— Então, Vítia, chegamos aos sessenta, — suspirou Tatiana Semiónovna, ajeitando diante do espelho o penteado de festa. — Os convidados já foram embora, a louça está lavada… Você se lembra que dia é hoje?
Viktor Stepánovitch levantou-se devagar da poltrona, apertando na mão uma pequena caixinha de veludo cor de vinho.

Em seu rosto grisalho surgiu um sorriso estranho e tímido.
— Como eu poderia esquecer, Taniúcha? O sexagésimo aniversário da mulher que amo. Quarenta anos juntos, como se fossem um único dia.
— E você se lembra do que conversamos há seis meses? — Tatiana virou-se para ele com o coração apertado de expectativa.
Seus olhos brilhavam.
— Lembra daquele colar de ouro com granadas na joalheria da Avenida Central? Você até disse: «Tánechka, no seu aniversário vou lhe dar algo verdadeiramente digno de uma rainha, você merece»…
— Lembro, Taniúcha. Lembro de tudo, — respondeu Viktor suavemente, aproximando-se. — Feche os olhos e estenda as mãos.
Tatiana obedeceu e fechou os olhos, enquanto o coração começava a bater mais depressa.
«Será que ele comprou? — passou-lhe pela cabeça. — Afinal, conseguiu juntar o dinheiro, escondeu de mim, mas cumpriu a promessa!»
Ela sentiu algo muito leve, quase sem peso, pousar na palma da mão.
— Pode abrir! — anunciou Viktor solenemente.
Tatiana abriu os olhos, olhou para a própria mão… e ficou imóvel.
Sobre o veludo não havia uma corrente de ouro com pedras vermelho-escuras brilhantes.
Ali estava uma pequena broche, grosseiramente feita de plástico barato cor-de-rosa vivo, em forma de uma flor desajeitada.
No centro do botão de plástico havia uma pérola irregular de madrepérola.
Um silêncio ensurdecedor caiu sobre o quarto.
— Isso… o que é? — perguntou Tatiana em voz baixa, mal conseguindo pronunciar as palavras.
— É para você, Tánechka. Feliz aniversário! — disse Viktor, radiante.
— Vítia… Você está zombando de mim?! — a voz da mulher tremeu com as lágrimas que começavam a surgir. — O que é esse pedaço de plástico?! Comprou numa passagem subterrânea por cem rublos?!
— Tânia, olhe melhor, não fique nervosa!
— Olhar melhor para quê?! — Tatiana explodiu em gritos, e as lágrimas saltaram de seus olhos. — Para essa vergonha?! Estou há quarenta anos ao seu lado! Vaguei com você por guarnições geladas! Economizei em tudo, levei cada centavo para o orçamento da família! Vendi até os brincos de ouro da minha avó quando faltou dinheiro para suas ferramentas! E você… você, no meu sexagésimo aniversário, me dá esse lixo barato?!
— Tánechka, escute, deixe-me explicar… — Viktor deu um passo em sua direção, estendendo as mãos.
— Não se aproxime de mim! — gritou ela, recuando em direção à janela. — Que vergonha! O marido da Vália deu a ela um conjunto de diamantes no aniversário, o Kólia comprou para a Liússia uma viagem às Maldivas! E o meu… prometeu um colar de ouro e trouxe uma bugiganga de centavos! Você simplesmente teve pena de gastar dinheiro comigo! Passou a vida inteira tendo pena!
— Se fosse uma questão de dinheiro, Tânia! — exclamou Viktor, alto e desesperado.
— Então é questão de quê?! De respeito?! Onde está esse seu respeito?! Você não se importa comigo! Tome, pegue de volta o seu precioso presente!
Com toda a força, Tatiana arremessou a caixinha pela janela entreaberta.
O estojo de veludo brilhou por um instante na escuridão e desapareceu em algum lugar entre os arbustos do jardim em frente ao prédio.
Viktor empalideceu.
Ele não gritou de volta.
Apenas baixou as mãos e olhou para a esposa com um olhar triste e infinitamente cansado.
— Sabe, Tânia… Eu passei seis meses procurando esse pedaço de plástico. Em todos os mercados de antiguidades e com colecionadores particulares.
— Procurando o quê?! Restos de uma fábrica de moldagem?! — soluçou Tatiana, limpando o rímel das bochechas.
— Você se lembra de maio de mil novecentos e oitenta e seis? — perguntou Viktor em voz baixa, olhando como se atravessasse o rosto dela. — O velho Parque Górki. Uma chuva terrível, trovões por toda parte, e nós dois debaixo de um único guarda-chuva furado diante de um quiosque de sorvete fechado…
Tatiana ficou imóvel por um instante e parou de enxugar as lágrimas.
— Naquele dia eu tinha exatamente quarenta copeques no bolso dos meus jeans desbotados, — continuou Viktor. — Não dava nem para um café, nem para flores decentes. E na entrada do parque havia um velho cego e inválido vendendo broches de plástico feitos à mão. Com todas as últimas moedas que eu tinha, comprei dele aquela flor rosa. Entreguei para você e gaguejava de tanto medo…
— «Pegue, Tánechka, é para você…» — repetiu Tatiana involuntariamente em um sussurro, lembrando-se das palavras da juventude distante.
— Sim, — Viktor sorriu amargamente. — E você prendeu aquela bugiganga barata no seu único vestidinho de chita, me abraçou e disse: «Vítia, esta é a joia mais preciosa e bonita da minha vida. Nunca vou esquecê-la». Lembra?
Tatiana sentou-se lentamente na cadeira.
Faltou-lhe o ar.
— Lembro… — sussurrou. — Mas ela se perdeu… Nos anos noventa, quando nos mudamos…
— Perdeu-se, — assentiu Viktor. — E eu encontrei um joalheiro e um modelador 3D. Com base nas minhas fotografias antigas e nos desenhos, recriamos exatamente aquele broche. Uma cópia perfeita. Até a menor rachadura em uma das pétalas. Mas você nem me deixou terminar, Tânia… Nem chegou a virá-lo nas mãos.
Viktor virou-se, saiu silenciosamente do apartamento e desceu até o pátio.
Tatiana permaneceu sentada, imóvel, cobrindo a boca com as mãos.
Dentro do peito, tudo se revirava de vergonha e de uma dor ardente.
Cinco minutos depois, a porta de entrada rangeu suavemente outra vez.
Viktor entrou no quarto.
A parte de baixo de suas calças estava molhada de orvalho, e nas mãos ele segurava a caixinha que havia encontrado entre os arbustos.
Aproximou-se da mesa, limpou cuidadosamente o estojo com um lenço e tirou o broche de plástico.
— Olhe, — disse em voz baixa.
Viktor segurou a flor entre os dedos e pressionou uma pequena saliência quase imperceptível escondida na parte de trás da estrutura de plástico.
A tampa superior de plástico rosa abriu-se suavemente sobre uma minúscula dobradiça, como a portinhola de um medalhão antigo.
Dentro daquela estrutura barata de plástico, profundamente encaixado em uma armação de platina branca como a neve, surgiu um grande safira azul-centáurea, brilhando com uma luz incrível e quase enlouquecedora, cercada por uma chuva de diamantes puríssimos.
A pedra ardia sob a luz do lustre com tanta intensidade que reflexos azuis e luminosos começaram a dançar pelas paredes do quarto.
— O joalheiro levou três meses para fazer esse mecanismo secreto, — disse Viktor, olhando para a esposa petrificada. — Dentro há uma raríssima safira da Caxemira. Ela vale três vezes mais do que aquele colar da joalheria, Tânia. Eu queria que por fora estivesse a nossa juventude… O nosso amor puro, quando éramos pobres, mas absolutamente felizes. E por dentro, a minha gratidão por todos os quarenta anos em que você esteve ao meu lado.
Tatiana olhou para a pedra brilhante, depois para a estrutura de plástico gasta e, por fim, para os olhos bondosos e tão familiares do marido.
— Vítia… — conseguiu dizer, antes de cair no choro, alto e desesperado, como uma menina.
Ela correu até ele, abraçou-o pelo pescoço e enterrou o rosto em sua jaqueta úmida de orvalho.
— Vitenka, me perdoe! Perdoe esta velha boba e idiota! — sussurrava entre lágrimas, beijando suas bochechas grisalhas. — Me perdoe, meu querido!
— Pronto, Taniúcha, pronto, — Viktor acariciava suavemente suas costas, sorrindo. — Vamos colocá-lo. Esse rosa fica muito bem em você. Assim como há quarenta anos.







