Ela não sabia que eu já tinha decidido tudo.
— Resumindo, meninas, um mês.

No máximo um mês e meio, — Zhanna tomou um gole de café, colocou a xícara no pires e olhou para as amigas.
— E eu vou me mudar para a casa do Nikita, para o apartamento de três quartos na Avenida da Marginal.
Katya, que sabia do relacionamento deles desde o primeiro dia, fez uma careta e puxou o sorvete para mais perto de si.
— E a Vera vai para onde?
São dois filhos, Nikita, dez anos de casamento.
Ela simplesmente vai fazer as malas e ir embora?
— Vai ficar tudo bem, — Zhanna fez um gesto despreocupado com a mão.
— O Nikita vai resolver tudo sozinho.
A Vera não tem voz nenhuma lá, depende completamente dele.
Ele mesmo me disse: há uns dois anos eles vivem como estranhos.
Só fingem por causa das crianças.
Agora ele vai colocar os papéis do divórcio na frente dela, ela vai assinar e pronto.
Vai receber alguma compensação, talvez volte para a casa da mãe, no interior.
O Nikita tem tudo sob controle.
Zhanna acreditava sinceramente nisso.
Nikita lhe parecia um homem determinado, capaz de resolver situações complicadas.
Quando ia visitá-la, dizia sempre a mesma coisa: «Eu mesmo vou resolver tudo.
A Vera não vai fazer escândalo, assim é até mais fácil para ela.
O importante é fazer tudo sem barulho».
Naquele mesmo momento, no apartamento de três quartos na Avenida da Marginal, Nikita andava de um lado para o outro em seu escritório.
A gravata estava frouxa, e o primeiro botão da camisa estava desabotoado.
Ele tentava encontrar as palavras certas, mas em sua cabeça giravam apenas as frases decoradas que o advogado lhe dera.
Vera estava sentada à escrivaninha.
Diante dela havia duas folhas A4 impressas — um projeto de acordo de dissolução do casamento e divisão dos bens.
Nikita havia pegado aquele documento com um advogado conhecido três dias antes e ainda não sabia como abordar o assunto.
Segundo seu plano, Vera deveria assinar, sem perguntas nem histerias, a renúncia aos seus direitos sobre o apartamento e o carro.
Em troca, ele prometia pagar a ela uma quantia fixa em parcelas ao longo de três anos.
— Leu? — perguntou Nikita, parando perto da janela e olhando para a cidade ao entardecer.
Ele tentava não olhar para Vera.
— Na minha opinião, está tudo certo.
Não estou te prejudicando, vou continuar ajudando as crianças e pagando pensão oficialmente.
Não faz sentido prolongar esse casamento.
Estamos apenas nos torturando.
Vera permaneceu em silêncio.
Nos últimos seis meses, enquanto rumores chegavam até ela por meio de conhecidos em comum e notificações noturnas apareciam constantemente no telefone dele, já não restava emoção alguma dentro dela.
Todas as lágrimas haviam sido derramadas antes.
Agora ela só queria acabar com tudo o mais rápido possível.
— Eu não vou assinar isso, Nikita, — disse Vera.
Nikita se virou lentamente.
— Por quê?
É pouco dinheiro?
Vera, vamos olhar para as coisas com lucidez.
Nos últimos cinco anos você viveu às minhas custas.
Trabalhava naquela sua biblioteca por uma miséria e cuidava das crianças.
Quem trazia a principal renda para casa era eu.
Sou eu quem cuida do negócio.
— Não é disso que se trata, — Vera o interrompeu.
— Você está me oferecendo pagamentos vagos ao longo de três anos.
Hoje você tem um negócio, amanhã pode não ter.
Hoje você paga, amanhã muda de ideia.
E o apartamento foi comprado durante o casamento.
E meus pais venderam a antiga casa de campo deles para que pudéssemos pagar a entrada, quando você não tinha dinheiro nenhum.
Você se lembra disso?
Nikita fez uma careta.
— Eu me lembro de tudo.
Mas investi aqui dez vezes mais!
— Por isso não vai haver nenhum acordo «em silêncio» nem parcelamento, — continuou Vera, dobrando cuidadosamente as folhas ao meio.
— Eu consultei um advogado.
Nikita ficou tenso.
— Que advogado?
Você já foi procurar advogado?
— Claro.
Eu não sou uma mulher burra, embora você tenha se acostumado a pensar assim.
Minha proposta é a seguinte: venda conjunta do apartamento pelo valor de mercado.
Dividimos o dinheiro exatamente pela metade, descontando as partes das crianças.
Nada de parcelas suas.
Apenas divisão oficial por meio da venda.
Você recebe o que é seu, eu recebo o que é meu.
— Você ficou maluca?! — Nikita elevou a voz e deu um passo em direção à mesa.
— Vender nosso apartamento?
Depois de tudo o que investi nele?!
E eu vou morar onde?
Na sua opinião, tenho que ir morar de aluguel?
— No mesmo lugar que eu, — respondeu Vera, levantando-se da cadeira.
— Você compra um apartamento pequeno ou faz uma hipoteca com a sua parte.
O corretor virá amanhã às seis da tarde para fazer a avaliação e tirar as fotos, — disse calmamente, pegou os papéis da mesa e saiu do escritório.
Nikita nunca tinha visto a esposa daquele jeito: concentrada e pronta para defender o que era seu.
Toda a segurança que ele tinha de controlar a situação e poder obrigar Vera a aceitar tudo desmoronou em cinco minutos.
Ela não tinha mais medo da raiva dele e já não tentava salvar a família.
O telefone vibrou no bolso da calça: Zhanna.
Nikita rejeitou a ligação, enfiou o telefone de volta no bolso e bateu com força o punho sobre o tampo de madeira da mesa.
No dia seguinte, perto da hora do almoço, Nikita encontrou Zhanna em um café não muito longe do trabalho dela.
— Por que você não atendeu ontem? — Zhanna perguntou imediatamente, assim que ele se sentou à mesa.
— Liguei três vezes.
E os papéis, como ficaram?
— A Vera empacou, — resmungou Nikita, pedindo um espresso duplo ao garçom.
— Não quer assinar o acordo.
— Como assim, não quer? — Zhanna olhou para ele surpresa.
— E o que ela quer?
Mais dinheiro?
— Ela exige que o apartamento seja vendido.
Quer uma divisão completa por meio de uma venda pelo preço de mercado.
Zhanna ficou imóvel com a xícara na mão.
— Como assim vender?!
Nikita, você está brincando?
E nós vamos morar onde?!
Você mesmo me disse que em um mês eu poderia me mudar para o apartamento na Avenida da Marginal, que você daria uma compensação a ela e ela iria morar com a mãe!
— Eu achei que ela fosse embora! — respondeu Nikita, irritado.
— Não esperava que ela procurasse um advogado.
Ela já chamou um corretor.
Hoje às seis ele vai ver o imóvel.
— Como assim? — Zhanna amassou o guardanapo de papel.
— Afinal, você é homem ou o quê?
Coloque ela no lugar dela!
Diga que, se continuar fazendo gracinha, no tribunal não vai receber nada!
Foi você mesmo quem disse isso!
Nikita olhou para Zhanna com irritação.
Ela não entendia a situação real e distribuía conselhos idiotas com facilidade demais.
— Zhanna, pare de falar besteira, — disse ele bruscamente.
— Por lei, ela tem direito à metade de todos os bens adquiridos durante o casamento.
O tribunal simplesmente determinaria a mesma venda em leilão, só que o processo se arrastaria por um ano.
E durante esse ano eu seria obrigado a morar com ela e as crianças sob o mesmo teto, pagar tudo e ficar indo a audiências.
É isso que você quer?
— Eu quero que você resolva o problema, como prometeu! — Zhanna aumentou a voz.
— Há seis meses você fica me contando histórias de que tem tudo sob controle!
— Eu estou resolvendo! — ele gritou tão alto no salão inteiro que algumas pessoas nas mesas ao lado viraram a cabeça.
Ele se calou, respirou fundo e tomou um gole de café.
Zhanna o observava, e um mau pressentimento começou a surgir dentro dela: ele não era nenhum senhor onipotente da própria vida.
Era apenas um homem perdido que havia se colocado sozinho contra a parede e não sabia como sair daquela situação.
Às seis da tarde eles esperavam o corretor, mas Zhanna chegou primeiro.
Depois do almoço, Nikita havia passado de um compromisso de trabalho para outro, tentando resolver assuntos profissionais e respondendo às ligações de maneira distraída.
Zhanna se cansou de ouvir o seu fraco «eu estou resolvendo tudo».
Ela decidiu que ele simplesmente estava sendo mole demais com a ex-esposa e quis avaliar pessoalmente a situação.
Afinal, ela contava se mudar para aquele apartamento em um mês, e entregar o lugar para alguma «dona de casa calada» não fazia parte dos seus planos.
Foi Vera quem abriu a porta.
— Está procurando quem? — perguntou Vera, observando calmamente a visitante.
— Vim falar com Nikita.
Mas, na verdade, vim falar com você, — Zhanna entrou no apartamento de forma demonstrativa.
— Eu sou Zhanna.
Acho que não preciso explicar quem sou.
— Entre na cozinha.
Nikita deve chegar em uns vinte minutos.
Elas se sentaram à grande mesa de jantar.
Zhanna tirou um tablet da bolsa, pretendendo imediatamente assumir a iniciativa e estabelecer o tom da conversa.
— Vera, vamos evitar drama e ressentimentos pessoais.
Nikita está enrolando e não consegue dizer tudo para você porque sente pena.
As crianças, dez anos juntos, tudo isso é compreensível.
Mas você é adulta e precisa entender: de qualquer forma, você não vai continuar morando aqui.
Estou propondo um compromisso razoável.
Você não cria obstáculos, assina o acordo abrindo mão da sua parte, e eu pessoalmente acrescento uma determinada quantia em dinheiro vivo.
Para o começo, para pagar um aluguel.
Por que levar isso até o tribunal?
Vera se levantou, foi até o armário da cozinha e serviu para si mesma água do filtro.
Tomou um gole, virou-se e olhou para Zhanna com uma curiosidade leve, quase imperceptível.
— Dinheiro vivo vindo de onde? — perguntou Vera com calma.
— Nikita não tem economias disponíveis, está tudo investido no negócio, e mesmo lá as coisas não andam muito bem ultimamente.
Então você está oferecendo o seu próprio dinheiro?
Zhanna hesitou ligeiramente, não esperando aquela pergunta.
— Isso diz respeito apenas a mim e ao Nikita.
— Não diz respeito apenas a vocês, — Vera a interrompeu.
Ela se aproximou da mesa.
— Segundo a avaliação, este apartamento vale cerca de vinte e dois milhões de rublos.
Oito milhões correspondem às partes das crianças, que são totalmente intocáveis.
Os quatorze milhões restantes são divididos exatamente pela metade entre os cônjuges.
Nikita tem agora quinze milhões de rublos para me entregar em mãos e encerrar a questão?
Não.
Você tem esse dinheiro?
A julgar pelo fato de que mora de aluguel em um modesto apartamento de um quarto e veio até aqui de táxi econômico, também não tem.
Zhanna ficou furiosa.
Não esperava que aquela «dona de casa reprimida» soubesse onde ela morava, quanto o apartamento valia e fosse capaz de analisar tão rapidamente e sem emoção a sua situação financeira.
Nesse momento, uma chave girou na fechadura da entrada.
Nikita entrou no apartamento respirando pesadamente.
Parou na porta, confuso, ao ver Zhanna.
— Zhanna?!
O que você está fazendo aqui?
— Vim ajudar você a acabar com esse circo sem sentido, — respondeu Zhanna, levantando-se da cadeira.
— Mas parece que sua esposa já calculou e avaliou tudo por todo mundo.
A campainha tocou.
— Boa noite.
Meu nome é Sergey, vim por causa da avaliação do imóvel e da preparação do contrato preliminar de venda.
Os dois proprietários estão presentes?
— Os dois, — respondeu Vera com calma.
— Pode entrar na sala, os documentos do apartamento estão sobre a mesa.
Durante a meia hora seguinte, o corretor passou pelos cômodos, mediu as áreas com uma trena a laser, fez anotações no tablet e fez algumas perguntas rápidas para esclarecer detalhes.
Zhanna ficou parada no corredor.
Ela não tirava os olhos de Nikita.
E Nikita estava inquieto.
Corria atrás do corretor, tentando parecer dono da situação, mas olhava constantemente para Vera.
Por fim, todos voltaram para a sala.
O corretor tirou da pasta um formulário de acordo preliminar para colocar o apartamento à venda e o colocou sobre a mesa de centro.
— Então, — disse o corretor.
— A localização é excelente e a reforma está boa.
Definimos o preço de mercado.
Para iniciar o processo, preciso da assinatura dos dois proprietários neste documento.
Ele tirou uma caneta e a entregou a Nikita.
Nikita hesitou e lentamente voltou o olhar para Zhanna.
Zhanna esperava que ele batesse o punho na mesa, jogasse a caneta longe e dissesse: «Não vamos assinar nada, o apartamento fica comigo, saiam daqui!».
Mas Nikita ficou em silêncio.
Ele simplesmente não tinha nada para dizer.
Não tinha argumentos, não tinha dinheiro e não tinha nenhuma brecha jurídica.
— Nikita!
Diga alguma coisa! — Zhanna não aguentou mais.
— E o que eu vou dizer?! — gritou Nikita, virando-se para ela.
— O que eu vou dizer, Zhanna?!
Eu não tenho quinze milhões de rublos para entregar a ela agora!
De onde vou tirar isso?!
Vou vender um rim ou vender o negócio por uma ninharia?!
— Mas você prometeu!
Você disse que estava tudo resolvido!
Que tinha tudo sob controle!
— Eu achei que entraríamos em acordo sobre um parcelamento em três anos! — ele gritou, perdendo definitivamente os últimos vestígios de dignidade diante de um estranho e da própria esposa.
— Eu não sabia que ela procuraria um advogado e exigiria a venda imediata!
Um silêncio caiu sobre a sala.
O corretor discretamente pegou o tablet e fingiu estudar os documentos.
Zhanna olhava para Nikita.
Diante dela estava um homem perdido que não tinha nada além de belas palavras e uma parte no apartamento.
— Entendi, — disse Zhanna.
— «Eu mesmo vou resolver tudo».
Ela se virou, pegou a bolsa sobre o pufe e foi em direção à porta.
Nikita fez menção de ir atrás dela.
— Zhanna, espere!
Aonde você vai?!
Vamos sentar e conversar direito!
— Conversar sobre o quê? — Zhanna parou junto à porta e olhou para ele.
— Sobre como vamos nos apertar no meu apartamento de um quarto alugado enquanto vocês ficam anos brigando na Justiça?
Não me ligue mais.
Ela bateu a porta com força.
Nikita voltou para a sala.
— Assine, Nikita, — exigiu Vera.
— Não faça esse homem perder mais tempo, o expediente dele já acabou.
Nikita suspirou e colocou uma assinatura larga no documento.
O apartamento foi vendido três meses e meio depois.
Durante todo esse tempo, a convivência no apartamento da Avenida da Marginal foi difícil.
Nikita fingia que nada catastrófico havia acontecido.
Falava alto ao telefone, fingindo uma intensa atividade profissional, voltava tarde para casa e desviava o olhar quando Vera passava por ele.
Vera, por sua vez, cuidava silenciosamente de seus afazeres: arrumava caixas, preparava comida para as crianças e conferia as tarefas escolares.
Para ela, Nikita havia se transformado em um estranho com quem precisava dividir temporariamente os mesmos metros quadrados até a conclusão da venda.
Zhanna não entrou mais em contato.
Nikita ainda tentou mandar mensagens com explicações, ligou inúmeras vezes e até apareceu uma vez no apartamento dela com um buquê de rosas.
Mas Zhanna simplesmente não abriu a porta e enviou uma mensagem curta: «Não passe vergonha.
Eu não preciso de um homem cheio de problemas alheios».
Nikita ficou profundamente ofendido.
Zhanna não precisava dele.
O dinheiro da venda do apartamento entrou na conta.
Vera pegou a sua metade e as partes das crianças e, sem precisar fazer nenhum financiamento, comprou um apartamento de dois quartos em uma boa região, não muito longe da escola dos filhos.
No dia da mudança, enquanto os carregadores levavam as caixas com as coisas dela, Nikita estava sentado na cozinha.
— Está feliz? — resmungou quando Vera entrou na cozinha.
— Destruiu tudo o que levou anos para ser construído.
Vera parou na porta, olhou para ele e respondeu calmamente.
— Foi você quem destruiu tudo, Nikita.
Desde o momento em que decidiu que os seus desejos eram mais importantes do que a nossa família.
Ela colocou o molho de chaves sobre a mesa e fechou a porta atrás de si.
Nikita só conseguiu comprar um modesto apartamento de um quarto na periferia da cidade.
Para reformá-lo, precisou se endividar, pois seu negócio começara a ter problemas.
Sem Vera, que antes cuidava de toda a rotina doméstica, a vida de Nikita rapidamente virou um caos.
No novo apartamento, a bagunça reinava constantemente, na geladeira havia apenas comidas prontas compradas no supermercado, e as noites eram preenchidas assistindo televisão em completo silêncio.
Seis meses depois, sentado em uma triste noite de outono com uma garrafa de cerveja, Nikita decidiu escrever para Vera.
Ele demorou para escolher as palavras, digitou um longo texto dizendo que sentia falta das crianças, reconhecia seus erros e propunha simplesmente tomar um café e «conversar como adultos».
A resposta chegou cinco minutos depois.
Era composta por duas frases curtas.
«Resolva todas as questões relacionadas às crianças e à pensão por meio do meu advogado.
Não temos nenhum motivo para encontros pessoais».







