arina olhou para ela.

— E de onde a senhora tirou que vai morar aqui todos os dias?

— Eu e Dima já conversamos sobre tudo.

— Com Dima a senhora pode discutir as roupas dele, o carro dele e os fins de semana dele.

— Quem decide sobre o meu apartamento sou eu.

A sogra soltou um suspiro alto e voltou para a cozinha.

Dmitri permaneceu junto à porta.

— Você está piorando tudo de propósito.

— Não.

— Eu simplesmente voltei antes do que vocês esperavam.

Ela pegou a bolsa e foi para o quarto.

Sobre a cama havia dois suéteres masculinos, embora no calor sufocante de agosto até à noite as pessoas usassem roupas leves.

Arina os colocou sobre uma cadeira e abriu o armário.

As coisas de Dmitri ocupavam quase todo o espaço.

Os vestidos dela tinham sido empurrados para um canto, e algumas caixas tinham desaparecido.

— Onde estão os meus sapatos? — perguntou, sem levantar a voz.

— Mamãe colocou lá em cima — respondeu Dmitri do corredor.

— Você quase não usa mesmo.

Arina fechou o armário.

Em poucos minutos, ela já tinha visto o suficiente.

Enquanto esteve fora, não tinham apenas mudado alguns objetos de lugar.

Tinham redistribuído os cômodos, reorganizado os armários e feito planos de reforma.

A presença dela já não era levada em conta.

O marido e a sogra se comportavam como se Arina fosse uma parente ocasional a quem depois simplesmente comunicariam uma decisão já tomada.

Ela pegou o celular, abriu o calendário e olhou a data.

Nove de agosto.

A viagem a trabalho deveria terminar no dia doze.

Faltaram apenas três dias para eles concluírem completamente o que tinham planejado.

E pensar que, um dia, aquele apartamento tinha sido para Arina a principal prova de que ela era capaz de organizar a própria vida sozinha.

Ela o havia comprado antes mesmo de conhecer Dmitri.

Na época, o prédio tinha acabado de ser entregue, no pátio havia montes de areia no lugar do gramado, e durante vários meses o corredor do prédio cheirava a cimento.

O apartamento tinha dois cômodos, uma cozinha pequena e um corredor estreito, mas pertencia somente a ela.

Arina pagou a hipoteca durante vários anos.

Trabalhava como engenheira em uma empresa, assumia projetos difíceis e viajava com frequência a trabalho.

Não contava aos conhecidos quanto ainda faltava pagar, não reclamava e não pedia ajuda.

Simplesmente fazia o pagamento todos os meses e, quando podia, reduzia a dívida antecipadamente.

Quando o banco emitiu o comprovante de quitação total, Arina o guardou em uma pasta azul junto com o contrato de compra e o documento de propriedade.

Seis meses depois, conheceu Dmitri.

Ele trabalhava como técnico em uma assistência, sabia consertar quase qualquer eletrodoméstico e parecia ser o tipo de pessoa que não se metia nos assuntos dos outros.

Dmitri não fazia perguntas sobre o valor do apartamento, não avaliava os cômodos e não comentava o que deveria ser mudado ali.

Nos primeiros dois anos, eles namoraram.

Depois, Arina sugeriu que ele se mudasse para a casa dela.

Antes de ele trazer suas coisas, ela falou claramente:

— O apartamento é meu.

— Eu o comprei antes de nos conhecermos e não quero um dia ouvir que alguém se considera dono daqui.

Dmitri riu naquela época.

— Eu não estou querendo tomar o que é dos outros.

— Para mim basta você me deixar entrar.

Aquela frase pareceu sincera para ela.

Um ano depois, eles oficializaram o casamento.

Não fizeram uma grande festa: assinaram os papéis, jantaram com os parentes e passaram alguns dias fora da cidade.

Nos primeiros anos, Valentina Sergeevna se comportava de maneira cordial.

Ia visitá-los nas festas, levava mantimentos e perguntava sobre o trabalho.

Quando passava a noite, ela mesma arrumava a cama de manhã e agradecia a Arina.

Por isso, o pedido de Dmitri não causou preocupação no início.

A mãe dele se aposentou e começou a reclamar de como era difícil ficar sozinha em casa.

Às vezes os vizinhos de cima faziam barulho, às vezes o elevador quebrava, às vezes as noites pareciam longas demais.

Quase todos os dias ela ligava para o filho, falava da pressão, da insônia e de não ter ninguém para ajudá-la a carregar sacolas.

Em uma noite de junho, Dmitri ficou andando pela cozinha durante muito tempo antes de falar.

— Mamãe quer ficar conosco por uma semana.

— Talvez dez dias.

— Ela precisa se distrair.

Arina cortava legumes para a salada e não respondeu imediatamente.

— E o que aconteceu com o apartamento dela?

— Nada.

— Ela só está cansada de ficar sozinha.

— Tudo bem.

— Que fique um pouco.

Valentina Sergeevna chegou no dia seguinte com uma mala grande e duas bolsas.

— Trouxe apenas o essencial — anunciou.

Uma semana depois, o filho trouxe outra bolsa.

Depois apareceu uma caixa de sapatos no corredor.

Alguns dias mais tarde, Valentina Sergeevna pediu que liberassem duas prateleiras do armário para ela.

Arina não discutiu.

Parecia constrangedor ficar contando as coisas de outra pessoa quando uma mulher idosa realmente podia precisar de apoio.

No fim da segunda semana, a sogra anunciou que voltaria para casa depois do fim de semana.

Depois começou a sentir dor nas costas.

Depois cortaram a água quente no prédio dela.

Depois estava prevista a visita de uma parente distante que Valentina Sergeevna não queria encontrar.

Toda semana surgia um novo motivo para ficar.

Em meados de julho, ela parou completamente de falar em voltar.

As mudanças começaram com pequenas coisas.

Um dia, Arina não encontrou o escorredor.

Valentina Sergeevna o tinha colocado na gaveta de baixo porque “é assim que qualquer pessoa normal guarda”.

Em outra ocasião, desapareceu a caixa com parafusos e ferramentas.

— O depósito já está apertado demais — explicou a sogra.

— Dei para Dima levar para a garagem.

— Essas ferramentas são minhas.

— Mulher precisa mesmo de chave de fenda?

Arina colocou a caixa de volta no lugar.

Dois dias depois, descobriu que as prateleiras do armário da cozinha tinham sido reorganizadas outra vez.

Os potes estavam em outra ordem, os recipientes tinham sido empilhados, e parte da louça estava dentro de uma caixa perto das lixeiras.

Arina conseguiu recuperá-la antes que levassem embora.

— Por que a senhora está jogando fora as minhas coisas? — perguntou naquela noite.

Valentina Sergeevna nem tirou os olhos da televisão.

— Eram pratos velhos.

— Estavam inteiros.

— Mas eram feios.

— Essa louça não é sua.

— Eu só coloquei ordem.

— E, em vez de agradecer, você está insatisfeita de novo.

Dmitri, deitado no sofá, pediu à esposa que não começasse uma discussão por causa de alguns pratos.

Arina olhou para ele, mas não continuou.

Lavou a louça e a guardou novamente.

Alguns dias depois, duas mulheres desconhecidas apareceram em casa.

Conversavam alto na cozinha, abriam os armários e discutiam onde seria mais conveniente guardar os cereais.

Arina voltou do trabalho e encontrou uma delas perto da geladeira.

— Olá — disse a convidada.

— Eu e Valya resolvemos passar um tempo juntas.

A sogra acenou da cozinha.

— Estas são minhas amigas.

— Faz tempo que eu prometia convidá-las.

— Por que ninguém me avisou?

— Dima não se importou.

As visitas foram embora tarde.

Ficaram pratos sujos na mesa, louça na pia e marcas escuras de sapatos no chão perto da varanda.

Valentina Sergeevna reclamou que estava cansada e se fechou no quarto.

Dmitri começou a recolher os pratos.

— Você poderia pelo menos ter me avisado que elas viriam.

— Mamãe mora aqui.

— Ela tem mesmo que pedir permissão para cada passo?

— Ela está aqui temporariamente.

Dmitri fez uma careta de irritação.

— Lá vem você de novo.

— Porque as coisas dela continuam aumentando.

— E daí?

— Elas te incomodam?

Arina apontou para as caixas no corredor.

— Agora incomodam.

Em vez de responder, Dmitri levou a louça para a cozinha.

No dia seguinte, uma vizinha parou Arina perto do elevador.

— Sua sogra se mudou de vez para a sua casa?

— Por que a senhora acha isso?

— Ela disse que agora mora com o filho.

— Também falou toda orgulhosa que em breve vai reformar o quarto dela.

Arina agradeceu à vizinha e entrou no apartamento.

Valentina Sergeevna estava sentada no escritório, mexendo nos papéis sobre a escrivaninha.

— O que a senhora está fazendo?

— Procurando uma gaveta livre.

Arina se aproximou e tirou a pasta das mãos dela.

— Aqui estão os meus documentos de trabalho.

— Não pode mexer neles.

— Com você não pode nada.

— Parece um museu.

— Porque este não é o seu quarto.

A sogra se levantou.

Seu queixo tremeu visivelmente.

— Eu sou a mãe do seu marido.

— Não sou uma mulher qualquer.

— Isso não lhe dá o direito de mexer na minha escrivaninha.

— Eu queria guardar meus documentos médicos.

— Guarde-os na mala.

Valentina Sergeevna saiu do quarto e, um minuto depois, já estava contando ao filho que Arina praticamente a tinha “jogado para a escada”.

Dmitri entrou na cozinha irritado.

— Você poderia ter falado de um jeito mais gentil.

— Eu já pedi várias vezes para ela não mexer nas minhas coisas.

— Ela não faz por mal.

— A questão não são as intenções dela.

— Ela faz coisas que não tem o direito de fazer.

— Ela está se comportando normalmente.

— É você que implica com tudo.

Naquela noite, Arina pensou pela primeira vez que o marido não estava apenas evitando conflitos.

Havia muito tempo ele tinha escolhido o lado mais conveniente para si.

A mãe fazia o que queria, e a esposa precisava ficar em silêncio para manter a paz.

Uma semana depois, Arina viajou a trabalho.

Antes de partir, trancou as pastas de trabalho na gaveta de baixo da escrivaninha e levou a chave consigo.

No escritório ficaram o monitor, a impressora e alguns projetos que precisaria terminar quando voltasse.

Valentina Sergeevna se despediu dela quase com carinho.

— Não se preocupe, vamos dar conta por aqui.

Aquelas palavras pareceram estranhas para Arina, mas o carro já a esperava na entrada.

Durante a viagem, falava com Dmitri todas as noites.

O marido respondia de forma curta.

Dizia que em casa estava tudo tranquilo e que a mãe estava bem.

No quarto dia, a reunião com o cliente foi adiada e a viagem terminou antes do previsto.

Arina comprou uma passagem e decidiu não avisar que estava voltando.

Queria apenas entrar em casa com tranquilidade, tomar banho e dormir.

Na estação fazia muito calor.

O sol de agosto refletia no asfalto, e as pessoas procuravam as poucas sombras disponíveis.

Arina chegou em casa perto do fim da tarde.

Perto da entrada do prédio havia um pequeno caminhão.

Dois homens descarregavam uma cômoda.

Arina passou por eles sem associar aquele móvel ao seu apartamento.

Só no elevador percebeu uma etiqueta na lateral da cômoda com o sobrenome de Valentina Sergeevna.

Abriu a porta com a própria chave.

No corredor havia rolos de piso, caixas com materiais de fixação e um pacote com uma colcha nova.

A escrivaninha estava desmontada e encostada na parede da varanda fechada.

O monitor estava no chão, coberto com uma toalha.

As caixas com documentos estavam apertadas ao lado de produtos domésticos.

Da cozinha vinham vozes.

— É melhor deixar a cama junto à parede do fundo — dizia Valentina Sergeevna.

— E vamos colocar a mesinha perto da janela.

— Arina pode se irritar — disse Dmitri.

— Passa.

— Você é o marido dela.

— Não é um hóspede aqui.

— Ela acha que o apartamento é só dela.

— Nos documentos ela pode achar o que quiser.

— Vocês moram juntos.

— Então devem decidir juntos.

Arina entrou na cozinha justamente quando a sogra circulava com lápis o item “troca do piso”.

Ela ouviu a explicação do marido, viu seu escritório transformado em quarto e então disse a frase que, a princípio, deixou os dois sem reação:

— Desocupem o apartamento.

— Nem você nem a sua mãe vão continuar morando aqui.

Agora Dmitri estava no meio do cômodo tentando levar a conversa de volta ao tom de sempre.

— Você não pode tomar uma decisão dessas em cinco minutos.

— Eu não tomei em cinco minutos.

— Vocês me ajudaram a tomar essa decisão durante vários meses.

— Vai destruir um casamento por causa de uma mesa e uma cama?

Arina abriu o depósito.

Lá dentro, em cima das caixas de ferramentas, estavam suas pastas de trabalho.

Uma estava amassada, outra tinha um canto rasgado.

Ela as pegou e colocou sobre a cômoda.

— Não é por causa da cama.

— É porque vocês esperaram eu viajar, tiraram os móveis do cômodo e decidiram tudo sem mim.

— Queríamos deixar mais confortável.

— Para vocês.

— Mamãe é idosa.

— Ela tem o próprio apartamento.

Da cozinha veio a voz de Valentina Sergeevna:

— Lá eu fico sozinha.

Arina voltou para a mesa.

— A senhora veio por uma semana.

— Já se passaram quase dois meses.

— Eu realmente incomodo alguém?

Arina olhou para a fita métrica, a lista de compras e as amostras de piso.

— A senhora jogou fora minhas coisas, convidou pessoas, reorganizou armários, mexeu em documentos e agora ocupou um quarto.

— Sim, incomoda.

A sogra levantou as mãos.

— Eu estava tentando deixar esta casa normal!

— Esta é a minha casa.

— E eu estava satisfeita com ela antes de a senhora chegar.

— Dima também mora aqui.

— Morava.

O marido afastou a cadeira bruscamente.

— Você nem entende o que está dizendo.

— Entendo perfeitamente.

Arina foi até o quarto, abriu a prateleira de cima do armário e pegou a pasta azul.

Passara a guardar os documentos ali desde que a sogra começou a bisbilhotar o escritório.

Na cozinha, Arina colocou diante do marido o contrato de compra, o comprovante de quitação da hipoteca e um documento recente de propriedade.

— Este apartamento foi comprado por mim antes de nos conhecermos.

— Há uma única proprietária: eu.

— Você não é registrado aqui e não possui nenhuma parte.

— Sua mãe, menos ainda.

Dmitri nem olhou para os documentos.

— Eu sei que o apartamento é seu.

— Então por que vocês dois se comportam como se não fosse?

— Porque eu sou seu marido.

— Ser marido não dá o direito de transformar escondido o apartamento de outra pessoa para acomodar sua mãe.

— Não é de outra pessoa, é nosso!

Arina virou o documento na direção dele.

— Não.

— A vida familiar pode ser compartilhada.

— Este apartamento é minha propriedade particular.

Valentina Sergeevna se aproximou da mesa.

— Quer dizer que seu marido aqui não é ninguém?

— Quero dizer que ele morava aqui com a minha permissão.

— Hoje essa permissão acabou.

— E para onde vamos?

— A senhora volta para o seu apartamento.

— Dmitri decide sozinho onde vai morar.

A sogra se endireitou.

— Eu aluguei meu apartamento.

Arina franziu a testa.

— Quando?

Valentina Sergeevna desviou o olhar.

— Na semana passada.

— Por quanto tempo?

— Onze meses.

Dmitri interferiu:

— Mamãe não tem obrigação de prestar contas para você.

Arina fechou a pasta.

Agora ficava claro por que a sogra estava trazendo os móveis com tanta confiança.

Ela nunca tinha planejado voltar para casa e já havia decidido que ficaria com o filho.

— Então a senhora alugou seu apartamento sabendo que eu nunca dei permissão para morar aqui permanentemente?

— Dima disse que resolveria tudo.

Arina se virou para o marido.

— Você deu autorização para ela alugar o apartamento?

— Eu disse que ela podia ficar.

— No meu apartamento.

— Pare de repetir a mesma coisa!

Dmitri bateu a mão na mesa.

A caneca balançou, mas Arina conseguiu segurá-la.

— Não levante a voz — disse ela.

— Isso não vai mudar nada.

— Você está jogando minha mãe na rua!

— Não.

— Ela tem um apartamento que entregou voluntariamente para inquilinos.

— Ela mesma vai pensar em como resolver isso.

— Além disso, pode ficar temporariamente com você.

— E eu vou morar onde?

— Não aqui.

O rosto de Dmitri ficou vermelho.

— Eu morei tantos anos neste apartamento!

— E durante todos esses anos soube a quem ele pertencia.

— Eu investi na casa.

— Você tem recibos de reformas ou compras grandes?

Ele ficou em silêncio.

Durante o casamento, Dmitri tinha comprado mantimentos algumas vezes e, certa vez, trocado uma torneira na cozinha.

Os móveis, os eletrodomésticos e todos os trabalhos importantes tinham sido pagos por Arina antes de ele se mudar ou escolhidos e pagos por ela posteriormente.

Ela não pretendia discutir por coisas pequenas, mas também não permitiria que o marido inventasse investimentos que nunca existiram.

— Leve tudo o que comprou pessoalmente para você — continuou ela.

— Ferramentas, roupas, computador.

— O resto fica aqui.

Valentina Sergeevna apertou o lápis com tanta força que ele quebrou.

— Eu já trouxe os móveis.

— Paguei pela entrega.

— Leve os móveis com a senhora.

— Para onde?

— Não é problema meu.

Dmitri saiu da cozinha e bateu a porta do quarto.

Alguns minutos depois, começaram a se ouvir armários sendo abertos.

A sogra ficou sentada à mesa.

— Você vai se arrepender — disse ela.

— Vai perder um bom marido por causa de um quarto.

Arina recolheu os documentos.

— Um bom marido não espera a esposa viajar para entregar o escritório dela à própria mãe.

— Dima queria fazer o melhor.

— Ele queria evitar discutir tanto com a senhora quanto comigo.

— Por isso decidiu que seria mais fácil me colocar diante de um fato consumado.

Valentina Sergeevna não respondeu mais.

Naquela noite, ninguém foi embora.

Dmitri declarou que não iria procurar onde morar durante a noite.

Arina não fez escândalo.

Estabeleceu um prazo: três dias para recolherem as coisas.

— Até a noite de doze de agosto, o apartamento deve estar vazio.

— E se não estiver? — perguntou o marido.

— Então chamarei a polícia e direi que pessoas estranhas se recusam a sair da minha propriedade.

— Eu sou seu marido legalmente.

— Isso não faz de você proprietário.

Dmitri tentou discutir, mas logo percebeu que a esposa não cederia.

Arina trancou os documentos na mala, levou suas coisas para o quarto e fechou a porta.

Quase não dormiu naquela noite.

Do outro lado da parede, a sogra cochichava com o filho.

Às vezes ouvia-se a voz irritada de Dmitri, depois tudo ficava em silêncio.

De manhã, Arina se levantou antes de todos.

Fotografou cada cômodo, as caixas no corredor, a escrivaninha desmontada e os rolos de piso.

Depois verificou os documentos e enviou ao marido uma mensagem com o prazo para sair.

Ela queria que o combinado não ficasse apenas em palavras.

Dmitri leu a mensagem no café da manhã.

— Agora você está até juntando provas?

— Estou registrando o que está acontecendo.

— Está se preparando para o tribunal?

— Se você não concordar em se divorciar de forma consensual, vou entrar com o pedido na Justiça.

Ele colocou o celular com a tela virada para baixo.

— Então você já decidiu tudo.

— Vocês decidiram antes de mim.

— Eu só tirei a conclusão.

Valentina Sergeevna não apareceu na cozinha.

Ela ligava para alguém do quarto e reclamava que a nora estava “expulsando uma pessoa idosa no meio da noite”.

Uma hora depois, Svetlana, a irmã mais velha de Dmitri, chegou.

Entrou sem cumprimentar e foi direto até Arina.

— O que você está fazendo?

— Pedi ao seu irmão e à sua mãe para desocuparem meu apartamento.

— Mamãe alugou a casa dela.

— Ela não tem para onde ir.

— Que resolva isso com os inquilinos ou fique temporariamente com você.

Svetlana ficou em silêncio de repente.

— Eu tenho dois quartos e filhos.

— Eu também tenho dois quartos.

— Sua mãe já tomou um deles sem autorização.

— Você está sozinha, para você e Dima o quarto é suficiente.

— E por que você decide o que é suficiente para mim?

Svetlana tirou os óculos e os limpou com um lenço.

— Dá para chegar a um acordo.

— O acordo era que sua mãe viria por pouco tempo.

— Depois ela ficou e, enquanto eu estava fora, tomou meu escritório.

— Agora só estamos discutindo a data da saída.

— Deixa ela ficar pelo menos um mês.

— Não.

— Duas semanas.

— Não.

— Até os inquilinos encontrarem outro lugar.

— Não.

Svetlana colocou os óculos de volta e olhou para o irmão.

— Dima, diga alguma coisa.

Ele estava sentado à mesa e não respondeu.

— Ele já disse o suficiente — respondeu Arina.

A sogra saiu para o corredor com os olhos molhados e começou a enumerar quantos sacrifícios tinha feito pelo filho, como o ajudara na infância e por que merecia uma velhice tranquila.

Arina não interrompeu.

Quando Valentina Sergeevna terminou, fez uma única pergunta:

— Como tudo isso lhe dá o direito de ocupar meu quarto?

Não houve resposta.

Svetlana foi embora irritada.

Não se ofereceu para levar a mãe consigo.

Durante o dia, Dmitri encontrou um apartamento de um conhecido que estava vazio por alguns dias.

À noite, começou a arrumar suas coisas.

Fazia isso de forma barulhenta: abria armários, jogava roupas nas bolsas e fechava as caixas com força.

Arina ficou na cozinha anotando o que ele levava.

Quando Dmitri estendeu a mão para a máquina de café, ela o impediu.

— Eu comprei antes do casamento.

— Eu também usava.

— Usar não faz dela sua.

Ele sorriu com ironia.

— Agora vai se agarrar a cada colher?

— As colheres ficam na gaveta.

— Leve suas coisas pessoais.

Dmitri levou o computador, as roupas, as ferramentas e algumas caixas de livros.

Arina não reteve nada que realmente pertencesse a ele.

No segundo dia, chegaram os carregadores para buscar os móveis de Valentina Sergeevna.

A cômoda não passava pela porta do quarto.

Quando a levaram para dentro, conseguiram incliná-la, mas agora a cama impedia que girassem aquela estrutura pesada.

Os carregadores sugeriram desmontar a cômoda.

— Com cuidado — ordenava a sogra.

— Ela foi cara.

Arina ficou por perto, garantindo que não danificassem a porta.

Quando a cômoda foi retirada, apareceram riscos profundos no piso.

— Foram os carregadores — disse Valentina Sergeevna imediatamente.

— Não — respondeu Arina.

— Eles apareceram quando colocaram a cômoda.

— Eu os vi no dia em que voltei.

— E agora?

— A senhora vai pagar o conserto.

A sogra começou a gesticular.

— Eu não vou pagar nada.

Arina pegou o celular e fotografou os danos.

— Então a questão será resolvida na Justiça.

— Tenho fotos do quarto antes da minha viagem.

Dmitri se virou bruscamente.

— Você vai processar sua própria mãe?

— A sua mãe.

— E apenas se ela se recusar a compensar o prejuízo.

Valentina Sergeevna quis protestar, mas o filho a levou para o lado.

Dez minutos depois, combinaram que um conhecido de Dmitri consertaria o piso às custas deles.

No fim da tarde, o quarto estava vazio.

Só ficou a cama, que os carregadores prometeram buscar no dia seguinte.

Em doze de agosto, Dmitri levou a última caixa.

Valentina Sergeevna pegou as bolsas, os vasos de flores e um pacote com a louça que ela mesma tinha trazido.

No corredor, parou.

— Eu não pensava que você fosse capaz de fazer isso.

— E eu não pensava que a senhora alugaria seu apartamento e ocuparia o meu sem me perguntar.

— Dima vai voltar para você de qualquer jeito.

— Essa decisão não será só dele.

Dmitri tirou a chave do apartamento do chaveiro e a colocou sobre o aparador.

— Satisfeita?

Arina pegou a chave.

— Não.

— Mas agora pelo menos tudo está acontecendo de forma honesta.

— Você destruiu a família.

— Você tomou uma decisão pelas minhas costas.

— E agora me culpa pelas consequências.

Ele abriu a porta.

— Você vai se arrepender.

— Você já ouviu isso da sua mãe.

— Inventem alguma coisa nova.

Dmitri puxou a maçaneta e saiu para o corredor do prédio.

Valentina Sergeevna o seguiu.

Arina esperou que eles chegassem ao elevador e fechou a porta.

O apartamento ficou estranhamente vazio.

Não havia mais vozes na cozinha, bolsas alheias no corredor nem o cheiro do perfume da sogra.

Na varanda fechada estava a escrivaninha desmontada, no escritório havia riscos escuros no chão, e no depósito se erguia uma pilha de pastas amassadas.

Arina não se sentou para relembrar os últimos anos.

Pegou o conjunto de chaves de fenda e o novo cilindro da fechadura que tinha comprado naquela manhã.

O mecanismo antigo não cedeu de imediato.

Um dos parafusos girava em falso, e ela teve que buscar uma lanterna e um alicate.

Quarenta minutos depois, Arina retirou o cilindro antigo, instalou o novo e testou a chave várias vezes.

A porta abria facilmente.

Ela colocou o cilindro antigo em uma sacola e o guardou longe.

À noite, Dmitri ligou.

— Deixei o barbeador elétrico no banheiro.

— Você pega amanhã às sete.

— Vou deixá-lo do lado de fora da porta.

— Ainda preciso verificar se não esqueci mais nada.

— Mande uma lista.

— Você trocou a fechadura?

— Sim.

Houve uma pausa do outro lado.

— Foi rápida.

— Não pretendo ficar verificando se vocês fizeram cópias das chaves.

— Eu não tinha nenhuma cópia.

— Agora isso não importa mais.

No dia seguinte, Arina lhe entregou o barbeador elétrico, o carregador e uma jaqueta.

Não deixou Dmitri entrar no apartamento.

Ele tentou falar em reconciliação.

— Mamãe vai ficar por enquanto na casa da Svetlana — disse.

— Eu entendi tudo.

— Vamos esquecer essa história.

— O que exatamente você entendeu?

— Que eu deveria ter te avisado sobre o quarto.

— Só avisado?

Dmitri franziu a testa.

— E o que mais?

Arina fechou a sacola com as coisas dele.

— Você ainda acha que poderia ter tomado meu escritório, se tivesse me avisado antes.

— Isso é uma questão familiar normal.

— Não.

— É minha propriedade.

— Você não me ouviu durante meses e continua sem me ouvir agora.

Ele estendeu a mão para a maçaneta, mas Arina se colocou diante da porta.

— Você não vai entrar.

— Minhas coisas estão aí.

— Tudo o que você listou, eu já trouxe para fora.

— Eu morava aqui.

— Não mora mais.

Dmitri pegou a sacola e foi embora.

Durante outras duas semanas, ele ligou quase todos os dias.

Às vezes pedia para começarem de novo, às vezes acusava Arina de crueldade, às vezes propunha deixar a mãe com Svetlana e voltar sozinho.

Mas nem uma única vez admitiu que não tinha o direito de tomar decisões sobre o apartamento sem a proprietária.

No fim de agosto, Arina entrou com o pedido de divórcio na Justiça.

Eles não tinham filhos menores, e também não havia imóveis adquiridos em conjunto para dividir, mas Dmitri se recusou a formalizar o divórcio consensualmente.

Ele esperava que o tempo fizesse a esposa mudar de ideia.

Na primeira audiência, Dmitri pediu um prazo para reconciliação.

Arina não discutiu com o procedimento previsto.

Apenas afirmou claramente que a vida em comum havia terminado e que não pretendia retomá-la.

Depois da audiência, ele a alcançou na saída.

— Você nem tem dúvidas?

— Eu tive dúvidas quando sua mãe começou a jogar minhas coisas fora.

— Depois tive dúvidas quando ela começou a convidar pessoas.

— Depois, toda vez que você exigia que eu suportasse tudo.

— No dia em que vi uma cama no lugar da minha escrivaninha, as dúvidas acabaram.

— Eu posso consertar tudo.

— Meu escritório eu já consertei sozinha.

Em setembro, um conhecido de Dmitri reparou o piso danificado.

Arina verificou o trabalho e considerou encerrada a questão dos móveis da sogra.

Ela mesma remontou a escrivaninha.

Colocou o monitor de volta, organizou os documentos e liberou os armários.

Algumas coisas que Valentina Sergeevna tinha colocado em caixas só foram encontradas por Arina semanas depois.

Um dia, atrás de uma gaveta do armário, encontrou uma fotografia antiga dos pais.

A sogra pretendia jogar fora a moldura porque estava gasta e tinha separado a foto.

Arina a segurou nas mãos por um longo tempo, depois comprou uma moldura nova e colocou a fotografia sobre a escrivaninha.

O apartamento voltou a parecer familiar.

Não perfeito, nem parecido com uma foto de revista, mas dela — com as ferramentas no depósito, as xícaras na prateleira de sempre e as pastas organizadas da maneira mais conveniente para a dona da casa.

No início de outubro, o casamento foi oficialmente dissolvido.

Dmitri pegou o documento e saiu primeiro.

Arina ficou mais alguns minutos conferindo os papéis.

Do lado de fora do tribunal, ele a esperava.

— Mamãe voltou para o apartamento dela — disse.

— Tivemos que negociar com os inquilinos.

— Então apareceu uma solução.

— Ela ainda acha que você agiu errado.

— É direito dela.

— E você realmente não se arrepende de nada?

Arina ajeitou a alça da bolsa.

— Arrependo-me de não ter exigido que ela dissesse uma data exata para ir embora já no primeiro dia.

Dmitri deu um sorriso curto, mas ele desapareceu rapidamente.

— Então acabou mesmo?

— Acabou.

Ela desceu os degraus e seguiu em direção ao ponto de ônibus.

Arina não se sentia uma vencedora.

Tinha precisado reorganizar coisas demais depois de pessoas que, durante muito tempo, tentaram convencê-la de que o conforto delas era mais importante do que as decisões dela.

Mas pelo menos, em casa, ninguém mais abria seus armários, jogava suas coisas fora ou decidia quem ficaria com qual quarto.

Havia uma chave nova no chaveiro.

A única cópia reserva ficava guardada por Arina em uma gaveta trancada.

E agora nenhuma conversa em sua cozinha poderia acontecer como se a dona do apartamento simplesmente não existisse.