— Você ainda não é uma mulher, — disse minha sogra diante dos convidados. Eu fechei a porta para ela. Para sempre.

A sacola fez um ruído.

Minha sogra a colocou no meio da mesa e começou a tirar pequenas caixas, uma após a outra, alinhando-as como cartuchos.

— Katerina, afaste a salada, — disse ela sem olhar na minha direção.

Eu afastei.

Era oito de março, no apartamento dela na rua Timiryazeva, com a mesa estendida da parede até o armário de louças.

Todos os anos, os parentes do lado de Igor se reuniam na casa de Rimma Zakharovna, e todos os anos eu chegava antes de todo mundo para limpar, cortar os alimentos e pôr a mesa.

Naquele dia, a mesa inteira era obra minha.

Aspic preparado desde a noite anterior, duas saladas, frango no forno e um bolo Napoleão que eu havia montado até meia-noite, porque as camadas precisavam esfriar e depois o bolo ainda precisava descansar.

Enquanto isso, minha sogra assistia a uma série na sala e, de vez em quando, gritava pelo corredor para eu não colocar muita pimenta, porque «Lyusya tem problema no estômago».

— Meninas, tenho presentinhos para todas, — anunciou ela quando todos já estavam sentados, levantando a primeira caixinha com dois dedos.

— Perfume. Dos bons, não dessas coisas de barraquinha.

A primeira a pegar foi Zhanna — filhas sempre vêm primeiro.

Depois tia Valya, que tinha chegado de Ryazan no trem noturno.

Depois a vizinha Lyusya, que era convidada todos os anos porque «Lyusya é sozinha, para onde ela vai?».

Depois a sogra de Zhanna, que naquela casa era considerada mais da família do que eu.

As caixinhas foram passando ao redor da mesa.

Eu estava sentada na ponta, bem no canto, onde ficava a perna da mesa, e contava, apenas para manter as mãos ocupadas.

Havia dez caixinhas.

Na mesa, havia onze mulheres.

A última foi parar ao lado do prato de Lyusya.

Minha sogra dobrou a sacola e a colocou embaixo da cadeira, cuidadosamente, como se guarda algo que não será mais necessário.

— Mãe, e a Katya? — perguntou Igor.

Ficou tudo em silêncio.

Tão silencioso que dava para ouvir a torneira pingando na cozinha, aquela que da última vez eu tinha pedido a Igor para consertar.

Rimma Zakharovna enxugou as mãos no guardanapo e olhou para mim.

Pela primeira vez naquela noite.

— A Katya ainda não é uma mulher, — disse ela tranquilamente, como se estivesse falando do tempo lá fora.

— É um filho que transforma alguém em mulher.

— Por enquanto, ela ainda é uma menina.

— E meninas são jovens demais para perfume.

Alguém soltou uma risadinha.

Zhanna passou a examinar seu frasco com uma atenção exagerada.

— Rimma Zakharovna, mas que coisa é essa… — começou tia Valya.

— O quê?

— Eu só digo as coisas como elas são, sempre fui assim a vida inteira.

— Não estou falando por maldade.

Minha sogra abriu os braços e olhou ao redor da mesa em busca de apoio.

E encontrou: a sogra de Zhanna assentiu com compreensão.

— Está casada há cinco anos.

— Cinco anos, meninas.

— Na idade dela, nós já estávamos preparando os filhos para a escola, e não passeando por cafés.

Eu segurava o garfo e olhava para o armário.

Atrás do vidro havia fotografias: Zhanna com Timosha nos braços, Zhanna na maternidade, Zhanna com o carrinho de bebê perto da entrada do prédio.

Igor aparecia em uma delas — pequeno, de shorts, segurando um bambolê.

Eu nunca tinha aparecido naquele armário, e já havia parado de perceber isso no segundo ano.

— Não fique chateada, — acrescentou ela com mais suavidade.

— Quando der à luz, você vai ter tudo.

— Vai ter perfume também, vai ter tudo.

— Mãe, — disse Igor.

— O que foi, «mãe»?

— Estou dizendo a verdade.

Ela ergueu o copinho.

— Então, vamos brindar às mulheres de verdade.

— Às mães.

— Quem já passou noites sem dormir vai me entender.

Todos beberam.

Eu também bebi, porque ficar segurando um copo cheio durante um brinde daqueles seria um espetáculo à parte, e eu não queria fazer espetáculo nenhum.

Depois continuaram comendo.

Elogiaram o aspic.

Elogiaram o frango.

Lyusya perguntou duas vezes a receita da carne em gelatina, e eu expliquei duas vezes, ouvindo minha própria voz como se viesse de longe, de outro cômodo.

Por baixo da mesa, tia Valya tocou meu joelho.

Foi tudo o que os parentes conseguiram fazer por mim.

Depois minha sogra puxou para perto de si a forma com o bolo Napoleão e disse:

— Vamos, corte o seu bolo, Katyusha.

O seu bolo.

Eu me levantei, peguei a forma com as duas mãos e levei para a cozinha.

Abri a geladeira, coloquei-a na prateleira de cima e fechei a porta.

Voltei e fiquei parada no vão da porta.

— A sobremesa é para as mulheres, — eu disse.

— E eu aqui sou uma menina.

— Meninas não servem bolo.

Todos à mesa se viraram para mim ao mesmo tempo.

Zhanna abriu a boca e esqueceu de fechá-la.

Tia Valya baixou os olhos para a toalha da mesa.

— Mas o que deu em você? — Rimma Zakharovna começou a rir e bateu a mão na mesa com tanta força que os garfos tilintaram.

— Vocês viram?

— Ficou ofendida por causa de um frasquinho.

— Por causa de um frasquinho de trezentos rublos!

— Por trezentos rublos eu nem teria me levantado, — respondi e fui até a entrada buscar meu casaco.

Igor me alcançou já na escada.

No carro, ficou muito tempo sem ligar o motor, soprando os dedos, e depois disse:

— Mas por que você ficou tão irritada?

— Ela não fez por maldade.

Uma semana depois, ela veio até nossa casa.

Sem avisar, às nove da manhã de um sábado.

— Abra, estou na escada, — disse pelo interfone.

Morávamos a vinte minutos da casa dela, e ela considerava aqueles vinte minutos parte do território dela.

Ela não tinha as chaves — a única coisa que eu tinha conseguido defender em cinco anos, e mesmo assim depois de uma briga.

Minha sogra entrou, tirou os sapatos, foi até a cozinha e se sentou como se sentam as donas da casa: de costas para a janela e de frente para a porta.

— Igorek, faça um chá para mim, — disse ao filho.

Para mim, nada.

No caminho, ela ainda teve tempo de espiar o banheiro e avaliar a cortina que eu havia comprado em janeiro.

— Parece um plástico qualquer.

— A da Zhanka sim é boa, de tecido.

Depois abriu a geladeira, pegou um pote de creme azedo, girou-o nas mãos e colocou de volta.

— Venceu há dois dias.

— É com isso que você alimenta meu filho?

Igor ligou a chaleira em silêncio.

Da bolsa, ela tirou uma folha dobrada em quatro e um folheto.

Fino, com margaridas na capa.

— Aqui.

— Em Kovylkino tem uma velha.

— Uma verdadeira, não uma charlatã qualquer.

— Gente de três regiões diferentes vai até ela.

— A cunhada da Valya foi e, um ano depois, teve gêmeos.

— Mãe, — disse Igor.

— O que foi, «mãe»?

— Eu estou tentando ajudar, não estou sentada de braços cruzados.

Ela abriu a folha e colocou-a sobre a mesa, alisando com a palma da mão como se fosse um documento oficial.

— Você, Katya, vá até lá.

— Precisa ficar duas semanas, tomar ervas, fazer reverências.

— Igorek leva você, ele já vai mesmo naquela direção.

Eu permaneci ao lado do fogão em silêncio.

— Igorek não tem culpa de ter recebido uma mulher dessas, — disse ela para dentro da xícara.

— Homem precisa de um filho homem.

— Homem sem filho é meio homem.

Uma mulher dessas.

Peguei o folheto com as margaridas, fui até o lixo, pressionei o pedal com o pé e deixei o folheto cair lá dentro.

A tampa bateu.

— Esta é a minha casa, — eu disse.

— Na minha casa, ninguém fala do meu útero.

— Nem com ervas, nem sem ervas.

— Nunca.

Minha sogra colocou a xícara sobre o pires como se estivesse colocando um ponto final.

— Igor.

— Você está ouvindo como ela fala comigo?

Ele estava ouvindo.

Estava parado perto da geladeira com a chaleira na mão, olhando para a própria meia.

— Mãe, chega, vai, — conseguiu dizer finalmente.

— Está bem, — disse ela, levantando-se e ajeitando a blusa.

— Está bem.

— Nunca mais coloco os pés aqui.

— Vivam como quiserem.

Ela realmente não apareceu durante três semanas.

Igor ia visitá-la sozinho e voltava de lá trazendo potes e silêncio.

Então tia Valya ligou.

— Katyusha, não fique nervosa, — disse pelo telefone.

— Seja forte.

— Estamos todos do seu lado.

— Do meu lado como assim?

Tia Valya suspirou daquele jeito que se suspira quando já é tarde demais.

— Bem, a Rimma contou para todo mundo.

— Para mim, para Lyusya, para Natasha.

— Disse que vocês foram aos médicos.

— Que aí dentro de você está tudo vazio e os médicos não puderam fazer nada.

— Ela diz que Igorek é saudável como um touro, mas que a Katerina não recebeu esse dom, e então o que ele deveria fazer, se divorciar?

— Não fique brava com ela, ela só se preocupa com o filho.

Eu estava sentada no chão do corredor, entre a máquina de lavar e o cesto de roupas, segurando o telefone com as duas mãos, porque com uma só eu não conseguia.

— Tia Valya.

— Obrigada por me contar.

Nós realmente tínhamos ido ao médico.

No outono, juntos.

E eu sabia de cor o que tinham nos dito — havia relido o papel quatro vezes dentro do carro enquanto Igor fumava perto da entrada sem levantar os olhos.

O problema não era eu.

Naquela noite, coloquei aquele papel sobre a mesa na frente dele.

Ele nem se inclinou para lê-lo.

Então lembrava muito bem do que estava escrito.

— Você contou para sua mãe? — perguntei.

Ele ficou em silêncio.

— Igor.

— Você contou para ela?

— Contei, — respondeu.

— Em dezembro.

— Na cozinha dela, depois do aniversário.

— E o que ela disse?

Ele esfregou o rosto com as duas mãos.

Depois respondeu baixinho, mas eu ouvi cada palavra e ainda hoje me lembro delas:

— Ela disse: não passe vergonha.

— Deixe pensarem que é culpa dela.

— Você é homem.

Era isso.

Ela não tinha se enganado.

Não havia confundido nada.

Não tinha deixado escapar uma frase impensada num momento de raiva.

Ela sabia desde dezembro — havia três meses —, incluindo aquela mesa com as caixinhas, incluindo o brinde às mulheres de verdade, e ainda assim escolheu quem seria considerada culpada.

Não por estupidez.

Por cálculo.

Proteger o filho escondendo-se atrás das costas de outra pessoa.

Das minhas.

Peguei o telefone, procurei tia Valya nos contatos, apertei para ligar, coloquei no viva-voz e deixei o aparelho no meio da mesa, exatamente entre mim e meu marido.

Começou a chamar.

Igor empalideceu.

— Katya.

— Não faça isso.

— Por favor.

Um toque.

O segundo.

O terceiro.

— Katya, você vai acabar com a minha vida.

— Toda Ryazan vai saber.

O quarto.

Desliguei.

— Eu vou ficar calada, — disse.

— Mas não porque você está pedindo.

— E não porque ela quer proteger você.

— Vou ficar calada porque eu não sou como ela.

Ele soltou o ar e tentou tocar minha mão.

Eu a afastei.

— Diga obrigada e vá dormir, — falei.

Um mês depois, na Páscoa, ele entrou no quarto com o telefone junto ao ouvido, cobrindo o microfone com a mão.

— Mamãe está convidando todo mundo.

— Afinal, somos uma família.

Fez uma pausa.

— Ela pediu para você fazer aquele bolo Napoleão.

Aquele bolo Napoleão.

Não «diga para ela vir».

Não «eu estava errada».

Não «me desculpe, Katya, falei demais».

Uma encomenda.

Como numa confeitaria, só que de graça e com entrega em domicílio.

Enxuguei as mãos na toalha e a pendurei no gancho.

— Igor, sente-se.

Ele se sentou na beirada do sofá, daquele jeito que as pessoas se sentam quando estão prontas para se levantar a qualquer momento.

— Eu nunca mais vou entrar na casa dela, — disse.

— Nunca.

— Nem este ano, nem daqui a dez anos, nem no aniversário dela, nem no funeral.

— Katya, mas o que você está dizendo?

— Ainda não terminei.

— E nossos filhos, se um dia tivermos, também nunca vão entrar lá.

— Ela não vai vê-los.

— Nem no carrinho, nem no primeiro ano da escola, nem na formatura.

— Nunca.

Ele me olhava de baixo para cima, e eu via que procurava palavras e não encontrava.

— Você pode ir, — continuei.

— Todo domingo, até dia sim, dia não, se quiser.

— Não vou dizer uma palavra e não vou olhar torto quando você sair.

— Mas ela não terá as chaves, não vai atravessar nossa porta e não verá os netos.

— Isso não é um pedido.

— É uma condição.

— Você está decidindo por uma criança que ainda nem existe, — disse ele.

— Estou.

— Você não tem esse direito.

— Ela vai crescer e perguntar onde está a outra avó.

— E o que você vai dizer?

— Que a mãe não ganhou um perfume?

— Vou contar como realmente aconteceu.

— Ela não bateu em você, Katya.

— Ela fala demais, só isso.

— Não faz por maldade, é a idade, ela é assim.

— Você quer dar prisão perpétua por causa de palavras?

— Por causa de palavras, — respondi.

— É pelas palavras que ela está pagando.

— Ela não tinha nada nas mãos além das palavras, e veja o que conseguiu fazer com elas.

— Ela poderia cuidar da criança, — disse ele.

— Você vai voltar a trabalhar.

— Quem vai cuidar, uma babá paga?

— Que seja uma babá.

— Pelo menos a babá, mesmo sendo paga, sabe ficar calada.

— Você ficou cruel, Katya.

— Eu fiquei atenta.

— É diferente.

Ele se levantou, pegou a jaqueta, depois a colocou de volta no sofá.

Depois pegou de novo.

— Ela está velha, — disse da porta.

— Vai acabar sozinha.

— Ela não está sozinha.

— Tem Zhanna, Timosha, Lyusya, toda Ryazan, um armário cheio de fotografias.

— Tem todo mundo, exceto aqueles que ela mesma apagou da vida dela.

— Você está me colocando no meio.

— Foi sua mãe que colocou você no meio.

— Em dezembro.

— Na cozinha dela.

A porta se fechou.

Ele foi para a casa dela, sozinho, exatamente como eu havia dito.

Fiquei um pouco em silêncio.

Depois abri a geladeira, tirei a forma com o bolo Napoleão — porque no fim das contas eu tinha preparado o bolo mesmo assim, minhas mãos fizeram tudo automaticamente, cinco anos de hábitos não desaparecem de uma hora para outra —, sentei no chão, diretamente sobre os azulejos diante da porta aberta, e comecei a comê-lo com uma colher diretamente da forma.

Frio, pesado, doce até enjoar.

Eu comia ouvindo o motor da geladeira zumbir, sem precisar correr para lugar nenhum.

E pela primeira vez em cinco anos eu não precisava pedir permissão a ninguém para comer sobremesa.

Asya nasceu dois anos depois.

Fiquei sabendo que Zhanna estava se mudando por Igor, no carro, quase como um comentário qualquer.

O marido dela tinha sido transferido para Kaliningrado, e ela foi com ele.

Com Timosha, com os cachorros e com o sofá novo que tinham comprado a crédito.

O prédio inteiro saiu para se despedir.

Rimma Zakharovna ficou sozinha no apartamento de três quartos na rua Timiryazeva, com o armário, as fotografias e a televisão que ligava assim que acordava.

Ela telefonou no dia seis de março.

No começo, nem entendi quem era: ela havia trocado de número e sua voz estava mais baixa.

— Katya.

— Feliz Dia da Mulher adiantado.

Eu estava no quarto infantil segurando uma meia-calça com coelhinhos.

— Obrigada.

— Eu tricotei uma coisinha para a Asenka.

— Um macacãozinho.

— Rosa, com orelhinhas.

— Perguntei o tamanho para Igor, ele disse cento e quatro.

— Não precisa.

— Como assim não precisa?

Ela nem ficou brava.

Ficou surpresa.

Sinceramente surpresa.

— Eu sou a avó dela.

— A senhora não é avó dela.

— A senhora é Rimma Zakharovna.

— Tudo de bom.

Desliguei e coloquei a meia-calça na minha filha.

Asya perguntou quem tinha ligado.

Eu disse que era engano, e aquela foi a primeira mentira que contei para ela.

Quatro dias depois, a professora me segurou no vestiário.

— Ekaterina Sergeevna, uma avó esteve aqui perguntando por vocês.

— Uma senhora grisalha, de casaco verde.

— Ela ficou perto da cerca, chamando Asya pelo nome e tentando passar uma bala por um buraco.

— Eu fui até ela e perguntei quem era.

— Ela respondeu: sou a avó de sangue, não me deixam ver minha neta.

— Asya já estava correndo até ela, mas eu consegui segurá-la.

Comecei a fechar a jaqueta da minha filha.

O zíper emperrou, e eu até fiquei aliviada: pelo menos tinha algo para fazer com as mãos.

— Obrigada por me contar.

— Vou fazer uma declaração.

— Talvez não seja necessário? — A professora olhou para a porta.

— Afinal, é a avó.

— Ela estava chorando.

— É necessário.

Em casa, peguei o formulário e escrevi na lista das pessoas autorizadas a buscar a criança apenas dois nomes — o meu e o de Igor —, levei de volta à creche e pedi que me mostrassem onde haviam arquivado o documento.

Depois liguei para ela.

— Se a senhora se aproximar daquela cerca mais uma vez, — eu disse, — vou à polícia.

— Não estou ameaçando.

— Vou mesmo.

— E a senhora vai ter que explicar ao policial quem é e por que está atraindo uma criança que não conhece com doces.

— Uma criança que não conheço?! — A voz dela falhou.

— Você ficou maluca?

— Ela é do meu sangue!

— A senhora nunca a viu nenhuma vez.

— Sangue não é argumento, é exame.

— Eu só queria olhar para ela!

— Só um pouquinho!

— Eu a vi pela grade e só consegui enxergar o capuz e as costas.

— Fora isso, só vejo fotos, e mesmo assim Igor mostra no celular por três segundos e guarda de novo!

— Olhe as fotos de Timosha.

— A senhora tem um armário inteiro delas.

No dia seguinte, Igor entrou na cozinha já com aquela expressão pronta que sempre fazia quando a decisão tinha sido tomada antes mesmo da conversa.

— Vamos pelo menos encontrar em território neutro, — disse.

— No parque.

— Meia hora.

— Ela olha para a menina e vai embora.

— Não.

— Katya, são só trinta minutos.

— O que custa?

— Não é questão de custar.

— Eu não posso permitir.

Coloquei os blocos de Asya dentro da caixa.

— Em dez minutos ela vai dizer que a mãe dela é ruim.

— Ou que ser menina ainda não conta e que precisa de um irmãozinho.

— Ela não sabe agir de outra maneira, Igor.

— Seis anos atrás ela provou isso na frente da família inteira.

— Eu não vou colocar minha filha diante disso.

— Ela não teria coragem.

— Já teve.

— Na cerca.

Naquela noite, ela ligou para Igor.

Ele saiu para a escada com o telefone e voltou quarenta minutos depois, pálido, com os olhos vermelhos.

— Ela está chorando, — disse.

— Eu ouvi.

— Essas paredes são de papelão.

— Katya.

— Ela tem sessenta e três anos.

— Ela tinha cinquenta e sete quando colocou aquelas caixinhas sobre a mesa, — respondi.

— A idade não atrapalhava naquela época.

No dia oito de março, às oito da manhã, o interfone tocou.

Eu desci.

Não deixei que ela entrasse — eu desci.

São coisas diferentes, e era importante para mim que essa diferença ficasse evidente.

Ela estava em frente ao prédio usando o mesmo casaco verde.

Tinha emagrecido.

Parecia mais baixa — acontece com a idade, depois eu perceberia a mesma coisa com minha própria mãe.

— Olá, Katya.

— Olá.

Ela mexeu na bolsa e tirou uma caixinha.

Plana, de papelão, com detalhes dourados ao redor das bordas.

Os cantos estavam gastos, e em uma das laterais havia uma faixa clara desbotada pelo sol que durante anos atravessara o vidro do armário.

Aquele frasco.

O décimo primeiro.

O que não me havia sido dado naquela época.

— Eu não joguei fora, — disse ela, estendendo a caixinha sobre a palma da mão.

— Eu guardei.

— Ficou lá todos esses anos.

— Nunca nem abri.

— Agora você é mãe.

— Agora pode.

Olhei para a palma da mão dela e permaneci em silêncio.

— Pegue, — disse ela.

— Naquela época eu não fiz por maldade.

— Eu sou assim.

— Não fez por maldade, — repeti.

— A senhora comprou.

— Comprou onze.

— Contou o dinheiro, ficou na fila.

— Depois pegou uma e guardou de volta na bolsa.

— Antes mesmo de os convidados chegarem.

— Não esqueceu, não se confundiu — guardou de propósito.

Ela piscou.

— Eu não queria ofender você, queria que você refletisse.

— Eu refleti, — respondi.

— Durante seis anos.

— E agora a senhora mesma acabou de completar o que faltava, Rimma Zakharovna.

— Naquela época eu não podia.

— Agora posso.

— Isso significa que nunca foi sobre o perfume.

— Era sobre a senhora decidir se eu era mulher ou menina.

— E ainda hoje está decidindo.

— A senhora apenas me deu uma sentença diferente e espera que eu fique feliz.

Ela ainda segurava a caixinha suspensa entre nós.

Eu não tirei as mãos dos bolsos.

— Eu fiquei sozinha, — disse ela.

— Zhanka foi embora.

— Levou Timosha, e agora só vejo ele pelo telefone, mas ele não para quieto, corre o tempo todo, e eu só vejo a nuca.

— Igor aparece, fica uma hora, traz queijo cottage e volta para casa.

— Eu passo o dia inteiro sem ninguém.

— Nem tenho para quem ligar, Katya.

E naquele instante tudo finalmente se encaixou, todas as coisas que durante seis anos haviam permanecido separadas na minha cabeça.

— Foi a senhora que me ensinou, — eu disse.

— É um filho que transforma alguém em mulher.

— A senhora tem dois filhos, um neto e um armário cheio de fotografias.

— Pelas suas contas, deveria ser a mulher mais completa desta rua.

— Mas está sozinha diante da porta do prédio de outra pessoa, pedindo para deixarem entrar.

— Então a senhora mentiu naquela época.

— Não é um filho que faz uma mulher.

— Um filho fica ou vai embora, dependendo da maneira como você falou com ele.

Ela ficou parada olhando para mim de baixo para cima.

Antes, era eu quem olhava para ela daquele jeito.

— Igor ficou, — disse finalmente, e sua voz tremeu.

— Aí está.

— Ele ainda vem me visitar.

— Então nem tudo eu fiz errado.

— Ele vem.

— Sozinho.

— Como eu determinei.

Balancei a cabeça.

— A senhora se agarra a ele como a um corrimão.

— E ele traz queijo cottage e passa todo o caminho de volta em silêncio.

— Isso não é «ficar», Rimma Zakharovna.

— É uma visita marcada na agenda.

Eu me virei e aproximei a chave eletrônica da porta.

A fechadura fez um clique.

— Mas pelo menos deixe eu ver minha neta?! — gritou ela atrás de mim.

— Vou ter que esperar até morrer?!

Eu não me virei.

Dois meses se passaram.

Igor vai visitá-la aos domingos, leva uma sacola com queijo cottage e volta na hora do almoço.

No caminho de volta, não liga a música no carro, e eu não pergunto por quê.

Ela levou a caixinha de volta consigo — vi pela janela quando a ajeitou dentro da bolsa antes de caminhar em direção ao ponto de ônibus.

Em setembro, Asya fará quatro anos.

Ela já perguntou por que Timosha tem duas avós nos vídeos e ela só tem uma, e eu respondi que simplesmente aconteceu assim.

Ela assentiu e correu para brincar.

Da próxima vez, não vou conseguir escapar com uma resposta tão simples.

Fui longe demais ou estava certa?

Agora Asya está no corredor experimentando minhas botas.

Calçou as duas nos pés errados e está ali, balançando de um lado para o outro, muito séria.

Eu me sento ao lado dela no chão e espero até que ela descubra sozinha como corrigir.