Eu agradeci e fui procurar um segundo emprego.
— Você tem noção do que está fazendo?!

Onde você está gastando o dinheiro, alguém pode me explicar?!
Kirill estava parado no meio da sala com a expressão de um homem que acabara de receber a notícia do fim do mundo.
A camiseta estava amassada, e no rosto havia exatamente aquela expressão que Nadja, em pensamento, chamava de «cara da mamãe».
Porque era exatamente assim que a sogra, Tamara Nikolaevna, olhava para ela quando viu a nora pela primeira vez.
Como se olhasse para uma barata que não conseguiu esmagar a tempo.
— Kirill, eu comprei tênis para a Sonja.
Ela chegou em casa com os calcanhares machucados por causa dos antigos.
— Três mil rublos!
Por um par de tênis para uma criança de sete anos!
Nadja não respondeu.
Ela aprendera a ficar calada em momentos assim — isso poupava seus nervos e seu tempo.
A filha estava sentada no quarto ao lado e ouvia tudo, Nadja tinha certeza disso.
As crianças sempre ouvem.
— Vou te dar o quanto eu achar necessário, — disse Kirill, e havia uma determinação em sua voz como se ele tivesse acabado de assinar um decreto.
— Se der, deu.
Se não der, invente alguma coisa.
Nadja ergueu os olhos para ele.
— Está bem, — disse calmamente.
— Obrigada.
E foi para o quarto procurar anúncios de emprego.
Na verdade, ela já trabalhava.
Era atendente de operações em um banco, das nove às seis, cinco dias por semana.
O salário era mediano, os colegas eram normais e a chefe, uma mulher de cerca de cinquenta anos chamada Raisa Semyonovna, era rígida, mas justa.
Nadja se agarrava àquele emprego com unhas e dentes, embora Kirill, sempre que tinha oportunidade, insinuasse: para que você trabalha, afinal, podia ficar em casa cuidando da Sonja.
Nadja sabia por quê.
Porque o dinheiro que ela mesma ganhava era dela.
Já o que Kirill lhe dava era um favor.
Com juros pagos em forma de humilhação.
Agosto na cidade estava pesado e abafado.
De manhã, Nadja saía de casa e o ar já estava denso e quente, como se viesse de um forno.
Ela caminhava até o ponto de ônibus, observava as pessoas ao redor — alguém carregava sacolas, alguém falava ao telefone, alguém bebia café andando — e pensava: todos eles estão indo para algum lugar.
Eu também estou indo para algum lugar.
E isso já não é tão ruim.
Ela encontrou o segundo emprego rapidamente.
Aulas particulares de matemática — publicou um anúncio por meio de uma conhecida e, uma semana depois, já tinha três alunos.
Dois estudantes do ensino básico e um universitário de ensino à distância que não conseguia passar em uma prova havia três anos seguidos.
As aulas eram à noite, depois do trabalho principal, duas ou três vezes por semana.
O dinheiro não era muito, mas era dela.
Ela não contou nada a Kirill.
Tamara Nikolaevna aparecia todos os sábados.
Aquilo havia sido estabelecido desde o começo, quando eles tinham acabado de se casar, sete anos antes, e nunca mudara.
A sogra surgia às onze da manhã com uma sacola contendo alguma coisa feita em casa: geleia, conservas ou uma torta de repolho assada especialmente para o filho.
Ao mesmo tempo, ignorava Nadja de maneira tão demonstrativa que aquilo já era uma ação em si.
— Kirjusha, você emagreceu, — dizia logo na entrada, examinando o filho com os olhos.
— Mãe, está tudo bem.
— Tudo bem! — ela apertava os lábios.
— Eu estou vendo.
Não estão te alimentando direito.
Nadja, nesse momento, arrumava a cozinha e fingia não ouvir nada.
Sonja ficava rondando a avó, esperando os doces — Tamara Nikolaevna sempre levava doces para a neta, e esse era o único gesto que Nadja apreciava nela.
Dessa vez, a sogra chegou com uma novidade.
— Kirjusha, conversei com a mãe da Verochka.
— Ela colocou a sacola sobre a mesa e olhou ao redor da cozinha como se estivesse avaliando o apartamento para venda.
— Eles estão vendendo a casa de campo em Sosnovka.
Barato.
Acho que vocês deveriam comprar.
Kirill se animou imediatamente.
— Ah, essa é uma boa ideia.
Nad’, você ouviu?
Nadja tinha ouvido.
E já entendia como aquilo terminaria: a casa seria comprada, o dinheiro — que eles não tinham — seria emprestado por Tamara Nikolaevna, e depois aquela dívida ficaria pairando sobre suas cabeças como uma espada de Dâmocles, enquanto a sogra passaria a aparecer não uma vez por semana, mas duas.
— Vamos pensar, — disse Nadja.
Tamara Nikolaevna olhou para ela.
Por um longo tempo.
Como se olha para um móvel que está no lugar errado.
A primeira aula à noite foi na terça-feira.
Nadja teve de atravessar a cidade inteira — de ônibus e depois a pé, passando pelo mercado antigo e pela praça com uma fonte, onde à noite as mães passeavam com carrinhos de bebê.
Ela caminhava sem pensar em nada específico — apenas observava a cidade, as pessoas, os choupos cujos galhos mais baixos já haviam amarelado por causa do calor, embora agosto estivesse apenas começando.
O aluno morava no quinto andar de um prédio soviético sem elevador.
Chamava-se Roman, tinha uns vinte e cinco anos, trabalhava em um armazém e estudava economia à distância.
Ele simplesmente não entendia matemática — olhava para as equações como se estivessem escritas em suaíli.
— Olha, — dizia Nadja, — é simples.
Você precisa encontrar o x.
X é aquilo que você precisa descobrir.
— Mas por que procurar se ele já está aí? — perguntava Roman sem o menor traço de ironia.
Nadja riu.
De verdade, e de forma inesperada até para ela mesma.
Roman ficou surpreso — aparentemente, professores particulares não costumavam reagir assim.
Ela voltou para casa às nove e meia.
Kirill estava deitado no sofá assistindo futebol.
— Onde você estava? — perguntou sem virar a cabeça.
— Na casa de uma amiga.
— Está tarde.
— Sim.
Ela foi ao banheiro, lavou o rosto e ficou muito tempo olhando para seu reflexo no espelho.
Trinta e dois anos.
Olhos cansados.
Mas havia algo mais.
Algo que surgira naquela noite enquanto explicava x e y para Roman.
Leveza.
Era isso.
Uma leveza comum, simples — a sensação de ter feito alguma coisa por conta própria.
De não precisar dar explicações a ninguém por isso.
Ela apagou a luz e foi dormir.
Mas no telefone já havia uma mensagem de um número desconhecido: *«A senhora dá aulas de matemática? Indicaram você para nós. Precisamos de ajuda com muita urgência».*
Nadja leu.
Colocou o telefone debaixo do travesseiro.
E, por algum motivo, sorriu.
O número desconhecido pertencia a Viktoria Andreevna, uma mulher de cerca de quarenta e cinco anos, diretora de um pequeno colégio particular do outro lado da cidade.
Nadja retornou a ligação pela manhã, enquanto estava no ponto esperando o ônibus, e cinco minutos depois já entendeu que não se tratava apenas de mais um aluno.
— Preciso de alguém que coloque meu filho em dia em um mês, — dizia Viktoria Andreevna rapidamente, de maneira profissional.
— Nono ano, vai refazer o OGE em setembro.
Matemática é uma catástrofe.
Três vezes por semana, pagamento bom.
— Quão bom? — perguntou Nadja diretamente.
Viktoria Andreevna disse o valor.
Nadja quase perdeu o ônibus.
O filho de Viktoria Andreevna era uma história à parte.
Chamava-se Gleb, tinha quatorze anos, era magro, alto e usava fones de ouvido que só tirava quando circunstâncias de força maior exigiam.
Olhou para Nadja sem interesse, como se olhasse para mais uma tentativa dos adultos de se meter em sua vida.
— Então, matemática, — disse Nadja, sentando-se à mesa em frente a ele.
— É.
— O que exatamente você não consegue fazer?
— Tudo.
— «Tudo» não é uma resposta.
Gleb levantou os olhos.
Ficou surpreso porque ela não sorriu gentilmente nem disse *«não tem problema, vamos resolver»*.
— Álgebra, — disse depois de uma pausa.
— Funções.
Gráficos.
— Certo.
Vamos começar por aí.
Viktoria Andreevna trouxe chá, colocou-o na ponta da mesa e saiu em silêncio, discretamente, o que agradou Nadja.
Uma mãe que não fica supervisionando o processo.
Raridade.
O apartamento deles era grande e caro, com tetos altos e estantes de livros do chão ao teto.
Enquanto caminhava pelo corredor, Nadja percebeu que os livros não estavam ali apenas como decoração.
Alguns tinham sido claramente lidos, com marcadores e lombadas gastas.
Aquilo também dizia algo sobre as pessoas que moravam ali.
Ela voltou para casa já ao anoitecer.
A cidade esfriava lentamente depois do calor do dia — só um pouco, quase nada, mas ainda assim dava para sentir que o ar se tornava mais suave.
Nadja estava sentada junto à janela do ônibus observando as ruas: ali havia um café com varanda aberta, pessoas sentadas às mesas rindo; ali um velho alimentava pombos junto à fonte; ali dois adolescentes andavam de patinete quase no escuro, e um deles claramente estava com um pouco de medo, mas não ficava para trás.
Ela pensava em Gleb, para sua própria surpresa.
Havia algo nele que ela não notara imediatamente por trás dos fones e da indiferença.
Quando chegaram aos gráficos e ela desenhou uma parábola, ele perguntou de repente:
— Isso é bonito, né?
Quer dizer, a matemática.
A senhora acha bonito?
Nadja olhou para ele.
— Sim, — respondeu sinceramente.
— Muito.
Ele ficou em silêncio por um momento e então assentiu.
Como se ela tivesse passado em algum exame cuja existência desconhecia.
Kirill estava de mau humor durante o jantar.
Dava para perceber pela maneira como comia — rápido, sem olhar para o prato — e por um silêncio tão pesado que, por si só, pressionava o ambiente.
— Minha mãe te ligou, — disse finalmente.
— Eu vi.
Vou retornar.
— Ela diz que você fala com ela de maneira fria.
Nadja não respondeu.
Serviu-se de água e bebeu.
— Você ouviu o que eu disse?
— Ouvi, Kirill.
— E então?
— E nada.
Eu falo normalmente com sua mãe.
Se ela acha o contrário, é a percepção dela.
Kirill pousou o garfo.
Olhou para ela por muito tempo, com aquela expressão que surgia quando tentava encontrar palavras maiores e mais destrutivas.
— Você entende tudo o que ela faz por nós?
— Entendo.
— Ela está se oferecendo para nos ajudar a comprar uma casa de campo!
Pessoas normais seriam gratas!
— Eu sou grata.
— Não parece!
Sonja não saiu do quarto — fazia tempo que aprendera a perceber noites assim.
Nadja sabia disso e odiava justamente aquilo, talvez mais do que Kirill: o fato de a filha estar lá, com um livro, fingindo que não ouvia nada.
Ela se levantou, retirou a louça e foi até Sonja.
A menina estava lendo de verdade, não fingia.
Levantou os olhos do livro e olhou calmamente para a mãe.
— Mãe, um paralelogramo é um quadrilátero?
— Sim.
— E um quadrado é um paralelogramo?
— Também.
Sonja assentiu com a expressão de quem acabara de resolver uma questão importante e voltou ao livro.
Nadja ficou parada ao lado dela.
Colocou a mão sobre a cabeça da filha, quente e com cheiro de xampu infantil.
Sonja não reagiu — já tinha mergulhado novamente no livro.
E aquilo era bom.
Era muito bom.
Tamara Nikolaevna ligou na sexta-feira, por volta do meio-dia.
Nadja estava no intervalo do almoço, sentada em uma pequena praça atrás da esquina do banco, com um sanduíche e uma garrafa térmica.
— Nadjusha, — começou a sogra com uma voz em que a doçura cobria algo completamente diferente, — eu queria conversar.
De mulher para mulher, digamos assim.
— Estou ouvindo, Tamara Nikolaevna.
— Você percebeu que Kirjusha anda nervoso ultimamente?
Ele mesmo me disse que você está mais fechada.
Chega tarde, ele não sabe onde você está.
Nadja deu uma mordida no sanduíche.
Mastigou.
— Eu trabalho.
— Mas no banco você fica até as seis, foi isso que ele me disse.
— Também tenho um segundo trabalho.
Pausa.
Tamara Nikolaevna claramente não esperava por aquilo.
— Por quê? — perguntou cautelosamente.
— Preciso de dinheiro, — respondeu Nadja simplesmente.
Outra pausa — agora diferente.
Nadja quase conseguia ouvir a sogra calculando mentalmente as possíveis respostas e sem conseguir escolher uma adequada.
— Bem, se Kirjusha precisa de ajuda com dinheiro, ele pode falar comigo, você sabe, — disse Tamara Nikolaevna finalmente.
— Para que se matar de trabalhar?
— Obrigada, Tamara Nikolaevna.
Preciso voltar, meu intervalo está acabando.
Ela desligou.
Terminou o sanduíche.
Olhou para o céu esbranquiçado, queimado pelo sol de agosto, e pensou que Tamara Nikolaevna ligaria para o filho ainda naquele dia.
E à noite Kirill ficaria em silêncio ainda mais alto do que de costume.
Que fosse.
No bolso havia uma nota nova — o primeiro pagamento de Viktoria Andreevna, em dinheiro, por quatro aulas adiantadas.
Nadja passou o dedo sobre ela sem tirá-la do bolso.
Só por fazer.
Para ter certeza de que estava ali.
A virada aconteceu de repente, como costuma acontecer.
Na manhã de sábado, Tamara Nikolaevna não veio sozinha.
Com ela estava uma mulher que Nadja tinha visto uma única vez no casamento e depois esquecido tranquilamente — Lyudmila, irmã da sogra.
Magra, seca, com os cabelos tingidos de uma cor que na juventude seria chamada de «castanho», mas que agora parecia mais uma experiência caseira.
Os olhos eram rápidos, atentos a tudo.
— Vamos, apresente-nos, — disse Tamara Nikolaevna ao filho, como se Nadja nem estivesse no corredor.
— Lyudochka veio visitar, fazia tempo que não nos víamos.
Lyudmila olhou ao redor do apartamento.
Depois para Nadja.
Sorriu com os lábios, não com os olhos.
— Vocês vivem bem.
— Tentamos, — respondeu Nadja.
Sonja foi mandada para brincar lá fora — já estava quente desde cedo, mas a menina saiu sem protestar, com um livro debaixo do braço.
Garota esperta.
Nadja colocou a chaleira no fogo e começou a cortar a torta que fizera no dia anterior — de cereja, como Sonja pedira.
Da sala vinham vozes: Tamara Nikolaevna contava alguma coisa sobre os vizinhos, Lyudmila fazia comentários, Kirill ria — de maneira leve, relaxada, como só ria perto da mãe.
Nadja cortava a torta e escutava.
Não de propósito — o apartamento simplesmente era pequeno.
— E a nora, como está? — perguntou Lyudmila em voz baixa.
Exatamente em voz baixa — suficientemente baixo para fingir que não era para ouvidos alheios, mas alto o bastante para ser ouvido.
— Ah, a nora, — suspirou Tamara Nikolaevna.
— Agora trabalha em algum lugar à noite, ninguém sabe onde vai.
Kirjusha fica nervoso.
— Isso é um mau sinal, Tom.
— É o que eu digo para ele.
Nadja pousou a faca.
Ficou parada por um segundo.
Depois pegou a bandeja com as xícaras e a torta e entrou na sala.
— Por favor, — disse calmamente, distribuindo as xícaras.
Lyudmila sorriu novamente, agora com interesse, como se estivesse revendo sua avaliação inicial.
Depois que elas foram embora, Kirill estava alegre, satisfeito e alimentado, como um gato depois de comer peixe.
Andava pelo apartamento assobiando.
Depois parou à porta da cozinha, onde Nadja lavava a louça.
— Lyudka diz que a casa em Sosnovka é boa.
Mamãe está pronta para pagar metade do valor.
— Eu ouvi.
— E então, o que você acha?
Nadja se virou.
— Acho que, se sua mãe pagar metade do valor, vai considerar metade da casa dela.
E vai aparecer quando quiser.
E Lyudmila também.
Kirill franziu a testa.
— Você é sempre assim.
Tudo é ruim, tudo está errado.
— Eu apenas penso dois passos à frente.
— Então você não quer?
— Eu quero, — disse Nadja, — que nós compremos a casa sozinhos.
Sem metade do dinheiro da sua mãe.
Kirill riu, curto e maldoso.
— Com o quê?
Com o dinheiro das suas aulas particulares?
Nadja olhou para ele.
Simplesmente olhou, sem raiva, sem lágrimas.
— Inclusive com ele, — respondeu.
E saiu da cozinha.
Viktoria Andreevna ligou na segunda-feira, logo depois do trabalho.
Nadja tinha acabado de sair do banco e caminhava pelo lado sombreado da rua — as velhas tílias ajudavam pelo menos um pouco.
— Nadja, preciso conversar com você.
Não por telefone.
Você poderia vir um pouco mais cedo na quinta-feira?
— Claro.
Na quinta-feira, Viktoria Andreevna a esperava não no quarto de Gleb, como de costume, mas no escritório — pequeno, com escrivaninha e estantes cheias de pastas.
Gleb não estava em casa.
— Sente-se, — disse ela, sentando-se em frente.
— Quero lhe fazer uma proposta.
Mas primeiro me diga sinceramente: você está satisfeita com seu trabalho no banco?
Nadja hesitou por um instante.
— É um trabalho normal.
— Isso não responde à minha pergunta.
— Não, — disse Nadja.
— Não estou muito satisfeita.
Viktoria Andreevna assentiu sem surpresa, como se fosse exatamente isso que esperava ouvir.
— Está abrindo uma vaga no meu colégio.
Professora de matemática, do quinto ao oitavo ano.
Além disso, há a possibilidade de dar aulas extracurriculares.
O salário é menor que no banco, não vou esconder.
Mas eu vi como você trabalha com Gleb.
Em três semanas ele fez o que não fazia havia seis meses.
E ontem ele mesmo pediu um exercício para fazer em casa.
Você entende o que isso significa?
Nadja entendia.
— Preciso pensar, — disse.
— Pense.
Você tem até o fim de agosto.
Ela voltou para casa a pé — devagar, atravessando todo o bairro, passando pelo mercado e pela praça.
Comprou um sorvete para Sonja — simplesmente porque a filha gostava de sorvete de creme em casquinha e porque agosto estava acabando, logo não faria mais tanto calor e o sorvete deixaria de parecer tão apropriado.
Pensava.
Naquela noite, Kirill recebeu uma mensagem da mãe.
Nadja não viu, mas pela maneira como o rosto dele mudou entendeu tudo.
Ele saiu para a varanda e falou por muito tempo em voz baixa.
Depois voltou.
— Mamãe soube das suas aulas particulares.
Por que você não me contou?
— Você não perguntou.
— Eu sou seu marido!
— Eu lembro.
— O que significa «eu lembro»?! — ele elevou a voz, e Nadja viu pelo canto do olho Sonja aparecer por um instante no corredor e voltar silenciosamente para o quarto.
— Você está escondendo dinheiro de mim?
— Não estou escondendo nada.
Estou ganhando.
— Para quê?!
— Kirill, — disse Nadja com muita calma, — você mesmo me disse: «Vou te dar o quanto eu achar necessário».
Eu ouvi.
Não era suficiente.
Encontrei uma solução.
Ele olhava para ela como se tivesse falado em uma língua estrangeira.
— Você quer dizer que eu te dou pouco?
— Quero dizer que nossa filha precisa de tênis, de um professor de inglês a partir de setembro e de uma jaqueta de inverno, porque a atual já ficou pequena.
Isso não é uma acusação.
É apenas uma lista.
Kirill se sentou.
Em silêncio.
O que, por si só, já era inesperado.
Nadja esperou um pouco e então acrescentou:
— Me ofereceram um emprego no colégio.
Como professora de matemática.
— Você enlouqueceu?
Lá pagam uma miséria.
— Menos do que no banco.
Mas estou pensando em aceitar.
— Por quê?
Ela ficou em silêncio por alguns instantes.
Lá fora, agosto se apagava — pesado, longo, abafado — e em algum lugar distante no pátio crianças riam, enquanto o ar cheirava a choupos aquecidos e ao fim do verão.
— Porque quando eu explico um problema e a pessoa de repente entende, alguma coisa acende aqui, — ela apontou para a região do peito.
— Eu vejo.
E isso me faz bem.
Bem de verdade.
Talvez seja isso que chamam de encontrar o próprio lugar.
Kirill não respondeu.
Olhava para ela e, pela primeira vez em muito tempo, não havia irritação nem a habitual superioridade em seu olhar.
Havia algo diferente.
Como se ele tivesse visto alguma coisa que nunca tinha notado antes.
Nadja não esperou para ouvir o que ele diria.
Foi até Sonja ler para ela antes de dormir, como faziam todas as noites.
A filha já estava deitada sob um cobertor leve, com o livro sobre os joelhos.
— Mãe, é verdade que você vai ser professora?
— Como você sabe?
— Ouvi um pouquinho.
— Sonja olhava séria, sem constrangimento.
— É verdade.
Provavelmente.
— Isso é bom, — disse Sonja.
— Você explica bem.
Eu testei.
Nadja riu.
— Quando foi que você testou?
— Eu te perguntei sobre o paralelogramo.
Você explicou.
Eu entendi.
Nadja apagou a luz principal e deixou apenas o abajur aceso.
Sonja abriu o livro.
Do lado de fora, agosto finalmente começava a esfriar de verdade pela primeira vez em todo o mês, com um vento suave e o cheiro de alguma coisa diferente, que ainda não tinha nome, mas já podia ser sentida.
Algo estava mudando.
Lentamente, sem grandes palavras.
Mas estava mudando.
Nadja começou a trabalhar no colégio no dia primeiro de setembro.
Naquela manhã, vestiu um vestido novo — azul-escuro, sóbrio, comprado com seu próprio dinheiro, sem pedir permissão a ninguém.
Sonja viu a mãe no corredor e disse simplesmente: «Bonito».
Kirill ficou em silêncio, mas olhou para ela.
A primeira turma foi o quinto «B» — onze meninas e quatorze meninos, barulhentos, curiosos, ainda não cansados da escola depois das férias de verão.
Nadja entrou, fechou a porta atrás de si e esperou até que todos se acalmassem.
— Meu nome é Nadezhda Sergeevna, — disse.
— Vamos estudar matemática.
Não é chato.
Eu vou provar.
Alguém riu nas fileiras do fundo.
Nadja não fingiu que não percebeu.
— Tudo bem, — disse calmamente.
— Também podem rir.
O importante é pensar depois.
A turma ficou em silêncio.
Interessada.
Em setembro, Kirill ficou mais quieto.
Não mais gentil — exatamente mais quieto, como se alguma coisa dentro dele tivesse se deslocado um pouco, abrindo espaço para algo que ainda não tinha nome.
Tamara Nikolaevna ligou uma vez e perguntou sobre a casa de campo.
Nadja respondeu que ainda não estavam prontos.
A sogra ficou em silêncio e, surpreendentemente, não insistiu.
Talvez tivesse percebido alguma coisa.
O dinheiro, por enquanto, era menor.
Nadja sabia disso, fazia contas e planejava tudo com calma, sem pânico.
Não abandonou totalmente as aulas particulares e manteve dois alunos.
Gleb passou na recuperação com nota quatro.
Viktoria Andreevna escreveu pessoalmente para ela numa manhã de domingo, acrescentando no final apenas: «Obrigada».
Certa noite, Sonja aproximou-se dela com um caderno.
— Mãe, explica esse problema.
Elas se sentaram juntas à mesa da cozinha, sob a luz suave da luminária.
Lá fora, a primeira chuva de outono caía silenciosamente — fina, tranquila, completamente diferente do abafamento de agosto.
Nadja explicava.
Sonja escutava franzindo a testa e, de repente, entendeu.
Dava para ver imediatamente: os olhos dela mudaram, ficaram vivos.
— Ah! — disse a filha.
— Agora eu entendi.
Nadja olhou para ela e pensou: é isso.
Não uma grande vitória, não um momento decisivo acompanhado por uma orquestra.
Apenas sua filha à mesa da cozinha, um caderno quadriculado, a chuva lá fora e aquele simples «agora eu entendi».
Por isso valia a pena procurar o próprio lugar.
Ela tinha encontrado o seu.







